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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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A poesia holandesa deste século

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Um pequeno país, mas não uma “pequena” literatura

Um Mundo Claro, Um Dia Escuro” (Limiar, Porto, 1988), de August Willemsen, tradutor holandês, importantíssimo mediador cultural, numa selecção de oito poetas holandeses que traduziu com Egito Gonçalves: obra a reter.

Curiosamente algumas traduções, também de uma outra vasta selecção de poesia dos Países Baixos, não foram alheias às mãos de Carlos Drummond de Andrade que, pouco tempo antes de falecer, trabalhou com August.

August Willemsen, tradutor de Fernando Pessoa e grande responsável pelo estudo e divulgação no espaço holandês das literaturas de língua portuguesa e que neste livro nos diz: « Sendo Fernando Pessoa do conhecimento quase geral na Holanda, já é tempo de alguém retribuir a gentileza, dando a conhecer ao público português alguns dos pontos culminantes da poesia deste século.»

A verdade é que se a pintura holandesa de Vermeer e Rembrandt e Van Gogh, entre outros, obteve fama mundial, a literatura holandesa, em parte devido ao desconhecimento da língua, levou a que poucos fossem, os que, fora dos seus limites linguísticos a conheceram. De resto as áreas de grande luz literária, tais como a inglesa, a francesa e a alemã criaram cerco ao espaço linguístico holandês.

Chama-nos August Willemsen a atenção para o ano de 1830, quando a Bélgica surge como nação independente e que faz emergir uma literatura holandesa e flamenga. Contudo, o sec. XVII, época dos grandes mestres da pintura e dos empórios de Antuérpia e Amsterdam, constituiu um tempo de ouro dos dramas clássicos da literatura holandesa dos quais se destaca Vondel, entre outros, que pertenciam ao chamado “Circulo de Muiden”, verdadeiro núcleo activo de cultura. O dramaturgo e poeta Joost van den Vondel (1587–1679), escreveu principalmente tragédias bíblicas, mas tornou-se conhecido por aquela que é considerada a melhor de suas obras, a tragédia de Lúcifer.

Muiderslot é um dos castelos mais visitados da Holanda e a bonita vila que fica ao lado do castelo chama-se Muiden. Assim “ o “Circulo de Muiden” que se reunia no castelo, e ao qual pertenciam escritores, cientistas, enfim, personalidades intelectuais marcantes, são ainda hoje mencionadas com minucia aquando das inúmeras visitas turisticas que o castelo recebe.

Até 1880 teve de esperar a poesia holandesa para que a chamada “Geração de 80” a levasse a nível europeu. “Le Miroir des Heures”, poesia holandesa de Jacques Bloem (1887-1966) foi-me emprestada por um colega da Sorbonne, escrita em folhas soltas retiradas de um livro muito usado, mas de cujas palavras resultava um poeta desencantado, doce, impressionista e de inegável qualidade. Fiquei à espera, curiosa de um dia poder ter mais poetas holandeses traduzidos e para a lingua portuguesa.

Enfim, os oito poetas holandeses desta pequena antologia que refiro “Um Mundo Claro, Um Dia Escuro”, e refiro-me a Bert Schierbeek, Gerrit Kouwenaar, Lucebert, Remco Campert, Hans Faverey, Cees Nooteboom, J. Bernlef, Arie Van Den Berg, trabalham a palavra, a comunicação e a incomunicabilidade, a voz e o silêncio, usando uma elegância que nos faz despertar o interesse perfeito pela poesia holandesa.

De Hans Faverey

O barco em que se deve

deixar baloiçar

um homem. Uma mulher


em que se pensa, em que o homem pensa,

 

até ao último momento, talvez.

devemos então fechar os olhos

 

para ver como, mar calmo

e vista clara, o barco uma vez

após outra, cada vez mais penetrante,

alcança o mesmo promontório.

 

Grata a August Willemsen, grata a quem nos não condene ao não conhecimento do fascínio da grande literatura de um pequeno país.

 

Teresa Bracinha Vieira
Dezembro 2015

 

ATORES, ENCENADORES - LVI

 

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FILIPE LA FÉRIA NUM LIVRO RECENTE

 

Retomo a evocação de atores/encenadores referidos no livro de José Eduardo Franco, Rosa Fina e Susana Alves-Jesus “Portugal Vencedor” (2015), já aqui citado. E desta vez, recorda-se a carreira de Filipe La Féria, que reponde a questões levantadas por José Eduardo Franco, Susana Alves Jesus e Florentino Bernardes Franco

Nesse contexto, o depoimento visa sobretudo a atuação de La Féria como encenador e diretor de companhias que foram, no seu conjunto, verdadeiros movimentos de renovação, tanto no aspeto de repertório como na inovação de elencos e espaços cénicos, na sua vocação e rentabilização teatral. Desde logo o Teatro Politeama, na sua tradição e representatividade cultural e até “arquitetónica – urbanística”, perdoe-se o chavão, neste caso bem justificável pela utilização, em espetáculos de plena modernidade, de um edifício relevante, projeto de Ventura Terra datado de 1912.

