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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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LONDON LETTERS

 

Britain’s quiet revolution, 2016…

 

Quite something. A senhora disserta sobre o novo centro ideológico e do good that government can do enquanto caracteriza a Britain’s quiet revolution para dar conta da visão e agenda políticas. É o discurso de encerramento da Conservative Party Conference por Mrs Theresa May e é um documento a merecer leitura atenta.

O mote é linear: “It’s about restoring fairness.” O reformismo conservador e o patriotismo estão de volta com a Global Britain. — Chérie! Les bons comptes font les bons amis. Regressa também a artilharia pesada dos Remainers com a calendarização da Brexit. Os setores exportadores adoram a queda da pound. RH Tony Blair admite o retorno à cena. — Ho-ho! Tell me with whom you go, and I'll tell what you do. O Engenheiro António Guterres é o novo Secretary-General da United Nations, eleição que faz vibrar o 10 e o Foreign Office. OS US assistem ao segundo debate presidencial, após as campanhas de Mrs Hillary Clinton e de Mr Donald Trump entrarem into the Low Road. Os trabalhadores dos dining halls da Harvard University (Cambridge, Massachusetts) fazem histórica greve, em escola estabelecida em 1636 na British North America. O furacão Matthew deixa rasto de morte e destruição nas Caraibas. O Brit Professor Oliver Hart e o Fin Prof Bengt Holmstrom conquistam o Nobel Prize in Economics, por contributos na teoria dos contratos. A Star Trek comemora 50 anos sobre o seu primeiro episódio televisivo. Victoria regressa em 2017. 

 

 

Full Autumn and cloudy days at Central London. O quotidiano urbano está marcado por desafiante trânsito, com a Bridge Tower fechada para obras, restrições na circulação e mais greves no Southern Rail. As atenções estão ainda centradas na conferência dos Tories em Birmingham, pelo sismo eurófilo gerado com os discursos da Rt Honourable Theresa May, e na never-ending reshuffle no Shadow Cabinet do Labour Party, após a reeleição de RH Jez Corbyn como líder 2.0, a par da hardcore campaign para a White House. Deixando as glass houses d’além Atlantic entregues ao seu eleitorado, saudemos a eleição de um português para Chaiman da United Nations. A Prime Minister fala este Saturday ao telefone com o Engenheiro António Guterres. Um porta-voz de Downing Street revela que a senhora está “delighted by his election,” tendo disponibilizado vontade adicional de o UK “to provide any support required as he prepared to assume the role.” Sinal de grandes expetativas em momento exigente nas relações internacionais é ainda o teor do comunicado emitido pelo Foreign Office. Os termos dizem do quanto London vê com muito bons olhos a presença de um construtor de pontes em vital position. Nas palavras de RH Boris Johnson, “he is an outstanding candidate with all the qualities and experience to do the job.” Melhor: “I am confident that António Guterres will continue to build..., providing the leadership required to steer the UN through the many challenges facing our world, not least the crisis in Syria.”

 

Altas esperanças se geram igualmente com os trabalhos anunciados na Conservative Conference. O encontro de fiéis é marcado pelas ambições do Mayism. O discurso, no caso: duas intervenções, de um novo líder partidário é sempre a big occasion. Mrs Theresa May satisfaz. A abrir, a todos responde com graça e gravidade. “When we came to Birmingham this week, some big questions were hanging in the air. Do we have a plan for Brexit? We do. Are we ready for the effort it will take to see it through? We are. Can Boris Johnson stay on message for a full four days? Just about. But I know there’s another big question people want me to answer. What’s my vision for Britain? My philosophy? My approach?” O que vem a seguir é uma espiral de admirações, tanto maiores quanto os adversários esperam que a Brexit lhe queime a mão e ela saúda ido RH David Cameron. É o novo conservadorismo britânico, entre a evocação de santos que dizem da traça paisagística. Mrs T aspira a uma democracy that works for everyone. Refere Benjamin Disraeli (1804–81), “who saw division and worked to heal it,” Winston Churchill (1874-965), “who confronted evil and had the strength to overcome,” Clement Attlee (1883-967), “with the vision to build a great national institution,” e Lady Margaret Thatcher (1925-2013), “who taught us we could dream great dreams again.” Elenca agenda reformista, pois, “from Edmund Burke [1729-97] onwards, Conservatives have always understood that if you want to preserve something important, you need to be prepared to reform it. We must apply that same approach today.” Enquanto, ao detalhe, com “a fairer economy,” traça a visão de uma Global Britain, a Great Meritocracy, afirma preto no branco que é tempo de rejeitar “the ideological templates provided by the socialist left and the libertarian right and to embrace a new centre ground in which government steps up – and not back – to act on behalf of us all.”

 

A isto, como respondem as oposições? Os Liberal Democrats censuram o Brexiting mas o Labour antes opta pelo out of the game, com as franjas a visarem medidas como a seleção académica, as estatísticas da emigração ou o regresso do… patriotism. Mas o discurso vale pelos efeitos que gera nos mercados, somado que é à tese ideológica de Mrs T May o anúncio da “Great Repeal Bill” para March 2017. A eventualidade de o UK sair do mercado único europeu lança chamas entre os Remainers. A agitação é forte após flash crash da libra. A par da reciclagem das cifras negras nas manchetes de jornais sobre o custo da Brexit e da intriga infundada sobre dissenções dos Brexiters sentados no Cabinet Office, ex ministros do Cam Govt e da campanha do Stronger In (in the EU) unem esforços com MPs all-parties na barragem aos planos de Downing Street. Em manobras andam RHs Anna Soubry e Nicky Morgan, o Lib Dem Brexit spokesman RH Nick Clegg e ainda o anterior Lab leader RH Ed Miliband, clamando por voto em Westminster em torno do Article 50 que abre aos tratos com Brussels. Mrs Morgan unifica posições nas Sunday Politics: "There are a lot of us that feel it would be extraordinary - given that the Brexit vote was about the sovereignty of Parliament, about making our own laws, taking back control - for Parliament not to have a big say in the Brexit negotiations."  Mr Miliband mais resume: “MPs must get a vote on hard Brexit." Na House of Commons esclarece hoje o Brexit Secretary RH David Davis que o HM Government “will reject any attempts to undo the result of the EU referendum.”

 

Para variar, observemos a jornada para o 1300 Penn Avenue. I have no dog in that race, until now! A campanha presidencial norteamericana desde o início que prefigura o insólito, com um candidato republicano vindo dos domínios do star tv trash, tipo obnoxious plus, com milhões investidos no turismo, casinos e campos de golfe. A partitura eleitoral do “none of the above” garante-lhe o passaporte no Old GOP dos US Presidents Abraham Lincoln ou Ronald Reagan. Ora, o fulano é simplesmente mais um misógino.

O paradoxo de Abilene é que, por isso mesmo, segue em frente. Mas visualizar um tal indivíduo como próximo líder do Free World é… algo surreal! Assim: For something rather similar, antes uma excelente notícia para as últimas linhas tomada do serão na ITV. A série “Victoria" encerra o oitavo episódio com o love & affection do Prince Albert, a tentativa de assassinato em Constitution Hill e o nascimento de Victoria em 1840. A fechar vem a revelação: “Victoria will return in 2017.” O meu aplauso. — Well! As young Master Will notices in the poem Venus and Adonis: — Love comforteth like sunshine after rain.

 


St James, 10th October 2016

Very sincerely yours,

V.