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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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LONDON LETTERS

The Suffragettes, 1897

 

Shocking times se iniciam quando as senhoras embarcam em tão peculiar entrepreneurs’ utopia. Reivindicam o direito ao voto, representação parlamentar e liberdade político-social. O pasmo em Westminster é à dimensão da ousadia: not knowing and not keeping their place é grave. Ignoram-se; repete-se-lhes até o no/no-no-no/not at all/nope/no way/not yet institucional durante 60 anos. – J’adore l'angle de chat-souris! Mas teimosamente insistem, persistem e perseveram em levar a água a tal moinho. Dizem-se discriminadas. Organizam-se para a mudança. Defendem o poder da diversidade. – Oohh! Those terrible ladies. E em 1897, November 15, sob a batuta de Dame Millicent Fawcett, criam a National Union of Women’s Suffrage Societies que persuade o Stanley Baldwin Government a passar o 1928 Equal Franchise Act na House that man built.

O Daily Mail logo as cognomina como suffragettes. Gerações várias agradecem e assumem a etiqueta de Fleet Street com galhardia desusada. As origens do women's suffrage movement in Britain datam de 1866, quando surge “The Humble Petition” com a exigência do voto “To the Honourable the Commons of the United Kingdom of Great Britain and Ireland”. No ano seguinte, lê-se no Hansard, Mr John Stuart Mill put the case to Parliament: “[T]he time is now come when, unless women are raised to the level of men, men will be pulled down to theirs."

As reivindicantes mulheres permanecem sob sujeição dos homens e das regras da domesticidade by law and custom. Mas as ladies induzem já a new disorder of things. Radicalizam a defesa da sua causa. Bordam bandeiras, pintam cartazes, promovem colóquios, imprimem jornais e panfletos, aderem a arrojadas coreografias. Infernizam a vida de todos um pouco, em crescendo, no espaço público, mediático e até num ou noutro privado. Nem palavras, polícias ou aprisionamentos (with soup force-feeding) param os protestos de London a Birmingham ou Manchester & elsewhere. Simplesmente não atingem o sentido do Stop it!

Num sad moment envolvem mesmo uma figura icónica da nação. − No, not The Queen! Em 1908, November 15th, o Rt Hon Home Secretary visita Gloucestershire. Chega de comboio a Bristol e troca ainda amenidades na estação local quando se aproxima a sweet lady. Ora, nada na Sandhurst Academy preparara o cadete para tal, o mesmo sucedera ao oficial de cavalaria dos Queen's Hussars e até ao Empire hero de três das Queen Victoria’s wars, igual também para o correspondente do Morning Post que escapara dos Boers via Transvaal até Mozambique, na Portuguese East Africa. O registo judicial inscreve que Mrs Theresa Garnett “repeatedly struck” um atónito Mr Winston Churchill, “screaming «Take that in the name of the insulted women of England!».”

O female suffrage sempre inspira, qual musa de Athens, a fine art que é a political wit, tal qual adianta a marcha democrática da complex equality e avança contra quanto seja visto como economic tyranny. Um absurdo otimismo escolta o processo libertário, sob a eccentricity do “Women, use your vote,” embora a aquisição dos direitos políticos não obtenha equivalência no acesso às posições de poder. Mrs Virginia Woolf esgrime um colorido argumento final no aceso debate entre Suff-rage-ttes e Antis: "the history of men's opposition to women's emancipation is more interesting perhaps than the story of that emancipation itself” (A Room of One's Own, 1929). − In short, an embarrassment.

 

St James, 20th November

 

Very sincerely yours,

 

V.