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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

LONDON LETTERS

 

Diplomacy and, Merchants, 2017

 

Et voilà. A Prime Minister RH Theresa May afirma na House of Commons que as Brexit talks correm bem e logo o Leader da Her Majesty Most Loyal Opposition RH Jeremy Corbyn diz o contrário.

Teme-se que as euronegociações vão de mal a pior nos jantares de trabalho dos 27, em London e Brussels, mas inexistem queixas dos cozinheiros. — Chérie! Toutes les choses sont difficiles avant d'être faciles. O Foreign Secretary RH Boris Johnson revela a gravitas na Chatham House, com discurso sobre a diplomacia. A BBC investiga as origens da double-entry accounts bookkeeping entre florais Venezia e Milan. — Well. Jack is as good as his master. China ouve Mr Xi Jinping anunciar uma nova era no 19th Congress do Communist Party. Spain divide-se em torno da Catalonia. Nos US, o ex President George W Bush é o mais recente passageiro VIP a entrar no comboio do “take down the Trumpism.” Mr George Clooney aponta cumplicidades na tragédia sexual de Harvey Weinstein e abala os modos de recrutamento nas fábricas de Los Angeles e arredores. Faltam 60 dias para o Christmas.

Occasional  showers at Central London. O Mayor Sadik Khan avança com nova taxa de toxicidade em criativa política ambiental. Com a T-charge, os carros mais poluentes pagam £10 para os cofres de City Hall e assim a todos podem cianizar no centro histórico. As House of Parliament preparam o debate sobre a conservação do venerável Palace of Westminster. O custo do projeto continua a crescer entre batalhas surdas de arquitetos, engenheiros e outros. No entretanto, também sobreocupados Lords, MPs e jornalistas esgrimem barbadas razões nas olimpiadas do Brexit or no Brexit. Esta tarde, após carta aberta com welcome sign aos cidadãos europeus por cá residentes, a Premier informa os Commons sobre os últimos desenvolvimentos das conversas com Brussels. Nos bastidores é o Labour Shadow Sir Keir Starmer quem move esforços transpartidários “to force concessions on the EU Withdrawal Bill.” Também a BBC eleva a voz entre os lobbystas, para reclamar que o Tory Govt encete “an urgent transitional agreement with the European Union to give firms greater certainty on a smooth Brexit.” O Professor Timothy Garton Ash interroga no Guardian sobre a decadência do West, quando até capitais como Bulgaria se agitam, ao descrever desconfortável viagem atlântica da “Brexit frying pan into the Trump fire.”

 

Já novo vigor ao Brexiting doa o Rt Hon Boris Johnson numa conferência na Chatham House sobre as ambições nucleares à volta do mundo. Apontando a dedo rogue states como o Iran ou North Korea, o Secretary of State for Foreign & Commonwealth Affairs começa no estilo habitual: “It is fantastic to be here in this wonderful hotel, that I think that I opened or reopened. I opened many hotels across London in my time as Mayor and I definitely reopened this hotel at one stage and this is after all an example of the kind of infrastructure that you were just talking... It is an inspirational structure.” O tom muda então. Com a statesman voice, surge o elogio à diplomacia como fórmula política para uma moderna bill of rights no concerto internacional. Sobre as relações do reino com o continente, Bojo é claríssimo no apoio ao Prime Minister’s Florence speech. Ou seja: a um período de transição que respeite os resultados do euroreferendo.

 

Ainda com ecos da paisagem emiliana, novidade vem de Mr Tim Hartford sobre o famoso sistema contabilístico da dupla entrada. O autor de 50 Things That Made the Modern Economy questiona a autoria da ferramenta financeira usualmente imputada ao Maestro Luca Pacioli e antes a atribui a um mercador de lã do Prato, terra às portas de Florence, de nome Francesco di Marco Datini. A teoria cruza os destinos do seu discreto diário financeiro com a Arithmetica, Geometria, Proportioni et Proportionalita de Luca, colossal obra de 615 páginas por muitos classificada como “the most influencial work in the history of capitalism” e onde surgem 27 páginas acerca do método contábil. No plano dos achados históricos, referência também para uma exposição que acaba de abrir em Cambridge sobre The Codebreakers and Groundbreakers. Aqui são os sonhos matemáticos de Mr Alan Turing que estão em foco. O mastermind de Bletchley Park, onde quebra o código nazi durante a II World War, aparece no Fitswilliam Museum como… um aluno cábula. — Well. Even that Helen of Master Will so does say it in All's Well that Ends Well: — “Our remedies oft in ourselves do lie, / Which we ascribe to heaven: the fated sky / Gives us free scope, only doth backward pull / Our slow designs when we ourselves are dull."

 

St James, 23th October 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

RH May’s last supper, or 28 beers in a bar, 2017

 

O senhor é inequivocamente um clássico. O President da European Commission reafirma pela enésima vez que o UK "have to pay” para avançar nas Brexit trade talks. Até aqui é só eurocratês e questão resumível a zeros.

Mas gloriosa inovação vem do enquadramento legal ora invocado por Monsieur Jean Claude Juncker para justificar o pagamento: “If you are sitting in a bar and if you are ordering 28 beers, and then suddenly some of your colleagues is leaving and he is not paying, that is not feasible.” — Chérie! L'eau est le meilleur des breuvages. A Prime Minister RH Theresa May aproveita o fuso alcoólico. Enceta esforços de phone diplomacy com a Kanzlerin Angela Merkel e outros líderes dos 27 para avançar com o negócio. Já esta noite voa a Brussels para jantar com o herói da LuxLeaks. Na last supper, London obtém o compromisso de aceleração nos tratos. — Well. Nothing is agreed until is agreed. A storm Ophelia abate-se sobre as ilhas britânicas, com vagas e ventos de 118mph guiando cinzas de Portugal. Do Atlantic à California, o fogo carcome a terra e as espécies. As  ancient woodlands do Kent são devastadas pelo avanço da A21. Os astrofísicos anunciam nova era nas estrelas. A East, Austria elege como chanceler Herr Sebastian Kurz, conservador de 31 anos, lá tido como The Messias. O escândalo do produtor de Shakespeare in Love, o mogul Harvey Weinstein, assombra de Hollywood a Hollyoaks.

