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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

LONDON LETTERS

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   A Brexit snap election, 8 June 2017

 

 It is not done until is done. A Prime Minister RH Theresa May MP pede hoje poderes bastantes à House of Commons para convocar eleições gerais antecipadas. A libra esterlina dispara com a previsão de uma vasta

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maioria Tory. — Chérie. Prudence est mère de sûreté. Que se pode dizer sobre o clima nas ilhas ? É a Brexit Britain e o guião segue a matriz dos plot twists. Depois de três vezes negar o cenário de legitimação para o mandato primoministerial, eis a Tory líder a mudar de opinião após uma cuidada reflexão pascal. — Hmm. Do not put new wine into old bottles. O suspense marca também o resto do mundo. O US President DJ Trump demonstra o seu entendimento do que é o America First: a península coreana treme com a visão de um conflito nuclear. As presidenciais francesas digladiam os últimos argumentos. Turkey vota pela concentração dos poderes do President Recep Erdogan e adensa a sombra otomana no eurocontinente. Os Princes William e Harry impulsionam o debate no reino em torno da saúde mental. O J025 aproxima-se da Earth com a etiqueta do maior asteroide a passar nas proximidades desde 2004.

 

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Lovely Springtime at Central London even with fresh wind. Um telefonema do Number 10 para o Buckingham Palace inicia uma nova reviravolta, para alguns surpreendente, na impetuosa política doméstica. A Prime Minister informa HM Elizabeth II que convoca eleições gerais para 8 June a fim de obter a “Brexit unity.” A decisão assume forma dramática, com o anúncio de “a surprise PM statement” para as 11.15 am de Monday. A especulação circula durante horas na political bubble. Note-se que tais declarações oficiais são algo extraordinário, servindo usualmente para declarar guerra, dizer da queda governamental por resignação da PM ou marcar eleições. Singular é também o facto de todos os cenários serem por cá tidos como prováveis, dadas as vagas emocionais que tumultuam o Brexit serial. Quando Mrs May aclara as águas é já consensual a tese de… a Blue murder. Os Tories avançam para uma maioria histórica face a enfraquecidas (apesar de ruidosas) oposições.


Esta tarde decorre mais uma acalorada votação nos Commons quando Mrs May requer luz verde para a #GE2017. Necessita de 2/3 da câmara para revogar o Fixed-term Parliaments Act 2011, que datava o sufrágio em 2020. As reações ao gesto do 10 ainda ribombam no Palace of Westminster. Pouco fica da imensa espuma dos comentários plurais, quando muitos MPs encaram a séria possibilidade de perder o emprego às mãos do eleitorado flutuante. Tracemos a bissetriz possível. Se a generalidade das sondagens indica as vésperas de a blood Labour bath, com o partido de RH Jeremy Corbyn a 21 pontos percentuais de distância face aos Conservatives, a snap election é por cá encarada de forma genericamente dual: para uns é a almejada oportunidade para reverter o resultado do euroreferendo de 2016; para outros é o momento decisivo para unir forças atrás de HM Government nas complexas negociações da saída do UK da European Union. O tom do debate está dado: no "are you kidding?" da entrevistada acidental em plena rua, na autoexclusão do ex Tory Chancellor George Osborne das listas de candidatos e em manchete do Daily Mail ― “Crush the saboteurs.” Com paragem nas eleições locais de 4 May, a par das consequências judiciais do overspending partidário na última campanha, faltam 50 dias para o sufrágio geral.

 

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Aos amantes de jardins, arquitetura e história, uma recomendação final de leitura e de convite à visita. Nos dois últimos números da sempre belíssima Country Life, uma revista muito cá de casa, Mr Geoffrey Tyack narra a evolução secular da University of Oxford. Sob o título “A seat of learning” e com fotografias de Mr Will Pryce, a dupla de artigos recua ao nascimento da universidade no 12th Century como comunidades de “scholars and aspiring scholars” para traçar a direção e a inspiração das artes ao longo de um passeio por edifícios e bibliotecas. Das lecture rooms e alojamentos clericais das Oseney Abbey Schools no medievo, aliás, as que fascinam o Infante Dom Pedro, conforme o Duque de Coimbra testemunha na sua “Carta de Bruges,” à majestosa Arts End, a primeira biblioteca britânica com wall shelving, criada em 1610-12, a peregrinação centra-se nas góticas Schools Quadrangle e na Bodleian para dar conta do papel público da Convocation House. Este é um espaço menos conhecido pelos pergaminhos políticos, mas é o cenário consensualizado para estruturar o debate nacional em dividido reino, ao servir de parlamento, em várias ocasiões, no turbulento 17th century. — Well. Let us amuse our minds with Master Will and that contemplative Jaques in As you like it: — “Out of these convertites / There is much matter to be heard and learnt."

 

St James, 18th April 2017

Very sincerely yours,

V.

 

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LONDON LETTERS

 

The End of The Affair, 2017-19

 

Et voilá! Brexit begins with the Springtime. A coreografia diplomática é singela. RH Theresa May aciona o Article 50 do Treaty of Lisbon e inicia a contagem

decrescente para a saída programada do United Kingdom da European Union, a 29 March 2019, com ou sem acordo sobre os laços comerciais. Começa também um outro futuro para o projeto europeu e o papel da EU no mundo. O momento é de refundação para o clube dos estados continentais, mas decisões só as haverá depois das eleições outonais em Germany. Para o UK, faltam 717 dias de navegação até oceano aberto. — Chérie. Goûts et couleurs ne se discutent pas. A Prime Minister visita o Arabian Gulf para conversações de trade & defense. Na mala leva um cheque de £1,2b para apoio local aos refugiados sírios. — Hmm. Do not be wise in words, be wise in deeds. O terror jihadista ataca de St Petersburg a Stockholm. O US President DJ Trump lança ataque punitivo na Syria, recebe o líder egípcio Abdel-Fattah el-Sissi e dá uma entrevista ao FT de leitura forçosa para aferir da agenda geopolítica da superpotência. A corrida ao Élysée soma sinais do êxito no desenho do sistema eleitoral: produzir um decisor centrista. O Prince Charles of Wales prepara an European charm tour. Nas ilhas, Northern Ireland persiste no limbo governamental e Scotland vota pelo IndyRef2. O Labour Party continua em queda livre, com perdas estimadas de 125 lugares nas eleições locais de May a favor dos Liberal Democrats e dos Conservatives.

 



Lovely weather at Central London. Duas damas agitam a domesticidade de Westminster Village, que hoje diz adeus ao herói da Metropolitan Police caído nos Palace Gates. Um cordão de polícias saúda PC Keith Palmer, uma das cinco vítimas do atentado terrorista, em público cortejo fúnebre ao longo de quase três milhas. A envolvente do Big Ben é agora de mais apertada segurança, quando a Scotland Yard tem a first female chief nos 188 anos da instituição: Met Commissioner Cressida Dick. No ar anda algo de feminil, não obstante o ‘empate’ na 2017 Oxbridge Boat Race: os remadores de Oxford University vencem a corrida, mas, no drama da deteção-remoção de uma WWII bomb nas águas da partida em Putney, são as azuis-claro de Cambridge a ganhar a palma do Thames River. Mais há, todavia. Após a histórica assinatura pela Prime Minister May da carta entregue ao European Council President Donald Tusk em Brussels, pelo Ambassor Tim Barrow, seis páginas timbradas a anunciar a retirada do UK da EU, eis nova rosa nos anais da coroa e na mística geografia local. O verde das Houses of Parliament vai acolher uma estátua da líder das Suffragists, Dame Millicent Garrett Fawcett (1847-1929).

