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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Bem-aventurança

 

Da janela

Um pássaro

De recados

Transmitiu-me

Que o que seja

Há-de andar rápido

Ou não voasse a minha poesia

Para a tua direção

E eu máscara

E eu mulher

Loucura que finge não sentir dor

E tu

Tu

Sei que nunca encontraste

Uma magia de amor

Tão cheia de intenções

Que há tempos que

Não termino uma coisa

E aqui estou

Mais outro resto de noite

Por contar

A estender-te o coração

O peito, a mão e o olhar

E eis-me a mulher que bem conheces

Agora a dizer-te

De um ponto de vista diferente

Que em salvação morrerei

Sendo sempre capaz de te amar

A partir dessa experiência que não conheço

Mas que há-de ser a mesma

Contida no recado do pássaro

E que reside na história que vive

Dentro de ti, de mim, de nós

E que não sendo impostura

O que quer que seja

Há-de andar rápido no para sempre

Ou não voasse a minha poesia

Para a tua direção

Nossa

Ou não fosse escusado dizer

Que esta é a minha história

Tu

E que só irei embora depois de roubares

Dela a minha parte

Tu e eu

Embrulhados na árvore que ambos já tecemos

À espera do beijo, beijando-nos sempre

E enfim, restará a espera

De ouvir bater o meu caminho

Naquela canção que te escrevi

Em ti

No quanto

A minha provocação foi

Quando nos amávamos

Sem que fossemos mais uma experiência

Antes uma noite de magia e eu

Tu

À espera que esta verdade

Fosse a cura

Na busca das palavras 

Que assim te canto

 

Teresa Bracinha Vieira

2016  dezembro