 

 

A orange sky at London. A Sky informa que o red Oktober ocorre no midday em várias regiões de England. Os metereologistas explicam o fenómeno com air and dusk da Iberia e do Sahara, quando as chuvas torrenciais causam vítimas e danos em Ireland ainda antes da noitada O céu de Gloucester é visto como very freak. Cientistas das universidades de Warwick e Jacob Bremen falam de descobertas nas astrofísicas e na origem dos elementos. Também o Brexitting traz tintas inusuais e talvez almejado magical tipping point. Pelo meio, a Prime Minister janta em Brussels com os EU top negotiators, os inefáveis Monsieurs Michael Barnier e ainda Jean Claude Juncker. Se bem me lembro, a última vez que o grupo jantara foi em Downing St e tudo acaba em desastre. A governança continental insiste no estilo do old Cosimo Medicis. Nem o cozinheiro do nº 10 então escapa ao criticismo eurófilo.

 

Temo, porém, que alguém transmute a Blue Lady em ido RH Neville Chamberlain MP. Seja como seja, as fileiras atrás da dama estão formadas para a sucessão nos Tories e o Old Labour Party tem em RH Jeremy Corbyn a true bennite. No entretanto, tal qual Lady Margaret Thatcher em Fointainbleau, a PM tem sempre a carteira como… ultimate weapon.

 

Já outra senhora atravessa o Atlantic Ocean. Mrs Hillary R Clinton está no reino em grand tour promocional ao seu livro What háppened, narrando causas e cargas pela derrota nas eleições presidenciais americanas de 2016.

A impressão da Simon & Schuster tem 464 páginas, custa £20 e soma a um honoris causa pela Swansea University, em Wales, terra dos ancestrais. O marido ficou em casa, mas ela também não tem tempos livres na série cerrada de entrevistas onde reedita a oposição da Obama Administration à Brexit. Há algo de fantasmático na revisitação. Pela manhã é o Guardian quem prega susto de morte aos ilhéus, ao divulgar a revisão da riqueza nacional em baixa: menos £490 billions. Estimo que o Chancellor Phillip Hammond haja diligenciado contatos junto da ex US Secretary of State sobre as melhores práticas de gestão no bar.Ummm. Take it easy as does Master Will in As you like it: — “O coz, coz, coz, my pretty little coz, that thou didst know how many fathom deep I am in love. But it cannot be sounded; my affection hath an unknown bottom, like the Bay of Portugal."

 

St James, 16th October 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The May’s Florence speech, 2017-21

 

As palavras de RH Theresa May MP ainda ecoam nas paredes florentinas de Santa Maria Novella. A Prime Minister vai ao continente e discursa na sede toscana dos Dominicans para apresentar a two-years Brexit transition plan.

Reafirmando a fidelidade Tory ao voto popular no referendo, a estratégia atira a saída do UK da European Union para 2021. Ver-se-á agora como respondem “our friends” em Brussels à flexibilidade do Her Majesty Government. — Chérie! Impossible mission n'est pas français. Brighton recebe a Labour Party Conference e The Economist projeta a imagem de RH Jezza B Corbyn na porta do No. 10, acompanhado pela red bike e o Larry. Os trabalhistas ocupam-se a apurar a implementação do programa For the many, not the few enquanto aforram no eurodebate. — Humm. Eventually, something political is happenning there. Washington sobe a escalada verbal contra o regime norte coreano de Mr Kim Jon Un, por lá coloridamente batizado como The Rocket Man. O Mexico treme. Catalonia luta pelo direito de votar a independência. Germany dá mais quatro anos a Frau Angela Merkel na chancelaria e o Bundestag senta deputados da extrema direita pela primeira vez desde 1945.

 

 

Early sunrise with a blue sky at Great London. A BBC tem material ideativo para criar uma nova série de political amusement sob o título Yes or No, Minister. Será a ambiguidade criativa ditada pela navegação das dificuldades nas euronegociações. No Daily Telegraph de um destes dias, Matt desenhava o conceito a traços de carvão – “We weren’t warned that voting Brexit would mean talking about it for EVER!” Ora, enquanto os ilhéus examinam a notícia de, por “family reasons”, o ator Colin Firth ter optado pelo passaporte italiano e obrigar os fãs de Miss Jane Austen, e do seu Mr Darcy, a revisitar Pride and Prejudice, a senhora de Downing Street enaltece em Florence a “shared history” que vem esculpindo o que é ser europeu.

 

Sabereis os detalhes da estratégia de Mrs May para a saída formal do UK da European Union, a 29th March 2019, no quadro da visão traçada em Lancaster House e agora na prática adiada para os arredores de novas eleições no reino. Adiante, pois, nas tecnicidades diplomáticas do Withdrawal Agreement. Importa antes mencionar a presença no hall-church do Foreign Secretary Boris Johnson e do Chancellor Philip Hammond, protagonistas do Brexit divide no Cabinet. Vale ainda sublinhar o tom de confiança ora dado pela honorável representante de Maidenhead às futuras relações entre London e Brussels, em terra que cruza as medievas fraternidades religiosas e as corporações de artesãos, doando ao mundo ideias, obras e artes que a todos interpelam sobre como é ser humano.

 

Alhures no planeta azul, também os homens e as mulheres da NASA interrogam no ramo espacial das odisseias. Uma missão dos texanos visa extrair amostras do asteroide 101955 Bennu e está a cargo do Goddard Space Flight Centre. É o OSIRIS-Rex, acrónimo para Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security, Regolith Explorer. No elementar do que podemos entender do nasarez, a par do combustível, tanto a partida como a chegada da spacecraft fruem as leis da gravidade. Mr Rich Burns, que gere as operações no Cabo Cañaveral da Florida, assinala que "the encounter with Earth is fundamental to our rendezvous with Bennu." — Well. Keep in mind Master Will and that daughter Miranda in The Tempest: — “How beauteous mankind is! O Brave new world, that has such creatures in't."

 

St James, 25th September 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The hand of God, 2017

 

A mão de Deus passou por Parsons Green Station. Há um bombista incompetente e uma bomba que não mata em mais um ataque terrorista em London. À explosão no metropolitano sucedem gritos e rostos lívidos, pânico e estupefação.

