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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Viagem do CNC ao Brasil 2012 - Crónica 1

 

 

Compreendemos ontem razoavelmente bem um pouco do que sofreram os bandeirantes que partiram em regra de São Paulo, dispostos a correr muitos riscos e a sofrer todas as agruras e contratempos em busca das riquezas de um território com preciosidades, desconhecido e com uma dimensão dificilmente concebível para europeus habituados aos limites do ocidente da Península Ibérica. O caminho de Belo Horizonte para Diamantina foi longo e muito atribulado. Estamos em Minas Gerais em busca da presença portuguesa, desde a descoberta das riquezas minerais até aos nossos dias. Chegámos no Sábado a Belo Horizonte e deparámo-nos com uma capital de Estado do fim do século XIX, organizada através de uma planta ortogonal, com artérias paralelas e perpendiculares sob o traço seguro de Aarão Reis, engenheiro paraense. A urbe substitui Ouro Preto como centro administrativo mineiro e cresceu muito mais do que previram os seus planeadores.

 

Nas margens do lago da Pampulha, ao pôr do sol, homenageámos Oscar Niemeyer e fizémo-lo na sua igrejinha de São Francisco de Assis – ideia de Jucelino Kubitchek de Oliveira. Os azulejos de Po rtinari e a simplicidade do arquitecto trazem-nos uma inesperada espiritualidade. E falámos do fascínio que esta obra causou em portugueses como Nuno Teotónio Pereira ou Ruben A.

 

Em Sabará, já na segunda-feira, onde nos últimos anos do sec XVII se descobriram das primeiras jazidas de ouro de aluvial, tivemos o deslumbramento do modelo das igrejas dos primeiros tempos dessa colonização sob a invocação de nossa senhora do ó. O altar-mor apresenta-se como modelo do barroco mineiro policromado, com motivos florais exuberantes e chinoiseries inesperadas. Em Itabira, com um dia glorioso e um almoço mineiro típico, de múltiplas iguarias, de comer e chorar por mais viemos prestar homenagem a Carlos Drummond de Andrade na sua casa da juventude. Poeta maior da língua portuguesa lembramo-nos: “por muito tempo achei que ausência é falta / e lastimava ignorante a falta / hoje não a lastimo. “

 

O caminho de Diamantina é muito longo e inóspito, já o disse, com estradas difíceis e paisagens que nos acompanham e fazem lembrar o sertão do Brasil do Séc. XVII.

 

Pomo-nos na pele dos bandeirantes e lembramos Fernão Dias Paes Leme e Borba Gato em busca do Ouro e das pedras preciosas. Os seus fantasmas assolaram os nossos espíritos na incerteza do caminho! Mas no fim a hospitalidade foi magnífica.

 

Guilherme d'Oliveira Martins