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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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JAPÃO: UM ITINERÁRIO DE MUITOS OLHARES

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6. O Japão e o entendimento do mundo
 

   Aqui chegado, procurarei ser breve, espero ser claro e farei por isso. Com algum receio de mim, arrisco recorrer a Alberto Caeiro e pedir, ao primeiro heterónimo de Fernando Pessoa, que me autorize a dizer que o entendimento japonês do mundo se revela num trecho do poema II do Guardador de Rebanhos, que seguidamente transcrevo:

 

          Creio no mundo como num malmequer,

          porque o vejo. Mas não penso nele

          porque pensar é não compreender...

          O Mundo não se fez para pensarmos nele

          (pensar é estar doente dos olhos)

          mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

 

          Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...

          Se falo da Natureza não é porque saiba o que ela é,

          mas porque a amo, e amo-a por isso,

          porque quem ama nunca sabe o que ama

          nem sabe porque ama, nem o que é amar...

 

          Amar é a eterna inocência,

          e a única inocência é não pensar...

 

 

   Bem hajam! Muito obrigado pela vossa atenção! 

  

Camilo Martins de Oliveira