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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

PORVENTURA VERSOS

15.

versos 15.jpg

 

Meu menino, não me fujas

Que a guerra é perto

Tento refrear o passo, mas acredita

A força é dura, falo daquela que me leva

E a ti ao colo

 

Meu menino que exército se atreve

A separar-nos

A quebrantar lágrimas e abraços

 

O que farás tu se o mais potente te leva de mim

E eu solta te poderei ver correr mais do que certamente

Corríamos os dois enlaçados?

 

Meu menino, ata-me a ti

 

Já só te sigo, e mesmo que não me esperes

Ou aguardes, há guerra

 

Guerra muita na mágoa de não seres

O santo banhado de riso, alegria e ternura

Por quem minha vida se desfez e se fez dura

No ser e no parecer tua e tu meu

 

E qual dos dois o vencedor

Menino?

Que nesta guerra tudo se desfaz

E sente-se a faminta ternura

Mimoso o choro

Chantagem no afago

Julgados e experimentados nos juízos

E desta arte conforme ambos somos

 

Meu menino, não me fujas

Que a guerra orna

O eterno afecto

 

Lá por onde vai gente

E fio

Notícia inteira

Daquela que ainda

Não sabes

 

Teresa Bracinha Vieira

2015

 

16.

versos 16.jpg

 

Recebe de mim

Sem falta, meu olhar

Submisso no poder até quando

Dando-me de ti virei influída

Para descobrir o jeito

Que a unida esfera nos tem

Em leito de terra e mar

Segredo que se chama

Amor

 

Teresa Bracinha Vieira

2015