Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Duras, uma das maiores escritoras francesas do sec. XX: ou o aroma das raízes quando se confundem com a terra.

 

De novo o amor sob a luz. A planta rente à fonte, o rosto, lá onde se inicia o jogo. A fome, as praias abandonadas, o terror da opressão, a guerra exasperante, a hora disponível ao corpo e a voz na importância da memória das viagens, o sorriso das crianças num poder terrífico, enfim, a realidade dos dias.

 

Uma mão de palavras tão só para se aproximarem do dizer do impacto quando releio Duras.

 

Marguerite Duras escritora e directora de filmes nasceu na Indochina francesa em Gia Dinh e estudou Direito em França. Algumas das suas obras foram adaptadas para o cinema como o célebre filme “O Amante”.

 

O poder da palavra desta escritora nunca afrouxou em nenhuma página, antes nos surge à leitura de cada livro, como um fabuloso fole insistentemente na direcção da vida: meticulosamente lucido, musculoso e  fundo em nós caso para nós, de jeito tão fundo, nunca nos tivéssemos olhado.

 

O brilhantismo do estilo de Duras também nos transporta à nossa Hiroschima e ao seu reverso. Num abismo de fumo em Nathalie Granger suivi de La femme du Gange

 

D’abord il la regarde, attend. Et elle se lève. Alors il marche. Et elle le suit (…) puis elle ne s’arrête plus de suivre (…) Ils s’éloignent encore.

Chega-nos assim uma leitura que beija os lábios das folhas dos livros de Duras e aí se sustém para entendermos o quanto muito cedo na vida é de facto demasiado tarde. O quanto nunca nos libertamos, e de trincheira em trincheira desabrochamos, quantas vezes sob o pano de uma camisa de noite.

 

E por tudo o que em jóia trai a alegria até o amor se pode viver de uma maneira horrível.

 

Olhos azuis, cabelo preto: um livro impossível e venerável ou

“C’est Tout”, um companheiro meu junto a outros livros de cabeceira:

Y.A. : Ça sert à quoi, écrire ?

M.D. : C’est à la fois se taire et parler.

Silence, et puis

Je n’ai jamais eu de modèle. Je désobéissais en obéissant.

Je n’ai plus envie de faire l’effort (…) je suis seule.

Y.A. : Vous êtes qui ?

M.D. : Duras, c’est tout.

Y.A. : Elle fait quoi, Duras ?

M.D. : Elle fait la littérature.

 

Teresa Vieira