 

Abrigada de ocasionais chuviscos por peripécias de saúde, a lava das notícias é ainda avassaladora e quase ofusca este acontecimento maior.

Se o rufar das eleições para os councils segue em fundo, com visíveis desafios para o Labour e o Ukip enquanto a Brexit abunda em red lines e ameaça turbulência nos céus de Gibraltar, é a canonização política da senhora quem cativa o olhar – tanto pela decisão quanto pelo espaço. Dame Fawcett é a pacífica presidente da National Union of Women’s  Suffrage Societies, fundada em 1897 a fim de aliar as reivindicações do sufrágio feminino que há 30 anos ecoavam pela sociedade vitoriana. O movimento distingue-se das Suffragettes pelo método diplomático, sempre a sua líder valorizando a persuasão em contraponto ao protesto advogado, desde 1903, pelo grupo radical de Mrs Emmeline Pankhurst. Na preparação do centenário do voto das mulheres no UK decide HM Government homenagear a sufragista nascida em Suffolk, que fez do No. 2 de Gower Street domicílio das insistentes petições aos azoratados MPs que, em 1918, finalmente acedem à paridade. A first woman to be honoured with a statue in Parliament Square alinhará com o moderno bronze de Lady Margaret Thatcher no Members' Lobby do Palace of Westminster e erguer-se-á no jardim exterior entre os pedestais de Winston Churchill, David Lloyd George, Viscount Palmerston, Earl of Derby, Benjamin Disraeli, Robert Peel, George Canning ou Abraham Lincoln, Nelson Mandela e Mahatma Gandhi.

 

Por terras que rezam a Allah intervém já a PM, vigorosamente, em polémica da Christian Easter. Na anual caça aos ovos do National Trust ao longo do reino desaparecem as referências pascais na promoção do evento, para espanto até do good Archbishop of York Dr John Sentamu. O avanço secularista logo é etiquetado por Mrs May de… “ridiculous.” No cenário de uma próxima disputa com Spain por causa de Gibraltar, incluído por Madrid e Brussels nas euronegociações, a reação de uma senhora com cabelos prateados ao vento em solo jordano e saudita é ainda mais explícita: uma sonora gargalhada. Não é para menos, ou diferente. Muitas vezes ao longo do debate europeu lutei com a ideia de incredulidade, face aos espantalhos da crise financeira e do conflito armado, mas há ainda lugar para surpresas. Na espuma final do EUref2 dos últimos 9 meses, pasmo com declarações de Lord Heiseltine a atribuir à Other Union a revolução contra o fascismo em Portugal ou quando agora Lord Fallon declara que o UK defenderá The Rock tal como valeu às Falklands. Os excessos sempre comovem. Afinal, the words that we use form our worldview.

 

Quando as chancelarias engendram fórmulas de pressão sobre Moscow devido a Damascus e Beijing por causa da North Korea, nota comemorativa para os 35 anos do fantástico Blade Runner. A masterpiece de Mr Ridley Scott apura no tempo quanto Do Androids Dream of Electric Sheep? de Mr Philip K Dick prova nas areias da distância. Uma e outra obra possuem génese reveladora. O cineasta desenvolve as aventuras protagonizadas por Mr Harrison Ford quando filma Dune e o universo ficcional de Mr Frank Herbert. O escritor concebe a ideia do humano sintético ao ler num jornal Nazi ensonadas queixas de um oficial SS pelos gritos num campo de concentração. — Well. Keep in mind those strident thoughts that Master Will puts among the silent humanity in Hamlet: — “There is nothing either good or bad, but thinking makes it so."

 

St James, 10th April 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Britishness, The Scottish Question and, a black wolf, 27-22 March 2017

 

RH Theresa May atravessa o Hadrian Wall. As tropas do SNP perfilam-se no topo das montanhas.

Está a 72 horas de acionar o Article 50 que abre à saída do UK da European Union. Há dias atrás fala a um reino unido após ataque jihadista às Houses of Parliament. Bastam 82 segundos para semear a morte dos agnelos e a perplexidade face ao mal. —  Chérie. L'intention fait l'action. Os líderes religiosos rezam a um só céu pelos caídos: PC Keith Palmer, Mr Kurt Cochran, Mrs Aysha Frade e Mr Leslie Rhodes. Um português sobrevive ao atentado com ferimentos ligeiros. — Hmm. Where God builds a church, the devil will make a chapel. Northern Ireland vive problemática formação do governo sob encruzilhada constitucional: o consenso DUP-Sinn Féin, a terceira eleição num ano ou a London rule. Já a EU comemora os 60 anos do Treaty of Rome, Capitol Hill declina o Obamacare Repeal do Presidente DJ Trump e Madame Le Pen visita o Kremlin. O Prince George of Cambridge prepara-se para frequentar a Thomas's Battersea School em London. O Ukip perde o seu único MP, com o abandono do partido de RH Douglas Carswell MP sem ida a votos.


Sunny break after the terrible dark clouds at Central London
. O pandemónio vem e vai,  inopinado, deixando um rasto de devastação cujos efeitos silentes ainda germinam. Hoje são as barreiras de segurança erguidas até ao  Windsor Castle. Ontem foi a assombração. Os corpos, o sangue, os disparos, o pânico, os polícias e o selar do perímetro, a reação armada, carros e helicópteros, ambulâncias, angélicos paramédicos no auxílio às vítimas e ao vilão, os heróis acidentais. Destacam-se RHs Tobias Ellwood e Ben Wallace MPs, reconhecidos, celebrados e entrados no Her Majesty’s Most Honourable Privy Council. O ataque terrorista de 22 March no coração de Westminster é  uma voragem do mal e do bem. O black wolf logo é abatido, mas sobejam intermináveis horas de um misto de perturbação nas almas ao olhar o abismo. A expressão da Right Honourable Theresa May tudo compõe, porém, na insigne House of Commons:


“Mr Speaker, yesterday an act of terrorism tried to silence our democracy. But today we meet as normal.” E é a urbana normalidade que abate o fantasma jihadista. O assalto falha tão redondamente que de novo sobrevém desconcerto. Com uniformes a esquadrinhar o país de lés-a-lés em lide da ameaça severa, eis eurófila manifestação de amor na mesmíssima praça onde o demónio, por momentos, andou à solta. A insólita tela diz também algo dos labirintos humanos. Nos portões do palácio, olhando as estátuas dos santos locais, mora uma rosa branca.

Dos valores comuns da Britishness, ”the values we share in our family of nations,” fala Mrs May quando hoje ruma às Highlands. A visita antecede a notificação oficial a Brussels da retirada do euroclube e materializa sensível etapa diplomática para concertar posições entre os quatro povos do reino. Se no plano europeu há que aguardar pelas 12H30 de 29 March 2017, hora e dia apontados para a entrega de carta primoministerial ao EC President Donald Tusk, em simultâneo com a presença da PM nos Commons para informar o país e responder aos MPs pelo ato, na frente interna acaba o 10 de obter imprevista trégua. Por acaso do destino, os trágicos acontecimentos em London congelam o voto do segundo referendo à independência em Holyrood. O compasso de tempo não durará, todavia. Os ecos do encontro com a First Minister Nicola Sturgeon pouco revelam, nomeadamente quanto a devolução dos poderes a repatriar, além de um esfíngico sorriso das duas ladies na foto de família. Em público, discursando no UK’s Department for International Development em East Kilbride, deixa a English Tory mensagem para Scots ouvirem: "[T]his is not – in any sense – the moment that Britain steps back from the world. Indeed, we are going to take this opportunity to forge a more Global Britain. The closest friend and ally with Europe, but also a country that looks beyond Europe to build relationships with old friends and new allies alike. (…) So as Britain leaves the European Union, and we forge a new role for ourselves in the world, the strength and stability of our Union will become even more important "

 

Em momentos pela maioria classificados com um modern hino à Union Jack e aos “shared values of freedom of speech, democracy, respect for human rights, the rule of law,” soberana nota final. Às mãos dos Brits chega a high-tech £1 coin, cunhada pelo Royal Mint em Llantrisant (South Wales) com o quinto perfil de HM The Queen.