No Politeama foram estreados e representados, por vezes durante anos, êxitos de La Féria conciliadores da dramaticidade com a musicalidade: é a expressão acabada e quase inédita do teatro dramático- musical entre nós. Recorda-se especialmente “Amália” – seis anos em cena, sucessivas temporadas para um total de milhões de espetadores, com carreira internacional (“só em Paris tivemos 50 mil espetadores”, diz La Féria na entrevista) mas também musicais como “Maria Callas”, adaptações do “West Side Story”, “A Canção de Lisboa”, “Violino no Telhado”, ou “Jesus Cristo Superstar”, entre tantos mais…

Este sucesso, La Féria explica-o pela qualidade de cada espetáculo, mas também pela inovação e originalidade do estilo, numa conciliação de certa tradição dramático-musical com uma exuberante expressão renovadora do “musical”, em temporadas de meses ou anos do mesmo espetáculo, o que é raro entre nós como bem se sabe.

E simultaneamente Filipe La Féria evoca estreias de teatro declamado em salas de assumida vocação experimental, como a Casa da Comédia, onde permaneceu mais de 15 anos, ou o Teatro Estúdio de Lisboa, a Cornucópia ou o Teatro Experimental de Cascais, entre outros. E essa exigência de repertório no teatro declamado mantem-se até hoje, com recurso ainda a uma linha de peças infantojuvenis.

Mas o espetáculo que aqui quero destacar é a adaptação histórico-antológica do género de Revista (a chamada “Revista à Portuguesa”) realizada no Teatro Nacional de D. Maria II: “Passa por Mim no Rossio” (1990), em cena durante cerca de 3 anos.

Trata-se de uma antologia das grandes revistas portuguesas. E é caso para dizer que o espetáculo em si também foi antológico do melhor que se representava e representa em Portugal, em certos caso, felizmente até hoje – com um elenco que integrava artistas como Eunice Muñoz, Rui de Carvalho, Varela Silva…

Em diversas salas, designadamente no Politeama mas não só, encenou e realizou Filipe La Féria muitos dos grandes espetáculos da moderna dramaturgia musical ou com enredo ligado á musica. Cito o recente “Portugal à Gargalhada”.

Ora bem: para terminar, o depoimento de Amélia Rey Colaço sobre a estreia da peça “A Locomotiva” de André Roussin (Março de 1968):

“Nesta «Locomotiva» contracenei com várias pessoas que me honraram muito. À cabeça o Costinha de que gostei imenso (…) Outro foi este rapaz que agora já está com o seu nome feito, Filipe La Féria, que fazia o meu neto, que me dizem ser um encenador de muito mérito, tenho pena de não ver as encenações que ele faz”… (in ”O Veneno do Teatro ou Conversas com Amélia Rey Colaço” de Vitor Pavão dos Santos - 2015 – pág 226).

 

DUARTE IVO CRUZ

 

 

LONDON LETTERS

 

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By me William Shakespeare: A life in writing, 1616-2016

 

Ultimam-se os preparativos para as comemorações do Shakespeare400. Depois de assinalar a passagem dos 800 anos da Magna Carta e da celebração do Império do Direito à volta do globo,

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Portugal incluído, 2016 será todo um ano dedicado a Master William Shakespeare e à farta panóplia das artes que há séculos inspira. As comemorações envolvem high-profile offerings no reino e arredores, com o eixo cultural oscilando entre London e a região natal de Stratford-upon-Avon. — Chérie. La belle plume fait le bel oiseau. North England reinventa-se como aqualândia. A chuva diluviana desnuda a fragilidade das coisas humanas face à natureza, no mais quente ano da metereologia. O desastre nortenho custará aos contribuintes algo como £1.5bn. — Well! Like The Bard says, give me some music; music moody food Of us that trade in love. HM Government ameaça quebrar-se em torno da ministerial liberdade de voto no Brexit Affair. Mrs Glenn Close estreia em West End com Sunset Boulevard, no coliseu local e nada senão a English National Opera. Duas semanas bastam a Star Wars: The Force Awakens para se tornar “the fastest film to take $1bn (£674m) at the global box office.” Em peculiar gravação áudio, o líder do Isis induz a um recrutamento geral para combate contra… o mundo inteiro.

Unseasonable holidays weather: no snow signs; even dry, bright and breezy days at London but river flooding and strong winds in the North England. E pronto, foi a festa!

