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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

AGUSTINA BESSA-LUÍS

 

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Aceitariam alguma vez aqueles que tanto necessitam do seu momento de glória, projectar a qualidade de quem se mantém discreto, sereno mesmo, ainda que também silenciado exactamente pelo mérito criativo que possui? Não, não aceitariam, não aceitarão nunca louvar ninguém que realmente respeitem, ou antes, receiem, pois esses seres que vivem durante uma vida inteira como ficção, posto que mentem sem respeito de si mesmos, embrutecidos pelo seu umbigo, nunca admitirão um são convívio com o mérito da grande criatividade. Afinal eles pouco ou nada descobriram ou despertaram, mas de muito se entendem honoris causa, com a falsa modéstia usada no rigor dos momentos. Os homens são perversos, sentem inveja sim, vivem num estado de auto-elogio constante, para se exporem a todos num falso humildemente, acima das circunstâncias. Os seus ossos já são relíquias no reino que os lembrará, e hão-de lembrá-los, exactamente os que coligiram os seus passos numa alegria de quem tudo percebeu à nascença.

Num debate, no qual Agustina participava, este foi o resumo do tema em que todos quisemos dar o nosso contributo para que se criasse um conflito de consciências, um escândalo pelas linhas tortas nos caminhos sempre fisgados.

Só conheci pessoalmente a escritora Agustina Bessa-Luís neste dia. Recordo as suas sábias palavras a propósito do que acima dei como resumo:

E alguma vez as gentes que em vanglória, neste país pequenino, se dará conta do quanto o seu orgulho almoça com a abundância e janta com o desprezo?

Foi ao ler estas palavras agora no “Caderno de Significados” de Agustina lançado pela Babel, que me recordei de as ter escutado naquele dia em que, uma vez mais, se constatou que o caleidoscópio do mundo conhece cores que não se destinam a ser vistas.

 

Teresa Bracinha Vieira
2016