A nova libra esterlina apresenta-se inovadora, diferente, com bordo de 12 ângulos, dourada e prateada, mais leve, fina e larga que a good old pound. Às características do design único soma especial minúcia ótica de defesa contra falsários. — Well. After an appalling week, even surrounded by gold and silver, bear in mind that thing of darkness that Master Will talks in The Tempest by the voice of Ariel: — Not a soul / But felt a fever of the mad and played / Some tricks of desperation. All but mariners / Plunged in the foaming brine and quit the vessel, / Then all afire with me. The king’s son, Ferdinand, / With hair up-staring—then, like reeds, not hair / — Was the first man that leaped, cried, “Hell is empty / And all the devils are here."

 

St James, 27th March 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

An historical date, 29 March 2019

 

HM Elizabeth II apõe o Royal Assent na European Union (Notification of Withdrawal) Bill. O PM Office anuncia que accionará a cláusula de saída da EU no próxima quarta-feira e imediatamente RH Theresa May inicia em Wales mais uma ronda de contatos às quatro nações do reino unido.

  O calendário fixa a histórica Brexit para 29 March 2019. —  Chérie. En toute chose il faut considérer la fin. Com a campanha interna do No. 10 aberta em Swansea (Wales) e o parlamento de Scotland a votar amanhã novo referendo independentista, já Westminster centra o olhar noutros temas prementes. O ex Tory Chanceler of Exchequer a todos espanta com o seu recrutamento para editor do London Evening Standard, sendo agora por cá conhecido como RH George ‘Six Jobs’ Osborne. Também o Labour Parliamentary Party protagoniza exaltada reunião com o líder RH Jeremy ‘Red’ Corbyn. — Hmm. Clothes do not make the man. France visiona longo debate televisivo entre os principais candidatos presidenciais. Netherlands dá a vitória eleitoral aos liberais do Premier Mark Rutte face aos eurocéticos de Mr Wim Welders. Washington assiste a frosty Trump-Merkel Summit na White House enquanto Capitol Hill investiga a conexão russa que pode desaguar em impeachment process com o GCHQ pelo meio. O Sinn Féin diz adeus a Mr Martin McGuinness.

 

Light rain at the begginings of the London Springtime. O alinhamento entre Downing Street e Buckingham Palace ganha visibilidade no Brexiting, tanto na frente interna como na frente externa. Passados os escolhos nos dois lados de Westminster Square, sejam as Houses of Parliament e o Supreme Court of Justice, a mais importante lei no nosso tempo ruma à secretária de Her Majesty The Queen. Elizabeth II tem constitucionalmente três opções: selar, recusar ou demorar a EU Bill. Sem delongas despacha o Royal Assent, através de letters patent unidas ao articulado legislativo, logo remetidas aos Commons para aqui se anunciar de viva voz a decisão da monarca: "La Reyne le veult." A tradicional fórmula em Anglo-Norman Law French é saudada com cheers dos MPs e não deixa de ser astral ironia que, segundo os anais de Westminster, o último veto real, em 11 March 1707, pela Queen Anne, haja incidido sobre a Bill for the settling of Militia in Scotland. Mais faz o cetro: os Dukes of Cambridge viajam até Paris em missão oficial de charme.

 

O avanço da Brexit materializa-se com anúncios públicos de prontidão em London e Brussels. Incontornáveis são os contornos homéricos do processo. Whitehall prepara um pacote legislativo, estima-se que 15 leis de enquadramento setorial, para acompanhar The Great Repeal que ecoará em May no Queen’s Speech. Até lá, é a vez da Prime Minister testar as suas habilidades diplomáticas na campanha interna de unificação de vontades e propósitos. Se era expetável que a saída do UK da European Union serviria de pretexto para nova batalha dos independentistas no parlamento de Holyrood, o cenário geral com que Mrs May se depara é bem mais complexo. Vejamos quem se sentou na primeira cimeira doméstica, a 24 October 2016, entre Downing Street e as autoridades de Edinburgh, Cardiff e Belfast. À volta da mesa encontram-se uma English Tory, uma Scottish nationalist, um Welsh socialist e uma Ulster unionist mais um Irish republican. Acresce que o euroreferendo de 23rd June reflete os votos a favor de England e Wales mas contra de Scotland e da Northern Ireland. Não por acaso é RH Theresa May MP comparada a formidável personalidade histórica na manutenção da coroa: Elizabeth The First. À Good Queen Bessie valeram os divinos ventos do Channel quando atacada pela Invincible Armada.

 



A tarefa de Mrs May igualmente requer boa ventura na outra Union. Que as nuvens se avolumam além Channel observa-se sobretudo na fragmentada paisagem política gaulesa. No debate presidencial de três horas e meio entre os cinco principais candidatos ao Palais de l'Élysée, por maiores que foram os esforços de Madame Marine Le Pen para debater a situação europeia criada pela Brexit, multiplicado foi o silêncio manuseado pelos rivais – acrescido pela câmara de eco dos mass media. Evidente é a frente continental dos eurófilos. Em vésperas de RH G Osborne assumir as vestes de jornalista e fazer do London Evening Standard um jornal de combate dos Remainers, soa estranha equivalência na Spring Party Conference dos Liberal Democrats que tudo revela quanto à nova retórica dos contrários. RH Tim Farron acusa a comunitarista Theresa May de prosseguir as “aggressive, nationalistic politics of Trump and Putin.” Assim vamos quando nos US ocorre peculiar cimeira. O President DJ Trump recebe a Bundeskanzlerin Angela Merkel. Afirma-se não isolacionista e pró NATO ao apresentar faturas a Berlin. Ora, a linguagem corporal dos dois líderes diz do máximo desconforto existente nas neo relações continentais transtlânticas. No mais, passados 100 dias da administração republicana, The Trump Show goes on. Em Capitol Hill projeta-se já cibersequela do clássico de Holywood: The Comies are coming…

 

Com a novel interdição dos dispositivos eletrónicos nas viagens aéreas de paragens exóticas no Middle East e previsível agitação em torno da Pound Sterling para a próxima estação de veraneio, examinemos atempadamente destinos turísticos para caseiro 2017 Summer. O Sunday Times ajuda. No seu guia anual dos "best places to live in Britain" distingue a amena cidade de Bristol, à frente de campeões regionais como Peckham na Great London, Wadhurst em East Sussex ou Shipston-on-Stour em Warwickshire. A urbe portuária está geminada com o Porto e tanto a esplêndida traça natural como os pergaminhos recomendam visita. A Royal Charter recua a 1155. Cedo floresce o condado do South West England, autonomizando-se de Gloucestershire e Somerset em 1373 e conquistando foro a desenho de Master Robert Ricart em 1478. A terra fértil coloca Bricstow entre os grandes contribuintes do trono desde o medievo, com a cruz e o comércio a globalizar os elos com outros reinos de cruzados e navegadores. — Well. Remember what Master Will says in his Jacobean play Pericles, Prince of Tyre about the maritime lives: — Master, I marvel how the fishes live in the sea. | Why, as men do a-land; the great ones eat up the little ones; I can compare our rich misers to nothing so fitly as to a whale; a’ plays and tumbles, driving the poor fry before him, and at last devours them all at a mouthful. Such whales have I heard on o’ the land, who never leave gaping till they’ve swallowed the whole parish, church, steeple, bells, and all.