Untitled 3.jpg Votos de saúde até à próxima Noite, oferendas abertas e mesmo proezas no Christmas dinner e no Boxing Day. Também a deliciosa confirmação dos méritos da BBC em Dickensian, entre a trama apurada do guião, a qualidade da fotografia e os firmes desempenhos de Mr Stephen Rea e Ned Dennehy nos papéis âncora do Inspector Bucket e Ebenezer Scrooge a par de Mrs Pauline Collins e Caroline Quentin no doce duo Mrs. Gamp & Mrs. Bumble. Para já o leit-motiv é clássico: Whodunit? Quem matou, ou não, Jacob Marley, em investigação não longínqua dos CSI’s e a rodar pelas folhas dos romances de Mr Charles Dickens. Mas a agenda está já tomada pelo Shakespeare’s legacy no quadricentenário do seu passamento em Warwickshire a 23 April 1616. A ementa do Bard of Avon é suculenta. Das iniciativas sabidas, atenção especial para Iluminating Shakespeare propulsionada pela Oxford University e Shakespeare400 como consórcio do King’s College com “leading cultural, creative and educational organisations.” Mais assoma ao caminho. A Royal Shakespeare Co viaja com A Midsummer Night's Dream: A Play for the Nation e Mr Kenneth Branagh encena Romeo and Juliet no Garrick. Do Barbican ao Royal Festival Hall há concertos pela Lon Symphony ou BBC Symphony Orchestra and Chorus com partituras de Dvořák’s Othello, Nicolai’s The Merry Wives of Windsor ou Richard Strauss’s Macbeth. Uma vasta cinematografia escolta a sua poesia e dança epocal, muita escrita e muitas readings & talks. Iremos saboreando, porquanto, ele o diz em Julius Caesar, [t]here is a tide in the affairs of men” [Act 4, scene 3, 218–224].

London vive ainda a atmosfera natalícia e o eco das mensagens da Queen, do Prime Minister e do Archbishop of Canterbury. Todas evocam a família e a harmonia dos valores cristãos; todas refletem sobre as atuais ameaças à paz entre os povos dos vários credos. Já The Leader of Her Majesty's Most Loyal Opposition antes concede

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 uma entrevista ao Morning Star, após os primeiros 100 dias de agitada liderança no Labour Party ‒ agora descritos no antigo órgão oficial do partido comunista britânico (1930-66) como reação de “panicked Establishment” assustado com a sua “democratic revival.” Jornal popular, porque “owned by our readers,” e onde possui uma coluna de opinião regular, aqui Jez anuncia a busca de credibilidade como estadista com a habitual ronda internacional. Quando as sondagens teimam em o retratar como inelegível (43% de votos negativos como candidato ao No. 10) lança o olhar para as capitais continentais e aponta Lisboa, com o apoio à agenda económica do governo socialista. A passagem importa, pois ventila uma nova coligação europeia: “Yes, the [European] Central Bank has treated [Greece] disgracefully. I had a very useful meeting with the prime minister of Portugal.. and he has invited me and John McDonnell to go there and hold meetings in support of their programme of anti-austerity.” — Well, well. The beginning of wisdom is to call things by their right names. And, a Happy New Year!

 

St James, 28th December
Very sincerely yours,
V.

A VIDA DOS LIVROS

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De 28 de dezembro de 2015 a 3 de janeiro de 2016

 

A antologia «Une Vie Écrite» de Eduardo Lourenço (Gallimard, 2015) acaba de ser publicada em Paris, com uma edição estabelecida sob a direção de Luísa Braz de Oliveira.

 

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UMA JUSTA INICIATIVA
Estamos perante uma justa iniciativa, dedicada pelo autor a sua mulher Annie, lembrando a função de exímia tradutora, como, aliás, fica demonstrado numa parte muito significativa dos textos que constituem este volume. Pode, pois, dizer-se que estamos perante uma obra escrita a duo – beneficiando os leitores das ideias do pensador e ensaísta e da fidelíssima tradução para língua francesa por uma notável hispanista, que muito bem conhecia o pensamento de seu marido e a riqueza da cultura portuguesa. Por isso, devemos deixar claro que a apresentação ao leitor francês deste notável conjunto de textos pressupõe o reconhecimento da importância da complementaridade entre Eduardo e Annie, o ensaísta e a especialista em culturas ibéricas – culturas em cujo âmbito a obra do autor de «O Labirinto da Saudade» se integra como uma das mais ricas e fecundas. O critério geral assumido por Luísa Braz de Oliveira revela-se extremamente correto, centrando-se em dois temas: a Europa e a Poesia – que permitem situar o ensaísta não só na tendência de abertura e cosmopolitismo em que é seguidor da Geração de Setenta com a atualização do modernismo de «Orpheu», mas também na compreensão, a um tempo heterodoxa e atenta às mais inesperadas particularidades de uma identidade cultural feita de inúmeros elementos, tantas vezes contraditórios… Dir-se-ia, assim, que, como incansável interrogador de mitos, Eduardo Lourenço pôde perceber o lado oculto das culturas da língua portuguesa. Basta lembrarmo-nos dos equívocos ainda presentes quando publicou no início dos anos 1970 «Pessoa Revisitado», que contrastam com a presença atual do poeta, que já não pode ser identificado com uma leitura mais ou menos unilateral da «Mensagem» ou psicanalítica dos heterónimos… E qual foi a «trouvaille»? «Bastou ler o que está nos poemas para descobrir a séria “comédia” heteronímica, quer dizer a intrínseca intertextualidade».

