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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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ATORES, ENCENADORES (XV)

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O ATOR TASSO – O TEATRO TASSO E A ATIVIDADE TEATRAL DESCENTRALIZADA


 Faça-se aqui uma evocação do ator Tasso e do Teatro Tasso da Sertã, no centenário da inauguração da sala (1915) que hoje, reformada e adaptada a cine-teatro em 1953, e que se mantém em atividade, designadamente dando abrigo a grupos de amadores locais desde 1955: e esses exatos 60 anos decorridos justificam também, ou ainda mais, esta evocação.

Com mais um aspeto que deve ser lembrado: a inauguração do Teatro Tasso fez-se com a peça “O Deputado Independente” de Chagas Roquete e Álvaro Gil, autores relevantes na época, sobretudo o primeiro. E o primeiro espetáculo teatral do renovado e já então denominado Cine Teatro Tasso fez-se com “A Bisbilhoteira” de Eduardo Schwalbach autor também de grande projeção no seu tempo – e de certo modo ainda hoje.

Pedro Marçal Pereira recorda que «as primeiras representações (teatrais) decorreram na Sertã em Dezembro de 1865, onde uma pequena companhia espanhola levava à cena  “dramas e jocosas farsas” no celeiro da casa dos Mascarenhas. Já neste ano as récitas eram acompanhadas pela “philarmónica”» (in “O Teatro Numa Aldeia da Beira – Cernache do Bomjardim” 2015 pag.315) E a atividade teatral mantém-se com o apoio da Câmara ( cfr. Rui Pedro Lopes “História da Sertã” ed. Câmara Municipal da Sertã – Prefácio de José Pedro Nunes, Presidente da CMS - 2014).

Temos pois na Sertã, curiosamente, neste ano de 2015, três comemorações assinaláveis no ponto de vista teatral – 1865, 1915, 1955.  

Ora vale então a pena recordar a importância que, na época, teve o ator Joaquim José Tasso, designadamente na afirmação da obra de Garrett, na revelação da dramaturgia garretteana, mas também no impulso que o escritor daria à atividade e à renovação do espetáculo teatral.

E precisamente, encontramos o jovem Tasso, em 1838, com 18 anos, no então semi-arruinado Teatro da Rua dos Condes, que já aqui evocamos, a integrar o elenco da Companhia de Teatro Nacional e Normal dirigida por Emile Doux, onde estreou “Um Auto de Gil Vicente” de Garrett: o escritor esteve ligado a esta iniciativa, que se revelaria primordial na renovação do teatro-espetáculo português.

E em 1841, Tasso desempenhou ao papel de D. Nuno Álvares Pereira mo “Alfageme de Santarém” de Garrett.

Tasso passaria para o elenco de Teatro D. Maria II e inauguraria em 1967 o Teatro da Trindade. E manteve-se nessa empresa até à sua morte em 1870. Fez assim parte de uma geração muito marcante do teatro português, que reuniu nomes desde João Anastácio Rosa a Emilia das Neves, Carlota Talassi, Epifânio Gonçalves, Teodorico Cruz…

Estes nomes foram extremamente marcantes na época mas hoje já não nos dizem quase nada: é a consequência do carater efémero do espetáculo teatral. Mérito pois da evocação de atores em salas de espetáculo, como é o caso deste Teatro Tasso da Sertã. Iremos vendo mais alguns.

 

DUARTE IVO CRUZ