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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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CARTAS DE PALMO E MÃO VI

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Minha amiga única:

Estou a ler um livro enquanto me direcciono para a casa dos nossos amigos em Richmond. O meu marido virá ter comigo à estação sob esta contínua chuva de Inglaterra. Estamos ambos exaustos de tanto trabalho e preocupações sufocantes que em Portugal temos suportado nestes últimos anos. Contudo, como sabes, o nosso amor tem tido sempre o espírito e a razão das tais: amor, pensamento, amizade e paixão, tudo confundido e esclarecido no espaço do erguer.

Por aqui estaremos dois ou três dias apenas, e, em muito viemos para falar da India, a nossa India, a grande verdade que a ela nos leva constantemente até ao interior de não sabermos se ela é Deus ou fera; se nasceu para morrer ou para errar, sentindo humanidade pelo bem e pela imperfeição; ou se apenas percorre labirintos e nos deixa espreitá-los.

Mas escrevo-te, como prometido, dizendo-te assim o que pelo telefone não seria capaz de transmitir quando ontem falámos. E sim, a incapacidade tinha de ser encarada por vós e tanto quanto possível elucidada. Os beijos têm contexto, e como dizes, sentires de estética também. Por isso, Inês, a verdade deles não é uma questão de opinião maioritária ou de quase unanimidade. Pelo contrário: de alguns, nunca conseguiremos libertar-nos da suspeita que louvá-los foi algo convencional ou excessivo. De outros nenhum juiz se aproximará. Mas, lembra-te sempre carinhosa amiga, que só o essencial faculta a justificação e depois dela a pergunta continua. Vai, segue-o como homem mortal, sei que repararás na clareza das leis da natureza.

Para ti = uma mão de água-benta


A tua amiga Isadora

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Por Teresa Bracinha Vieira

Junho 2015