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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

LONDON LETTERS

 

 

God Save The Queen, 1926-2016

 

Good heavens! Temos a Rainha! Dias encantadores nas comemorações do aniversário oficial de Elizabeth II, abençoados quer com a chuva do English Summer e a Trooping the Colour Parade, no recinto dos Horse Guards, aqui em Whitehall, quer ainda com momentânea pausa na arrebatada campanha do euroreferendo.

 

 O Happy 90th Official Birthday Your Majesty soa em múltiplos sotaques, pois as 3-days celebrations expandem-se por todo o United Kingdom e também pelos 53 países da Commonwealth. Momento alto é o Patrons Lunch, “the first big ever street party,” que reúne 10,000 pessoas no Mall e é razão de adorável curiosidade até nas janelas do Buckingham Palace. Também o Prince Philip lá completa uns rijos 95 anos. — Chérie. Jeunneuse pauresse, viellise pouilleuse. O contraste é imenso com os infortúnios do resto do mundo. — Hmm! The best things in life are free. O Euro 2016 de futebol vira batalha campal em Paris. E o horror volta a atacar em massacre nos USA. Notem as estatísticas: 50 mortos e 52 feridos em Orlando, somam a 5,963 pessoas assassinadas no país desde o início do ano, no 998.º mass shooting em 912 dias. O caso incendeia a White House Race, sob retórica explosiva de Mr DJ Trump, quando os democratas escolhem primeirísima mulher como candidata e Mrs  Hillary Rodham Clinton tem sérias possibilidades de ser the next President e the first female leader of the Free World

 

 

 

A beautiful English Summer at Central London. Marca até presença o fator que dá razão de ser ao duplo aniversário de Her Majesty: The British rain over us. Nascida a 21 April 1926, desde a coroação aos 25 que tem dia oficial de anos agendado para a Saturday in June. Desta feita recai a 11 June. A flutuante data deriva de as festas do nascimento de monarca implicarem uma parada militar e a coroa querer as hostes a marchar sob o sol do veraneio. O King Edward VII, bon vivant, nasce a 9 November e baila o official birthday entre May ou June nos dias de trono. A tradição remonta a George II e a crível intempérie na Birthday Parade de 1748. Ora, o céu sorri durante magnífico Trooping the Colour no quartel que outrora foi do Duke of Wellington (das guerras peninsulares) e com uma lovely Granny a passar revista a aprumados regimentos em carruagem vintage. Tudo cedo muda. Como anota o Duke of Cambridge, porém, “the Great British public doesn't let a little rain spoil a good day out.” Enjoying the weather, pois, eis longa procissão de cerimónias abertas em St Paul's Cathedral, com festas de rua pelo reino e pubs abertos fora de horas. A rainy party atmosphere envolve depois o nóvel Patron's Lunch, em plena alameda do Mall, com mesas de piquenique reunindo membros de 600 charities e toda a Royal Family em vivo exercício da art of small talk. Os sorrisos dizem da emoção geral. Em inesperado discurso final, “of gratitude,” The Queen tem o remate de ouro: ― “How I will feel if people are still singing “Happy Birthday” to me in December, remains to be seen!”

 

A constância real é epecialmente visível na conjuntura referendária. Os eventos da campanha sucedem-se a ritmo vertiginoso. Assim o determinam… The Physics of British Political Life. Em acelerada contagem decrescente e porque “when it rains it pours,” o Boris Factor marca a metereologia eleitoral. O RH Boris ‘Out’ Johnson participa no primeiro, televisivo e verdadeiro debate digno do termo, frente-frente, com alinhamento contrastado de argumentos e de visões. E não há volta a contrariar na reação: os Leavers tendem a maré cheia. Ora, se acaso os Brexitters obtiverem êxito na consulta do dia 23 sobre o In/Out do UK na European Union, decerto verei doravante os ilhéus como rebeldes gauleses em aldeia inteiramente rodeada por legiões romanas: The Few and, The Brave. Recordareis que as personagens de Hergé só temiam que o céu lhe caísse em cima! Pois bem, os weather man persistem em dramatizar o mágico cenário do medo maior. Ilustração? RHs Tony Blair e John Major unem as forças centristas para conjeturar, em Northern Ireland, que eventual Brexodus trará a quebra do United Kingdom e ainda do processo de paz irlandês! A desunião nacional, quiçá com terrorismo republicano, portanto, além dos riscos de World War 3 e recessão global, das retaliações europeias e isolamento atlântico, da subida das hipotecas e queda dos salários... Mais, e pior: nos recentes avisos de Barmagedeon, adverte o Prime Minister David Cameron que também as pensões e reformas cairão, o preço dos passes nos transportes subirá e até as free tv licences se esfumarão se os Brits instruirem HM Government para a porta de saída.

 

So: Darling you got to let me know / Should I Stay Or Should I Go? Cantam os Clash e equacionam os jornais do reino. Se The Guardian apoia a ala dos Bremainers e a BBC vota «nim», o mais popular tablóide cá do sítio faz capa com o título Be Leave in Britain embrulhado até nas tricores da Union Jack. The Sun traça a cruzinha do voto e editorializa na primeira página: “We must set ourselves free from dictatorial Brussels.” Ecoa teses de a EU massificar a emigração e ferir empregos, habitação e salários. A manchete é até um Ukip motto: “Believe in Britain. Together we can do great things.” O sinal pesa. O diário de Mr Rupert Murdock tem historial de escolher vencedores improváveis, da Tory Lady Thatcher ao Labour PM Blair. É o que é. A Brexit lidera o jogo, nalguns casos com 7% de avanço, mas a média dos 12% indecisos nas sondagens mantém o too close to call. Donde, no mais do enigmático voto de 23rd June: Only 9 days to go…

 

Com o suspense ao rubro e o desassossego a espiralar nas chancelarias do Atlantic aos Urals, tempo já para devido God save The Queen a par de delicioso apontamento de migração natural. O voo da gaivina é escoltado por cientistas da Newcastle University. Começa nas Fame Islands no último July e segue rota pelas costas de Northumberland até o Antarctica’s Weddell Sea, para regressar à ilha com os ventos quentes. No total são 59,650 milhas percorridas pelo little tern, de penugem brancocinza e bico vermelho, o equivalente a dupla circunferência planetária. Em semana de abertura da Royal Ascot Horse Race, há espécies que só podem mesmo suscitar a humana admiração. — Well! The order of things weights, but also commit to memory Master Will in “The Tragedy of Hamlet, Prince of Denmark:” We know what we are, but know not what we may be.

 

St James, 14th June
Very sincerely yours,
V.