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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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LONDON LETTERS

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The Berlin speech, 2015

The Queen e o Duke of Edinburgh regressam de uma bem sucedida visita oficial a Germany. Durante quatro dias estreitam contactos com o afável President Joachim Gauck e a jovial Chancellor Angela Merkel et al. As fotografias do evento são excelentes, passeios de barco no Spree River e saudação no Neue Wache Memorial, os sorrisos abertos e o aplauso generalizado. Mas pro memoria remanesce o discurso de HM Elisabeth II em Berlin.

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A veterana chefe de estado alerta contra divisões perigosas em Europe e apela à unidade do pós-guerra enquanto relembra a morosa adesão teutónica à democracia. — Le temps et l’usage rendent l’homme sage! Já em Brussels, o Eurogroupe rompe as negociações gregas. O Syriza convoca um referendo para July 5th sobre os termos troykanos de um novo resgate financeiro à república helénica. — Hmm. A drowning man will clutch at straws. Os jogos abrem em Wimbledon. A random cruelty do Isis abate-se sobre os veraneantes deitados nas areias berberescas de Sousse. Washington estende a igualdade do império da lei à orientação sexual, proibindo agora proibir. Em Charleston, o US President Barack Obama canta Amazing Grace

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Summerdays here and there, everywhere. O tempo solar contrasta com a atmosfera mediática, marcada pelo mais grave ataque contra British nationals desde o 7/7 na London de 2005. Enquanto a Imprensa de além Channel interpela o “game over” aos helénicos na Eurozone (Well am Sonntag) ou foca “le portrait d’un tuer” (Le Parisien), por cá os jornais dedicam atenções às vítimas nas praias de Sousse. O massacre é perpretado por um jihadista de 23 anos, contra homens, mulheres e crianças que seleciona matar simplesmente por serem ocidentais. Assassina 40 pessoas junto a Port El Kantaoui, 30 das quais inocentes Britons. Numa das praias baleia as três gerações de uma só família de Sandwell. Na sequência deste ataque na Tunisia e ainda de atentados em France e Koweit, o alerta de segurança no reino sobe para o vermelho. Ora, entre pipes & drums, mais palmas da good people, o Prime Minister e o Duke of York presidem à parada do 7th Armed Forces Day em Guilford ― casa-mãe dos Royal Marines.

Europe vive dias sombrios noutras paragens. Se cidadãos seus sofrem no Mediterrean Sea, aquele onde diariamente se afogam quantos do South demandam direito à vida e a trabalho, as elites bruxelenses ignoram as constantes geopolíticas e persistem no braço de ferro monetário contra um dos países ribeirinhos. Uma nova vaga da retórica do medo desce sobre Athens, após a recusa europeia de financiamento sem a adesão às customadas reformas da Austerityan way. O modelo referendário é a bandeira que o Parthénon hasteia no labirinto para onde a empurram. Em surdina há quem soletre três palavras interessantes a este país da NATO: golpe-de-estado! Sinto saudades do liberalismo inteligente de um Herr Friedrich Naumann, aqueloutro que na Wilhelmian era concebe o sereno pangermanismo de uma “Mitteleuropa” não dogmática.

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Neste quadro assume especialíssima importância a viagem real à verdejante Berlin. Esta é a 5th state visit que Elisabeth II ali faz durante o seu reinado, mas desta feita em ambiente internacional bem diferente da primeva jornada de 1951 em plena Cold War. Sob agendas marcadas pelas kalendas graecas, segundo o traço perspicaz de Matt no Telegraph, Her Majesty tem a private chat com Frau Merkel na Bundeskanzleramt e coroa o State banquet no Schloss Bellevue após ofertada por Herr Gauck com estonteante tela intitulada Horse in Royal Blue que a retrata com o pai King George VI. Ecoam as palavras trocadas entre os chefes de estado. The Queen vai direta ao clarete: "In our lives, Mr President, we have seen the worst but also the best of our continent. (…) But we know that (,,,) division in Europe is dangerous and that we must guard against it in the West as well as in the East of our continent.” A réplica alemã é paleográfica. — A constructive dialogue on the reforms Britain wants to see is therefore essential. As a good partner, Germany will support this dialogue. For Britain is part of Europe. The European Union needs Britain.


St James, 29th June

Very sincerely yours,

V.