Segunda-feira, 26.01.15

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De 26 de janeiro a 1 de fevereiro de 2015.


Ulrich Beck (1944-2015) foi professor da Universidade de Munique e da London School of Economics e um dos mais importantes sociólogos contemporâneos, cuja reflexão é fundamental para compreendermos os erros e as saídas para a atual crise. «A Europa Alemã: De Maquiavel a “Merkievel”. Estratégias de Poder na crise do euro» (Edições 70, 2013) é um lúcido apelo crítico a uma resposta coerente e cosmopolita dos europeus.

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ENTRE COSMOPOLITISMO E SOCIEDADE DO RISCO
Ulrich Beck morreu inesperadamente. Se dúvidas houvesse, os acontecimentos de Paris com o ataque absurdo e bárbaro ao «Charlie Hebdo» demonstram que devemos ler com atenção, nas suas múltiplas consequências, as noções de «cosmopolitismo» e de «sociedade do risco» que estudou e desenvolveu. De facto, não basta a aceitação da tendência para a globalização, é preciso que a sociedade contemporânea compreenda que há uma prevenção indispensável de modo a superar os absolutismos identitários através de novas mediações sociais, que considerem a cidadania como um agente ativo da consolidação democrática. De facto, é a democracia que está em causa quando nos deparamos com o que o pensador alemão considerava serem as «cinco cegueiras» das políticas nacionais na era da globalização. Ao contrário de qualquer fatalismo ou atitude cínica, do que se trata é de criar defesas para a democracia, de modo que o poder político democrático prevaleça sobre o poder económico, que a coesão social e o desenvolvimento humano ajudem contra os fenómenos incontroláveis do terrorismo e da violência e que a segurança se construa através da justiça e da racionalidade. Ulrich Beck disse, assim, ser falso que não possa fazer-se política contra os mercados, uma vez que são as ações dos políticos que criam essa pretensa impotência, cabendo-lhes mudar de atitude. Do mesmo modo, não é possível pensar-se que uma mera gestão interna nacional seja suficiente ou eficaz – já que a subsidiariedade obriga a compreender que o Estado nação é pequeno e grande demais para responder aos problemas de hoje. Além disso, a mera lógica económico-liberal não responde aos riscos globais: crise financeira, mudanças climáticas, catástrofes ecológicas, e naturalmente o terrorismo. Daí Beck falar do que, com ironia, designa como «cegueira neomarxista», já que temos de tomar consciência da complexidade das mudanças, não resumíveis aos parâmetros tradicionais das forças produtivas e relações de produção: a transferência do poder do norte para o sul, do Atlântico para o Pacífico, do dólar para o euro ou a quebra de estatuto do velho centro euroamericano. E há ainda a ilusão tecnocrática, falsamente moderna, já que não podemos trocar processos por resultados, nem menorizar a importância do desenvolvimento humano, da liberdade e da democracia.


NA LINHA DE MAX WEBER
A timidez de muitas respostas europeias, a tentação de seguir a lógica de uma «Europa alemã», a incompreensão do movimento e das mudanças políticas e sociais podem contribuir para uma perigosa explosão de natureza incerta com consequências imprevisíveis. Uma «sociedade do risco» («Risikogesellschaft», 1986) não significaria, segundo o sociólogo, uma realidade geradora de medos ou receios inusitados, mas a compreensão de que a produção de riscos faz parte da vida moderna (Tchernobil, Bhopal, 11 de setembro, etc.). Trata-se da via para uma outra modernidade, que obriga a integrar a reflexão sobre o imprevisto nas ciências sociais (a começar na economia), em lugar de uma conceção ingénua do progresso ilimitado. A contingência, o acidente, a catástrofe que uma sociedade de escolhas e de limitação de perigos parecia ter abolido passaram a ser consequência perversa da evolução científica. Mais importante do que cair na ilusão de controlar esses riscos, urge saber lidar com eles e prevenir as suas consequências. Eis a lição de Ulrich Beck, que procurou atualizar a herança do mestre Max Weber aos tempos de hoje. Dir-se-ia, no entanto, que havia um certo sentido utópico nesta riquíssima investigação. A conclusão não é correta. Beck procurou reler os acontecimentos, afirmando que o crescimento excessivo dos Estados não deveria dar lugar à sua substituição pela mera lógica especulativa e mercantil, mas pelo reforço das iniciativas de solidariedade voluntária. Como disse Bruno Latour, reconhecendo tratar-se de uma imensa perda para a Europa em crise: «(Ulrich) imaginava a Europa das novas pertenças contra a Europa dos Estados – em especial contra uma conceção unicamente germânica ou francesa de Estado» («Le Monde», 7.1.15). Por isso, entendia que a Europa deveria repensar-se graças a novos entendimentos sobre o território e a identidade, que não sejam uma reconstrução obsoleta da velha soberania. A soberania partilhada de hoje obriga a centrarmo-nos na cidadania e na legitimidade do exercício – não confundível com novas formas de populismo e de demagogia, que dão campo à cegueira da idolatria do «bezerro de ouro» dos mercados, com as consequências bem presentes e conhecidas… Desde a crise financeira à barbárie, que matou Charb, Cabu, Wolinski e Tignous, passando pela prevenção da corrupção e pela atenção aos desastres ambientais – a «sociedade do risco» de Ulrich Beck corresponde à compreensão de que a ciência moderna dá espaço à surpresa e à inovação e que a incerteza, a mudança e o movimento são as bases do reforço da democracia, como domínio e aceitação da imperfeição e exigência de não desistir de uma sociedade melhor. E o certo é que o pensador apelava, nos principais jornais europeus, à inquietação deixando-nos uma pergunta por responder entre tantas dúvidas: Como é que o poder de transformação do risco global poderá transformar a política?


