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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

CRÓNICA DA CULTURA


No Éden, uma vez, era de noite e ainda assim a salvação dos náufragos se vazia com regularidade e leveza. A grande arte do entendimento era visível nestas noites iluminadas pela luz noturna da felicidade. As faias esbeltas e os frondosos ulmeiros do jardim deste local sabiam que dali as andorinhas nunca partiam, e o Éden, sereno de não-poderes, conservava-se inocente e romântico.

 

A ele chegaram durante o resto da noite boreal, muitos violentados, como se não fossem humanos, e, no entanto, eram seres viventes vindos dos subsolos suspensos na sobrevivência. De surpresos, perguntavam-se entre si, se deveriam aguardar um eclipse fatal ao que lhes estava a acontecer - por belo demais ser - ou, por bem conhecerem a sua própria condição, assim aceite, sem luta.

 

Pela manhã o Éden expôs a sua cartografia interior e nela se podiam ler todas as aparências, todas as seduções insinuadas, todas as chaves que se urdiam para a decifração, e, fio a fio, os seres desvendavam os segredos de um outro ser concreto.

 

Confundidos entre os destroços de uma esperança e um desejo de reerguer o mundo, voltou a adensar-se um voo estranho, um voo quieto, sem trégua nem termo, e os náufragos, de muito longe, então, sentiram chegar outro Éden, outro jardim, e nele, uma crença de eventual passagem para a teia do saber primeiro.

 

Teresa Bracinha Vieira

Dezembro 2017

ALIMENTO


Vivo nesta terra

E pergunto-me

Se acaso nela viveria

Se ausente fosses dela

 

No cerne dos frutos nossos

Tudo é flor e amadurece

 

Na noite límpida e fresca

De outros olhos iguais

 

Mas diferentes dos que me torno

Por fim

 

E sempre esta necessidade de saber que te vi

Alimento meu

Insigne 

 

Teresa Bracinha Vieira

CRÓNICA DA CULTURA

 

José: o seu imenso o seu silêncio

 

Imenso também foi o tempo da violentação como o viveu. E só agora me atrevo a escrever sobre José, cinquenta anos depois da sua morte. E ainda não sei se o mereci entender.

 

Conheci o José tinha eu 4 anos e no seu colo senti o colo para onde se quer fugir sempre, num dorme infância minha, minha total confiança doirada! Nos seus olhos uma pergunta tão nítida tal como a sinto hoje: a pergunta que o amor faz ao amor

 

Tu amas-me? Tu nunca me deixarás? Sentirás saudade quando eu partir? Como irás compreender o bosque escondido onde vivo?

 

O José era homossexual ouviste? Nunca te disseram pois não? Pois é. Era sim, e nós ainda pagámos o colchão para lhe atenuar as dores das feridas que nos foi pedido lá do lar dos pobres onde estava. Sim que ele foi lá parar, gastou tudo, e a família não quis saber. Não tinha visitas de ninguém, tinha feridas. Tinha sofrimento e como dizes, sofria seguramente da doença do esquecimento profundo, enfim, depois de tudo ser culpa dele. E gostava muito de ti. Isso era certo.

 

Disse-me a Laura de jeito agressivo, quando eu já tinha 35 anos e lhe falei nele.

 

Mas o José era presidente de… Mas o José era muito culto e conhecia música clássica como ninguém. O José foi combatente na grande guerra e com muita honra arriscou a vida. O José era um homem lindo, cheio de classe, e era de uma ternura envergonhada e sempre imobilizada contra o chão, e eu não percebia o porquê. E se era homossexual, o colchão que lhe pagaram no seu leito de morte, fez de vós melhores pessoas no entendimento áspero da vida dele?