 

St James, 21th March 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The B-word Game Plan, 2015-2017

 

Et voilà. Entra a cavalaria a galope. Da discrição dos bastidores políticos emergem os Blairites, desalojados do Labour Party pelos Corbynists. Mr Tony Blair é o Remainer-in-Chief, após retirar o bastão de comando a RH Nick Clegg dos Liberal Democrats. Logo atrás segue Lord Mendelson, com o estandarte azul estrelado visível a quantos observam a manobra nas colinas em volta.

A bombarda ruge contra os Brexiteers. Exigem novo euroreferendo. —  Chérie. Une bonne action n'est jamais perdue. A European Union (Notification of Withdrawal) Bill chega à House of Lords, pela força do Supreme Court e sob pública conjura eurófila de delay-or-block. Da jornada nos Commons sai sem emendas e com massiva maioria a escoltar o voto popular. Estarão agora os pares disponíveis para abrir uma crise constitucional capaz de conduzir à sua extinção e a ferino realinhamento partidário no UK? — Well. What possible can go wrong? Os Tories arriscam ganhar as duas by-elections que amanhã decorrem em Copeland e Stoke-on-Trent Central, se acaso os Lab safe-seats não levarem à entrada dos Ukippers em Westminster. O US President DJ Trump nomeia o Lt Gen Herbert R McMaster como National Security Adviser. O VP Mike Pence ultima dual diplomática visita a Munich e Brussels. As presidenciais gaulesas aceleram com buscas judiciais na sede de Madame Marine Le Pen e embaraços retóricos de Monsieur Emmanuel Macron. Já Herr Martin Schultz desloca o SPD para a esquerda a fim de enfrentar a Kanzlerin Frau Angela Merkel nas outonais eleições alemãs. A NASA tem novidades estelares para revelar.

 

 

Patchy rain and mild temperature at Central London! A zona está hoje particularmente agitada. Os Lords debatem o Brexit vote enquanto os Commons discutem as petições pró e contra a visita oficial a Britain de Mr Donald J Trump. Também Westminster Square está ocupada por mais uma manifestação de jovial protesto – por causa daquele ou deste. De pé antibiotizado, observo esta forma de fazer política nas ruas por cá reeditada pelo New Old Labour de Mr Jeremy Corbyn. Fixo o “Stop Trump;” ruidoso, colorido e escasso. Concluo que o ativismo digital que leva 1,8 milhões de pessoas a globalmente clicar na oposição à vinda de DJT às terras da sua mãe dista um abismo da realidade. Abundam os espaços vazios. Pesos pesados como os MPs John McDonnel, Dianne Abbott & alike afadigam-se para os microfones. A moldura de fundo é ainda carnavalesca, com os cartazes contra o racismo e o fascismo entre trajados à Guantánamo ou à Statue Of Liberty. E afinal por quê tanto furor com este Mr President? Há linhas da história política norte-americana trivializadas até a título de Capitol Hill jokes: “President George Washington could not tell a lie, President Richard Nixon couldn’t tell the truth and after President Ronald Reagan no one couldn’t tell the difference.”

 

Aquém e além Atlantic Ocean há um não sei quê de insano nesta agitação das massas que remete para a peça The Dead Cat. Sabereis, por certo, da cena recorrente. Num recanto do palco surgem umas quantas figuras fadadas a atrair forçoso olhar da audiência: ― Hey. Hey. Look over there… Dos resultados no reino do "Straight Talking, Honest Politics" do Right Honourable Jezza dizem todas as sondagens sem exceção: o Lab continua a cair e está 18% atrás dos Conservatives em inusual contraciclo político. Mr Tony Blair no seu recente discurso pelo “changing minds” quanto ao UK na European Union rotula sem dó o estado a que se chegou: "The debilitation of the Labour Party is the facilitator of Brexit." Igualmente áspera soa a esgrima verbal dentro das portas de Westminster Hall. Em sala lateral do parlamento sintetiza o Foreign Office Minister o confronto das visões rivais: “The State-visit should happen and will happen," declara seco Sir Alan Duncan. Há dias atrás, na linha telefónica direta com o Oval Office, ao novo residente declara a Premier que “looks forward to welcome you later this year.” Mais suave mas identicamente polarizado segue o debate dos Lords. Na Upper House, com a memorável presença de Mrs May sentada nas escadas à frente do Royal Throne, a mensagem do HM Government é subtil no lembrete ao papel de cada um dos órgãos constitucionais no estado da coroa. Cabe a Lord Hague magistralmente clarificar as posições: "As someone whose preference was to remain in the EU, my second preference, given that that is not available, is to leave it with some degree of unity and good order and confidence and determination."

 

SS-GB é o diverso programa das festas nas Sunday nights. A proposta da BBC 1 dramatiza o clássico de Mr Len Deighton, autor com laços a Portugal e que com John Le Carré e Ian Fleming consagra as estórias de espionagem como género literário do pós-guerra. Ora, sendo típico agente lenardeano o British pragmatist, em contraste com prudente George Smiley e fantástico James Bond, a obra de 1978 adapta-se como uma luva aos atuais tempos de post-truth politics: eis visão distópica de reino quase todo sob ocupação nazi. Colaborar ou confrontar o inimigo é dilema que permeia o espírito do Det Supt Douglas Archer, protagonizado por Mr Sam Riley. O thriller abre em 1941, justamente com voo de Spitfire timonado por piloto da Luftwaffe que logo cairá na mira da resistência. Com realização de Mr Philipp Kadelbach e produção da Sid Gentle Films, o drama conta com desempenhos de Mrs Kate Bosworth (Barbara Barga), Mr Lars Eidinger (Dr Oskar Huth), Mr Rainer Bock (Fritz Kellermann) e Mr James Cosmo (Harry Woods). O primeiro episódio cativa pela alternativa trama histórica e sensitiva coloração da fotografia, mas absurdas oscilações no som durante os diálogos deixam a desejar. A One compromete-se a corrigir os níveis do áudio no resto da série. — Humm. Realistically recognizes Master Will with that old shepherd Corin in As You Like It how different ranks require different ways of being: — Those that are good manners at the court are as ridiculous in the country as the behaviour of the country is most mockable at the court. You told me you salute not at the court but you kiss your hands. That courtesy would be uncleanly if courtiers were shepherds.

 

St James, 20th February 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

A Sapphire Queen, 1952-2017

 

Her Majesty The Queen soma mais um first. Elizabeth II comemora hoje o ano 65 do seu reinado. O marco histórico é único em toda a longa lista de monarcas de Great Britain.

Aos 90 anos, HM vivencia o Sapphire Jubilee. —  Et très bien. Notre sincères félicitations à Sa Majesté la Reine. A Prime Minister RH Theresa May recebe o Israeli PM Mr Benjamin Netanyahu no 10, com o comércio e a paz internacional na agenda. Já a House of Commons vota favoravelmente a European Union (Notification of Withdrawal) Bill, com expressiva maioria de 384 MPs (For - 498, Against - 114). — Well! We’re on our way. Nos US é a máxima animação e apenas vamos nas primeiras manobras da Trump Administration. As presidenciais gaulesas igualmente avançam a todo o vapor. As sondagens credibilizam temida vitória da eurocética Madame Marine Le Pen face à queda do conservador M François Fillon e ao media building centrista em torno do eurófilo M Emmanuel Macron. Em tempos interessantes, disparam as vendas globais do profético “1984,” de Mr George Orwell. Mr Alastair Cook abandona o posto de England Test cricket captain.