COMPREENDER A INDIFERENÇA NACIONAL
Longe da tentação das leituras apocalípticas ou da resignação perante os desastres, o filósofo defendia uma «modernidade reflexiva», centrada na responsabilidade – dos cidadãos e da sociedade. A noção de «cosmopolitismo» reencontrou-a em Kant, considerando-a como o melhor modo de responder ao desafio da mundialização, não com uniformização e indiferença, mas com a consagração da liberdade e da dignidade, referenciadas no primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos. «Os Estados cosmopolitas fundam-se no princípio da indiferença nacional» - afirma no «Der Spiegel». «Do mesmo modo que as guerras da religião tiveram o seu termo no Tratado de Vestefália do século XVII (1648) graças à separação entre o Estado e a religião, poderemos responder aos desafios das guerras civis mundializadas do século XX distinguindo Estado e nação». Essa seria uma das lições a tirar dos atentados terroristas de 11 de setembro, e de tudo o que depois temos visto. Daí a sua recusa de uma «Europa alemã» e da lógica redutora da austeridade (que o levou a falar de «Merkievel» e dos seus efeitos perversos). Voltamos a ouvir, assim, os ecos do célebre ensaio do filósofo de Königsberg sobre a «Paz Perpétua», centrados hoje num conceito atualista de democracia. Não se trata, afinal, de recusar as realidades sociais mediadoras, mas de contrariar que as mesmas se tornem modos absolutos ou fatores das cegueiras contemporâneas. Ulrich Beck recusou, assim, as «torres de marfim» dos intelectuais e a inércia das explicações acomodadas, considerando a necessidade de um novo contrato social baseado no reforço da democracia centrada na «sociedade do risco».

 

Guilherme d'Oliveira Martins



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Domingo, 25.01.15

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4. A JERÓNIMO SAVONAROLA

 

      De teus olhos, Senhor, me afugento,

      eu que tanto deles me aproximei,

      porque já cego sou daquele alento,

      tão duro,de gritar a tua lei!

 

      Bem sei, sei bem que a fúria do tormento,

      que me anima e fere o fraco peito,

      já não será mais o teu mandamento,

      tão justo e bom, que me deixou desfeito...

 

      Mas porque quiseste, Senhor, pedir-me

      a raiva que não tinha nem me cabe?

      Fiz, porque mandaste, sem ouvir-me,

 

      castigar duro mundo que não sabe

      que só contra mim foi o teu caminho:

      nele, contigo só,  fiquei sozinho...,     

 

Camilo Martins de Oliveira



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Sábado, 24.01.15

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Bob Law e os Desenhos de Campo Metafísicos.
 

‘In fact one only gets back from the work what one projects into it.’, Bob Law, 1975

 

O desenho é a génese do trabalho de Bob Law (1934-2004). Para Law o desenho tem um estatuto mítico e é o modo primeiro de qualquer comunicação.

 

‘What does exist is an imprint and that is the beginning of art, in there being nothing which is something.’, Bob Law, 1967.

 

Os primeiros desenhos que se conhecem de Bob Law, do final dos anos cinquenta, são acerca da paisagem que rodeiava a sua casa, em St Ives, Cornwall. Através destes desenhos, Law desejava encontrar-se a si próprio. Gravava aquilo que via através de uma linguagem gráfica. Law priviligeava uma relação física (e não visual ou óptica) com o mundo, desejava uma fusão total com a paisagem. Pretendia assim criar uma transcendência com os seus desenhos – e mostrar como o sujeito se pode transformar e projectar através da sua obra. Deste modo, o sujeito pode manifestar-se através de uma oscilação entre a presença e a ausência, entre o visível e o invisível.