 

Pois digo-vos

 

A casa de seus pais era um sonho de filme e era o dia do seu regresso da guerra. A mãe – de quem herdara a beleza – acabara de sair da cama e penteava os seus longos cabelos quando ouviu as filhas a gritarem, é o José, é o José, chegou da guerra! E por muito improvável que fosse o conteúdo das palavras, a mãe do José desceu a longa escadaria a correr, segurando para não cair, na sua comprida camisa de noite branca, os cabelos até às ancas, esvoaçantes por entre as rendas do penteador, e, de repente, o seu filho fardado, ali mesmo a um ou dois metros e ela caída aos seus pés num choro convulsivo exterior aos limites do seu ser. Senhora do céu em vénia longa e sagrada, e José ajoelhou-se tentando levantá-la

Mãe!

 

Um dia fui ver o quarto onde vivia. Teria eu talvez 11 anos. Vi uns móveis antigos muito requintados, a sua espada e o seu relógio que me olha agora de frente para o meu eu e mundo e futuro e passado tudo nos domínios vedados da vida e da morte.

 

Uma mulher horrível mostrava o quarto vigiando para que nada dele saísse. Era tudo seu, dizia

 

Sabe? Rendas atrasadas devido ao vício luxuoso e repelente que o atormentava, mas ao qual não dizia não. De resto até poucos lhe arrendariam quarto. Eu foi por pena, e por ele ter sido quem foi.

 

Mas vim com um relógio, este que tenho à minha frente, de madeira (um AEG) de horas estranhas a espreitarem numa janela pequenina, enquanto os minutos são a grande varanda do tempo que marca, e também veio comigo um quadro de Acácio Lino, “As amendoeiras em flor” que já não possuo a não ser no fundo dos meus olhos.

 

Tudo do José é do fundo de mim que o procuro, que o velo pois velar sobre ele é ele poder vir ao sonho que estou a sonhar. Escuto cínicos risos ocultos, é certo, mas escuto Puccini. Soube dos gumes no seu peito no dia da agonia amordaçada ainda que nunca de mim esquecida aquando da notícia, mesmo que na altura ela fosse apenas um embaciamento triste e vago.

 

José!

 

Podemos ter a audácia de nada esquecer, nem mesmo esquecer as juras sem motivo. Tudo nos está prometido quando chegamos à vida até a não liberdade da origem. É tão importante saber que agora não tens frio: abraço-te com algodão e estou contigo no meio dos sorrisos dos simples gestos que tivemos, hoje cúmplices e frescos de esperança sobretudo porque em ti

tu que nunca morrerás.

 

Teresa Bracinha Vieira

O BEM

 

E sobre que delícias e certezas

Ninguém compreendia

 

Mas sabiam que a memória desconhecida

Faria melhor do que a esperança

E a vida

 

Com sementes ao vento

E sem cuidar o mal

Enrolar-se-ia

Na bola de cristal

 

Que reuniria o olhar e o pensar

Unindo desejo e despertar

Para lá do gradeamento

Profundo

 

E o tempo desanuviado e resplandecente

Caule de luz, delicia, certeza

A entrar na história

Sussurro

 

Lá onde se guardam os dias

Entre tantos pássaros

Que hão-de vir

 

Para que o seu cantar escoe o medo

E este

Sorridente e renascido

Num alvorecer

 

De Primavera 

 

 

Teresa Bracinha Vieira

Dezembro 2017

CRÓNICA DA CULTURA

 

De cogitar em cogitar enche a ufana galinha o seu papo: tel quel

 

Um dia acordou uma inteligência toda empertigada e mal dormida e resolveu bradar de rompedura qual aristocracia tocada a gota:

 

Não há pachorra! Não aguento ter de aturar as vaidades ocas e possidónias de certos ambientes. Como é sabido estão todos em dívida para comigo ainda que não o digam, ou, ainda que seja eu a pedir-lhes que me escutem, pois é para o bem deles. Só por isso. É para o bem deles. Eles não sabem o grau de indecifração de pensar que têm e eu quero ajudar. De nada preciso. É só para ajudar que faço isto do meu cogitar: ou seja, produzo inteligência, o que é o mesmo que dizer que o meu saber sempre viajou em primeira classe e eis agora a qualidade! É gente inculta e ufana esta que me rodeia hoje, é gente que se vende já que uma mão limpa a outra.