As pessoas abandonam os haveres e perdem até os sapatos ao correr para fora das carruagens apinhadas. Surgem os gestos que ajudam e os que atropelam. O divino desce ali sob a forma dos bons samaritanos. E há ainda aquele British spirit do keep calm and carry on. Um 18th years' old é capturado em Dover.  —  Chérie! Les jours se suivent et ne se ressemblent pas. A Great Repeal Bill passa com confortável maioria na House of Commons, em nova etapa legislativa rumo à separação continental. O Foreign Secretary RH Boris Johnson agita as àguas com um artigo no Daily Telegraph ao recordar causas, formas e finalidades da saída do UK da European Union A Prime Minister Theresa May igualmente prepara memorável intervenção sobre a Brexit, esta semana, em Florence (It)  — Well. Actions speak louder than words. O furacão Maria gira nas Caribbeans. O US President DJ Trump discursa nas United Nations e exorta o Secretary General António Guterres "to make changes.". Em Brussels, o EU Commission President Jean-Claude Juncker reafirma que o reino unido "will regret leaving" enquanto traça uma utópica visão federalista do superestado europeu.

 

Light blue clouds at Great London. O senhor louro puxa da pena e é sempre um imenso alvoroço. Bastam pouco mais de 4,000 palavras espalhadas pela primeira página do Telegraph e eis fresco recentrar do debate em torno do Brexiting. Esta é a primeira intervenção pública de RH B Johnson depois do histórico voto no euroreferendo e um recatado silêncio nas funções do Foreign Office. Ora, Boris escreve a 2017 UK Declaration of Independence. E é o splash quando a direção das negociações eurobritânicas parece rumar para um forçadíssimo consenso balizado por indefinido período de transição com acesso ao mercado único e indeterminado cheque do Treasury pela trela. A dias da Prime Minister May fazer “a major Brexit speech” na cidade italiana filha da Old Rome, ao que se sabe, para detalhar as linhas orientadoras do seu definidor discurso em Lancaster House, o campeão dos Leavers retoma as ideais centrais do argumento que persudiu 17,4 milhões de britânicos a optarem por futuro soberano. Apenas dois sublinhados em peça de leitura obrigatória. O dinheiro dos contribuintes hoje enviado para o orçamento bruxelense será bem melhor aplicado segundo prioridades domesticamente definidas. A permanência do país nas estruturas comerciais ou aduaneiras da Europen Union, seja qual seja o molde formal, fará do voto democrático de 2016 "a complete mockery."

 

As reações às palavras escritas de Boris são tempestuosas. Uns veem na tinta um movimento para publicamente condicionar o Her Majesty Government nas negociações da retirada continental e outros antes aqui vislumbram pé de candidatura à liderança dos Tories. Destaque para a resposta da Home Secretary RH Amber Rudd, e possível rival pelo leme conservador, de o colega intentar a "back-seat driving." Ineludível é a surpreendente vinda a terreiro do ex Mayor of London revelar que a Prime Minister tem tarefa difícil na condução do seu Cabinet. Tal qual inequívoco é, dias depois do incendiário discurso federalista de Mr Juncker no European Parliament, já com trono imperial e exército a 27, Mr Johnson ter injetado um sopro de oxigénio no debate político interno, com uma positiva visão de Britain pós Brexit de novo erguida no meio dos espantalhos semeados pelo omnipresente Project Fear. Ele é o rosto otimista da autonomia, o qual muitos querem apagar num país que há muitos séculos experiencia a vida em liberdade.

 

A semana fica também marcada pela perda de um dos grandes. Parte da existência Mr Peter Hall (1930-2017), o empreendedor que funda a Royal Shakespeare Company em Stratford-Upon-Avon e encenador que dirige o National Theatre em London. O seu nome está indissociavelmente ligado às artes e ao que de melhor há décadas roda nos palcos britânicos, entre Camino Real e Amadeus, da voz de Mr Laurence Olivier, John Gielgud ou Anthony Hopkins ao estilo de Dames Maggy Smith, Peggy Ashcroft ou Judi Dench. Deixa legado valioso e inspirador. — Farewell, gentle Sir. Go by the sun and see Master Will remembering his deep poetry: — “You and I will meet again, When we're least expecting it, One day in some far off place, I will recognize your face, I won't say goodbye my friend, For you and I will meet again."

 

St James, 18th September 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

  

Returning to the Realm, 2017

 

Após um adorável interregno de férias, eis o regresso ao suave reino. A vida política permanece marcada pelo debate em torno do Brexiting.

Tudo, aliás, parece tão diferente quanto é assaz igual. Se os Tories mantêm o rumo com a manutenção de RH Theresa May MP no leme governamental, apesar da murmuração, o Labour Party acomoda a ambiguidade com novo posicionamento europeu: quer agora garantir um perído de transição com acesso… ao mercado único. — Chérie! À l'impossible nul n'est tenu. A House of Commons ocupa-se em maratona de esgrima em torno da Great Repeal Bill, o diploma âncora na retirada de Britain da European Union. A contrabalançar  a alta mercurial em Westminster, a frente negocial em Brussels evidencia graus árticos. — Well. As you know, bad money drives out good. Além Atlântico, a estação dos tufões causa vítimas e danos. Os Clintons regressam em força às capas das revistas, a par de Mr Al Gore e a climática inconvenient truth. No continente começa a contagem para o teste popular da Bundeskanzlerin Frau Angela Merkel nas eleições federais alemãs. Preocupante é o adensar da crise na península coreana, com guerra aberta de palavras entre Washington e Pyongyang. Nas ilhas, os Duke e Duchess of Cambridge anunciam que esperam o seu terceiro filho. 

 

Sky partly cloud at Central London. O nome é equívoco, mas…surpresa, surpresa. A denominada Great Repeal Bill acaba de confirmar algo de que até agora se duvidava: a existência parlamentar da Her Majesty’s Most Loyal Opposition. À hora a que escrevo, o Labour de Mr Jeremy Corbyn ameaça resistir à aprovação do diploma que determina a integral transposição das leis europeias para os Statute Books, algo que, convenhamos, é de todo em todo distinto do sugerido no título. Os conservadores censuram o gesto como visando gerar “caos and confusion” na Brexit e boa fatia dos observadores vê aqui fio conspiratório da resistência ao divórcio continental. Seja como seja, a bem de democracia, os trabalhistas questionam os chamados poderes do King Henry The Eight  que a proposta governamental entregará aos ministros “without a proper parliamentary scrutiny.” Se o enredo nos Commons ostenta uma singular ironia histórica, logo o Tudor!!, a vera novidade deste Summer vem das fileiras eurófilas. Em mais uma intervenção pública, nas Sunday Politics de ontem, RH Tony Blair aponta a responsabilidade do voto eurocético à… emigração maçiva. Daqui parte para refrescada via para intentar segundo euroreferendo: na sua ótica, basta que o UK adote “tougher immigration policies” e a outra Union reforme o seu modo de funcionamento, Comentário desta manhã do grande Nick Ferrari na LBC: “This is the man who presided over opening the gates.”

