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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

LONDON LETTERS

 

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The hypothesis of the US President DJ Trump, 2016

 

PSXP. Ou Political Sports Xtreme Program. O espetáculo é algo bárbaro para o gosto inglês, com os vaqueiros e as vaqueiras contra

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cavalos e touros no tie-down roping, no steer wrestling, no saddle riding ou no barrel racing, mas os rodeos ajudam à explicação do fenómeno que abala a paisagem eleitoral norte-americana. Quanto pior, melhor! Isso aclara o endosso populista de Mrs Sarah Palin (i.é: da direita do Tea Party) ao milionário que há 7 meses lidera as sondagens na campanha presidencial, do New Hampshire e South Carolina à Florida, Georgia ou Iowa. Só no Texas ele perde o favoritismo para nativo Mr Ted Cruz, sem sombra do ido Mr Jeb Bush. — Chérie. La raison du plus fort est peutêtre la meilleure. O magnata é Mr Donald J Trump e relevos há na sua operação de takeover do Grand Old Party. Os comentaristas dizem já Yes, he can, vogando da tese da impossibilidade à de improbabilidade até à atual plausibilidade no sucesso da corrida à White House. Em aleatórias primárias que por lá tudo decidem, sublinhe-se quão contrastante é a moderada e tranquila eleição do chefe de estado na República de Portugal! — That was, politically, a clever game. Também por cá têm os céus suave anil. A Google Ltd acorda pagar escassos e polémicos £130m em impostos no UK enquanto baixa a fatura fiscal em Dublin. O trio Charlotte Rampling (45 Years), Mark Rylance (Bridge of Spies) e Eddie Redmayne (The Danish Girl) figura nas Oscar Nominations 2016.

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Sunny here, rain there and breezy everywhere. Esperando ondas do big frezze d’além Atlântico, é em atmosfera frescota que continuam a sacholar-se as trincheiras prosélitas em Westminster. As divisões internas no Labour Party e a clivagem entre eurocéticos e eurófilos animam as dinâmicas políticas, mediáticas e também a small talk, em dias tristes de grave perda humana. O explorador Mr Henry Worsley morre na tentativa de atravessar Antarctica a solo. Se o antigo oficial das SAS cai no desidério de hastear a Union Jack no continente gelado, já Eglwyswrw arvora sem querer a bandeira no mundo natural. A pequena aldeia de Pembrokeshire (Wales) entra na história da metereologia doméstica, ao registar um dia seco após 85 pluviosos e quase bater o invernoso recorde de 89 dias com chuva caída na ilha de Islay (Scotland) em 1923.

No mais é a ementa em voga. A campanha eleitoral do referendo europeu ganha velocidade. Diariamente se disseminam estudos, números e afins sobre os danos que uma eventual Brexit causará à economia e ao emprego, segundo uns, em contraponto aos benefícios no jogo político e magistratura diplomática global do United Kingdom, segundo outros. Alea jacta est, porém. Os dados estão lançados e os ininterruptos nevoeiros no continente firmam as tendências In/Out na opinião pública mais consoante as carteiras e menos à luz das manchetes ou dos cruzados. As vagas rebentam de tal modo nos desfiladeiros que hoje são as eurosondagens que Downing Street acelera nos preparativos para a realização da consulta até ao final do primeiro semestre. A pressa resulta não tanto dos contornos do prometido New Deal em Brussels, sim porque o Prime Minister RH David Cameron teme a impopular vinda de mais refugiados – aqui colada à controversa emigração e ao terrorismo. Que aqui reside a vulnerabilidade estratégica dos Tories confirma-o Mr Jeremy Corbyn, a clamar no Labour pela livre entrada dos asylum-seekers acampados em Calais.

O líder trabalhista relança a ação oposicionista após recentes e más sondagens, catastróficas até em Scotland e Wales, na sequência da inábil remodelação do Shadow Cabinet e em vésperas de agendado revés no Trident. Contadas as espingardas na Defense Review, apenas 1/3 dos Lab MP’s apoia a sua visão de enviar submarinos nucleares para o oceano sem ogivas. O esforço de aproximação aos opositores no partido é de realçar, ainda assim. Jeb amoderna o pacifismo. Se sempre desgosta das fardas, agora anui a que se equipem com escudos ‒ embora sem balas. E é um imperturbado RH Jeremy B Corbyn que intervém na Fabian New Year Conference 2016 a explicar o posicionamento de Old Bobby. O discurso tem tema forte: “The absence of fairness and the wish for more of it is what drives us into political activity. We want a fair treatment for all, a fairer society and a fairer world.” O MP de Islington North fundamenta a tese: “Fairness is easily to claim but hard to deliver. David Cameron makes the argument that cuts are fair because it is not fair to burden future generations with debt. Superficially, a very compelling argument but how is cutting investment in, and opportunities for, tomorrow’s generation fair? It’s not. It’s deeply unfair. And today’s young people are already paying the price.”

Preço alto, porque tonto, apresenta o debate por vilania histórica em torno de Sir Cecil Rhodes. Uns quantos jovens e alunos bolseiros querem o derrube de estátua na entrada do Oriel College, na University of Oxford, sob o argumento de aquela incensar nas mentes a exploração racista. Já o Chancellor Chris Patten defende o legado do milionário que ali permite a muitos estudar. A controvérsia nutre manifestações e diatribes. Sondagem YouGov/The Independent assiste agora às trincheiras em Oxfordshire: 11% aprovam que deva retirar-se a figura da fachada. Mais concludente é a estatística acerca do império. Face a 19% que o entendem a bad thing, 43% pensam-no como a force for good. — Well, well! As Master Will S writes in The Sonnets, O, call not me to justify the wrong / That thy unkindness lays upon my heart; / Wound me not with thine eye but with thy tongue; / Use power with power and slay me not by art.


St James, 25th January
Very sincerely yours,
V.