No ensaio ‘Bob Law: Drawing Degree Zero’, Anna Lovatt afirma que Law mudou a sua prática de desenho para um modo de fazer muito mais primário e revelador, um processo de auto-descoberta. Estes desenhos eram um resultado do que o artista via enquanto deitado no campo contíguo à sua casa. Trabalhava intensamente – produzia cerca de 50 a 60 desenhos por dia, destruía o excesso e ficava só com muito poucos. A rapidez e a intensidade deste processo é bastante evidente – o resultado manifesta-se através de linhas bem marcadas de grafite, desenhadas à volta do perímetro do papel e que marcam o limite do campo visual. A colocação dos elementos no desenho sugere um complexo e intelectual processo de codificação. Apresenta-se sempre uma vista circular da natureza. São estruturas que radiam do centro para a periferia (quase mandalas) e estão sempre datadas. Estes desenhos contêm ainda ideogramas para os vários elementos da paisagem – as árvores, a relva, o sol, a linha do horizonte, as estrelas e as nuvens aparecem como espirais, asteriscos, triângulos, linhas em zigzag. A moldura e a marcação do limite são de enorme importância em trabalhos posteriores.

 

‘The early Field drawings were about the position of myself on the face of the earth and the environmental conditions around me: the position of the sun, the moon and the stars, the direction of the wind, the way in which the trees grew, no awareness of nature’s elements, no awareness of nature itself and my position in nature on earth in a particular position in time.’, Bob Law, 1974

 

Law acentua a importância do céu em relação à terra (esta regista somente uma visão abstracta e periférica). Em vez de representar uma paisagem de um modo cru e imediato, Bob Law tenta sobretudo traduzir uma experiência subjectiva de um tempo e de um espaço específico através de uma linguagem simbólica. Lovatt declara a importância e a urgência de Law em se rever e se encontrar nessa paisagem – talvez influenciado pela leitura do livro ‘The Story of my heart’ de Richard Jefferies (1848-1887), que descreve a procura pelo transcendente na paisagem, através de uma série de experiências espirituais. No livro de Jefferies, o sol simboliza a alma e os pensamentos do escritor são direccionados para o exterior e para cima numa urgência por uma revelação qualquer, muito semelhante à libertação de energia que se solta a partir do centro de alguns dos desenhos de Bob Law. E nos escritos de Jeffferies, tal como nos desenhos de Law, dá-se a importância do espaço particular e concreto que, por sua vez, facilita um profundo entendimento da vastidão do tempo e intensifica o sentido do momento presente.

 

‘Metaphysical Field Drawings could be a kind of environmental chart, a thesis of ideas, energies, transmutations.’, Bob Law, 1962

 

Segundo Anna Lovatt, estes desenhos ambicionam transcrever o universal dentro do particular, mapeando a posição do artista na terra e numa determinada posição no tempo. Law desejava descobrir-se na paisagem e fazer a gravação desse momento particular e único através do desenho. E assim através de um trabalho intenso e rápido Bob Law chega perto da verdade, não a partir de uma ilusão mas através de algo palpável e físico.

 

Ana Ruepp



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Sexta-feira, 23.01.15

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Se houve cidadão generoso e permanentemente empenhado na defesa da coisa pública, o melhor exemplo é o de Manuel Ataíde Ferreira que há pouco nos deixou.

Fundador e Presidente da SEDES, um dos mais ativos membros da Deco, Advogado, representante português no Conselho Económico e Social da União Europeia sempre foi um lutador em prol do bem comum e da defesa da liberdade e da igualdade. Foi-lhe, por isso, outorgado com integral justiça a Ordem da Liberdade.

Conheci-o sempre com um fino sentido de humor e um realismo muito acentuado. Quando desempenhei durante dez anos a presidência da SEDES contei sempre com a sua colaboração inexcedível. Todas as palavras são poucas para o homenagear e dar nota da falta que nos fará.
Muito obrigado Manuel!