 

Sublime mesmo nestes dias outonais é o regresso de Victoria. Mrs Jenna Coleman corporiza novamente a segunda série da ITV sobre a jovem rainha, quando Dame Jude Dench está em vésperas de revelar no celuloide um seu tardio amor ― até agora omisso nas crónicas reais e que não é o querido cavalo Almonzo. Para já saboreie-se a elegância neoclássica do conto televisivo, ao som inconfundível da Gloriana, dado que bem escrito e bem interpretado. A história retoma a prévia meada, cujo finale fora o nascimento da homónima primogénita do casal Saxe-Coburg. Porque as tensões up and downstairs estruturam a trama, eis a monarca às voltas com os delicate times da maternidade e ainda com os dédalos teutónicos a somar à gestão dos assuntos num reino em notável metamorfose. Os três primeiros episódios são soberbos no entrelaçar da visão política e da vida familiar, entre os lençóis reais e as Corn Laws, sobre a tela do poderoso império global em construção. O resultado fílmico é simplesmente  excelente. A tal nível de qualidade, também a criadora Mrs Daisy Goodwin está a erguer mais um Brit drama para conquistar o globo. — Great, indeed. And as Master Will writes in his unique Midsummer Night's Dream, let us leave with a fine heart: — “So, good night unto you all. / Give me your hands, if we be friends, / and Robin shall restore amends."

 


St James, 11th September 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Necessary does not happen, 2017-2021

 

Porfiam, insistem e persistem. A persuasão não pára. Susto aqui, aviso acolá, advertência além. RH Tony Blair declara que "[is] absolutely necessary that Brexit does not happen." O ex Prime Minister tem direito  a devido eco mediático e a réplica do seu antigo spin doctor no No. 10.

 

Sempre caloroso, Mr Alastair Campbell diz saber, “in my heart, that Brexit can be stopped”. Na Prospect é já o Professor AC Grayling quem remata, dizendo que “Brexit is dying.” — Chérie. À cœur vaillant rien d'impossible. HM Government prossegue, em Brussels, as negociações da saída do UK da European Union. A House of Commons agenda o debate da ‘Great Repeal Bill’ para o outono. — Hmm. Boys will be boys. Em reino polarizado comemora a Royal House of Windsor o seu primeiro centenário. Os Young Royals iniciam uma digressão continental em Poland. A Trump Saga avança em Capitol Hill, com inquirições familiares na Russian Connection. O French President Emmanuel Macron desentende-se com as esferas militares depois da visita do American Friend e da parada do Bastille Day, mas recupera com foto astronáutica nas revistas de charme. Os Lampedusians despedem o Mayor e a sua política de portas abertas pelo voto. 

Sun and showers at Central London.

Entre caseiras aventuras informáticas e very sad news saídas do torneio em Wimbledon, eis que por cá irrompe nova, espetacular e prometedora série na praça mediática. Como qualificar a narrativa? Tudo se passa no círculo das celebridades e em casa aristocrata. Ora, a qualidade do guião é tal, que, momentaneamente, logra obscurecer no debate nacional a quarta vitória de Mr Chris Fromme no Tour de France e o 19.º título de Mr Roger Fedrer no Central Court ou até a chegada do épico Dunkirk às salas de cinema. Mesmo as lutas tribais de Westminster perdem luz. Também os cortes na saúde ou segurança social sossobram no altar da popularidade. Na town talk chamam-lhe o BBC Mon£y Show. Envolve dinheiro e poder, além da paga de licença sob pena de cadeia. Em plena era austeritária, com fartos tributos e soldos congelados, a estação pública remunera apresentadores & co com milhões. Pior. No topo das best-paid stars surgem rostos de programas desportivos, entre carros e futebol, com jornalistas, guionistas, produtores e, sobretudo, as mulheres que fazem igual trabalho, por vezes lado-a-lado no êcrã, a muitos cifrões de distância. A disciplina orçamental não é para todos, de todo em todo.

 

Há 100 anos atrás, com mão de mestre, é o King George V quem surpreende a opinião pública. Confrontado com a febre patriótica e o custo humano da guerra continental contra o primo Kaiser,  em 1917 decide o avô da Queen Elizabeth II abdicar do apelido teutónico. A Royal Proclamation descontinua o uso de “all German titles and dignities” enquanto anuncia que os residentes no palácio serão doravante "styled and known as the House and Family of Windsor." O British Royal Blood tem trajetos admiráveis. Os últimos ingleses são os Tudor de 600. As raízes alemãs da atual família real recuam à House of Hanover, a qual sucede aos escoceses Stuart. Herdando o cetro, sem herdeiros, da Queen Anne of Great Britain & Ireland, cabe ao primo teutão Georg Ludwig naturalizar-se como George I. Sucedem-se quatro reis e a Queen Victoria, casada com o bávaro Prince Albert. O primogénito Edward VII assume o sobrenome régio da casa ducal do pai, Saxe-Coburg Gotha, abandonado depois pelo seu filho. Muitos o dizem como vencedor da I WW e salvador da monarquia. Se a dinastia formalmente dura sete anos, resta agora saber da perenidade secular dos Windsor. Já contam com três reis e uma rainha, simplesmente a jóia da linhagem.

 

Com o Palace of Westminster a cessar a atividade parlamentar e os MP’s de partida para férias, notas finais da cultura londrina. O que vem por aí, lá para October, a tal recomenda. Ocupado Whitehall nas rondas mensais da Brexit, faço ainda votos de a common long cool break. Assim, após o excitante triénio de referendos e eleições pelo veraneio, destaque agora para um tipo mais tranquilo de power play. No Theatre Royal Haymarket abre Queen Anne, pela Royal Shakespeare Company. A peça esteve em cena no Swan de Stratford-upon-Avon e desce ao palco de West End sob aplauso plural dos críticos. O espetáculo foca precisamente o reinado da last Stuart monarch. Da autoria de Mrs Helen Edmundson e dirigida por Mrs Natalie Abrahami, a história tem como protagonistas a rainha escocesa e a sua confidente: Mrs Emma Cunniffe (de Great Expectations) e Mrs Romola Garai (de Suffragette ou The Hour). Os ingredientes estão lá todos, para absorver a audiência em vésperas das outoniças conferências partidárias. Mostra acontecimentos históricos como a coroação, a união real de England e Scotland ou a emergência do bipartidarismo no reino. À conjuntura somam as intrigas palacianas e o poder por detrás do trono, a influente Duchess Sarah of Marlborough. — Well, well. Keep in mind how Master Will dissects the moral authority that comes with the sceptre in his Macbeth: — “Could trammel up the consequence, and catch / With his surcease success: that but this blow / Might be the be-all and the end-all, here, / But here upon this bank and shoal of time, | We’d jump the life to come. But in these cases / We still have judgement here, that we but teach / Bloody instructions which, being taught, return / To plague th’inventor."

