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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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A FORÇA DO ATO CRIADOR


Robert Venturi e a Força do Pop

 

Robert Venturi e a Força do Pop

 

‘Os velhos clichés que envolvem tanto a banalidade quanto a confusão continuarão sendo o contexto de nossa nova arquitetura, e, significativamente, a nossa nova arquitetura será o contexto deles.’ Robert Venturi, 1966

 

Robert Venturi (1925) é discípulo de Louis Kahn e logo após de estadia na Academia Americana em Roma escreveu ‘Complexidade e Contradição em Arquitetura’ (publicado em 1966). Esta obra propõe novos níveis de significado para a arquitetura que rejeita o purismo directo e racional da ortodoxia da arquitetura moderna. Ao trabalhar com Kahn, em 1956, desenvolveu o seu interesse pela justaposição, pela excepção, pela distorção e pela inflexão maneirista, evocando a importância da herança da história. Venturi troca, o lema de Mies ‘Less is more’ por ‘Less is bore’, exigindo uma maior riqueza de forma e conteúdo.

‘Arquitetura é forma e substância – abstracta e concreta – e o seu significado deriva de suas características interiores e do seu contexto.’

(Venturi: 1995, p.13)


Segundo Venturi as componentes mais importantes para se fazer arquitetura são a interpretação plural, a ambiguidade, o paradoxo, as diversas escalas, a variedade de funções, a compartimentação, a hierarquia, a função que é forma, a improvisação, a incerteza, a aceitação de elementos banais, a excepção, o exterior que não é manifestação do conteúdo interior (o edifício pode ser concebido por camadas que dão mais espessura), o todo que é a soma das partes singulares, a descontinuidade. Venturi toma como referência ‘Seven Types of Ambiguity ‘, de William Epson para encontrar a imprecisão de significados. E ambiguidade para Venturi existe sempre que se estabelecem alternativas na interpretação sem se perder o sentido, isto é: sempre que se utiliza a metáfora; sempre que duas ou mais ideias contraditórias coexistem (o belo e o sublime, o grande e o pequeno, o aberto e o fechado, a continuidade e a fragmentação, a curva e a recta); sempre que as ideias são produto da intuição; e sempre que é necessário forçar significados por não existirem ideias. (Venturi,1995)

Venturi refere-se a uma arquitetura popular, no sentido da criação de formas confortáveis ao entendimento, da produção de imaginários, de soluções familiares e de comunicabilidade imediata. Venturi estende assim os princípios da Pop Art à arquitetura, sobretudo na necessidade de saber trabalhar com o banal, associando novos significados, alterando o contexto ou a escala. Apesar da tentativa de contrariar os dogmas do modernismo e uma atenção dedicada à banalidade dos espaços urbanos e construídos, o livro de Venturi abre sobretudo caminho à apreensão e utilização do passado de forma superficial, gratuita e indiferente que a partir dos anos setenta leva à saturação de um vocabulário histórico ornamental, muitas vezes fora de escala e descontextualizado.

 

Ana Ruepp