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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Eugénio Lisboa: uma energia nuclear. Um modo de dizer ao mundo o que se pode procurar.

 

“Acta Est Fabula Memórias I. Lourenço Marques – 1930-1947” pela chancela da Opera Omnia surge-nos desde o passado dia 28 do corrente como um livro a não perder, ou não tivesse sido escrito por Eugénio Lisboa.

 

Estive a assistir ao lançamento desta obra, cheia de orgulho por poder estar perto de Eugénio Lisboa uma vez mais, e voltei a compreender o quanto tudo é destino do agora.

 

Consegui dizer-lhe:

 

«Eugénio, as suas palavras são tão jovens que me parece ir ler, no seu livro, contemporâneas memórias.»

 

Ao ler este livro oferecido aos navegantes que na vida dos oceanos são ilhas, senti-me mundo, no sentido de que observador e observado estão separados por distâncias intransponíveis e unidos por anéis encaminhados de sentires, razões, ideias, reflexos, casas, ruas, pálpebras e músculos que as movimentam por razões de sorrisos e livros de festas e rupturas que nos dão um Bom dia em perfume de Saber.

 

Guilherme d’ Oliveira Martins apresentou este livro na morada certa que reside na qualidade abundante deste grande homem da palavra.

 

Este escritor tão docente em universidades internacionais e nacionais, licenciado em Engenharia Electrotécnica, critico-interpretativo notável, verdadeiro motivador da leitura de Régio, ensaísta, poeta – Matéria Intensa -, diplomata, Conselheiro Cultural em Londres, Honoris Causa também e muito pela justa fertilidade com que se empenhou na mineira exploração da exacta palavra, este escritor tem a tarefa gigantesca de tudo o que dele esperamos.

 

O barco começou a mover-se (…) e eu comecei a morrer aos bocadinhos (…) Thalassa! Thalassa!, diziam os gregos de Xenofonte, ao verem pela primeira vez, o mar. Tanto que eu sonhara com o mar e com esta viagem, que me estava, de longe, prometida. Mas só agora via – o que se chama ver – que o preço dela era abandonar tudo o que fora a minha vida. Por fim, deixámos de ver a cidade e entrámos, sem transição, na força imensa e brutal do oceano. Thalassa! Thalassa! O mar une, mas também separa.

 

Quanta actualidade! Quanta jovialidade madura neste sentir! neste clarificar das coisas num referver que nos aproxima de nós, e do qual participamos, acenando um adeus capaz de engravidar o futuro.

 

Obrigada, Eugénio Lisboa! As suas palavras são tão jovens que confirmo ter lido no seu livro, contemporâneas memórias.

 

Teresa Vieira