 

St James, 24th July 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

May never happen, 2017-2020

 

Tremei. Não acharais morangos nos supermercados, nem haverá tratamento de radioterapia para os pacientes de cancro… Os últimos alertas contra o Brexiting regressam ao grau zero da política. Se a nuclearização do debate deve ao London Evening Standard e ao editor Mr George Osborne, o ex Chancellor of Exchequer, já a míngua do fruto cabe na retórica eurófila dos Liberal Democrats.

 

O leader-to-be Sir Vince Cable sustenta que "[is] beginning to think Brexit may never happen." — Chérie. Battre le fer pendant qu'il est chaud. O menor apreço pelos resultados democráticos, no caso: do euroreferendo, ecoam em paralelo ao deleite nativo com os prazeres morangueiros do veraneio enquanto assistem a… history in the making. A dupla britânica Andy Murray e Johanna Konta somam e seguem para as semi finais em Wimbledon, 44 anos depois de idêntico feito nos Tennis Championships. Já o Speaker John Bercow relaxa o uso da gravata na House of Commons. — Hmm. Strange things happen. O Iraq anuncia a reconquista de Mosul ao Isis. O G20 Summit põe face a face os presidentes Donald J Trump e Vladimir Putin, revela as fendas no bloco ocidental e senta na mesa das negociações, pelos USA, Mrs Ivanka Trump. Pouco canónicas andam também as praxes gaulesas, onde, repetindo um gesto recuado a Napoleon III em meados do 19th century, Monsieur Emmanuel Macron reúne as duas câmaras parlamentares da república no palácio real de Versailles.

 

Lovely sunny Monday at Central London. Contrastam as atitudes em volta, entre a excitação dos turistas, a descontração dos ilhéus e a efervescência dos políticos em Westminster. Febris estão igualmente os bookmakers e um contingente rombo na caixa estimável em algo como £20million. A responsabilidade não é da Brexit, por uma vez, mas antes do muito aprazível curso dos match-points em Wimbledon. Os Brits posicionam-se para disputar o ouro em femininos e em masculinos. A proeza dos sorridentes Sir Andy e Ms Konta apanha as agências de apostas desprevenidas, ao negociarem as paradas da double GB win nas baixas probabilidades. Certo é que, até ao próximo magical weekend, a expetativa sobre o que acontecerá no Centre Court vai crescer em espiral. Já agora, informação adicional para os fãs do political betting: as chances do ano de saída do Number 10 de RH Theresa May andam em 5/2 para 2017-19 e em 7/2 para 2020; as ofertas para a partida de RH Jeremy Corbin da liderança do Labour Party estão nos 5/1 para 2017 e em 11/8 em 2020+.

 

Espiraladas seguem as geminadas sagas da saída do UK da European Union e da liderança Tory. A Prime Minister ensaia um relançamento político entre os conservadores face à chuva de notícias sobre conspirações para a derrubar algures em torno da conferência partidária de November 2017. Revigorada pelos apoios globais colhidos nestes dias pela cimeira de Hamburg, em contraponto ao gelo dos parceiros continentais, RH T May prepara importante série de discursos políticos a título de State of Nation. Por cá cognominado o passo como May-reboot, espera-se que a senhora (que perdeu a maioria parlamentar nas eleições de June) lance amarras em consensos interpartidários, desde logo, para negociar com Brussels, dando prioridade governamental ao lançamento de nova geração de direitos laborais. É a planeada did economy review. Logo, porém, nas Sunday Politics, aparece um antigo Cameron Govt Minister, RH Andrew Mitchell MP (o do Plebgate) a etiquetar Mrs May como “dead in the water.” Com o dinheiro do casino a indiciar (nos 1/12) o cenário de RH Jezza ‘Red’ Corbyn entrar em Downing Street até January 2018, à festa ajudam outros franco atiradores espalhados pela praça mediática e alguns há em modo criativo. Extasia a sugestão do desgaste do May-ism em estilo Flash Gordon, por exemplo, retomando idas táticas apontadas ao RH Gordon Brown quando, nas sombras, e com sucesso, ensaiaria apear o Lab PM Tony Blair. Entre as modalidades do pronounced political murder recomendam, pois, a ocasional demissão de ministros e deputados para encurtar a base de apoio. No contra spin, semelhantemente maravilha a retoma da sabedoria consumada do histórico RH Harold MacMillan (Con PM, 1957-63): “Loyalty is the Tories secret weapon.”

 

Ocupado o HM Government a preparar uma ampla barganha politica na casa-mãe dos parlamentos, decerto que a história assiste na power play de nação de ancestrais mercadores mesmo quando as mentes antes melhor derivam para o great achievement at Wimbledon.

Nenhum outro líder do No. 10 sobreviveu em condições idênticas. Seja como seja, uma nota merece registo na conjuntura: a dignidade e a determinação com que a Premier age na adversidade. Não que, realisticamente, na era do naufrágio do proper dress code em Westminster, isto conte muito. Pesará, sim, um facto que anda alheado do grande jogo continental. Na régua do eurocetiscismo ilhéu, Mrs May é uma pomba. — Well. As Master Will emphasises in his Sonnet 116, there are the circumstances and the nature of the loyalties: — “Let me not to the marriage of true minds / Admit impediments. Love is not love / Which alters when it alteration finds, / Or bends with the remover to remove: / O no; it is an ever-fixed mark, / That looks on tempests, and is never shaken."

 

St James, 10th July 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The return of the great state, 2017

 

Os investigadores interrogam-se sobre como interpretar os efeitos da globalização no tecido social que vota o Brexit no culminar de uma década de severa crise financeira. É o fim do liberalismo?