 

A PRESENÇA DE MICHEL DE MONTAIGNE
Comecemos pelo título desta antologia. «Une Vie Écrite» leva-nos a Montaigne e à essência do ensaísmo. Muitas vezes, injustamente, Eduardo Lourenço foi acusado de não ter obra sistemática. Só os desconhecedores do escritor podem cair nessa pobre tentação. Se dúvidas houvesse, basta lermos alguns dos textos ora reunidos. «Não há ensaísmo feliz (diz o autor). Na sua essência, é uma escrita do desastre pessoal ou transpessoal. Para ser mais justo, digamos que é uma estratégia natural de épocas calamitosas, como as de Montaigne, precisamente quando duas ordens de certezas opostas e igualmente imperiosas exigem o sacrifício do intelecto e da vontade». Se nos apercebermos do percurso do ensaísta português, verificamos como a intervenção de urgência foi importante – para demarcação de campos e para poder trilhar caminhos novos e inusitados. E não por acaso é Michel de Montaigne que surge como referência central deste encontro de textos. Mais do que um mestre da dúvida, cujo epíteto certamente recusaria, o interrogador da Torre, «nada ignorava do velho combate simbólico entre a alma com vocação eterna e o corpo com destino mortal, ou ainda mais metafisicamente, os elos obscuros entre o tempo e a eternidade». Daí que o nosso ensaísta refira que o célebre bordalês foi quem criou a primeira fenomenologia espontânea do Homem como Tempo… Por isso, Montaigne inventou a literatura em sentido próprio, do mesmo modo que criou «o exercício sem verdadeira matéria» que designamos como crítica… E aqui podemos compreender como Eduardo, ainda que no íntimo talvez tivesse gostado de ter obra mais sistemática, seguiu o caminho que Sívio Lima lhe indicou na aprendizagem coimbrã, em complemento com o magistério de Joaquim de Carvalho. No fundo, como Montaigne foi desejando trilhar caminhos incertos, multifacetados, fora de preocupação de escola, o que lhe permitiria assumir intuições que se revelariam fundamentais. Tal como Montaigne ou Bacon, perante o espetáculo das contradições e das diferenças, da fraqueza e da ignorância, o português não pretendeu reivindicar para a sua palavra qualquer estatuto divino, magistral ou dogmático. Daí os riscos da ambiguidade heterodoxa, mas a virtualidade extraordinária de procurar compreender os mitos no seu significado e nas suas limitações. «No sentido literal e em sentido profundo, há em Montaigne (diz-nos E. L.) uma autoconsciência do seu nada, que o aproxima dos grandes místicos barrocos e maneiristas».

 

POESIA, CULTURA E EUROPA
Sobre a Europa, como Vasco Graça Moura cedo compreendeu, ao promover a candidatura vencedora de Eduardo Lourenço ao Prémio Europeu de Ensaio Charles Veillon (1988), a propósito da publicação de «Nós e a Europa ou as duas razões», o ensaísta desde muito cedo exprimiu duas preocupações fundamentais – a necessidade de uma consciência europeia, capaz de ser fator de paz, de desenvolvimento, de coesão e de diversidade cultural, e a urgência de uma vontade política capaz de combater os egoísmos nacionais que foram responsáveis por trágicas guerras civis europeias com milhões de mortes. O espírito europeu que claramente se afirma desde muito cedo na obra do autor de «Heterodoxia» leva-o a ser uma voz crítica relativamente a lógica burocrática ou puramente utilitarista da Europa. «Uma Europa privada de ligações com os valores espirituais que ela criou, indiferente à sua herança e à sua riqueza cultural não seria mais que uma Disneylândia para a nossa pseudo-infância de europeus». Daí que haja uma preocupação especial ligada à Europa como cultura, a qual não poderia deixar de ser «um espaço de intercomunicação, onde se reciclasse em permanência o que houve e o que há de mais exigente, de mais enigmático, de mais inventivo na cultura europeia, concebido como uma cultura de diferenças sempre em busca do que poderíamos designar como “sabedoria”». Sem prejuízo das legitimidades nacionais, isso pressuporá a criação de uma legitimidade supranacional, que tem faltado. Não se trata de esquecer a componente funcional ou económica, nem de julgar erroneamente que Monnet teria preferido começar pela cultura em lugar da economia. Não, do que se trata é de compreender que o intelecto e a vontade têm de ser postos ao serviço de uma cultura democrática, aberta, pluralista, com poderes limitados e o predomínio dos valores da paz e da justiça. Tudo obriga a correr riscos, a começar na aceitação sem demora do desafio de sermos europeus de um tipo novo, cidadãos de uma «Europa mediadora e aberta ao mundo, porque com o domínio de si mesma»… É apaixonante encontrarmos um ensaísta que não renuncia a pôr a reflexão e a poesia em confronto e em ligação permanente – Camões, Antero, Pessoa… E compreende-se bem como o ensaio é o seu género por excelência – em nome de uma incorrigível liberdade de espírito.