 

Agora eu? Eu? A minha inteligência é rara em grau e dimensão e nem se fala mais nisso. Não me restam dúvidas. Ora. Ora, então o gajo diz-me xxxxxx e ainda me cita sem autorização e fazendo dele o que é do saber da minha inteligência? Eu tenho a minha identidade muito clara e impoluta e se já fiz algumas foi dentro do necessário e sem deixar impressão digital. Agora o que me cerca? Valha-me Deus, posso viver em milhares de lugares melhores e renová-los por competência própria. Não há pachorra para tanta vírgula desencontrada, nem para o alívio das reticências. Num ponto de exclamação não se toca nunca! desde que lá esteja posto por mim, obedecendo às melhores e assépticas regras gramaticais. Mas os meus pobres olhos, até já fazem a correta pontuação onde a não vejo ou a minha inteligência não lesse muito e não fosse dona do livre-trânsito da condescendência de fazer borlas à correção do mal que possa ler. E ainda acham que me estão a dar uma oportunidade à minha inteligência? Isto disse-me o amigo xxxx, à boca fechada, aquele que me chama de excecional e me envia e-mails quase a desconvidar-me: a mim e comigo à minha inteligência, ao meu saber que sabe que há milhares de lugares melhores!

 

Cambada de monocromáticos!

 

Que tempo sem caridade este que não partilha como eu uma sessão de condecorações, uma talhada de presunto do tempo do défice, uma missa cantada à hora de dormir. E mais digo, se a minha inteligência é sarcástica, é tao somente por ter uma teoria muito minha sobre todos e que nunca revelei, nem revelarei.

 

Mas que há milhares de lugares melhores, ai há sim senhora! O que por lá comi foi cozinhado com tédio, é certo, mas com uma exigência….tel quel! Tel quel!

 

Teresa Bracinha Vieira

CRÓNICA DA CULTURA

 

Que me dizes? Já passou o futuro? Então e a gente já não o vai viver? E passou em que tempo e em que rua? Quem te disse?

 

- Pois disse-me o desejo do futuro.

 

- Qual desejo? O teu desejo ou o desejo de todos? Ou o teu desejo do Pedro?

 

- Olha, estou confusa com as tuas perguntas. Não pensei que reagisses tão alarmada. Não vês que o futuro é o presente, e nele o futuro é uma espécie de vida suspensa, e quem o topa, vai, e vive-o. Pronto é isso o que sei.

 

- Mas isso é uma crueldade. Não vês que estou com gripe e a febre não me deixa ir a lado nenhum. Vieste visitar-me para me dizer isso? Ó Rita tem dó, há muitas maneiras de desperdiçar o tempo e dentro dele o tal tempo de futuro que se apanha numa porção especial do presente, mas dizeres-me assim essas coisas sabendo como eu estou? Até já nem sei quando me começou a febre, e se o tal pedaço de presente que é futuro, não tem em consideração uma espécie de suspensão para ser vivido mais tarde, se acaso a culpa não for nossa? Se não tiver em conta a nossa ausência de culpa, então sim, é que estou tramada: perdi imenso com a gripe.

 

- Alexandra tem calma ou a febre sobe-te. Disse-me o Pedro que estes dias em que a gente não topa o futuro, têm mais de 24h e é nesse acima 24 h que está o futuro que, às vezes, pode ser 1h, 10h, ou 1 segundo a mais das 24h. Ninguém sabe mais nada. Acontece.

 

- O quê pode ser um segundo? Pode ser só um segundo para se viver o futuro daquele dia? Ai! que já me sinto muito pior. Vou chamar o médico.

 

- Não! Não chames ninguém. A porção desse segundo foi o melhor beijo que o Pedro me deu. Foi uma porção de segundo imensa! E nada digas a ninguém. Isto é um segredo enorme, pois imagina tu se naquele dia, a porção fossem 10h?

 

- 10h? Que tarefa! Achas que o Luís pode saber disto e nada me ter contado até que chegue o tempo máximo das 10h?

 

- Não sei. Ele olha-te muito, mas enfim, a preparação rouba muito tempo à porção, e entretanto ele gasta-a pondo-te à prova.