Está o conservadorismo social em marcha? Os resultados do 2017 British Survey Attitudes revelam as recentes macrotendências políticas no reino, esculpindo a recusa do austeritarismo e da tolerância quanto à fuga fiscal, a desintonia em torno da emigração e a exigência de um estado mais protetor. Dado interessante é que uma maioria de 48% está disponível para pagar altos impostos, a fim de alavancar uma justa distribuição da riqueza e financiar maior investimento público nas áreas da saúde, educação e segurança social. — Chérie. Autres temps, autres mœurs. A guerra civil no Labour Party regressa em força após a trégua eleitoral. Entre a murmuração de uma purga dos moderados, RH Jeremy Corbyn despede sumariamente três dos Shadow Cabinet Members por desobediência em voto favorável à manutenção do UK no mercado comum. — Hmm. A chain is only as strong as its weakest link. North Korea testa com sucesso um míssil intercontinental, capaz de atingir as costas do Alaska. O French President Emmanuel Macron convida o POUS Donald J Trump para as comemorações do Bastille Day, quando o seu governo de dias perde quatro ministros no altar da moralização da república. Madame Simone Weil parte aos 90 anos, testando uma notável história de coragem e de causas.

 

 

Light clouds at Central London. A atmosfera política em Westminster parece estabilizar sob os chuviscos refrescantes do veraneio, mas ainda reverberam as ondas de choque geradas no incêndio da Grenfell Tower ― entre o apoio às vítimas e os primeiros passos do inquérito oficial à tragédia. A Prime Minister RH Theresa May passa tranquilamente os primeiros testes ao poder do seu segundo governo, um ano depois do euroreferendo, da resignação de RH David Cameron do No. 10 e da entrada em Downing Street. Nas votações da House of Commons em torno do programa legislativo, enunciado no Queen’s Speech, apresenta confortável maioria de 15 votos, mais ampla, portanto, que os dez acordados com os unionistas irlandeses do DUP. Curiosa é ainda a fixação do eleitorado captada nas sondagens conduzidas após o desastre eleitoral de June 8 e as sequentes demissões nas lideranças partidárias, do imediato afastamento do MEP Paul Nuttall no Ukip ao ulterior abandono do MP Tim Farron nos Liberal Democrats. Com o já habitual ruído mediático a propósito ou a pretexto do Brexit divide no seio do Cabinet, eis reiterada confirmação em três sucessivos retratos à opinião pública do colapso dos pequenos partidos a par do crescendo do Labour Party. Com RH Jeremy Corbyn em alta de popularidade, contrastando com a inimitigável oposição no seio da respetiva bancada parlamentar, os trabalhistas recolhem entre 44 a 46% das preferências contra 39-41% dos Tories (face a 6-7% dos Lib Dems e 2-3% dos Ukippers).

 

A descolagem do Lab ancora-se nos jovens eleitores e relembra as dificuldades demográficas observadas por RH Margaret Thatcher no balanço da vitória na 1979 General Election (então com uma maioria de 43 MPs). Neste state of affairs, porém, os ministros do Mayism dedicam-se a esgrimir em público as red lines traçadas pela PM no eurodiscurso de Lancaster House (“no deal is better than a bad deal”) em paralelo com a necessidade de esquecer o défice & a dívida e doar nova prioridade a aumentos salariais no funcionalismo e a propinas gratuitas no ensino superior. Por outras palavras, e a fim de aplacar o surfar da vaga popular por Red Jezza, debate-se por cá o fim próximo das políticas austeritárias. Daí a interessante moldura do euroceticismo que à querela dá o Brit Survey Attitudes, apresentado em Westminster pelo National Centre for Social Research. Sob o título "Britain wants less nanny state, more attentive parents," o 34th NatCen Report revela "a kind-hearted but not soft-hearted country" enquanto examina o atual posicionamento cívico em torno de grandes temas como a erosão fiscal e a fraude nos benefícios sociais, a emigração massiva, o papel do governo, as liberdades e as moralidades públicas, desta feita auscultados na senda da agendada saída do UK da European Union. A síntese que soa na Atlee Suite de Portcullis House é claríssima: “Britain wants the state to open its wallet, keep a watchful eye to keep us safe, but let us live our private lives how we wish.”

 

Mas a quinzena está fortemente marcada pelos 2017 Tennis Championships. Wimbledon is back, com o wonderful sport a somar no encanto das cercanias. As atenções e as aspirações centram-se na defesa do título por Sir Andy Murray, em pleno Central Court, contando o escocês com fervor unânime do reino unido. No primeiro dia dos jogos no sudoeste londrino, Andy leva a audiência ao rubro ao vencer Mr Alexander Bublik em straight sets com convincente trio 6-1, 6-4, 6-2. Seguem-se mais difíceis oponentes e é de esperar renhida disputa quer pelo Open Grand Slam, quer também pelo pódio mundial entre o fantástico quarteto que compõe com Novak Djokovic, Roger Federer e Rafael Nadal. — Well. By turns fervent and witty, so Master Will presents us with the subtleties of the old game in Henry V, at the first lights of Agincourt, when the king receives a odd gift of tennis balls from the hands of the French Ambassador: — “We are glad the Dauphin is so pleasant with us; / His present … we thank you for: / When we have match’d our rackets to these balls. / We will, in France, by God’s grace, play a set / Shall strike his father’s crown into the hazard. / Tell him, he hath made a match with such a wrangler / That all the courts of France will be disturb’d / With chases."

 

St James, 3th July 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The start of The Brexit Show, 2017-19

 

Finally the set off! Um ano após o voto referendário, abrem os tratos oficiais da saída do United Kingdom da European Union. Do primeiro dia dos negociadores resullta plano e calendário.

