Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

LONDON LETTERS

The Christmas truces img1.JPG 

The Christmas truces, 1914

A guerra já deveria ter terminado por estas semanas, segundo a leitura de muitos dos políticos que a haviam decidido nas chancelarias continentais. Ao invés, em 1914 December, a escalada de violência espraia-se e a mobilização geral divide as famílias por toda a Europe.

The Christmas truces 2.JPG

 Nos dias 24 e 25, progressivamente, canhões e espingardas silenciam-se. Ecoam cânticos de Natal em diversas pautas. Ao longo das 27 milhas da Western Front, tropas alemãs e britânicas confraternizam à volta de adaptadas árvores natalícias. Apertos de mão humanizam o momento. — Chérie, ce la est aussi notre nature! Muitas teorias explicam a Christmas truces da First World War. Uns inclinam-se para o alto desconforto vivido nas invernosas trincheiras. Outros para a baixa animosidade existente no arranque das hostilidades que ceifam toda uma geração. — Hmm! Peace at Wolf Wall. O inesperado armísticio na primeira guerra global contrasta com a triste ementa de terror servida por estes dias à volta da terra. Sidney vive 16 longas horas de sequestro num café, que termina com três mortos, dois reféns colhidos a tomar o café da manhã mais um louco apanhado na fantasia de uma Jihad privada. No remoto Pakistan, em ataque taliban, uma escola de Peshawar é massacrada e 126 crianças são assassinadas por dito crime da educação.

Cloudy, rainy and cold weather prepara nova Christmas season, desta feita com os aeroportos mais caóticos que o usual. À intensidade do tráfego somam controlos aéreos atempadamente impedidos de se modernizarem pela austeridade.

The Christmas truces3.JPG

Westminster fará algures as contas aos prejuízos de desasisada poupança ditada pela ideologia. Já há 100 anos Britain move man of good will. O país diligencia uma mais veloz distribuição das muitas cartas dos soldados. A British Expeditionary Force dobra as amenidades. Private Mullard, do London Rifle Brigade, descreve aos seus o Natal na Flanders: "We heard a band in the German trenches, but our artillery spoilt the effect by dropping a couple of shells right in the centre of them." Também o General Walter Congreve estreita distâncias em missiva à esposa redigida no Xmas Day. “Darling dear – as I cannot be with you all, the next best thing is to write to you for so I get closer."

O milagre que então ocorre na No man's land, entre inimigos beligerantes, é descrito neste epistolário. A morte vive aqui, travestida de balas, artilharia e nuvens de gás venenoso. As tréguas cedo são ilustradas nas páginas do The Illustrated London News, entre outros, muitos até questionando a sua veracidade. Mas as cartas militares conservam a reflexão futura. Os Archives at Staffordshire County Council guardam agora as palavras escritas pelo General Congreve, aliás um dos distintos militares que recebe a Victoria Cross na sangrenta Great War. Do British Headquarters sito em Neuve Chapelle (Northern France), o relato pertence-lhe: "We have had a “seasonable weather” day – which means sharp frost & fog & never a smich of sun. I went to church with 2 of my battalions in an enormous factory room & after lunch took down to the N. Staffords in my old trenches at Rue du Bois Mother’s gifts of toffee, sweets, cigarettes, pencils, handkerchiefs & writing paper." O oficial cruza-se ali com algo maior: "There I found an extraordinary state of affairs – this a.m. a German shouted out that they wanted a day’s truce & would one come out if he did; so very cautiously one of our men lifted himself above the parapet & saw a German doing the same."
O centenário da primeira guerra global marca indelevelmente o ano que agora finda. Terão os decisores e os povos aprendido as lições do pesado legado histórico? Olhando em volta dir-se-á ser pouco provável. Ainda assim, a memória de 1914 acalenta algo fundo na memória europeia. — Dear and kind reader, Happy Hollidays and a Happiest New Year 2015.


St James, 16th December

Very sincerely yours,

V.