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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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2ª CRÓNICA DE GUILHERME D'OLIVEIRA MARTINS EM PEQUIM - VIAGEM DO CENTRO NACIONAL DE CULTURA À REPÚBLICA POPULAR DA CHINA, MACAU E HONG KONG

Continuámos em Pequim gozando a impressão do fascínio.
 

 


O Observatório de Pequim foi o lugar de um Seminário Cientifico organizado pelo Embaixador Jorge Torres-Pereira, um velho amigo das iniciativas do Centro Nacional de Cultura. Aqui lembrámos os padres jesuítas e a excelente relação que estabeleceram com o Imperador Kangxi. Os jesuítas chegaram à China no último quartel do Século XVI durante a dinastia Ming e depressa ganharam o respeito dos letrados e dos meios cultos do império, afirmando-se como os experimentados astrónomos e matemáticos. Num gesto inédito, o imperador, em sinal de excepcional consideração, deslocou-se em 1675 à casa dos jesuítas e escreveu o aforismo “Jing Tian” que significa reverenciar o céu; o que era um sinal de aproximação relativamente ao Deus dos cristãos, apesar das desconfianças de muitos em virtude do imperador se designar a ele mesmo como filho do céu. Neste gesto havia por certo um equívoco, mas era algo muito importante que Matteo Ricci e os seus companheiros desejaram aproveitar. Daí ter sido promulgado em 1692 o importante édito de tolerância que muito beneficiou a presença dos cristãos no Império do Meio. Visitámos o que foi a casa dos jesuítas que é hoje a Igreja de Nantang ou da Imaculada Conceição fundada em 1650 pelo jesuíta Adam Schell.

 

 

 

E fomos ainda ao cemitério dos jesuítas onde muitas das estelas funerárias foram destruídas ao longo do tempo, a última das vezes na revolução cultural. Aqui estão recordados catorze padres jesuítas, mas falta ainda a referência ao Padre Tomás Pereira, músico, matemático, clérigo e cultivado, que se tornou próximo do imperador. O seu exemplo é premonitório uma vez que representa as possibilidades de cooperação científica cultural e educativa, hoje mais importante do que nunca.

 

  

 

O director do observatório, Zhu Jin, e o Professor Jin Guo Ping, traçaram um quadro que merece uma ponderada reflexão para o futuro do Observatório de Pequim, que no Séc. XVII tornou-se o mais moderno do seu tempo. O calendário chinês pôde ser regularizado graças aos conhecimentos científicos trazidos pelos jesuítas e pelo intercâmbio de saberes que possibilitou a todos um ganho significativo. É um exemplo. Um exemplo que não esqueceremos. 

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=QDUqjXceLOk&feature=youtu.be