Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Antonio Gamoneda

 

Antonio:

 

Es bueno ir por las calles y escutar tus passos. Antonio, Antonio, acaso estemos en igual tormento? Pois eu creio que existe uma juventude da dor quando Deus com um sopro faz rolar toda a areia de uma praia, expondo imagens que não deviam ser vistas. E se uma mulher astral, espera, nessa hora, o seu vestido à deriva, diz-te que flui o desvelo dos vigilantes.

 

Luni, meu camino de mar pronto que se levanta como um grito inmenso, cobiço-te

 

como el musgo cobija las paredes.

 

E conheces-me de há muito no eixo dos teus sonhos, e um dia, enviaste-me la noche como una promessa de vigília! Yo de espalda sedosa  y firme de encontro ao rochedo dos tempos seguintes, repousei el grito definitivo y certero.

 

     Nadie me há enseñado una lágrima.

 

Nada.

 

Y Dios solo era verdade en el silencio. Luni?

 

Aquele que viste, não era o estrangeiro, era yo a llorar sobre la tierra.Yo la própria impotência de levantamiento. Eu a tentar compreender o código do amor de Deus enquanto desfiava rosários de joelhos para te amar louco e sem razões.

 

António, em Israel, o estrangeiro foi testemunha do como se pode arrancar o mundo de um nada. Amar apesar dos riscos, por vezes apocalípticos e de assimétricas tensões, pois que assim mais doem pelos beijos

 

Oh qué dura, feroz es la frontera

Ambos estamos de igual maneira ?

 

Não, a inflexibilidade do destino grego, impede, por uma migalha, que os humanos sintam o mesmo, à mesma hora e pela mesma razão.

 

Para o ocaso foi a asa de um pássaro. Meu mundo de sede. Meu mel desesperançado. Depois desenhei no chão da praia um jogo sem sentido, tremendamente solitário. Joguei-o para o deus jogador, insaciável à tragédia do estar-no-mundo. Mis lágrimas entram en la luz.

 

             Miro a mi amor, Luni.

 

Esteve o estrangeiro perto de la nudez de tus pechos? Reduziu-se à sua condição de homem? Ou por distracção de um anjo ficou sozinho a olhá-los enquanto o jade de um deus lhe impedia a nitidez?

 

Não sei. A minha ideia era só a de que Deus não precisa de ninguém.

 

Sim,

Es bueno ir por las calles y escutar tus passos

e ainda assim é bom de quando em vez pensar que quiero morrir en libertad como um caso de luz incorporada

o centro da luz que escuta o quanto não tens piedade do estrangeiro,

Ah António o universo e a criatura. Nada mais peças ou não tivesses sido um imenso ouvido

Es bueno ir por las calles y escutar tus passos

Luni, ah a pureza das facas abandonadas.

Sim, o zero e a completude são de uma claridade sem descanso.

Así las cosas

 

Teresa Vieira

Sec. XXI (Oviedo em 1931)