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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

CRÓNICA DA CULTURA


Diria que saber pensar é o vocativo, a circunstância vital que dá contexto à nossa existência. A insuficiência do esforço é o que nos torna arrogantes na aproximação ao saber pensar. Julgo que teremos de nos ensinar a ler a partir de um nível humilde para avançarmos passo a passo e evitarmos cometer os erros das grandes passadas na vida, que não são mais do que grandes golpadas à vida que se diz não querer viver. Queria dizer que muitas vezes senti que só o ensino é a transmissão de uma fruição, só o poema em qualquer realidade que se manifeste, é superior à falsidade, até aquela que, na súmula, entende ter ganho em todos os tabuleiros do bel canto, ou essa outra que uiva mais alto do que os lobos, e atraiçoa a amiga ou cativa o estranho com fantasias de rapto, afinal, vulgar, pois a solidão escapou-se a ser entendida por falta de uma cultura articulada, por não repudiar inequivocamente uma mesquinhez à qual se justificou ser por amore e con amore.

Quelle effrayante responsabilité, pour nous!

Em resumo, digo que proponho um conjunto de pensares sobre o pensar do pensar. Proponho o pólo oposto até hoje não alcançado, e, façamos sim, tudo de novo, entre a inocência e nós próprios. Tentem-se as novas formas de literacia humanística, e atente-se que são musicais e não textuais ao raciocínio. Então talvez o discurso nos seja incapacitado pelas mentiras da moral que afinal tanto deixámos que nos enfeitasse, tanto quanto o ato de julgar quem menos merecia e que afirmámos, enfim, não fazer a ninguém a partir da consciência do nosso próprio processo de crescimento. Saibamos também desembaraçar as metamorfoses dos valores depois de despidos das análises das suas causas.

Na primeira chuva que vier, uma cerimónia evocará outro contrato cultural, outro recurso que nos será acessível, se para tanto: nós!

Exclamação à nossa sorte! a penetrar a grande profundidade e talvez não inteiramente má.

 

Teresa Bracinha Vieira

Janeiro 2018