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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Sophia de Mello Breyner Andresen: a densa lucidez é também sinal de ti

 

E deixa que o diga ainda de outro modo:

 

Voltaste vezes sem conta ao verso- núcleo de onde partiste, e nunca o abandonaste.

 

Acompanho Eduardo Lourenço

«Sophia, longínqua filha de Rousseau (…) aquém ou além da História, inteiramente imersa na Natureza»

Assim me acompanhas, devo dizê-lo, e também muito pelo mar. Pelo mar já que por ele faço caminho e assim te abraço no "Vemos, Ouvimos e Lemos. Não podemos ignorar!".

 

Em 1999 foste a primeira mulher portuguesa a receber o Prémio Camões ainda que bem soubesses a pertinência da frase de Augustina a teu respeito

"Há mulheres que têm virtudes de rainha e por isso são mal compreendidas».


E na faina dos actuais tempos, convoco-te

 

Vimos o mundo aceso nos seus olhos,

E por os ter olhado nós ficámos

Penetrados de força e de destino.

 

Ele deu carne àquilo que sonhámos,

E a nossa vida abriu-se, iluminada

Pelas paisagens de oiro que ele vira,

 

Veio dizer-nos qual a nossa raça,

Anunciou-nos a pátria nunca vista,

E a sua profissão era o sinal

De que as coisas sonhadas existiam.

 

Vimo-lo voltar das multidões

Com o olhar azulado de visões

Como se tivesse ido sempre só.

 

Tinha a face orientada para a luz,

Intacto caminhava entre os horrores,

Interior à alma como um conto.

 

E ei-lo caído à beira do caminho,

Ele – o que partira com mais força

Ele – o que partira pra mais longe.

 

Porque o ergueste assim como um sinal?

Pusemos tantos sonhos em seu nome!

Como iremos além da encruzilhada

Onde os seus olhos de astro se quebraram?

 

Como um dia disseste, encontraste a poesia antes de saberes que existia a literatura. Agora eu e este teu Vidente – e que bem nos sentimos neste entender-te! – não aboliremos nunca os dias luminosos, ou o meio-dia não fosse a hora da próxima brisa.


A hora dos remos !

 

Teresa Vieira

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