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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Aqui o remoinho do milagre.


Os ramos assolados de agua que desce pelas folhas e se separa delas e em nós amorosa e flagelada e fresca, uma  pausa, numa força desapiedade de tão justa.

 

 

A caminho do interior da Cidade Proibida um lago imenso ladeado por arvores e uma, que de repente, nos molha com inúmeras e pesadas gotas. Ali como se chovesse.

 

Todos nos olham por não nos termos afastado dela ou não termos aberto a sombrinha que nos protegia da agua constante que se soltava ao ritmo dos batimentos do coração da arvore.

 

Só soube mais tarde que esta arvore estava catalogada pelos biólogos famosos do mundo inteiro e que as suas profundas raizes seguiram até ao lago e não apodreceram, antes sugam constantemente a agua que se solta e nos encharca pelas folhas.

 

Milagre.

 

Um frémito assim, não se explica.

 

Creio que os dorsos desta arvore são todas as coisas que se consomem a elas próprias, permanecendo em votos de menino.

 

 

Assim a Cidade me pareceu menos proibida pois que só a natureza tem o poder de viver e morrer sorrindo.Só a natureza nos une ao mistério em  jeito de convite ao porto da sabedoria.

 

 

Quis saber a que horas isto me acontecera e logo um elefante, ali tão perto, palpebrou a hora esclarecida que divide agua e a terra e o jade.

 

 

Farol de poder encostado

 

 

e rugindo  ao sono dos soldados. Afinal opulante a todos nós.

 

E eu já dissera: quero voltar a Tiannaen 天安门广场 ou Praça da Paz Celestial, coração simbólico da China, e que ao norte tem a Cidade Proibida. Desde que lá estivera, só retinha no peito a fotografia do jovem solitário e desarmado que faz parar uma fileira de tanques de guerra.

 

 

Sei que o fotógrafo Jeff Widedener, da Associated Press, registou o momento e o homem que enfrentou os tanques foi eleito uma das pessoas mais influentes do sec. XX.

 

Ainda hoje desconhecido, recordo este jovem quando abriu os braços de paz face aos tanques. Chorei. Tão pouco fizera eu.

 

 

Em 1989 estas manifestações lideradas por estudantes que se rebelavam contra o partido comunista e não obstante o governo da República Popular da China ter sido condenado pela comunidade internacional, face ao massacre praticado, contra quem se atreveu a entender que liberdade e dignidade impedem a raiva dos poderosos do mando e comando do mundo, o Massacre da Praça Celestial, consolidou-se em execuções contínuas que se dilatavam e apagavam a vida de um e outro que se entregava à pura esperança.

 

 

Lá onde a lâmpada treme, pedir-te-ei sempre perdão, sabendo não o merecer. Do longe todos vimos, e como sempre, não podemos ignorar.

 

 

Estas, algumas das câmaras de filmar que nos seguem em Tiannamen, marcando-nos na parede que reflicta mais do que aquilo que o poder possa querer admitir. Aliás vive-se também na restante Pequim uma fotosfera de filmagens continuas, pois como não controlar a liberdade de quem , com seu salto de sapato de marca inconfundível ,ou brutalidade ferrea no olhar, entra nos carros de vidros fumados e cortinas escuras e guarda-costas acre, enquanto do outro lado da rua, o seu melhor eram rostos nem já zangados de poluição.

 

 

Soube assim que depois de entrar nas portas daquele hotel eu já não sairia.

 

 

O ouro e a borboleta não convivem, e o pé dos anos não desce para o mar, antes escava. Mas amo a beleza, registe-se, mas aquela, assustou-me pelo convite de chumbo.

 

 

Ou não tivesse voltado a esta Praça do Massacre, lá onde o poema excedeu o poeta e a mesa das ideias ali semeadas, falará além fronteiras, sempre que uma alma clame justiça e lhe responda a fraterna voz das viagens que nos conduzem a filtros de fórmulas no interpretar do mundo.

E depois as sedas maravilhosas e os bichinhos delas sem cansaços.

 

 

E as urnas das vielas de decompostos cheiros, permitem o descanso a bicicletas que carregam fatigados humanos dia após dia.

 

 

Volta, volta

 

 

bela imperatriz ou concubina, do grilo e do sapo, volta e não tragas contigo embrulhada a gaiola, antes:  


Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace

You may say
I'm a dreamer

But I'm not the only one

 


M. Teresa Bracinha Vieira

Julho 2013