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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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LONDON LETTERS

Taking a Viennese waltz, 2013




A valsa é uma singular dança que exige espaço, muito espaço até, quando tomada no estilo fino dos esplendores da Bismarckian era. O volteio austríaco tem encanto, cadência e passos vitais. — Mais non! Pas les finasseries de Monsieur Von Treitschke. O país pioneiro da industrial revolution acaba de contratar a construção de dois reatores atómicos aos franceses do Grupo EDF e aos seus parceiros asiáticos, os engenheiros da Chinese nuclear revolution. O debate tornar-se-á algures radioativo, mas abre desde já uma alternativa a famosa política das renováveis cujas wind farms tanto destroçam a linha do horizonte, quanto pesam nas faturas mensais das empresas e famílias. Downing Street eleva assim a fasquia competitiva do UK na global race. Sobretudo, em tempos de austeridade, o Hinkley Point C voa sobre fronteiras e estimula o crescimento económico. — As a gentleman would say, the movement is all in the box! Entretanto, no vizinho St James Palace e na capela real onde em 1840 se celebrou o casamento da Queen Victoria, é amanhã batizado o Prince of Cambridge como George Alexander Louis.

 

 

 

No cânone austeritário também se investe, e forte. O statement ontem feito na House of Commons pelo Secretary of State for Energy, Mr Edward Davey, indica que o UK construirá em Somerset nos próximos anos uma novérrima central nuclear. Para o governo esta é a via eficiente para reduzir as emissões de carbono na atmosfera e pressionar a descida dos valores da eletricidade e do gás vitais ao bem-estar e saúde económica do país. Mais até: O projeto atrai o investimento estrangeiro, relança uma estratégica fileira industrial e visa garantir a sustentabilidade da autonomia energética. O acordo envolve 25,000 empregos e ascende aos £2 billion, sob financiamento privado e subsídio público ainda a submeter a delicada aprovação da União Europeia. O seu calcanhar de Aquiles é um preço-garantia do megawatt a 35 anos que ainda fará correr aceso debate em Westminster.

 

 

Trata-se de alta risky choice de Mr Dave Cameron, mas tem fundamento e visão maiores. As reservas nacionais estão em mínimos históricos e a desconfiança grassa no público em torno dos números mágicos das contas energéticas, os quais motivam a proposta de congelamento dos preços pelo Labour Party e multa milionária a companhia escocesa: £8.5m penalty por misleading customers. Se a hostilidade dos capitalistas à competição é intrigante, já a Royal Academy of Enginering advoga em relatório uma holistic strategy for UK energy management, encompassing the whole system of generation, supply and use. Aliás, a dimensão do problema revela-se na escalada da resposta política. A decisão rasga com os temores de Three Mile Island (1979), Chernobyl (1986) e Fukushima (2011), os acidentes que abalam o cientismo no átomo, levando ao seu abandono pela França e pela Alemanha. O regresso britânico ao nuclear power surge 20 anos após o “sim” à central de Sizewell B (1992) em Suffolk.

 

 

Algo diferente promete outra poderosa divisão das águas. Joanna Trollope editou por aqui uma versão de Sense & Sensibility (1881). O livro insere-se num projeto de refazer o imaginário austenista no século XXI. — Well! It is a truth universally acknowledged that someone in possession of the ambition to rework Jane Austen, must be in want of a great courage.


St James, 22nd October

 

Very sincerely yours,

 

V.