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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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A LÍNGUA PORTUGUESA NO MUNDO

 

XXVIII - UMA VISÃO PESSIMISTA

 

O americano Steven Roger Fisher, coloca a hipótese de no futuro a língua portuguesa desaparecer e ser substituída pelo portunhol. 

 

Argumenta que dentro de 300 anos o Brasil falará um idioma muito diferente do atual, em face da enorme influência da língua espanhola, tendo como provável que surja uma espécie de portunhol.

 

Além de fazer parte da própria dinâmica evolutiva das línguas, reforça a sua posição dizendo que o Brasil está rodeado de países falantes de espanhol, desde argentinos, uruguaios, chilenos, colombianos, bolivianos, paraguaios, peruanos e venezuelanos, que também irão usar expressões do português do Brasil, o que contribuirá para que haja uma fusão, com a agravante de ter os dois idiomas de origem ibérica muito parecidos.

 

Esta pressão de múltiplos países falantes de um mesmo idioma sobre um que tem um idioma diferente e parecido, aliada ao facto de existirem no mundo menos falantes de português do que espanhol, leva Fisher a ter como hipótese maioritária que o Brasil está destinado a trocar o seu idioma pelo portunhol. 

 

Não obstante, diz: “O português não será substituído pelo espanhol. O que irá acontecer é a mistura das duas línguas. Numa escala menor, é o que deve acontecer com o inglês também. Sem dúvida, o idioma que mais influencia hoje o inglês é o espanhol”.     

 

Embora considere que o português do Brasil e o de Portugal é a mesma língua, entende que há entre ambos grandes diferenças, apontando para a separação, se essa tendência se acentuar. Ao inverso do inglês, dado entender que o britânico e americano se aproximam cada vez mais, uma vez que a influência dos Estados Unidos é cada vez maior, desde o fim da segunda guerra mundial, através de filmes, músicas, programas televisivos, informática e novas tecnologias.

 

Trata.se de uma visão de raiz anglo-saxónica, que peca, desde logo, por defeito.

 

Fala tenuemente de Portugal. E do Brasil como monopolizador da língua portuguesa. Ignora os demais países lusófonos falantes de português, lusófilos e o potencial crescente do português em termos demográficos e como língua de exportação. Tem o continente americano e o seu país natal como o centro do mundo e orientador de tendências linguísticas futuras. 

 

Tomarei posição mais detalhada, em próximos textos, sobre a perspetiva otimista e pessimista da língua portuguesa, que acabo de expor.

 

14.11.2017

Joaquim Miguel De Morgado Patrício

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