First signs of an Early Spring at Great London! O dia é hoje marcado a azul água, após mais um fim-de-semana com marcha de protestos contra a “Trump travel ban” entre Trafalgar Square e as Houses of Parliament. Nos Commons, com o Brexit vote ainda a pairar, o Speaker une a voz contra o US President e anuncia que recusará dar-lhe ocasião para ali discursar durante a programada Summer State Visit. Tal precedente em Westminster surge depois de RH John Bercow quebrar outra tradição da casa: libertar os oficiais de usar as tradicionais wigs, gesto blaireano por cá rotulado como “a executive order.” A magna ebulição política contrasta com o recato de Her Majesty em data especial. The Queen passa o Sapphire Jubilee em privado, no Sandringham Estate, local onde ocorreu o passamento do pai King George VI que dita a inesperada subida ao trono a 6 February 1952. Ainda assim, o aniversário é publicamente saudado. Uma salva de 41 canhões soa esta manhã, em Green Park, e Buckingham Palace divulga fotografia oficial, tirada por Mr David Bailey em 2014, com Elizabeth II ostentando as safiras recebidas do rei aquando do casamento em 1947. Cabe à PM May assinalar “another remarkable milestone for our remarkable Queen” com nota afetuosa: “She has truly been an inspiration to all of us.”

 

Com Mr Trump inescapável na praceta global e amigos vários a ensaiarem petição de uma DJT  talk free-zone, destaque final para uma inventiva iniciativa para as bandas de Yorkshire. O caso denota o empreendorismo dos ilhéus em vésperas de rumarem para unchartered waters, quiçá em ato de populismo nacionalista a ensaiar futuras formas da New Cold War nas mercearias.

Uma quinta de esturjão atlântico lança agora no mercado the world’s first ethically sourced caviar. Curiosa etiqueta, não?! Ao invés da pesca nas migrações para retirar as preciosas ovas, a KC Caviar massaja inofensivamente as belugas para as obter. A medida é amiga do ambiente.  — Humm. Yet Master Will exactly show at The Twelfth Night how some creatures knows to play the game: — I can no other answer make, but, thanks, and thanks.

 

St James, 6th February 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Gorden Kaye, 1941-2017

 

Mais um herói da Britcom parte. Aos 75 anos deixa-nos o talentoso Mr Gorden Fitzgerald Kaye, aka Gordon Kaye ou antes o Monsieur René Artois de ‘Allo ‘Allo!

No passamento do protagonista da farcical masterpiece, ressoam por momentos as façanhas do dono do Café Rene quando o US President Donald J Trump profere peculiar Inaugural Address em Capitol Hill, HM Government perde o Brexit Challenge no Supreme Court e vários MPs conspiram as 1001 emendas à Article 50 Bill. — Pour moi c’est le ‘Au revoir, chére Renu’. A Prime Minister Theresa May prepara o primeiro encontro com o novíssimo líder do Free World e, ironia q.b., cabe-lhe a defesa da European Union e da NATO em Washington DC. O 45th President of the United States of America jura o oath of office entre a tradicional military pagentry e marchas globais de protestos, para logo declarar guerra aos jornalistas, revogar leis sobre a cessação da gravidez e rasgar o acordo da Trans-Pacific Partnership. Na saída de White House do gracioso Mr Barack Obama, o No. 10 silencia ido caso de alegada falha num US-UK míssil Trident. — Humm! Farewell, Mister President. Mrs Michelle O'Neill sucede ao lendário Mr Martin McGuinness no leme do Sinn Fein e ruma às eleições de 2 March para Stormont. As primárias da esquerda gaulesa surpreendem com o corbynista Mr Benoît Hamon a ultrapassar o centrista ex PM Manuel Vals. La La Land de Mr Damien Chazelle avança para os 2017 Oscars com 14 nomeações, entre as quais as de melhor filme, cinematografia e ator/a.

 

Absolute freezing foggy days here in London! Também a new trade environment para cá navega após 72 horas da Trump Presidency nos USA. A Inauguration traz novo credo: “America First,” expressa em duas regras: “Buy American and hire American.” And what a extraordinary start! Com vedetas a trautear tolices nas ruas em volta e multidão feminina a protestar contra propagada misoginia do senhor pelas capitais do mundo, com a do Thames incluída, o discurso na histórica escadaria do Government District apresenta singular lavra dos sound-bytes matraqueados durante a longuérrima campanha eleitoral. Confirma a ‒ I am afraid to saypedestrian simplicity que seduz o eleitorado norteamericano. Um passo da oratória comove até. Observem o raciocínio. Um: "For too long, a small group in our nation's capital has reaped the rewards of government while the people have bore the cost. Washington flourished, but the people did not share in its wealth. Politicians prospered but the jobs left and the factories closed." Dois: "The establishment protected itself, but not the citizens of our country. Their victories have not been your victories. Their triumphs have not been your triumphs. And while they celebrated in our nation's capital, there was little to celebrate for struggling families all across our land." Donde, três: “We are not merely transferring power from one administration to another or from one party to another, but we are transferring power from Washington, D.C. and giving it back to you, The People.”

Estes são dias de alta intensidade junto ao Potomac River. Ouvem-se things like the Truth, ditas “alternative facts.” E há a renovada decoração. O busto de Sir Winston Churchill regressa ao Oval Office e o novo landlord ainda muda as Obamian dark red para Trumpian gold curtains. Daqui sairá tumultosa torrente de Executive orders e o Mexican Wall. Façamos, pois, como diz o bom Pope Francis: “Wait and see.”

Mas o grande tema da talk in town é a (previsível) derrota governamental no Supreme Court ao redor da Brexit. Invocando a secular Law of The Land, 11 juízes deliberam que é necessário um Act of Parliament para acionar o famoso Article 50 do Lisbon Treaty e abrir ao processo oficial de saída do UK da European Union. O veredicto resulta de uma maioria de 8-3. Qual é o seu efeito? No imediato, nenhum. O May Govt avança agora com uma resolução parlamentar nos Commons, a acordar em White Paper com os Lords. Que os eurófilos cerram fileiras interpartidárias é óbvio, mas a relação de forças indica que o rogo de divórcio com Brussels soará em previsto March 2017. Ainda assim, o alerta às barcas vibra no Thames. Antes da identificação dos MPs que contrariem o referendo popular, o Daily Mail aponta os últimos heróis de Westminster Square ao titular "Champions of the People" com as fotografias dos three justices que escoltam o HM Government no Miller and another v Secretary of State for Exiting the European Union Case. Aliás, mais relevante que o majority judgment é a sentença dada às ambições de Scotland: “The devolution Acts were passed by Parliament on the assumption that the UK would be a member of the EU, but they do not require the UK to remain a member. Relations with the EU and other foreign affairs matters are reserved to UK Government and parliament, not to the devolved institutions.”

