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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

LONDON LETTERS

 

The B-word Game Plan, 2015-2017

 

Et voilà. Entra a cavalaria a galope. Da discrição dos bastidores políticos emergem os Blairites, desalojados do Labour Party pelos Corbynists. Mr Tony Blair é o Remainer-in-Chief, após retirar o bastão de comando a RH Nick Clegg dos Liberal Democrats. Logo atrás segue Lord Mendelson, com o estandarte azul estrelado visível a quantos observam a manobra nas colinas em volta.

A bombarda ruge contra os Brexiteers. Exigem novo euroreferendo. —  Chérie. Une bonne action n'est jamais perdue. A European Union (Notification of Withdrawal) Bill chega à House of Lords, pela força do Supreme Court e sob pública conjura eurófila de delay-or-block. Da jornada nos Commons sai sem emendas e com massiva maioria a escoltar o voto popular. Estarão agora os pares disponíveis para abrir uma crise constitucional capaz de conduzir à sua extinção e a ferino realinhamento partidário no UK? — Well. What possible can go wrong? Os Tories arriscam ganhar as duas by-elections que amanhã decorrem em Copeland e Stoke-on-Trent Central, se acaso os Lab safe-seats não levarem à entrada dos Ukippers em Westminster. O US President DJ Trump nomeia o Lt Gen Herbert R McMaster como National Security Adviser. O VP Mike Pence ultima dual diplomática visita a Munich e Brussels. As presidenciais gaulesas aceleram com buscas judiciais na sede de Madame Marine Le Pen e embaraços retóricos de Monsieur Emmanuel Macron. Já Herr Martin Schultz desloca o SPD para a esquerda a fim de enfrentar a Kanzlerin Frau Angela Merkel nas outonais eleições alemãs. A NASA tem novidades estelares para revelar.

 

 

Patchy rain and mild temperature at Central London! A zona está hoje particularmente agitada. Os Lords debatem o Brexit vote enquanto os Commons discutem as petições pró e contra a visita oficial a Britain de Mr Donald J Trump. Também Westminster Square está ocupada por mais uma manifestação de jovial protesto – por causa daquele ou deste. De pé antibiotizado, observo esta forma de fazer política nas ruas por cá reeditada pelo New Old Labour de Mr Jeremy Corbyn. Fixo o “Stop Trump;” ruidoso, colorido e escasso. Concluo que o ativismo digital que leva 1,8 milhões de pessoas a globalmente clicar na oposição à vinda de DJT às terras da sua mãe dista um abismo da realidade. Abundam os espaços vazios. Pesos pesados como os MPs John McDonnel, Dianne Abbott & alike afadigam-se para os microfones. A moldura de fundo é ainda carnavalesca, com os cartazes contra o racismo e o fascismo entre trajados à Guantánamo ou à Statue Of Liberty. E afinal por quê tanto furor com este Mr President? Há linhas da história política norte-americana trivializadas até a título de Capitol Hill jokes: “President George Washington could not tell a lie, President Richard Nixon couldn’t tell the truth and after President Ronald Reagan no one couldn’t tell the difference.”

 

Aquém e além Atlantic Ocean há um não sei quê de insano nesta agitação das massas que remete para a peça The Dead Cat. Sabereis, por certo, da cena recorrente. Num recanto do palco surgem umas quantas figuras fadadas a atrair forçoso olhar da audiência: ― Hey. Hey. Look over there… Dos resultados no reino do "Straight Talking, Honest Politics" do Right Honourable Jezza dizem todas as sondagens sem exceção: o Lab continua a cair e está 18% atrás dos Conservatives em inusual contraciclo político. Mr Tony Blair no seu recente discurso pelo “changing minds” quanto ao UK na European Union rotula sem dó o estado a que se chegou: "The debilitation of the Labour Party is the facilitator of Brexit." Igualmente áspera soa a esgrima verbal dentro das portas de Westminster Hall. Em sala lateral do parlamento sintetiza o Foreign Office Minister o confronto das visões rivais: “The State-visit should happen and will happen," declara seco Sir Alan Duncan. Há dias atrás, na linha telefónica direta com o Oval Office, ao novo residente declara a Premier que “looks forward to welcome you later this year.” Mais suave mas identicamente polarizado segue o debate dos Lords. Na Upper House, com a memorável presença de Mrs May sentada nas escadas à frente do Royal Throne, a mensagem do HM Government é subtil no lembrete ao papel de cada um dos órgãos constitucionais no estado da coroa. Cabe a Lord Hague magistralmente clarificar as posições: "As someone whose preference was to remain in the EU, my second preference, given that that is not available, is to leave it with some degree of unity and good order and confidence and determination."

 

SS-GB é o diverso programa das festas nas Sunday nights. A proposta da BBC 1 dramatiza o clássico de Mr Len Deighton, autor com laços a Portugal e que com John Le Carré e Ian Fleming consagra as estórias de espionagem como género literário do pós-guerra. Ora, sendo típico agente lenardeano o British pragmatist, em contraste com prudente George Smiley e fantástico James Bond, a obra de 1978 adapta-se como uma luva aos atuais tempos de post-truth politics: eis visão distópica de reino quase todo sob ocupação nazi. Colaborar ou confrontar o inimigo é dilema que permeia o espírito do Det Supt Douglas Archer, protagonizado por Mr Sam Riley. O thriller abre em 1941, justamente com voo de Spitfire timonado por piloto da Luftwaffe que logo cairá na mira da resistência. Com realização de Mr Philipp Kadelbach e produção da Sid Gentle Films, o drama conta com desempenhos de Mrs Kate Bosworth (Barbara Barga), Mr Lars Eidinger (Dr Oskar Huth), Mr Rainer Bock (Fritz Kellermann) e Mr James Cosmo (Harry Woods). O primeiro episódio cativa pela alternativa trama histórica e sensitiva coloração da fotografia, mas absurdas oscilações no som durante os diálogos deixam a desejar. A One compromete-se a corrigir os níveis do áudio no resto da série. — Humm. Realistically recognizes Master Will with that old shepherd Corin in As You Like It how different ranks require different ways of being: — Those that are good manners at the court are as ridiculous in the country as the behaviour of the country is most mockable at the court. You told me you salute not at the court but you kiss your hands. That courtesy would be uncleanly if courtiers were shepherds.

 

St James, 20th February 2017

Very sincerely yours,

V.