Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

5ª CRÓNICA DE GUILHERME D'OLIVEIRA MARTINS - VIAGEM DO CENTRO NACIONAL DE CULTURA À REPÚBLICA POPULAR DA CHINA, MACAU E HONG KONG

 

 

Ainda temos na memória as Termas de Huaqing em Xi’an e a lenda trágica que lhe está associada. O Imperador Xuanzong começou a negligenciar os negócios públicos e apaixonou-se por uma das suas concubinas Yang Guifei. O resultado foi a ocorrência de um golpe de estado que levou à secessão do Nordeste do Império.

 

 
Yang Guifei, Termas de Huaqing 

 

A concubina pagou com a vida e a dinastia Tang voltaria a recompor-se mas o certo é que a literatura e também o paisagismo beneficiaram largamente deste episódio que tem atraído muitos poetas chineses como Li Bai e que hoje é motivo de lazer turístico.

 

 
Pudong, Xangai 

 

Partimos para Xangai, que etimologicamente significa “sobre o mar”. É o grande centro económico e financeiro, a maior cidade da China, o lugar dos entrepostos comerciais. O bund, ou cais lamacento, é hoje ocupado pelos mais modernos arranha-céus, iluminados feericamente.

 

 
Bund, Xangai 

 

A visita ao Templo dos Deuses da cidade dá-nos a dimensão do Taoismo popular, através do qual se protege a população e a cidade e se realizam os desejos do dia-a-dia. O principal deus deste templo é Qin Yu-Bo que teve sucesso na administração da costa marítima. Estamos perante um modelo, uma referência e um protector a que o povo recorre. Muitas imagens representam os nossos manes e penates da civilização romana. A cidade regurgita o mais variado comércio, desde que se tornou uma das metrópoles abertas ao exterior, pelo tratado de Nanquim de 1842 no fim da guerra do ópio, mantendo-se a cidade neutra durante a guerra sino-japonesa de 1894-95 e a revolta dos boxers de 1900 (a lembrança dos 55 dias em Pequim).

 


Old Town, Xangai

 

O mesmo não aconteceu porém em 1925 e 1926 aquando da sangrenta vaga de xenofobia e nacionalismo que assolou a China fazendo recordar a Rebelião dos Taiping (1853). A colónia cosmopolita regressou nos últimos anos à pujança antiga: 20 milhões de habitantes e uma presença muito intensa das novas tecnologias. Visitando a parte antiga de Xangai encontramo-nos transportados ao cenário do livro “Lotus Azul” das aventuras de Tintin, em que este conhece Tchang, o jovem arquitecto que permite a Hergé renovar profundamente a arte europeia da banda desenhada. No Peace Hotel de Xangai, homenageamos a antiga Banda de Jazz do Hotel e um dos seus elementos míticos está na nossa memória; trata-se de Art Carneiro, pai do nosso companheiro de peregrinação Roberto Carneiro. É um momento de especial emoção. Era como se ele tivesse regressado ali com um os velhos temas dos anos 40.