 

O bravo mundo in the making tem traços do divertido caos de 'Allo 'Allo!, a clássica série da BBC passada na France durante a ocupação nazi e que fixa no imaginário saudosa trupe. O sarapatel sob aparência de normalidade em típica Nouvion resulta de hilariante trama da dupla David Croft & Jeremy Lloyd, onde nunca se sabe o que acontece a seguir a nacionalizadas personagens com lapsos glóticos tipificados no “Good moaning” do Eng Gendarme Crabtree. Recordareis o fio da continuous sitcom transmitida de 1984 a 92. São 85 episódios de puro non-sense centrados na tela da Fallen Madonna, que só colam com os monólogos iniciais do genial GK para a câmera. Temos o patrão do café como relutante herói na guerra contra Herr Hitler, envolto em sarilhos de saias com as empregadas “OOhhgggghhhhh Rene” e gaslightining esposa de aflautadas cantorias, dividido entre negociar com London a fuga dos oficiais ingleses que esconde na adega, os Airmen Fairfax e Carstairs, e agradar aos clientes alemães, o Colonel von Strohm e o Captain H Geering, o Major-General von Klinkerhoffen ou o Gestapo Officer Flick. Assistir a todos é difícil. — Hans: “We are Germans! To have our uniforms made in London must be against the rules!" Temos ainda a Resistance, liderada por intrépida Michelle e o “Listen very carefully. I shall zay ziss only once.” A polémica em torno da farsa só estala quando Madame Fanny por ali aparece a tricotar. Por regra surda e acamada, a sogra surge com knits Brit style quando “any French woman of the time would knit Continental style instead!” Afinal tudo começara com The British Are Coming, mas o próprio Renu Atwah explica: “Of course. How quickly I have lost the thread of this tapestry of intrigue." Goodbye, Monsieur Gordon Kaye. And, Thank you.

 

Com a poeirada de desinformação que se levanta no West, deixo tributo final com outra exemplar ironia situacional. Ainda que, segundo os manuais, em política, o que parece é, na realidade, nem sempre o que parece ser o é. — Humm. Remember how Master Will handle his major ironic turn with those two young lovers of Verona. Thinking that will hear a love story, it is actually a tragedy: — Go hence, to have more talk of these sad things / Some shall be pardon’d, and some punished / For never was a story of more woe / Than this of Juliet and her Romeo.

 

St James, 25th January 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Andrew Sacks, 1930-2016

 

Morre o grande Manuel de Barcelona, o Manuel ‘knows nothing’, eterno contraponto de Basil em Fawlty Towers (BBC, 1975). Com Mr Andrews Sachs, nascido Herr Andreas Siegfried Sachs na Berlin de 1930,

fenece aos 86 anos uma estrela da British Comedy.  — Chérie! À chacun selon ses oeuvres. Hoje é o dia 1 do Brexit verdict no Supreme Court. HM Government desafia sentença adversa ao uso do Royal Prerrogative Power. O suspense acompanha uma brava vitória dos Liberal Democrats na by-election em Richmond Park, transformada em euroconsulta local. Com a perda de mais um MP na maioria Tory, o cenário de sufrágio geral sobe nas probabilidades. Já RH Boris Johnson enuncia quatro pontos centrais nas negociações com Brussels. — Well! Trees that bear leaves but not fruit have usually no pith. A power play permanece acesa também na Europe. France avança agora com as primárias à esquerda, rumo às eleições presidenciais, com Monsieur François Hollande a recusar a recandidatura ao Palais de l'Élysée. O Premier Manuel Vals é hipótese em ponderação, mas a tela está ainda indefinida. Este Sunday, Austria e Itália fazem o teste populista numa European Union alheada dos ventos reformistas. Viena prefere o moderado Herr Alexander Van der Bellen como presidente ao candidato nacionalista. Mas Rome vê cair o PM Matteo Renzi após a sua derrota no referendo à Nuova Costituzione. Nos US, in a changing world, as recontagens nos batlleground states obscurecem as críticas nomeações do President-elected Donald J Trump para a White House.

 

 

It is freeze out there. A London dezembrina tem renovados encantos. Em contraste com a favila das ruas gélidas e das gentes apressadas de urbe cosmopolita, a luz cromática das colunas brancas de St James’s Church parece revestir-se de mais forte aura e a visão converge inelutavelmente para aquela cross-shaped window. A sort of may-be aplicável às promessas de boa vontade epocal. Sinto a partida do good old Manuel e revisito por momentos a cândida personagem de Fawlty Towers em comédia intemporal. Também a cena política aquece o termómetro em Westminster District. Aqui ao lado, mesmo a par das Houses of Parliament, no edifício de Middlesex Guildhall, aquém do famosíssimo pórtico construído em 1805 por Mr Samuel Pepys Cockerell, debatem-se os primeiros argumentos do Brexit Case. HM Government apela da sentença do High Court que remete para os MPs o poder de acionar o Article 50 do Lisbon Treaty, decisão que simplesmente revoga o resultado do referendo de 23rd June e motiva furore com manchetes como a do Daily Mail: “The Enemies of The People” aposto sobre as fotografias dos seus três juízes. O processo tem desde o início marca de água e promete contemporâneo rebalanceamento entre os poderes do parlamento e da coroa através do governo. Onze juízes, os mais altos sábios das leis do reino, ouvem a exposição das teses do Executivo na abertura pelo Attorney General RH Jeremy Wright. Na bissetriz da Sky, o procurador sinaliza que “the powers invoked by the Government to begin divorce procedures from the European Union are not an out–of-date ‘ancient relic’ but a pillar of the British constitution.”

 

O novo episódio do Brexit legal challenge ocorre em vésperas de ida a votos em Lincolnshire e na esteira de os eurófilos Liberal Democrats arrecadarem uma saborosa vitória eleitoral a fechar semana difícil para o May Government. Em todas as situações, a linha de fronteira lá continua; todos britanicamente europeus, uns a favor e outros contra a European Union. Ora, após campanha partidária que cobre de pródigo amarelo o verdíssimo Richmond Park, a única hoste partidária proudly europeísta encurta a maioria conservadora para dez deputados na House of Commons e anula um Tory grandee: nenhum outro senão RH Zac Goldsmith, o blue name na corrida de 2016 a Mayor de London. O evento tem estória de exceção. O Brexiteer é quem provoca desnecessária eleição, ao demitir-se em protesto contra o n.º 10 por causa da expansão do Heathrow Airport, cumprindo, como honest man que é, o compromisso ambientalista. Perde para Mrs Sarah Olney, ironicamente casada com um construtor da controversa infraestrutura. Já acima dos contornos locais, logo o resultado é hasteado por dita aliança progressista de Lib-Dems e Blairites como a Brexit backlash. Conclusão que se afigura deveras excessiva, porque o triunfo reflete tendência continental existente numa afluente circunscrição historicamente liberal - além de berço do real parque criado por Charles I, elo que não deixa de soar a divina mofa.

 

Na ambiência política assim gerada desaparece mais uma vez o Labour Party de RH Jez Corbyn, mas surge o Brexiteer mor a realinhar a agenda mediática, igualmente polvilhada por revezes como a fuga de um Memo dando Mrs Theresa May a ditar o afastamento do seu Cabinet de quem faça escapar qualquer elemento sobre as negociações da Brexit. Apenas, porém, um incidente em série de percalços declarativos das fontes de Whitehall, abundantemente espalhados por jornais, rádios e televisões. A alta sensibilidade na gestão da informação em torno do Brexit Plan revela-se quando a Prime Minister prepara uma visita oficial ao Bahrain para se tornar “the first woman to attend the annual meeting of leaders from the Gulf Co-operation Council.” Contra a perceção de desnorte no leme do Brexiting reaparece The Honourable Bojo, também ele alvejado com notícias atribuindo-lhe algo que nega. Mas mesmo RH Boris Johnson só no Weekend recentra as atenções públicas por entre a fanfarra jornalística com o que diz ser “the four-point blueprint the Government wants to achieve when it negotiates the UK's exit from the EU.” O Foreign Secretary aponta que London quer assegurar com Brussels o controlo das fronteiras, dinheiros e leis mais a liberdade para acordar tratados comerciais. Estas linhas genéricas denotam sobretudo que a procissão ainda continua no adro.