 

- E a prova real será eu provar-lhe que aceito viver com ele no futuro? Deus! Não me quero de adivinha, mas pressinto que a sucessão do tempo, se não a acalmarmos, faz o futuro ser agora, e já ter passado, e tudo ao mesmo tempo. Que embrulhada me trazes, Ritinha!

 

- Alexandra, eu é que vou daqui confusa e a pensar que eu e o Pedro fomos mesmo muito parvos.

 

- Porquê?

 

- Ora porque se tu estás certa, e nós que só vivemos aquele futuro num segundo, devíamos era ter esperado mais. Ter esperado que o segundo fossem horas. Estou mesmo a ver que tu aproveitas a gripe e te preparas para as 10h, e ao tempo, dás ainda, na altura certa, um Lexotan à penúltima das horas, ou seja, às 9h. Estou mesmo a ver que primeiro que cheguem as 10h, tens um futuro imenso pela frente!

 

- Bom, a ideia tem pernas ó Rita, mas eu estou doente. Saberás tu quanto tempo dura isso do futuro ser presente? E sabes se se gasta? O meu maior receio, digo-te, nem é bem esse do futuro se gastar, mas o do desejo de o viver se tornar escasso, se acaso não depender só de nós.

 

- Agora é que me afundei. Viraste o tempo contra nós, contra o futuro, contra a tal porção que te falava no início, e tudo isto por conta do desejo estar só em nós. O futuro do qual falamos - cuida-te-, que mal uma pessoa se distrai e as 10h já eram… mas se o desejo for nosso e de alguém, então é que o futuro não é de ninguém e dura para além das 24h, sem que se intua o tempo que estará no para além das 24h.

 

- Talvez não seja como eu penso. Acalma-te! Afinal se esta gripe que me apanhou for a das aves – não te rias - eu contagio-te já, e até podemos voar para além das 10h.

Como sabes, os voos são sempre aproximações aos momentos e estes são bem maiores que os segundos, e até maiores que as horas, aliás estas até se espantam por não saberem quanto tempo a mais das 24h, têm os momentos. Foste uma querida em vir visitar-me. Foste uma querida por me trazeres um algo muito especial e ambas a podermos ir em direção a ele. Já viste? Livrámo-nos da vontade dos outros de nos tornarem distraídas face aos nossos desejos. Aos nossos desejos das porções de tempo de futuro que estão contidos em todos os nossos presentes. E la grande question est de décider ce que l’on sacrifiera: il faut savoir qui, qui, sera mangé, como dizia Valéry.

 

- Nós ou o tempo do futuro?

 

Teresa Bracinha Vieira

30 novembro

SEGREDO ABERTO

 

Olhei e vi

O que não gostei

E de mim não perdoei

O que noutros

Encontrei

Igual

 

Todos julgam

Julgar o que não julgam

Julgando

 

Apartam-se do similar ou diverso

Como se a diferença

Em profundidade

Existisse

 

Pobres somos

Pois todos tão perto

Do lago

Onde morreremos

Num afogamento

Trôpego e heroico e nada

Só agua

 

Que enfim é mesmo

Uma realidade

Verdade da natureza

Daquela que tudo sabe

 

E nós

Nem do amor

Fábula

Máscara

Conhecemos caminho

 

Tu

Só tu

Só eu

Só lágrimas unidas

Um dia

 

Quando a bater

O coração parou

Na direção

Da estrada esperançada

Que ainda não nos

Reconheceu

 

E ainda assim 

 

Bate, bate na minha alma

Um nascimento

 

Poesia

 

 

Teresa Bracinha Vieira

Janeiro 2018

CRÓNICA DA CULTURA

 

A MORTALHA DA INDIFERENÇA: a separação dos destinos num único


Um vídeo divulgado pela agência Reuters mostra um bote ocupado por refugiados chegando à Playa de los Alemanes, em Andaluzia, na Espanha, (…) depois de cruzar o Estreito de Gibraltar. O bote com pelo menos 50 refugiados africanos chocou os banhistas da praia. Assim que a embarcação se aproximou da areia, os imigrantes saltaram e fugiram correndo. (10.08.17)

 

Escravos do nosso tempo, gente sem defesa, exposta à violência de todas as partes, alvejados pela indiferença dos banhistas que tanto incomodaram nas praias dos nossos dias.

