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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Do mundo grego outro sol

 

 

A concisão das palavras funcionou como regra absoluta e os poetas aceitaram-na.

Uma palavra a mais de fácil sedução e o pano era crestado. Como afirmava Cícero, um adjectivo basta para fazer baixar um voo soberano. Diga-se que no período helenístico, a necessidade de se criarem antologias, tinha por objectivo que só o melhor fosse legado a presentes e vindouros.

Leónidas de Tarento era poeta zeloso da coroa de cada texto. Preocupado pelas classes mais humildes não se prendia ao ornamento da escrita. De resto, a avaliar pelo que nos chegou, e que remonta já aos séculos VI-V a.C o cuidado dos extremos limados da poesia, constituía decoro na salvaguarda da transmissão do cerne das realidades.

A Antologia Palatina do século XI –e que deve o seu nome à Biblioteca Palatina de Heidelberga onde foi encontrada - e a Antologia de Planudes do sec. XIV, reúnem quinze séculos de poesia helénica num acervo enxuto e saneado de palavras que, se equivocadas, suprimiriam o sentido a que se entregavam.

O mundo errático dos poetas tinha também na escrita a que nos referimos uma função didáctica, quantas vezes a detrimento da científica, mas dotada sempre de uma envolvência em relação à natureza e ao erotismo exaltando o amor e o seu valor sobre todas as coisas.

Um pomo nos olhos das palavras oferece-nos Albano Martins numa portuguesa versão de 2002 pela chancela da Asa do mundo grego outro sol.

O conhecimento da língua grega e a sua intrínseca contenção, faz-nos receber de Albano Martins, a fidelidade à leitura que nos propõe rigorosa, e oferecendo a cultura clássica em sumo e sol.


Afinal, à distância de séculos e tão aqui

 

Se chamuscas muitas vezes uma alma que volteia à tua volta, ela fugirá, ó Eros. Porque também ela, tem asas.
Meléagro


Ao beijar Agatão, eu tinha a alma nos lábios. A infeliz viera para ficar com ele.
Platão


Tenho nas mãos os seus seios, a sua boca na minha (…) E eu definho no meio das duas.

Paulo Silenciário


Depois de ter pintado as formas, eu queria também ter pintado o talento. A arte, porém, não se submeteu aos meus intentos.

Anónimo.


Na releitura deste livro, Ísis, mãe de Hórus e esposa de Osíris, segredou-me naquela ilha grega que me coube em sorte no mar Egeu, o quanto devia sempre convocar tão incomportável beleza.

 


Teresa Vieira