 

Guilherme d'Oliveira Martins
Oiça aqui as minhas sugestões - Ensaio Geral, Rádio Renascença

 

 

CARTAS DE CAMILO MARIA DE SAROLEA

 

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   Minha Princesa de mim:

 

   Porque estamos em quadra de Natal e, em tempos de incertezas e medos, nos confrontamos com raças, religiões e culturas, que já estão em nossa casa  --  e certamente inspirado pelo exemplo do papa Francisco, que não hesita em ir ao encontro dos nossos irmãos muçulmanos  --  decidi procurar, na tradição literária arábico-islâmica, textos que nos falam de Jesus Cristo, ou o põem a falar para nós. No próprio Corão, Jesus tem lugar de eleição, sendo referido três vezes mais do que Maomé mesmo. E Maria, Mãe de Jesus, é a única mulher cujo nome é ali mencionado . Vou à sura IV, intitulada As Mulheres, que fala também dos infiéis e, referindo-se a eles, diz no versículo 155: Eles não acreditaram em Jesus. Inventaram contra Maria uma mentira atroz. E logo depois: 156 - Levámos à morte o Messias, Jesus, filho de Maria, o apóstolo de Deus. Não, eles não o mataram, não o crucificaram: substituíram-no por outro indivíduo parecido com ele, e aqueles que debatiam o caso estavam, eles próprios, na dúvida. Não tinham um conhecimento preciso, tudo era apenas suposição. Não o mataram realmente, Deus elevou-o até Ele, e Deus é poderoso e sábio.  157 - Não haverá um único homem, entre aqueles que tiveram fé nas Escrituras, que não creia nele antes de morrer. No dia da ressurreição, Jesus testemunhará contra eles (os infiéis).

   Tais infiéis confundem-se com os judeus, tal como se depreende do versículo 154 do mesmo passo do Corão: Mas eles violavam o seu pacto, negavam os sinais de Deus, levavam injustamente à morte os profetas, diziam: os nossos corações estão envoltos em incredulidade. Sim, Deus selou os seus corações. São infiéis, só uns poucos ainda creem. Não arriscarei grande erro se te disser, Princesa, que o facto de Jesus ser chamado, no Corão e pela tradição muçulmana, Espírito de Deus e Palavra de Deus, atesta como, desde o início, o islamismo considerou que o cristianismo, não só se inscrevia na sucessão de Abraão, pai dos povos, como era ainda um passo mais perfeito ao encontro da revelação do Deus Único. Aliás, o islão nasce numa região povoada de comunidades cristãs, nem sempre concordantes nas suas narrativas da vida de Jesus ou quanto aos seus ensinamentos e respectivas interpretações. Eram tempos anteriores à fixação dos textos canónicos e das doutrinas dos primeiros concílios. Sobrevivem muitos textos que as exprimem, sobretudo sírios e etíopes, como, mais tarde, os bizantinos da cultura helenística. Assim se explicam também os apócrifos, designadamente os evangelhos que forneceram à piedade tradicional da cristandade cenas e motivos de devoção, como as que ainda hoje descobrimos nos nossos presépios. Do mesmo modo encontraremos paralelos entre eles e histórias e ditos de Jesus, profetas e santos, no acervo de literatura islâmica que vai do nosso século VIII (2º da Hégira) ao XVIII (12º da era muçulmana).

   Os Khalidi são uma família palestina, muçulmana, residente em Jerusalém desde o século XI. Em 1948, o avanço das forças sionistas obrigou-os a fugir da cidade santa e a procurar refúgio no Líbano. Família secular de escritores, juízes, historiadores, dedicam-se, hoje ainda, à investigação e ensino universitário, em Beirute e um pouco por todo o mundo. Tarif Khalidi, nascido em 1938, em Jerusalém, tem assim sido professor, inclusive em Harvard. E foi precisamente a Harvard University Press que publicou, em 2001, um livro do Prof. Tarif Khalid, intitulado The Muslim Jesus, onde reuniu mais de trezentos episódios e ditos atribuídos a Jesus pela tradição islâmica pós corânica. Dois dias depois do Natal, para ti, Princesa de mim, traduzo este primor, escrito por Ibn al-Hajjaj al-Balawi no nosso século XII/XIII (6º/7º da Hégira), em tempos anteriores mas próximos da Legenda Aurea de Tiago Voragino:

 

   No santuário, com Maria, encontrava-se um dos seus primos, chamado José, que a servia e falava com ela, separados por um biombo. Foi o primeiro a saber da sua gravidez, o que o preocupou e entristeceu, receando ainda que pudessem achar aquilo vergonhoso e de má reputação. Por isso disse a Maria:

   -- Maria, pode haver uma planta sem semente?