 

Fecho com Manuel e o seu refrão, naturalmente, na partida de um recatado excelente ator. Mr John Cleese descreve o comparsa de Fawlty Towers como "a beautiful soul."  Traça um doce epitáfio de Mr Andrew Sachs (1930-2016): “A very sweet gentle and kind man and a truly great farceur.” Filho de um judeu e de mãe católica, o senhor vem com os pais fugidos da Nazi Germany. Ficam em London. Estreia-se na rádio e faz vida no teatro durante sete décadas. O Python vê-o no Habeas Corpus em 1973: “I could not have found a better Manuel. Inspired.” Entre palcos e tvs, marca o celuloide com o célebre empregado de mesa catalão. Entre as dificuldades com a segunda linguagem e as iras do patrão, o well-meaning but inept Spanish waiter capta a imaginação popular na série de 1975. Desconheço como é que a personagem concebida como alemão emerge como um simpático de Barcelona, mas certo é o cândido marcar as aventuras hoteleiras dos Fawlty e sobreviver à prescrição do tempo. Com mérito figura nos clássicos da Britcom. A sua catchphrase surge no episódio “Communication Problems.” É um perplexo criado às voltas com as apostas de Basil e uma infuriating conversation que o reconfigura como Manuel Knows Nothing. Sempre depois resiste ele ao conteúdo de tal ideia: “You always say Mr Fawlty, but I learn. I learn. I learn. I get better.” Uma bem-humorada jornada, Mr Sachs. Thank you for all the good moments. - Er. Allow for what Master Will notes down on the value of eloquence in the exchanges: - Conversation should be pleasant without scurrility, witty without affectation, free…

 

 

St James, 5th December 2016
Very sincerely yours,
V.

 

LONDON LETTERS

 

The Crown, 2016

 

I am a little bit confused! Ergue Cuba contra quem o desconhece, elimina quantos vê como obstáculo, mata quem lhe tenta fugir, tortura opositores e dissidentes, silencia jornalistas ousados.

Alguma direita toma-o como um icónico vilão e alguma esquerda com RH Comrade Jeremy Corbyn incensa-o como “a social justice hero.” Romantizado por uns e vilificado por outros, libertador ou tirano do seu povo, morre o último dos grandes revolucionários marxistas do 20th Century: El comandante Fidel de Castro (1826-2016). — Chérie! Le temp c’est le grand sculpteur. O Governor do Bank of England ultima planos para a reunião de 14-15 December do European Systemic Risk Board. Mr Mark Carney leva consigo propostas de arranjos comuns em torno da Brexit. — Well! In Peace: Goodwill. HM Government lança um Green Paper com medidas para cortar na corporate greed e reequilibrar o pay gap. O republicano Speaker da House of Representatives quer um tratado comercial USA-UK, contrastando com o obamiano back of the queue. Mr Paul Ryan soma ao President-elected Donald J Trump na abertura atlântica. Também Europe se move. A bandeira do free global trade triunfa em France, com Monsieur François Fillon nas primárias da direita, enquanto Italy treme com o referendo constitucional que ameaça o PM Matteo Renzi. A Netflix completa a série The Crown. No mais, call to Brussels: Tell me how much, please!?

 


Cold and bright days
at Central London. À luz da vaporosa consistência da ideological war que acompanha o passamento do Signor Fidel de Castro, do tipo o nosso tirano é melhor que o vosso, mesmo que em linha dinástica de um despotismo no poder, esquecido já o ideal da Sierra Maestra e talvez rumando para uma Cuba Libre lavrada por aleatórias forças em economia de mercado, quase se entenderá a sanha antidemocrática da triádica conjura: Deny, delay, subvert. A manobra de sabotagem do Brexiting está a céu aberto, com cavar das trincheiras. Em contraste com digno silêncio de Sir David Cameron, que na demissão do No. 10 extrai lição dos resultados do voto de 23rd June, surge o antigo PM RH John Major a secundar o ido sucessor RH Tony Blair em pedido de um segundo euroreferendo durante renovada chuva de fumegantes meteoritos estatísticos. Também de Brussels vem peculiar manobra. Mr Guy Verhofstadt, um dos EU Parliament's lead Brexit negotiators, quer que os Britons mantenham a cidadania europeia caso queiram e a paguem. A retórica envolvente é forte: acenam com tocquevilleana “tiranny of majority,” fustigam com a ignorância do eleitorado, acionam as roldanas de transmissão e constituem-se como abrigo para os “political homeless.” Vozes amigas dizem duas palavras a tais protagonismos tardios: “Edwina” e “Chilcot.” Receio, porém, que venha aí dilúvio eleitoral, a marear até a forma da House of Lords. Não dissertando sobre nova consulta escocesa, cabe recordar, com The Right Honourable Edmund Burke (1729-97), que “all that is necessary for the triumph of evil is that good men do nothing.”

 

Mas conversemos de coisas diferentes. Após atraso ditado por hectic days visiono The Crown. Com a certeza de Victoria na ITV mas ainda com o desapontamento da Royal Night Out na retina, eis cauto espectador imparcial face à série televisiva de 10 episódios produzida pela Left Bank Pictures para a Netflix. By the way, where is the BBC?! Criada e escrita por Mr Peter Morgan, o autor teatral de The Queen e The Audience, será nova dramatização sobre os Royals das vésperas da era elizabetheana até ao fecho nos dias do fim de Sir Winston S Churchill em Downing Street. O gelo fragmenta-se aos primeiros acordes de soberbo Herr Hans Florian Zimmer (Madison Gate Records). O senhor cria extasiante tema, quase um hino à Royal House of Windsor, que ressoa na filigrana da coroa como se contido crescendo abrir de mítica flor de lótus. Com ouvidos abertos, sucedem-se familiares tramas da providencial ascensão de HM Elizabeth II. A morte de George VI (Mr Jared Harris) e a sombra do Duke of Windsor (Alex Jennings) nunca perdoado da abdicação, os amores da Princess Margaret (Vanessa Kirby) e o jovem casal Lillibeth e Philip Mountbatten da House of Schleswig-Holstein-Sonderburg-Glücksburg (Claire Foy e Matt Smith). O que se narra interessa ranto quanto aquilo que se apaga. No aprendizado da arte de reinar avulta a figura dominante do Last Lion, protagonizado por um Mr John Lithgow cuja estatura obriga a elevar a altura da porta do 10, mas sobretudo ecoam palavras da Queen Grandmother Elizabeth (Victoria Hamilton): “Monarchy is God's sacred mission to grace and dignify the earth. To give ordinary people an ideal to strive towards, an example of nobility and duty to raise them... Monarchy is a calling from God. That is why you are crowned in an abbey, not a government building. Why you are anointed, not appointed. It is an archbishop that puts the crown on your head, not a minister or public servant. Which means that you are answerable to God in your duty, not the public.”

Últimas palavras para a great party havida em London, na qual lamentavelmente não participei, em dia do mais recente marco no UK Independent Party. Se cabe um cheers a Mr Paul Nuttal como líder hoje eleito dos Ukipppers, sob bandeira da mobilidade social e em missão nortenha de caça ao voto Labour, atenção momentânea para a festa dos 25 anos do partido em pleno Ritz Hotel. RH Nigel Farage MEP é o anfitrião e os relatos são de viva diversão, entre Coronation chicken e English roast beef, regados com Sparkling wine dos vinhedos no Kent de Lord Ashcroft e ainda com Pol Roger – o champagne favorito de Sir Winston, logo guarnecido pelos seus cigars. Declara quem assiste que high spirits acompanham os hurrahs às vitórias do “No” referendário e de Mr DJ Trump nas presidenciais norte americanas… a par dos chocolates Ferrero Rocher. — Wow! Well declares Master Will in The Merry Wives Of Windsor: — Why, sir, for my part I say the gentleman had drunk himself out of his five senses.