Guilherme d'Oliveira Martins



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Foi o meu primeiro professor de Direito. Jamais esquecerei esse dia de novembro de 1969. Percebemos desde o primeiro momento que o Direito Constitucional a sério tinha de ter a marca indelével da liberdade e da democracia.
Nunca mais perdemos o contacto. Como jurisconsulto foi um dos mais brilhantes que alguma vez conheci. Desde muito novo, dando continuidade a uma tradição familiar, manifestou-se como alguém dotado de uma sensibilidade, de uma inteligência, de uma argúcia e de uma capacidade singularíssima para procurar soluções por caminhos novos e inesperados. Era sempre capaz de ver para além do que era mais evidente, e assim era capaz de ajudar na solução de complexas dificuldades.
Para o Miguel o Direito não era uma ciência formal ou rígida, era um instrumento dinâmico para resolver problemas. Para si o advogado era o primeiro elemento da administração da justiça, e acreditava que a primeira instância dos tribunais estava no escritório do causídico. Por isso, nos ensinou sempre que o mau advogado é o que usa subterfúgios e procura fugir à essência dos problemas.
Como cultor do Direito Público, entendia que o Estado de Direito e a cidadania se afirmam e reforçam pelo equilíbrio de poderes e pela assunção com todas as consequências da lição de Montesquieu – só o poder limita o poder. Por isso, «As Cartas Persas» eram para ele uma ilustração essencial da exigência de uma salvaguarda dos direitos fundamentais a partir do respeito mútuo, da confiança entre poder e cidadãos, como articulação entre legitimação e legitimidade.
António Araújo designou-o como «il miglor fabro». Não pode haver expressão mais adequada. No mundo do Direito ele foi dos melhores. A sua lição não pode ser esquecida. E nós, seus alunos, nunca olvidaremos o seu desassombro, nos momentos mais difíceis, e nas mais diversas circunstâncias, na defesa da liberdade e daquilo que Isaiah Berlin designou como uma sociedade decente. Coerente, aberto, rigoroso, correto, amigo, solidário – cidadão a toda a prova!

Guilherme d'Oliveira Martins 



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Coliseu de Roma

 
3. A GALLA PLACIDIA AUGUSTA

 

      Choraste, Galla Augusta, o teu império

      mesmo antes de morrer, às mãos do Huno,

      teu Cristo, tua Roma, teu mistério,

      teu ser antigo, tão perene e uno...

 

      Gemeste em ti o peso dessa cruz,

      desse fado de divisões fraternas,

      das ilusões em mrque parecia luz

      qualquer ouro escondido nas cavernas...

 

      Dos jogos e enganos do poder

      também tu trataste. Dando, esperaste

      alianças, uniões... Mas bem querer

 

      não se compra nem vende, nem se pensa :

      foi sempre vão o amor que conquistaste

      e só destruição a recompensa...     

 

Camilo Martins de Oliveira



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Quinta-feira, 22.01.15

7.

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Se um dia voltasse a ser

O dia em que te fiz mágoa

Pudesse eu

Voltar a princesa e ter

 

Braços para nos salvar

No teu coração

Inundado de água

 

Mas crê paixão minha

Que a chamada que te faço

Agora

Acende o peito, a mão,

O beijo que em ti espalho

 

E de tão sublime verso

Os meus olhos te pedirem

Aqui já to dou

Basta devolveres

Para mim

 

Que tua parte de mundo

Eu sou

Em ti

 

E nada cessa

Lá onde canta o universo

 

Mais do que prometeste me deste

Mais do que de perigos me salvaste

Que de outros sentires quase me mataste

E em ardentes engenhos me enganaste

E de tanto corrente e sublimada

Me fugi

 

Mas não agreste

Só sofrida

Não muda

Só de choro

 

 

Teresa Bracinha Vieira

2015

 

8.

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Coloquem-se os cisnes mansamente

Pelos caminhos das veias ligadas em cadeias

E mil desconcertos de guerras numa paz de sono

Logo se fará

 

Ou as pastoras dos cisnes de nocturnas horas

Não entendessem as forças

Da especial necessidade

 

Antigas no socorrer-nos

E ainda mais ledas do que cansadas

As pastoras vivem o trabalho na memória

 

De que todos somos deleites intranquilos

Na terra que não guardamos

Na rédea que mal seguramos

Quase sempre a ver, não vendo, a voar ficando

E a apregoar esclarecendo

 

Que somos navegantes?!

 

Coloquem-se os cisnes mansamente

 

Teresa Bracinha Vieira

2015



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Quarta-feira, 21.01.15

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Taborda (fonte-GEPB vol. 30) e Laura Alves (fonte Laura Alves cit.)

ATORES QUE DERAM NOME A TEATROS

 

Não é muito comum entre nós a  denominação de teatros evocativa de atores. Recentemente, referimos o teatro Maria Vitória no conjunto dos teatros do Parque Mayer: hoje já ninguém recorda a atriz que deu o nome ao teatro, edificado numa construção ”provisória”  como na altura se assumiu, em 1922. Penso que a decoração art deco é posterior.  Mas trata-se de um dos poucos teatros portugueses que evoca um artista de cena.

