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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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LONDON LETTERS

Jane Austen’s Pride and Prejudice, 1813

 

O seu humor é um clássico. Cria alguns dos mais famosos pares da literatura universal e sempre termina os seus romances com um happy ending e um open future. Género? Digamos, a satirical comedy of manners. Há exatamente 200 anos apresenta elegante e inesquecível dupla em atmosfera da Regency Era: Elizabeth Bennet e Mr (Fitzwilliam) Darcy. A publicação de Pride and Prejudice em 1813 canoniza o fascínio retórico de Miss Jane Austen (1775-1817). ‒ Une dame avec intelligence et esprit. Depois do sucesso de Sense and Sensibility, também este livro rapidamente esgota os 1,500 exemplares para independência-via-royalties de uma jovem feliz no campestre Hampshire e gosto de Mr Thomas Egerton, editor em Whitehall.  – And do remember Mrs Woolf! O curioso é que continua a vender anualmente cerca de 50 mil cópias só no United Kingdom e a autora é hoje a cultural icon, if not a cult leader.


 

Todos sabem dos encontros e desencontros de Lizzie e Mr Darcy, sobretudo depois da série da BBC protagonizada em 1995 pelo soberbo Colin Firth com a espirituosa Jennifer Ehle. Inicialmente titulado como First Impressions, a obra contém 61 interessantes capítulos e abre com pesada sentença mesmo para uma jovem nos alvores do 19th-century: “It is a truth universally acknowledged, that a single man in possession of a good fortune, must be in want of a wife.” Ora, com leveza nada cedendo ao realismo que marca os seus escritos, Miss Austen possui a delightful way to say things! Por exemplo, em carta à sua dear Cassandra e glosando os ecos da Peninsular War em dias de invernia no Hampshire County, na realidade: notícias da mortífera vitória militar na Battle of Albuera, a irmã de dois almirantes da Royal Navy, Sir Francis e Sir Charles Austen, toma o lado solar da estória antes de entrar nos detalhes: “What weather! & what news!"

 

A progressiva consagração literária de Jane Austen entre os seus contemporâneos ocorre com a publicação de Sense and Sensibility (1811), confirma-se com Pride and Prejudice (1813) e consolida-se com Mansfield Park (1814) e Emma (1816). Começando por escrever como “A Lady”, sob o seu nome saem ainda duas outras obras a título póstumo: Northanger Abbey e Persuasion (1818). Deixa vários manuscritos, alguns dos quais hoje em exposição na Chawton House Library, como Sandition, Love and Freindship ou The History of England, todos em diversos estádios de edição, tipos de papel e doses de ironia, num conjunto com encanto algo anárquico e que leva até o Dr Richard Jenkyns a compará-la com Laurence Sterne no 18th century ou os Monty Python no 20th century.

 

Miss Jane Austen possui uma já secular legião de admiradores, em múltiplas partes do mundo, divisíveis entre os Janeists, inclinados à replicação de modas e costumes pincelados na sua obra, e os Austenists, mais dados a interpretações académicas sobre quem foi a autora e por aí adiante. Aqui chegados, importa anotar a vital cláusula de salvaguarda de outra grande senhora das letras. Adverte Mrs Virginia Woolf: “Anyone who has the temerity to write about Jane Austen is aware (… ) that there are 25 elderly gentlemen living in the neighbourhood of London who resent any slight upon her genius as if it were an insult to the chastity of their Aunts.”

 

St James, 26th February

 

Very sincerely yours,

 

V.