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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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3ª Crónica da Viagem ao Brasil (07/09/12)


Hoje, no velho Toffolo de Ouro Preto, Leonor Xavier com o Prefeito Ângelo Oswaldo inauguraram de facto o Ano Portugal no Brasil a falar de “Um rio que corre sem parar”. “Viajar pelo Brasil – diz Vitorino Nemésio – não é só conhecer a maior fundação de Portugal a distância e um país novo e imenso que originalmente se afirma sem renegar tais raízes: é criar uma nova perspectiva da pátria no regresso. A afinidade e o paralelo orientam-nos a visão transatlântica de uma realidade histórica solidária… Onde a terra e o clima resistiram à vontade uniformizadora do colono e onde o aborígene e o brasileiro histórico chegaram a formas de uma civilização espontânea e própria, as diferenças robusteceram a consciência do idêntico, e Portugal e Brasil gravitam na imaginação do reinol num milagroso equilíbrio de ajustes e contrastes”.
Ontem, a nossa entrada gloriosa em Vila Rica, Ouro Preto, fez-se numa antiga jardineira dos anos 30, com motor Mercedes Benz. Era o fim de tarde, já noite e a cidade estava cheia de movimento e entusiasmo. A Praça de Tiradentes, o antigo Palácio do Governador, a Câmara, o Museu da Inconfidência e o presépio vivo da cidade iluminada – com as suas 28 Igrejas de antiga capital: Nossa Senhora da Conceição, do Pilar, da Ordem Terceira do Carmo, do Rosário dos Pretos, Santa Efigénia, São Francisco de Paula, Mercês e Misericórdia, Mercês e Perdões, São Francisco de Assis… Como habitualmente, somos mimados com as melhores iguarias mineiras… E quando acordamos esta manhã bem cedo na Pousada do Mondego, temos a certeza de que somos saudados pela natureza e pela História. Lá está no alto da montanha o Itacorumi, ou Pedra de Criança, o símbolo de Outro Preto. O dia glorioso começa da Igreja de São Francisco de Assis, onde sentimos as influências de Manuel Francisco de Lisboa e do seu filho o genial Aleijadinho. Estamos perante o barroco mineiro no seu esplendor – o primado do movimento e da curva que tanto entusiasmará os modernos. Depois, visitamos a casa onde viveu o Ouvidor da comarca de Vila Rica, o árcade Tomaz António Gonzaga, o Dirceu de Marília, a jovem Maria Doroteia Joaquina de Seixas. Seguimos para a Praça do Tiradentes, visitamos a Igreja do Carmo, encontramos o azulejo como elemento decorativo fundamental e vamos ao Museu da Inconfidência. O dia intenso de subidas e descidas em ruas íngremes chega ao fim da tarde ao hotel Toffolo, onde falamos de Nemésio mas também de José Aparecido de Oliveira e da sua ideia fixa de lusofilia. Agostinho da Silva, Jaime Cortesão, Murilo Mendes, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Vinícius de Morais ou Cecília Meireles, mas também António Alçada Baptista, Jorge de Sena, António Cândido, e Odylo Costa Filho. O Prefeito Ângelo Oswaldo e Leonor Xavier lembraram bem o tempo que se constrói como uma amizade de dois sentidos.