 Não assim com escritores. Sousa Bastos, no Dicionário do Theatro Português que aqui temos citado (1908) assinala, na época, em todo o país, quatro Teatros Camões/Luís de Camões, um Teatro D. João da Câmara, um Diogo Bernardes, sete  Gil Vicente, um Garcia de Resende, um Pinheiro Chagas, um Sá de Miranda: e apenas um Rosa Damasceno,  três Taborda, um Virgínia… e nada menos do que 13 teatros cuja designação evoca diretamente Reis, Rainhas, Príncipes e demais membros da família real, com o destaque óbvio do Teatro D. Maria II, que é de 1846.

E aqui queria neste momento chegar. Em 1908, Sousa Bastos descreve três Teatros Taborda, em Abrantes (1828), em Lisboa (1870) e em Oeiras (1884). Evoca, em termos ditirâmbicos, o ator Taborda, homenageado pelo próprio nome nos teatros acima referidos: qualifica-o como - e  citamos literalmente  - “ incomparável”, de “brilhantíssima carreira”,  “caráter de ouro que tem um amigo sincero e um admirador devotado em cada português (…) a jóia mais preciosa do palco português “ em “criações brilhantíssimas “ e “trabalho excecional e verdadeiramente único”!...

De notar que Sousa Bastos era à época casado com a jovem Palmira Bastos: e a biografia que lhe dedica no Dicicionário não fica atrás! Mas Luis Francisco Rebello, mais de 90 anos decorridos, ainda  evoca “o grande Taborda” como ator dos primeiros espetáculos de revista. (in “História do Teatro de Revista em Portugal” vol. 1-  1984). E na “História do Teatro Português” Rebello cita Taborda à cabeça de um grupo de atores que “trilharam caminhos de maior exigência artística”. “História do Teatro Português”  5ª ed. -2000)

Ora bem: chega-nos um estudo ainda não publicado da autoria de Pedro Marçal Vaz Pereira, acerca do Teatro, ou dos sucessivos teatros edificados a partir de 1883, em Cernache do Bonjardim. E precisamente, o edifício em vias de restauro, herdeiro ou sucessor de edifícios e/ou agrupamentos de amadores locais – Clube Bomjardim, Teatro Cernachense, Teatro Bonjardim, Teatro de Cernache – adota a partir de 1899 o nome de Teatro Taborda, sendo o ator consagrado num homenagem em que  atuou Alfredo Keil , que execuou ao piano   trechos da ópera “A Serrana. 

 Mas avancemos no tempo.

Em 1968,Vasco Morgado inaugura um novo teatro em Lisboa: tratava-se  da adaptação do velho cinema REX a teatro, com obras de restauro e recuperação designadamente no palco.

 Publiquei aqui um texto, em 24 de Setembro último, a encerrar a série dedicada aos mais antigos teatros de Lisboa, assinalando a  essa reconversão do REX em teatro: e evoquei a atriz Laura Alves, pois o novo teatro chamou-se precisamente Teatro Laura Alves.  

No que respeita ao edifício, destruído por um incêndio em 2012, remete-se para o  texto aqui publicado neste blog.  Mas o que importa agora é evocar a grande atriz que foi Laura Alves (1921-1986),  pois ao longo de mais de 45 anos marcou o teatro português numa diversidade impressionante de géneros e de interpretações, da comédia ao drama, à revista à opereta, ao  teatro musicado e ao cinema.

 Passou pela companhia do Teatro Nacional  mas sobretudo a partir de 1951, ano da inauguração do Teatro Monumental, com a opereta “As Três Valsas” , representou todos os géneros e inúmeros autores, aí incluindo muito teatro português, muita comédia e drama contemporâneo, mas também Shakespeare, Gil Vicente e tantos clássicos: um carreira de mais de 400 personagens!

Cito, para terminar, algumas  referencias recolhidas no álbum de homenagem publicado no inicio dos anos 70  assinalando os  20 anos do Teatro Monumental. ( in “Laura Alves – Êxitos de 20 Anos da sua Carreira” dir.  Mário de Aguiar, texto de Alice Ogando).

De Ramada Curto: “Esta atriz é essencialmente genérica, porque se adapta a todos os géneros. Tem inventiva cómica e ninguém como ela comunica com o publico pela graça espontânea e caricatural, sem descer ao grosseiro, para logo a seguir interpretar uma alta comédia com inteligência e corda dramática”.

De Aquilino Ribeiro: “Em Paris, seria uma atriz de grande ribalta. Entre nós, é uma flor a perfumar um matagal”.

De David Mourão Ferreira : “Laura Alves realiza plenamente o sonho mais íntimo de todos os artistas – que é o de obter o vibrante entusiasmo das multidões e o aplauso esclarecido das minorias mais exigentes”.

E muito me honro de ter também colaborado neste livro de homenagem, frisando designadamente que “tantos anos de carreira profissional, vinte dos quais no mesmo ambiente, é coisa rara, quase um milagre teatral”…!  