   -- Sim  --  respondeu ela.

   -- Como assim?  -- perguntou ele.

   -- Deus criou a primeira semente sem planta. Mas então poderias dizer: "Se não tivesse procurado a ajuda duma semente, isso teria sido muito difícil para Ele!"

   -- Deus me livre!  -- disse José.  -- Pode uma árvore crescer sem água nem chuva?

   -- Não sabes que as sementes, as plantas, a água, a chuva e as árvores, todas têm um único criador?

   -- Pode haver crianças ou uma gravidez sem um macho?

   -- Sim!

   -- Como assim?

   -- Não sabes que Deus criou Adão e sua mulher Eva, sem gravidez, sem um macho e sem uma mãe?

   -- Sim. Conta-me então o que te aconteceu

   -- Deus trouxe-me a boa nova duma Palavra d´Ele, cujo nome é o Messias Jesus, filho de Maria.

 

   Pensossinto muitas vezes que as tradições populares, como as visões dos místicos, são modos bonitos de contar histórias e levar-nos, despojados de nós, a uma contemplação feliz do mistério de tudo. E, não sendo pretensiosos, também ajudam à amizade dos outros. Feliz Natal, sempre!

                                                                             Camilo Maria   

 

Camilo Martins de Oliveira

 

Ladainha dos Póstumos Natais

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Há de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio

Há de vir um Natal e será o primeiro
em que hão de me lembrar de modo menos nítido

Há de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo

Há de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido

Há de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro

Há de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo

Há de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido

Há de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito


David Mourão-Ferreira, in 'Cancioneiro de Natal'


 

É DIA DE NATAL

 

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   Na nossa tradição cristã, a festa do Natal  --  cujo espírito constitutivo vai sendo esquecido pelo consumismo materialista  --  é, antes de tudo, a celebração da boa nova da incarnação de Deus que, ficando assim connosco na nossa humanidade, nos vem abrir a porta do ser tudo em todos. Por isso a festejamos em família e na Igreja, partilhamos o pão e as ofertas. Acção de graças, porque Deus nos vem dizer que já não estamos perdidos e sós: é a nossa primeira eucaristia, e comunhão...

   Juntamo-nos, damos e recebemos, socorremos os mais necessitados. Vivemos uma nova alegria de ser, sentimos no coração que, com o Menino Jesus, nos tornamos, todos, irmãos. Qualquer aconchego de famílias, qualquer passo de achega aos pobres, qualquer mão estendida, em sinal de dádiva ou oferta de perdão  --  ou em troca reconhecida de uma e de outro  --  tem, luminosamente, na festa do Natal de Deus, um estigma sacramental. E é, certamente, uma vocação que nos interroga para além da nossa feliz circunstância.

   Neste Natal de 2015, num mundo em que Cristo todos os dias sofre os horrores tamanhos que vemos e os muitos mais que desconhecemos, ajoelho-me a pedir perdão, porque também não sei, nenhum de nós sabe, não temos sabido  --  aqui fechados na nossa cultura da exclusão, do esquecimento, da injustiça e do ódio  --  responder ao Menino Jesus que nos repete a pergunta que o Pai de todos já lançara a Caim: Que fizeste de teu irmão?

   Vivemos certamente, quer queiramos, quer não, tempos de interrogação e desafio, de medo e de angústia, de tímida misericórdia, e, afinal, de amor que nos aperta a garganta, quando em nós sentimos tolhidos os seus gestos, e a emudecer a sua vocação. Lembro-me do papa Francisco, que rompe o cerco de milícias cristãs, para ir rezar com muçulmanos... E do meu neto Tomás, menino de treze anos, que todos os dias, em Bruxelas, vai para o liceu, que polícias armados circundam, por medida de segurança. Mas que, neste fim de semana, foi com amigos fazer companhia aos sem abrigo da cidade... Quiçá, num ou noutro caso, por terem pensado, como o Menino Jesus, que os outros podem ser muito mais pobres do que nós.   

   Que a alegria da boa nova e o conforto dos corações humanos que nos cercam nos dêem coragem para mais um passo para a construção de uma casa para todos. E assim seja feliz o nosso Natal!
 

Camilo Martins de Oliveira

 

ATORES, ENCENADORES - LV

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REFERÊNCIA A ATORES CONSAGRADOS E INESPERADOS

Acaba de ser publicado um curioso e muito interessante livro contendo os depoimentos de 13 figuras determinantes da vida portuguesa contemporânea, das mais variadas áreas de criação/ação – da literatura à filosofia, à cultura em geral, à universidade, à indústria, à política, à religião e ao desporto: todos eles felizmente vivos, não obstante diferenças de idade, através de depoimentos diretos, recolhidos e coordenados por José Eduardo Franco, Rosa Fina e Susana Alves Jesus. “Portugal Vencedor – Vidas Empreendedoras em Entrevista” se chama a obra, (ed. Eranos -2015) e o título adequa-se totalmente ao conjunto dos depoimentos e às individualidades que os prestam.