 

Não sabem eles, nem o amortalhado mundo a que chegam, que, por aqui também o rasgão no diafragma da alma laqueou as artérias da compaixão e sob o calor, na praia, só o bronzeado é pista de vida. Os moribundos de roupas andrajosas fogem, arrastam-se fixa e silenciosamente da morte da partida e da morte da chegada.

 

Não existem médicos, nem medicamentos que atenuem a dor dos que sem clemência, debruçados no chão, vão suportando o olhar inquiridor que até exprime desdém ou ódio ou pasmo ou simplesmente lhe perscrutam a morte pois que com ela se iria embora um problema.

 

Não sabem as gentes que ao aceitarem diariamente a oferta em saldo, de imagens de horror, passam a agonizar em pasmo, sem qualquer surpresa, de que o próprio caminho seja o do abismo. Contudo quando lhes toca algo de mau, em vão tentam traduzir por palavras o seu silêncio: «Porquê eu? Porquê isto? E para onde agora?»

 

Não sei se se deram conta estes sortudos do lado de cá que só têm escolhido profundos ferimentos a seu cargo e semeado as terras de sementes hostis à abundância da fome. Agonizam pois numa viagem que celebram com champanhe. Então, imóveis, os abutres aguardam por óbvias razões que os festins lhes caiam aos pés como espectros de mortos ainda insepultos. Talvez a hora do que deveras deveriam ter feito se chame indiferença hipotecada a preço de sol roxo.

 

Um jornalista ainda pergunta aos persistentes banhistas: quanto tempo vai ficar assim? E por cá? E quando volta? Conte-nos de si dos seus desejos. Acha que politicamente partimos para um futuro sólido?

 

Com justa e impiedosa clareza o amor treme de frio. A indiferença traça a separação dos destinos num único. A revelação dramática da solidão usa protetor solar mascarando o lado atroz da guerra que o mundo enfrenta, sem vergonha de si, como se fosse brutalmente insuspeito.

 

Depois a velhice, a doença, a falta de afeto, as incompreensões, os abandonos, enfim todos os males, são culpa alheia. Fantástica cocaína!

 

Teresa Bracinha Vieira
11.08.17

Van Gogh

 

já que me deste o que de ti jamais me separará, do meio das mãos que te imploram horizontes, te saúdo sempre, e no meio dos meus vestidos nus - tuas ilhas conhecidas – o espaço teu, total, único horizonte do teu olhar que dá vida aos sonhos, à ternura, a todos os lados das paredes cegas, à voz que te reconhece nos dedos a pintura de eternidade. Só para ti chorarei profundamente, se a minha força te não levar o trigo do céu. Perdoa-me, de algum modo, do fundo dos teus cachos de luz, teus frutos maduros; perdoa-me de dentro desse teu coração que tanto quis ser amado, e a vida, menos, tão menos do que amor, de uma flecha mata o pássaro que só depois viveu

e sempre lúcido, afinal, sempre liberto no tempo de sentir

 

starry, starry night.
Paint your palette blue and grey,
Look out on a summer's day,
With eyes that know the darkness in my soul.
Shadows on the hills,
Sketch the trees and the daffodils,
Catch the breeze and the winter chills,
In colors on the snowy linen land. Now I understand what you tried to say to me

 

how you suffered for your sanity
how you tried to set them free.
They would not listen
they did not know how

 

perhaps they'll listen now.

 

A Paixão de Van Gogh é o primeiro filme do mundo totalmente pintado à mão. 

É um filme que não tem ninho tem apenas asas.

Um filme que nos condena a todos ao ritmo do que somos onde longamente continuamos a viver.

 

  http://www.vangoghgallery.com/painting/starrynightlyrics.html

 

Teresa Bracinha Vieira

Dezembro 2017