 

DUARTE IVO CRUZ



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Terça-feira, 20.01.15

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The political center erosion, 2015

Et voilà. Tic-tac Spring-is-coming. Depois da insurgência à direita com o Ukip, eis idêntico fenómeno a observar-se à esquerda da paleta política com o Green Party a somar aos imprevisíveis Scots. Em contagem decrescente para as eleições gerais de 2015 May 7, a bissetriz das sondagens confirma o afundamento dos partidos do centro. Conservadores e trabalhistas estão já abaixo do limiar dos 30% nas intenções de voto.

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 — Chérie! Est-ce que vous pourriez parler plus lentement, s'il vous plaît? A inversão de políticas cavalga já veloz em Westminster, com o duro discurso austeritário substituído pela promessa Con-Lab de full employment, responsability & security. — Humm, do a bird be known by a new song? O Prime Minister RH David Cameron regressa de uma visita ao great friend US President Barack Obama! A Oxfam alerta que o excecional progresso das últimas décadas carece de calibragem para justa distribuição da riqueza: 80 ultraricos detêm hoje um cofre de milhões igual às carteiras dos tostões de 3,2 b pessoas. Em vésperas de eurocolisão grega, começa o êxodo dos judeus no continente.

Colds starts and icy evenings, with charming dry days around. Os bons ventos atlânticos agora revisitados pelo Premier trazem à ementa das notícias a visão maior legada ao The West por um distinto argonauta que há 50 anos parte feliz rumo à eternidade.

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Britain despede-se a January 24 de Sir Winston Leonard Spencer Churchill KG OM CH TD FRS, ao som de Laments of the forest. A marcar a data, The Royal Mint cunha “a £20 piece in honour of wartime British Prime Minister.” Nos 20’s, The Lion King anota nas suas Memoirs palavras para acompanhar os pipers:  "We may now picture this great Fleet, with its flotillas and cruisers, steaming slowly out of Portland Harbour, squadron by squadron, scores of gigantic castles of steel wending their way across the misty, shining sea, like giants bowed in anxious thought. We may picture them again as darkness fell, eighteen miles of warships running at high speed and in absolute blackness through the narrow Straits, bearing with them into the broad waters of the North the safeguard of considerable affairs.... The King’s ships were at sea." Really, a true Briton.

Um herói aguarda The ancient Mediterranean world. Mr Alexis Tsipras, o líder do Leftist Syriza, é o nome de quem por aqui se fala face à galante resistência a Unholy Alliance contra a liberdade de voto dos gregos. O Tweetminster esculpe uma nova palavra em tributo a este Galahad: Grexit. O entardecer do próximo Sunday dirá do resultado ao hard fiscal waterboarding a que uns quantos prestadios se arremessaram para atar os eleitores de Athens a monista opção. Afinal, como usava dizer WSC, não sem a sua pitada de Kent irony, “to improve is to change, so to be perfect is to have changed often.” 

Talvez contribuindo para a alternative flagship de uma economia para e ao serviço das pessoas, o Prince of Wales está a recrutar pessoal qualificado para a sua Household em Central London. A Digital Engagement Officer procura-se. As candidaturas estão abertas a todos até February 7. Entre os predicados do criativo, além do degree level e work experience, a via estreita-se com o candidato a obedecer a formato real da Clarence House. — A calm and diplomatic manner, good news sense… and a valid UK driving licence are desirable.

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St James, 20th January

Very sincerely yours,

V.



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Segunda-feira, 19.01.15

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De 19 a 25 de janeiro de 2015.

A Academia Brasileira de Letras e a editora Glaciar lançaram uma iniciativa de grande significado, que se propõe publicar em Portugal, nos próximos anos, a coleção «Biblioteca da Academia», constituída por 25 obras fundamentais da literatura e da cultura brasileiras, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.