Ainda que envolto em good rethoric de Mr David Davis e de Monsieur Michel Barnier, o sinal de partida revela concessões britânicas na agenda de trabalhos. Segue-se proposta londrina de reciprocidade na situação dos cidadãos deslocados aquém e além Channel, com a Prime Minister cá a declarar enfaticamente aos émigrés que “we want you to stay.” Brussels quer mais e reclama garantismos. — Chérie. Il faut réfléchir avant d'agir. No estio doméstico assombra série de tragédias, entre o fogo num arranha céus de Kensington, um atentado terrorista numa mesquita de Finsbury Park e um ataque digital às Houses of Parliament. Com a open season for Theresa May ao rubro, o aparato da Royal Ascot Horse Racing rivaliza com o Queen’s Speech enquanto o Tory Government conclui dispendioso acordo de base tribunícia com o DUP. — Well. Slow and steady wins the race. O Prince William of Cambridge perfaz 35 anos em ano de singular varanda cerimonial aquando do Trooping the Colour. Já Washington assiste à vitória presidencial no Supreme Court da Trump travel ban. Em Paris, o Élysée projeta um ministro das finanças para a Eurozone. Herr Helmut Kohl parte aos 87 anos, legando a unificação de Germany em Europe e a hegemonia do Christian Democratic Union Party em Berlin.

 

 

Hazardous Indian Summer at Central London. O novíssimo hung parliament toma assento entre o juramento dos MP’s e a eleição de Speakers, Chairs e afins. A envolvente política está para além do estado volátil. Os Liberal Democrats avançam para uma nova liderança depois de RH Tim Farron se demitir do leme enquanto os Independent Scots buscam um capitão para Westminster, os Ukkipers andam perdidos em combate e os Tories fecham um acordo de £1b em infraestruturas para Northern Ireland como contrapartida do apoio dos dez MP’s do Democratic Unionist Party. Uma bagatela, pois! Há quem desgoste; e quem organize o descontentamento. Se a comunicação social noticia surdos ultimatos à Prime Minister no seio da bancada conservadora e o spin contra Downing Street assume formas de open plot nas páginas do insuspeito The Times, o Labour solta ações de rua para apear a maioria relativa do May II Government. O Red Shadow Chancellor RH John MacDonnell pilota uma incendiária “one million march” ― “to force new elections.” Já o revigorado Lab Leader RH Jeremy Corbyn declara que entrará no Number 10 dentro de 6 meses, no fim de semana protagonizando uma missa de massas no Glastonbury Festival. O evento reúne idosos hippies e jovens revolucionários. Ora, dir-se-ia que JC desce dos céus para ressuscitar como pop star no Pyramid Stage de Somerset e o delírio na festa da contra cultura. Jezza anima o teen spirit com amanhãs que cantam. A performance tem até conveniente direto televisivo sob o script “Ye are many―they are few!” Dos bastidores das 100,000 Corby T-shirts cedo sai o revisionismo em curso ao manifesto eleitoral trabalhista, consensualizado com a oposição interna dos Blairites, sob testemunho do Comrade Jeremy ter como prioridade “to ‘get rid’ of Trident.” Ou seja, o unilateral desarmamento nuclear do UK e o almejado desmantelamento da NATO.

 

RH Theresa May enfrenta crises sérias semeadas pela perda da maioria na 2017 General Election. Com o Brexiting em tela de fundo, facto que explica o frenesim adversarial dos eurofilos de todas as cores, a PM enfrenta esta semana o teste ao seu programa legislativo na House of Commons. Aqui avulta a Great Repeal Bill, a qual remove o ECA 1972 do Statute Book e reinstitui a plena soberania da Law of The Land, por estas ilhas em uso, desde 1215, na esteira da Magna Carta. Este regresso à constituição histórica é tomado como antídoto para diagnosticado declínio político  e confirmado no Queen’s Speech durante peculiar cerimónia nos Lords, desta vez sem pompa e circunstância, com a monarca vestida em day blue dress e acompanhada não pelo Prince Philip mas por Charles of Wales trajado sem a full regalia. Ainda assim, e com o consorte logo de volta ao palácio após curta estada hospitalar, cumpre registo das memoráveis palavras de Elizabeth II: “My Lords and Members of the House of Commons, my Government’s priority is to secure the best possible deal as the country leaves the European Union. My Ministers are committed to working with Parliament, the devolved Administrations, business and others to build the widest possible consensus on the country’s future outside the European Union. / A Bill will be introduced to repeal the European Communities Act and provide certainty for individuals and businesses. This will be complemented by legislation to ensure that the United Kingdom makes a success of Brexit, establishing new national policies on immigration, international sanctions, nuclear safeguards, agriculture and fisheries. / My Government will seek to maintain a deep and special partnership with European allies and to forge new trading relationships across the globe." Fora de Westminster, o Met assenta o recorde de 30C no “longest June hot spell for more than 20 years.”

 

Parcela incontornável das celebrações do 91º aniversário oficial de Her Majesty, devidamente assinalado com as Royal Gun salutes a par do State Opening of Parliament e da visita real de conforto às vítimas do incêndio da Grenfell Tower, sai à luz do dia discreta lista de honrarias destinada a homenagear os talentos do reino. O rol é deveras plural e apontado pelo Cabinet Office como “the most diverse yet.” Contém diferentes gerações, muitas mais mulheres e elementos das populosas minorias étnicas. Dois nomes atraem a atenção entre os 1,109 novos membros das ordens honoríficas recriadas em 1917 pelo King George V. Deslumbra Dame Olivia De Havilland, em vésperas dos seus veneráveis 101 anos e nenhuma outra senão a oscarizada Melanie de Tara em Gone With the Wind (1939). Brilha também Mrs J K Rowling, a autora de 51 anos feita Companion of Honour por magia desse young wizard sonhado no Porto e por si batizado como Harry Potter (1997). — Hmm. Even Master Will concedes in As You Like It the essential role of reverie among the human affairs: — “It is to be all made of fantasy, All made of passion and all made of wishes, All adoration, duty, and observance, All humbleness, all patience and impatience, All purity, all trial, all observance. And so am I for…"

 

St James, 26th June 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

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So, what’s next? - June 2017

 

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What election! What result! And, what a mess! RH Theresa May MP forma um novo governo, minoritário em Westminster e com 20 Remainers + 7 Brexitters, após uma shocking election que deixa os Tories à beira de um ataque de nervos. Os Conservatives perdem a anterior maioria na House of Commons, ensaiam um acordo com o Democratic Unionist Party (o DUP que governa Northern Ireland) e deixam Comrade Jeremy Corbyn e o seu Labour Party aos portões de Downing Street num hung parliament. Na prática, e apesar da presente fortitude, a senhora mantém o top job mas perde autoridade. — Chérie. Il n'y a que le provisoire qui dure. A soma dos votos apresenta outro desfecho imprevisto, para além do êxito relativo dos trotskystas. Resolve problema interno maior. Os independentistas de Scotland igualmente perdem a hegemonia no plenário de Holyrood. — Well-Well-Well, indeed. Já Brussels e Berlin mantêm o calendário da Brexit. Além Atlantic, perdura a Trump soap. Washington rasga o Paris Climate Treaty. Meanwhile, o US President e o diretor do FBI que ele despediu, Mr James Comey, trocam galhardetes em Capitol Hill. O En Marche! do President Emmanuel Macron triunfa nas eleições parlamentares gaulesas, certificando o óbito dos partidos tradicionais da Ve République. Em Russia, as manifestações anti-Putin regressam às ruas e os protestantes às prisões.

