Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

A iluminação é um estado e não uma experiência.

 

António Alçada Baptista vivia num estado de não separação com uma certa força vital. O gosto de o ler e reler é uma realidade que nos mobiliza pelas construções intelectuais de todas as peregrinações onde nos levou e leva, pela iluminação que nos deixou em consciência de que só se deixa a grandeza.

 

A tribo que o António me referia sempre, não era mais do que uma realidade à nossa capacidade para construirmos afectos como um bastião de escolha, para o qual todos podemos ser vida e não passagem. Na escrita, também a tribo que abria janelas, desenvolvia a possibilidade de alguns viverem de jeito diferente, no jeito que faz caminho mais próximo das verdades sem que para elas se tenha a tentação de apontar.

 

Nos livros de António Alçada reside também uma estrutura de semeio muito fundo à liberdade de cada um. Um depositar de inquietação atenta ao não enganar o horário do labor que não é desvio ou traição à maneira de viver, antes vida próxima que nos impede as saudades no peito se deixámos fugir mundo e meio de nele sermos.

 

Existem inúmeras presenças enzimáticas ao longo das palavras escritas por Alçada, sobretudo, as que não clamam nem por heróis nem por pantufas, outrossim as que acordam as riquezas adormecidas ou sugerem que se exponha o testemunho individual que polarize e faça viver a criação.

 

Aceitei com honra o desafio proposto por Guilherme d’Oliveira Martins de fazer esta página no viver da literatura e na água da minha total liberdade de escolha. Na verdade, partilho com o Guilherme uma amizade de longa data, uma partilha de valores e o orgulho de ter sido sua aluna. Assim, devo dizer que esta minha sugestão, de que se percorram os pensares escritos do António  assenta também no ideal de afecto e admiração que uniu Guilherme e Alçada Baptista. Por nós os três passaram e passam os nós e os laços: diferentes existências de liturgia que embranquecem cabelos, mas que unem razões que nos ligam aos outros.

 

Teresa Vieira

1 comentário

Comentar post