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MACHADO DE ASSIS, MESTRE ABSOLUTO
Procura-se dar «uma visão panorâmica altamente representativa da produção literária brasileira por meio das obras dos seus escritores académicos nos campos da ficção, da poesia e do ensaio». Os primeiros quatro volumes já distribuídos, caracterizam-se por um grande cuidado na fixação de textos e no enquadramento cultural e literário. Falamos de «Os Romances» de Machado de Assis; de «Dialética da Descolonização de Alfredo Bosi; de «Os Sertões» de Euclides da Cunha e da «Poesia Completa» de João Cabral de Melo Neto. Trata-se de uma ação fundamental para tornar acessível ao público português obras referenciais da cultura brasileira, por vezes menos conhecidas entre nós, implicitamente ficando lançado o desafio para reforçar, nos dois sentidos, o conhecimento mútuo das culturas portuguesa e brasileira, já que a cultura contemporânea de Portugal é mal conhecida no Brasil. Ao começar com «Os Romances» de Machado de Assis (1839-1908), conta este volume, de cerca de 1550 páginas, com o prefácio e fixação de texto de Luís Augusto Fischer, com notas de Olívia Barros de Freitas. Machado é, sem dúvida, o mais importante escritor da literatura brasileira do século XIX. Era filho de um mulato e de uma portuguesa emigrada, sendo um autodidata, com uma carreira prestigiada de funcionário público. O casamento com uma portuguesa de grande cultura – Carolina Xavier de Novais – permitiu-lhe contar com um relevante apoio na produção literária e na exigência criadora. Foi autor de nove romances, de mais de 200 contos, de centenas de crónicas, além de peças de teatro, poemas e ensaios críticos. A singularidade da sua obra prende-se com a transição que viveu entre o Império e a República e a passagem do trabalho servil à emancipação social. O naturalismo e o realismo assumidos na sua criação elevam Machado de Assis acima das dimensões limitadas da cultura de uma antiga colónia, distante dos grandes centros civilizacionais. Conhecedor e leitor atento do que de melhor se fazia na literatura europeia pôde ganhar em originalidade e argúcia descritiva, dando-nos a conhecer através de enredos atraentes e intensos a realidade que o cercava e que tinha características muito próprias. Apesar da sua timidez e da epilepsia que o condicionava, soube tornar-se um excecional artífice de uma literatura que, com ele ganha maturidade, projetando para fora e para os nossos dias a especificidade da sociedade em que viveu, empenhando-se ativamente na criação da Academia Brasileira de Letras, de quem se tornou presidente perpétuo. É, pois, de inteira justiça o facto de inaugurar esta belíssima coleção. «Ressurreição» (1872), «A Mão e a Luva» (1874), «Helena» (1876), «Iaiá Garcia» (1878), «Memórias Póstumas de Brás Cubas» (1881), «Quincas Borba» (1891), «Dom Casmurro» (1899), «Esaú e Jacó» (1904) e «Memoria de Aires» (1908) são os romances que Machado de Assis nos legou, e que aqui são publicados. E se «Brás Cubas» é uma excecional placa giratória na obra de Assis, «Dom Casmurro» é, ainda segundo o prefaciador, «o impressionante relato memorialístico (mais um) em que Bento Santiago conta sua vida com uma finalidade central, armar a acusação contra sua ex-esposa, Capitu, em sua opinião uma traidora, que tivera uma filho de outro homem». Estamos perante símbolos literários marcantes na cultura brasileira, e Machado ganhou, por isso, o reconhecimento inequívoco nos diversos horizontes políticos e estéticos. Estilista consagrado, cultor clássico da língua, bom artífice da ironia – usou com mestria todos os ingredientes que lhe permitiram impor-se como um verdadeiro símbolo cultural.

A DIALÉTICA DA COLONIZAÇÃO
Em «Dialética da Colonização», publicada em 1992, de Alfredo Bosi (1936), professor, crítico e historiador da literatura brasileira na Universidade de S. Paulo, deparamos com uma obra reconhecida e premiada, recordando Graça Capinha, da Universidade de Coimbra, a prefaciadora, que nesta obra se chama, premonitoriamente, «a atenção para a hegemonia da cultura universitária tecnicista e da industria cultural, para a pouca atenção prestada às várias formas de cultura popular, para a inclusão neutralizadora das manifestações criadoras individuais e para a repressão das formas críticas onde quer que elas surjam. Poderíamos provavelmente utilizar as mesmas palavras para falarmos da situação global e cada vez mais, aí também os mecanismos de dominação são menos subtis…». Alfredo Bosi, lidando com o passado, procura abrir caminhos para a compreensão do presente… Parafraseando Ferreira Gullar: «o novo é para nós, contraditoriamente, a liberdade e a submissão». É este contraponto que encontramos de modo recorrente nesta obra de referência. Estamos, no fundo, perante a coexistência de duas dialéticas separadas e paralelas: a das palavras de gente como o Padre António Vieira e a das palavras do liberalismo económico traduzido nas práticas de escravatura e extermínio – ou seja, por um lado, o discurso da equidade e da democracia, e, por outro, o da necessidade de competitividade – contradição que corresponde a «uma vasta engrenagem de produzir desigualdades». Trata-se de uma contradição que implica a multiplicidade e simultaneidade de tendências divergentes.