No que toca ao teatro, assinala-se desde logo um aspeto interessante. Há quatro depoimentos com ligações diretas à criação teatral e ao espetáculo: Rui de Carvalho, Luís Miguel Cintra, Filipe La Feria e Rómulo de Carvalho, este referido por Guilherme d´Oliveira Martins, que foi seu aluno no Liceu Camões. E aí se recorda, como veremos adiante que se trata do dramaturgo António Gedeão. O depoimento de Luís Miguel Cintra constitui uma evocação do padre Manuel Antunes, de quem foi aluno na Faculdade de Letras de Lisboa. Dele e de Filipe La Feia falaremos noutro artigo.

Por seu lado, Rui de Carvalho fala da carreira de ator, que aliás outra não teve. Dela já aqui me ocupei com destaque para a sua intervenção em espetáculos musicais (crf. Atores, Encenadores - XVII – 10.06.15). Nessa crónica lembrei a abrangência cultural e profissional de Rui de Carvalho como ator. Não pode ser mais justa a designação que lhe aplica José Eduardo Franco. Rui de Carvalho é de fato um “mestre de teatro”, como refere o subtítulo do depoimento e muito bem: a careira em rigor inicia-se numa récita escolar, a que se seguiu o ingresso na então chamada Secção de Teatro do Conservatório Nacional. Daí para a frente, e até hoje, o ator evoca sua vida artística, com algumas referências destacadas: por exemplo a inauguração do teatro na televisão em 1957 com o vicentino “Monólogo do Vaqueiro”, o que em si mesmo envolve uma transversalidade de época e de expressão dramática que deve ser salientada: entre as duas “estreias” decorreram algo como 450 anos!

E ao longo do depoimento, Rui de Carvalho cita alguns espetáculos referenciais, com destaque para “O Render dos Heróis” de José Cardoso Pires, espetáculo de que bem me lembro. E explica por que “elege sempre ”essa personagem que interpretou, entre as muitas e muitas centenas a que deu vida, no teatro, no cinema, na televisão: “Elejo-a porque a minha personagem era o povo português, era o cego que era cego quando queria e que via quando queria”…

Mas vejamos o depoimento de Guilherme d´Oliveira Martins sobre Rómulo de Carvalho - António Gedeão no âmbito de um Clube da Ciência no Liceu Pedro Nunes, onde Rómulo era professor e Guilherme d´Oliveira Martins aluno e colega de Nuno Crato. Recorda então que Crato pediu a Rómulo para autografar um livro de António Gedeão. Para espanto de Crato. Rómulo diz: “Desculpe, mas esse não sou eu…” mas acrescenta “Deixa Ficar”. Leva o livro e no dia seguinte devolve-o dizendo – “Olha, o livro já foi autografado”. Mas acrescenta Oliveira Martins que “deixou no ar a dúvida sobre quem assinara”….

E recorda ainda Guilherme d´Oliveira Martins que Rómulo “não estava presente nas reuniões do Clube da Ciência (mas) orientava e dizia «pois bem sigam essa pista» e depois via os resultados. Dava-nos de facto uma grande autonomia, mas era muito exigente. Era um grande pedagogo. Dava essa liberdade para ver como é que cada um seguia os seus caminhos” (ob. cit. pag.113).

Ora bem: Rómulo de Carvalho – António Gedeão foi episodicamente ator, num tradição familiar que vinha do seu pai, José Avelino da Gama Carvalho, também músico-cantor na Sé de Lisboa, e do avô Sebastião Jaime, este, mestre de capela na Sé de Faro. Quem o recorda é Cristina Carvalho, filha de Rómulo, que assinala intervenções de Rómulo de Carvalho em espetáculos teatrais: designadamente numa récita de estudantes, com um texto escrito em parceria com um colega da Faculdade de Ciências, Carlos Bana, texto intitulado “Quod este, est” representado no Teatro de São Carlos em 1926, mas não só. (in “Rómulo de Carvalho/António Gedeão – Príncipe Perfeito” – ed. Estampa – 2012).

Vejamos pois o que nos diz Cristina do seu pai:

“Rómulo dançava e fazia de ator e cantava muito bem. A sua voz de barítono entoava as mais diversas áreas, as mais belas canções que, por aquela altura da sua vida, a juventude, eram canções amorosas. Chegou mesmo a cantar no Teatro Nacional D. Maria II, numa ocasião em que o senhor Gama, seu pai, adoeceu da garganta e não pôde cantar. E nesse dia, a coberto dos bastidores, Rómulo cantou, com muitos aplausos no final, uma serenata italiana”!... (ob. cit. pag.46).


