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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

JOSÉ LUIS ARANGUREN

El terror engendra terror, presto siempre a convertirse en contraterrorista terror: inacabable dialéctica de la violencia.

 

Aqui nestas páginas já várias vezes mencionei o enormíssimo orgulho em ter sido discípula de Aranguren. Tive o privilégio de escolher a obra deste grande Tratadista aquando de um grupo de conferências nas quais pude trabalhar algumas ideias deste Mestre inigualável.

 

Falar de Aranguren é referir um dos filósofos e ensaístas espanhóis mais importantes do séc. XX. Professor de ética na Universidade Complutense de Madrid, descobrimos com ele um olhar único sobre a importância dos intelectuais nas atuais sociedades mecânicas e consequentemente, desumanizadas e sem qualquer esforço de solidário humanismo. As suas reflexões éticas, políticas e religiosas constituem uma água para a fonte de todas as nossas manhãs. Tal qual para mim o Professor Doutor José Luís Aranguren.

 

Revisitei este domingo um dos meus apontamentos das suas aulas:

A chamada experiência da vida pretende ser sempre um saber, mas um saber que tem em conta o significado e o sentido da vida, ou seja da moral na sua mais ampla aceção. Um saber que deve estar necessariamente ligado à prudência e à sabedoria e que parece afastar-se da ciência e da técnica. Mas, estes últimos são definidores de uma época como a que vivemos, orientada para uma racionalização progressiva e em último limite, clarificadoras e organizadoras dos comportamentos e das ralações sociais.

 

Depois da leitura destas anotações, relicto que a palavra prudência de há muito a esta parte que surge equivoca, como se não tivesse em conta a pretensão sugestiva da sabedoria, como se surgisse em contraste com a vontade pragmática do mundo científico dos dias de hoje. Ora, julgamos que ela pertence a um estado de cultura que sabe questionar o quanto o saber cientifico e técnico, pode não ser o bastante para a ordenação da vida em geral. Em nossa opinião esta palavra “prudência” é uma palavra a ser conquistada pelo conceito filosófico, tal a responsabilidade da sua transmissão a fim de que saibamos ao que nos devemos ater e que defina uma função clara na vida do homem. Nomeadamente uma função que ajude a esclarecer a razão da violência gratuita que se vive.

 

Procurarei continuar este tema no trabalho Crónica Da Cultura. Contudo, aqui e de novo, o alerta à mente brilhante de Aranguren e a necessidade de não descuidar a leitura dos seus livros.

 

Teresa Bracinha Vieira