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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

LONDON LETTERS

 

 

Follow the money, 2014

 

O estilo ou o defeito de substância geram desconforto. E que escrever sobre as contradições? Com a aceleração política para a caçada ao voto no próximo mês, em eleições locais e europeias, o debate público ganha já traços feéricos nas linhas partidárias com uns costumados flash boys. — Chérie, c'est le ton qui fait sa chanson! As campanhas eleitorais sempre terão quê malabárico de ato promocional de venda ao incauto de um Buckingham Palace ou quiçá aqui dos belíssimos jardins de St James. Diz-se uma coisa e o seu contrário, é alto e é baixo, é largo e é estreito, será e não será, restando ao eleitor concluir sobre se o que aquele tal diz é pouco ou nada. –Humm. There is no alternative but to leave the serious stuff for serious people! Temo mesmo que o esforço desmesurado para convencer as gentes de que vivem hoje melhor que no passado recente atinge picos que fariam corar uma working lady de apelido Thatcher. Ainda assim, abreviadas a vida e a comunidade às finanças, o fim da crise foi hoje oficialmente declarado com argumento estatístico e em modo Ronald Reagan. Daí: Votar-se-á com a carteira.

 

Anda por cá deliciosa ironia ao melhor de Pieter Bruegel, The Elder em De parabel der blinden. A crise do cost of living finda às mãos de razão técnica: os salários crescem acima da inflação. Que o ganho seja às décimas e as faturas galopem a dois dígitos, é cor fora da paleta do pintor.  O fact checking exige trabalho e a dívida+défice esfumam-se em rude e volumosa pobreza. O micro management explica o declínio do debate político com a metamorfose de elites que enveredam pela escada rolante do cifrão ao invés dos degraus do status – a educação não é mais o antigo bem; sim o neo artigo para compra e venda. Ora, nem classistas georgians ou victorians toleraram dogma da desigualdade entre ricos e pobres a galope anual de 42% como hoje. Também nem em 1814 ou 1864  se ouviam numa qualquer sala de Westminster senhores vermelhuscos a citar grandes padres da fé em latim, pois sobreviria a frieza entre verbis e verbera. Tal qual Mr George Bush sr no labera lege, para orelhas que leiam, temos lupus in fabula. Advém risco maior: a falar para a fotografia, os representantes e candidatos podem imunizar-se no partido, sem impedir a repulsa no voto. É que há algo de moralmente corrosivo nisto a que a indispensável confiança da coroa não resiste.

 

Not by accident, o líder do UKIP continua em escalada radical nas sondagens. Com as intenções de voto a atribuirem à sua hoste uns consistentes 15%, Mr Nigel Farage é agora visado com os milhões recebidos como deputado europeu na união política que afirma abominar. Aos críticos responde o independentista como sempre: o dinheiro é bem aplicado na gesta para ser despedido e encerrada a empresa que lhe paga tais chorudos vencimentos. Pagará tamanha ingratidão? Afinal, at the end of the day, seja em Westminster ou em Brussels, quem paga é o contribuinte. O ataque negro tem leitura nas sondagens que avaliam a qualidade dos empregados políticos. Ipsos MORI Political Monitor: Clegg – 29%; Miliband – 30%; Cameron – 38%; Farage – 40%.

Vale o Rt Hon Secretary of State for Foreign and Commonwealth Affairs, Mr William J Hague, a doar liderança à Europe na Ukraine crisis. Cá por casa anda a garotada entretida a pintar coelhos e ovos para as festas da Páscoa. Os dias afiguram-se até longos pela fadiga de os ouvir no jardim dos fundos. — Indeed, a bad workman quarrels with his tools.

 

St James, 16th April

 

Very sincerely yours,

 

V.