 

DUARTE IVO CRUZ

 

LONDON LETTERS

 

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Dickensian, 2015 Christmas Special

 

A ideia é simplesmente fantástica. Reunir em filme as personagens de diferentes livros, juntando os seus quotidianos, experiências e personalidades num mesmo universo. Que o autor em causa seja Mr

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Charles John Huffan Dickens, o cenário seja London do 19th century e o projeto tenha a assinatura da BBC One é algo então que só pode ver-se como excitante. Dickensian é o nome deste inovador modo de contar estórias na metrópole da revolução industrial e dizer dos destinos cruzados no reino de Her Majesty Victoria. O primeiro de uma série de 30 episódios vai simbolicamente para o ar no dia December 26. — Chérie. Quand on a pas ce que l'on aime, il faut aimer ce qu'on a. Elisabeth II fará uma mensagem natalícia the most overtly Christian yet. Segundo o Mail on Sunday, The Queen usará o Christmas Speech para refletir sobre a sua fé e o “continuing role of Christianity in British life.” — Uh Mmm! We will never know the worth of water till the well go dry. A última mina inglesa de carvão encerra portões em in North Yorkshire, deixando 450 mineiros no desemprego. Downing Street admite que o Brexit referundum possa ocorrer no próximo Summer. Edith Piaf, O Pardal, nasce há 100 anos. O UN Security Council adopta resolução sobre o Syrian peace process, com o voto unânime dos 15 membros e sem menção ao futuro do President Bashar al-Assad.Untitled 3.jpg

Christmas atmosphere around, with lime trees, vivid lights and sweet carols em St James. Idêntico se vê desde há meses para as bandas de West End, mas lá com auxílio da time machine criada por Mr HG Wells em 1895. Largo estúdio cenariza as gélidas noites na capital de Novecentos. A tela é algo familiar. Tremeluzentes lampiões a gás aclaram as lajes da rua e iluminam a montra de popular loja saída da caneta de Mr C Dickens, com alegre ruído saindo do Three Cripples pub, à esquina, cautamente distante dos edifícios do tribunal e da polícia, perto já das igreja e fábrica, todos, porém, sob silente neve que apressa uns quantos rumo a casa e para longe dos becos onde opera a rapaziada do Fagin’s Den. Aqui se filma a novérrima série da BBC1. Na Dickensian, The Old Curiosity Shop centra a atenção entre as carruagens a cavalo e os chapéus com característico Victorian-style. O TV-drama desperta apetência por entrelaçar figuras e estórias de grandes romances como A Christmas Carol, Oliver Twist, Bleak House, Martin Chuzzlewit ou Great Expectations. Também pela qualidade da equipa, na qual pontuam Dame Pauline Collins como Mrs. Gamp (Upstairs, Downstairs), Mr Stephen Rea como Inspector Bucket (Michael Collins), Caroline Quentin como Mrs. Bumble (Jonathan Creek) e Mr Ned Dennehy como o incontornável Ebenezer Scrooge (Sherlock Holmes). O script pertence a Mr Tony Jordan (um guionista da infinda telenovela EastEnders, iniciada em 1985) e os primeiros episódios saem da batuta do diretor Harry Bradbeer (Grantchester). Grandes esperanças, pois, no projeto da estação pública que tem por missão informar, entreter e educar.

Numa era de extremismos, encerrando vidas e nações em moinho tenebroso, menção maior para quanto o Buckingham Palace ventila da próxima mensagem natalícia real. O discurso é pré gravado e está

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ainda resguardado de curiosidades extemporâneas sob o nome de código QXB, mas circula já que este será the most Christian Queen’s Xmas Broadcast ever. Ora, que Elisabeth II fale às pessoas de boa vontade sobre a sua fé cristã é algo a sublinhar pela importância que contém num ano sombriamente marcado pelo terrorismo, e mesmo de pânico moral nalguns setores. Conhecida é a diplomacia ativa da coroa nas inter-faith relations, como o revelam respeitosos encontros da Windsor com líderes de other churches and religions; desde logo, os cinco papas de Rome que escoltam o longo reinado: Pius XII, John XXIII, John Paul II, Benedict XVI e agora Francis. Já 2015 é o ano onde, em plena campanha eleitoral para o Westminster Parliament, extremistas islâmicos apelam ao não voto sob a tese que só Allah tem poder e leis a que os fiéis devem obedecer. Supreme Governor da Church of England and of Scotland, The Queen sempre coloca a faith personal note no anual Christmas Speech difundido para a Commonwealth no serão de December 25. Nos preparativos de um Santo Natal, recordo que, em 2000, refere o “theological significance of the millennium marking the 2000th anniversary of the birth of Jesus Christ,” com impressivas e simples palavras. — To many of us, our beliefs are of fundamental importance. For me the teachings of Christ and my own personal accountability before God provide a framework in which I try to lead my life. I, like so many of you, have drawn great comfort in difficult times from Christ's words and example.

 

St James, 21th December

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Very sincerely yours,

V.

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