Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

CRÓNICA DA CULTURA

 

De cogitar em cogitar enche a ufana galinha o seu papo: tel quel

 

Um dia acordou uma inteligência toda empertigada e mal dormida e resolveu bradar de rompedura qual aristocracia tocada a gota:

 

Não há pachorra! Não aguento ter de aturar as vaidades ocas e possidónias de certos ambientes. Como é sabido estão todos em dívida para comigo ainda que não o digam, ou, ainda que seja eu a pedir-lhes que me escutem, pois é para o bem deles. Só por isso. É para o bem deles. Eles não sabem o grau de indecifração de pensar que têm e eu quero ajudar. De nada preciso. É só para ajudar que faço isto do meu cogitar: ou seja, produzo inteligência, o que é o mesmo que dizer que o meu saber sempre viajou em primeira classe e eis agora a qualidade! É gente inculta e ufana esta que me rodeia hoje, é gente que se vende já que uma mão limpa a outra.

 

Agora eu? Eu? A minha inteligência é rara em grau e dimensão e nem se fala mais nisso. Não me restam dúvidas. Ora. Ora, então o gajo diz-me xxxxxx e ainda me cita sem autorização e fazendo dele o que é do saber da minha inteligência? Eu tenho a minha identidade muito clara e impoluta e se já fiz algumas foi dentro do necessário e sem deixar impressão digital. Agora o que me cerca? Valha-me Deus, posso viver em milhares de lugares melhores e renová-los por competência própria. Não há pachorra para tanta vírgula desencontrada, nem para o alívio das reticências. Num ponto de exclamação não se toca nunca! desde que lá esteja posto por mim, obedecendo às melhores e assépticas regras gramaticais. Mas os meus pobres olhos, até já fazem a correta pontuação onde a não vejo ou a minha inteligência não lesse muito e não fosse dona do livre-trânsito da condescendência de fazer borlas à correção do mal que possa ler. E ainda acham que me estão a dar uma oportunidade à minha inteligência? Isto disse-me o amigo xxxx, à boca fechada, aquele que me chama de excecional e me envia e-mails quase a desconvidar-me: a mim e comigo à minha inteligência, ao meu saber que sabe que há milhares de lugares melhores!

 

Cambada de monocromáticos!

 

Que tempo sem caridade este que não partilha como eu uma sessão de condecorações, uma talhada de presunto do tempo do défice, uma missa cantada à hora de dormir. E mais digo, se a minha inteligência é sarcástica, é tao somente por ter uma teoria muito minha sobre todos e que nunca revelei, nem revelarei.

 

Mas que há milhares de lugares melhores, ai há sim senhora! O que por lá comi foi cozinhado com tédio, é certo, mas com uma exigência….tel quel! Tel quel!

 

Teresa Bracinha Vieira