EUCLIDES DA CUNHA E ANTÓNIO CONSELHEIRO
No caso da obra clássica de Euclides da Cunha (1866-1909), «Os Sertões – Campanha de Canudos» (1902), há uma certa ilustração prática da análise de Alfredo Bosi. É a «cultura fronteira» que, de algum modo, se manifesta, com forte enraizamento na dimensão local. E o autor sente-se, ele mesmo, dividido entre as duas atitudes referidas – entre a intervenção militar contra a reação messiânica de António Conselheiro e o significado profundo da atitude popular. A obra tem edição, prefácio, cronologia, notas e índices de Leopoldo Bernucci (na Universidade de Califórnia-Davis, C.A., USA). Trata-se de um texto extraordinário em que se cruzam diversos estilos, temas e géneros – ensaio, história, ciências da natureza, epopeia, lirismo e drama. Com uma vida atribulada, que termina dramaticamente pelo seu assassinato, temos de situar a figura multifacetada de Euclides da Cunha, como engenheiro, sociólogo, jornalista, geólogo, historiador e poeta, que nos relata uma luta de emancipação e messianismo, que tem suscitado reflexões múltiplas. Mário Vargas Llosa publicou em 1981 «A Guerra do Fim do Mundo», baseada em Euclides da Cunha e na Campanha dos Canudos, o que permitiu renovar o interesse pelo episódio e pela obra. Pode dizer-se que sem o interesse e o empenhamento de Euclides, o episódio dos Canudos ter-se-ia resumido a uma campanha militar contra um movimento messiânico e monárquico. Euclides da Cunha escreveu uma obra-prima do jornalismo e da literatura, resumindo, com revolta, o que sentiu ao presenciar o dramático episódio: «Aquela campanha lembra um refluxo para o passado. E foi, na significação integral da palavra, um crime. Denunciemo-lo». Ariano Suassuna considerou, aliás, Canudos como um acontecimento que leva à compreensão do Brasil complexo, envolvendo a componente «oficial e mais clara» e a componente «real e mais escura», que Euclides foi o primeiro a entender.

O GÉNIO POÉTICO DE JOÃO CABRAL
Com organização, prefácio, fixação de texto e notas de António Carlos Secchin, Professor Emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a «Poesia Completa» de João Cabral de Melo Neto (1920-1999) constitui um acervo notabilíssimo de um dos maiores poetas da língua portuguesa. Natural do Recife e primo de Manuel Bandeira e Gilberto Freyre, foi diplomata, com atribulada carreira, tendo sido nos anos oitenta cônsul geral na cidade do Porto. O seu texto de maior sucesso é «Morte e Vida Severina» (1955), levado à cena com música de Chico Buarque de Holanda. Trata-se do encontro com a componente real do Brasil, para regressarmos a Suassuna. «Compadre José, compadre, / que na relva estais deitado; / conversais e não sabeis / que o vosso filho é chegado? / Estais conversando / em vossa prosa entretida: / não sabeis que vosso filho / saltou para dentro da vida? / Saltou para dentro da vida / ao dar seu primeiro grito; / e estais aí conversando; / pois sabei que ele é nascido». É um Natal do dia a dia do nordeste brasileiro entre o desespero e a esperança… João Cabral procurou, assim, ser cuidadoso artífice da palavra, com o cinzel do rigor. «Poema é composição, / mesmo da coisa vivida, / um poema é o que se arruma, / dentro da desarrumada vida». E se formos às influências portuguesas – poucas, mas marcantes - encontramos Cesário Verde, Camilo e Sophia de Mello Breyner. «Cesário Verde usava a tinta / de forma singular: não para colorir / apesar da cor que nele há» («Serial»). Já Camilo é invocado no drama da cegueira e do suicídio: «Ficaste cego? Foi a última / gota de água desse suicida, / quando matando-se deu à fala, / com os mesmos metais, outra liga»… A proximidade com a autora de «Mar Novo» é maior e inequívoca: «Sophia vai de ida e de volta (e a usina); / ela desfaz-faz e faz-refaz mais acima, / e usando apenas (sem turbinas, vácuos) / algarves de sol e mar por serpentinas. / Sophia faz-refaz, e subindo ao cristal, / em cristais (os dela, de luz marinha). De Pessoa não se sente rasto, mas sim do antigo jogo dos trovadores, como em «Morte e vida severina»… Afinal, em João Cabral há uma «educação pela pedra», lição moral, na cidade, de fora para dentro, e no Sertão, de dentro para fora. «Lá não se aprende a pedra: lá a pedra, / uma pedra de nascença, entranha a alma»… Os quatro primeiros volumes da «Biblioteca da Academia» têm uma íntima coerência, que lhes vem do fascínio de entender…


Guilherme d'Oliveira Martins



publicado por cnc_admin às 10:45 | link do post | comentar

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