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Sunny and hot, very hot, days at Central London
. A #2017 General Election deixa o reino atónito e muitas stony faces nos corredores de Whitehall. O esperado passeio da coroação thatcheriana de The Right Honourable Theresa Mary May MP simplesmente não acontece, apesar dos históricos 43% obtidos nas ballot boxes. Uma two horses race deixa o rival Labour Party com 40% e esfuma a força dos pequenos partidos. Ora, tudo se afigurava diferente a 25 April, quando The Gazette publica a proclamação de Her Majesty Elizabeth II “appointing Thursday the 8th day of June 2017 as the polling day for the general election of the next parliament.” Os Tories lideram nas sondagens por 20-22 pontos, face a uma Loyal Opposition ocupada a digladiar-se entre Corbynists e Blairites. Sobrevém o inesperado. Uma longa campanha de oito semanas pára duas vezes por causa de três sangrentos atentados jihadistas, em Manchester e em London, após caos generalizado no serviço nacional de saúde gerado por um ataque informático global. Os conservadores apresentam então infeliz e austeritário programa para a bolsa dos comuns. Sir Humphrey Appleby diria ser “a brave manifesto.” Neste contexto surge a receita populista para vencer sufrágios: energizar os fiéis ante a paralisação dos opositores, aumentar as expetativas dos adversários e prometer… utopia to the working class. Só no último dia das lides, para ganhar o voto jovem, e foram dois milhões de novos eleitores, o líder trabalhista perdoa as dívidas estudantis após hastear a bandeira das free tuition fees. Na noite eleitoral, todas as cidades universitárias votam vermelho. Se o secular azul de Canterbury cai, a cereja no empolado bolo de Red Jezza é ainda mais luzente. Seduzido por verbo revolucionário, o Royal Borough of Kensington elege um camarada. But, recordando os gloriosos Monty Python – He’s not The Messiah. He’s a very naughty boy.

 

A mais estranha campanha eleitoral de que há memória tem efeitos tanto no futuro incerto da PM e do partido no poder, como também na internamente contestada liderança do Labour Party, quanto, e sobretudo, no rumo das negociações da saída do UK da Eurpean Union. Os Remainers aproveitam a ocasião para reeditar pela enésima vez um estafado argumentário face a um já mais que agastado eleitorado. Nas urnas, porém, sumido o Ukip, até o arqui europeísta RH Nick Clegg perde o emprego como MP de Sheffield Hallam (South Yorkshire) pelos Liberal Democrats. Igual fim têm outros pesos pesados, desde logo entre os contrários escoceses, como RH Alex Salmond em Gordon (Aberdeenshire) ou RH Angus Robertson em Moray, nada menos que os ex líder e chefe da bancada do Scottish National Party em Wesminster. Com os 10 MPs de Northern Ireland na porta grande do Westminster system, por via do apoio governamental do Democratic Unionist Party, as Highlands têm agora uma nova referência: RH Ruth Davidson, a Tory MSP que conquista 12 postos aos independentistas. Não espanta que perante este complexo xadrez nacional, pela primeira vez na história parlamentar do reino, o Queen’s Speech anunciado para a proxima semana esteja sob risco de adiamento, o mesmo podendo acontecer à abertura dos tratos da Brexit agendados para 19th June.

 

Mrs May assegurou tréguas internas num partido em deep unhapiness e está de partida para Paris a fim de acalmar as águas continentais. Durante o fim de semana, enquanto o Labour Party se declara pronto a governar com equipa marxista e programa sul americano de renacionalizações, a new old PM reganha a iniciativa política. Forma um segundo Cabinet com maioria de Remainers à volta da mesa e assume responsabilidades pelo desastre eleitoral perante o poderoso Tory 1922 Committee: “I'm the person who got us into this mess, and I'm the one who will get us out of it.” Sustentada graças à cortesia dos Scott Conservatives e dos Irish Unionists (Needs must, of course), a posição da Prime Minister é delicada: se sinaliza razoabilidade nas euronegociações conduzidas pelo intacto trio dos Brexiters (RHs David Davis, Boris Johnson e Liam Fox), o porta voz do Number 10 rapidamente informa que “Government policy remains the same on Brexit, migration and the deficit.” Falhado o ensaio eleitoral do Red Torysm, em suma, num astonishing state of affaires, resta agora apurar quão fundo tem presente a sucessora de Baroness Margaret Thatcher em Downing Street uma imortal lição do fundador da Ve République Française: "No Nation has friends, only interests."

 

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Sob a memória do General Charles De Gaulle, a quem Lady Clementine um dia disse "General, you must not hate your friends more than you hate your enemies," chega às salas a mais recente versão cinematográfica de Churchill. O filme recua à darkest hour, quando o reino defronta as forças nazis que dominam o continente europeu. Estamos em 1944 e eis-nos catapultados para behind the war for freedom. O drama dirigido por Mr Jonathan Teplitzky cedo surpreende com incorreções históricas, começando nos peculiares fatos de Sir Winston, vestido de gala no encontro decisivo do High Command, mas acaba por atrair na incontornável dimensão épica. Estamos em 1944 e seguem-se as graves 96 horas que rumam ao D-Day de 3 June e ao discurso “We shall never surrender.” Tal como na Operation Neptune brilham os heróis das Normandy landings, salvam aqui as interpretações de Mr Brian Cox (W Churchill), Mrs Miranda Richardson (Clementine), Mr John Slattery (Gen. Dwight D. Eisenhower), Mr James Purefoy (Gen Bernard Montgomery) ou Mr Julian Wadham (King George VI). O guião é pobre, todavia. — Hmm. Let us all remember how Master Will in The Tempest portrait the quest for autonomy after dilemmatic Prospero’s decisions: — “As you from crimes would pardoned be, / Let your indulgence set me free."

 

 

St James, 12th June 2017
Very sincerely yours,
V.