 

St James, 28th November 2016

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Great Balls of Fire Fun, 2016

 

Totally fun, indeed! RH Edward “Ed” Balls rumava até ao Treasury para desempenhar o cargo de Chancellor of The Exchequer quando o eleitorado lhe mostra cartão vermelho. Um ano depois, entre um livro das memórias políticas e um ensaio académico sobre a independência dos bancos centrais, ei-lo como estrela

em Strictly Come Dancing. E é um épico. — Chérie! La joie de vivre est la chose la plus facile à transmettre. No Labour Party regressa e segue o psicodrama. O Sunday Times anuncia o regresso de RH Tony Blair à vida política para preencher vazio no mercado, dado ver um Prime Minister “lightweight” e “a nutter“ Opposition Leader, coloridos ultrajes que porta-voz hoje nega. He is back to save us, of course! Também a hard Left manobra para deselecionar RH Hilary James Benn de MP por Leeds Central, depois do Comrade Jez Corbyn o despedir de Shadow Foreign Secretary e a House of Commons o eleger como Chair do Exiting the European Union Select Committee. — Hmm! Look to the helm, my good master. Já Mrs Theresa May exorta a comunidade de negócios a que auxilie o HM Government no restauro da erodida confiança no capitalismo. Além Channel, Frau Angela Merkel recandidata-se ao quarto mandato da CDU em Germany e Monsieur François Fillon esmaga nas primárias da direita em France. Italy vive a alta tensão de indefinido referendo constitucional. O US President-elected Donald J Trump apresta a sua administração e confirma a chegada dos hardliners à White House. Um magnífico Mr Andy Murray vence a ATP Tour na London Arena e solidifica o estatuto de World Number 1. Mr Eddie Redmayne apresenta um novo herói para era de winning game changers.

 

 

Freezy days at London, with a very windy coast along the English Channel after the Angus Storm. A temperatura roga à domesticidade quando os Christmas carols & lights recriam o ciclo mágico. E é um gosto colocar visionamentos, audições e leituras mais ou menos em dia, com olhar até para ver como estão as pollinators do tempo que há-vir. Os jornais do Weekend semeiam os sinais. Começa a operação de conquista ideológica no continente. Rome, Paris e Berlin centram radares, com a anti-establishment message de London e de Washington DC ainda ao microscópio. Se Frau Merkel aspira a 16 anos de governo conservador contra todos os populismos na Germanic Europe, após perder sucessivas eleições regionais, Berlin e Vorpommern-Rügen incluídas, interessante é acompanhar o thatcheriano Monsieur Fillon na candidatura ao Palais de l'Élysée quando a Front Nationale de Madame Marine Le Pen lidera as sondagens e faltam 152 dias para as presidenciais. De Italy para o mundo, sobretudo avulta a extensão da misericórdia bem gerida pelo Pope Francis. Por cá, celebrado o 68th happy birthday do Prince Charles of Wales, aguarda-se o Parliamentary big day do RH Philip Hammond. O Chancellor of the Exchequer apresenta o 1st Autumn Statement, revelando o mix de políticas com que o Treasury orienta o ciclo dos Brexit budgets em economia de transição apta para explorar as oportunidades geradas pelo cortar das amarras com o eurobloco. Que o investimento público nas infraestruturas, ciência e na defesa crescem, é segura heresia, havendo até dinheiro para finalmente restaurar o Buckingham Palace. A residência real inicia projeto de “a 10-year phased refurbishment,” cujo custo ascende a £369 million.

 

Cinco meses do “No” popular à European Union e ainda não aceitam quer o resultado, quer a ideia. O lamento e os manejos são tantos que a muitos resta pouca ou nenhuma paciência para escutar as mesmíssimas linhas do Project Fear, mesmo quando Downing Str matiza o Brexit means Brexit. Daí que, tarde ou cedo, fosse expetável um enough is enough ecoado em dó maior. Acontece ontem nas BBC Sunday Politics. “You are the Biggest Liars,” diz o veteraníssimo entrevistador Mr Andrew Neil ao confrontar, em direto, o dirigente da campanha Open Europe com o teor do seu último vídeo contra o Brexiting. Nem avanço no desconcerto de Mr James McGrory, o lobista dos ditos “Remoaners” que foi chefe de gabinete do RH Nick Clegg na coligação governamental. O ponto, porém, é outro e grave. Como seja o perigo que, à direita e à esquerda, estes bad losers constituem para o modelo processual democrático, enquanto escolha pacífica de alternativas políticas. Daí mais valerem as aventuras de a jolly good loser ― Ed B.

 

Como descrever? Não é o elegante Mr Fred Astaire de todo em todo, nem o gracioso Mr Gene Kelly; é sim, por inteiro, Great Ed Balls of Fire. Neste Saturday night, no Ballroom de Blackpool, vemo-lo em energético jive recriando o clássico de Mr Jerry Lee Lewis e o mínimo a dizer é ser never dull, always unpredictable and, really, really, such sport. Acompanhado de Ms Katya Jones, uma versátil bailarina de salão, o outrora chanceler de RH Ed Miliband agrega fãs em voto televisivo e soma já inesperadas nove semanas de competição no concurso da BBC. Há ali algo de irresistível, com agradabilíssimo toque de joie de vivre. Olhar atento descobre-lhe as rotinas em três tempos. Concluímos que nunca entrará no Royal Ballet. Mas ei-lo a a dançar samba, cha-cha-cha, quickstep, salsa, paso doble, mesmo o American smooth ou o Gangnam style. E é hilariante. Aqui como comboy com bandolim, ali como Black Knight contra os dragões a salvar a sua dama, lá e cá teme-se o paso out para logo jovial saltado o salvar em coreografia deveras encantadora. Assim é até possível que vença no bailarico. Só receio sobejo se qualificar o seu dancing como tal. Sabereis que o senhor é um pouco para o anafado, do tipo dorna na metade, not light in his feet. Seja como seja, com aquele sorriso e bonomia, a audiência delira a cada passo mais arriscado e tudo é great fun. Por mim, penso-o uma inspiração como a kind of the best worse dancer ever. Donde: Go, Ed & Katya!

 

Fantastic Beasts and Where to Find Them apresenta nos cinemas em volta a proposta de Mrs J.K Rowling precisamente para novo herói. Chama-se Newt Scamander, aparece transmutado na tela do Barbican pelo oscarizado Mr Eddie Redmayne (The Theory of Everything) e tem estória para encantar os fãs de Harry Potter. O filme recua à New York de 1926, em fundos cromáticos, retoma o imaginário do livro de 2001 entre magos e malas, possuindo quer a mão de mestre do HP Diretor Mr David Yates, quer um ministério da magia e cinco categorias de mostrengos. Com o magizoologist Newt e a sua Tina, Ms Katherine Waterston (Steve Jobs), surge galeria de personagens com pertença a diferentes casas-mãe e inventivas forma e tipologia de prodígios em volta – desde o superior indomesticável e letal ao alto perigoso, a tratar com meditado cuidado, do mediano competente nos talentos aos miúdos inofensivo e até enfadonho. JKR vaticina na premiere em London mais um anel de sortilégio e o conjunto tem já agendada pentagrama série pela Warner Bros. — Ho-ho! As Master Will hits in his Sonnet 114, be guarded with some of the lights: — Or whether doth my mind, being crown'd with you, / Drink up the monarch's plague, this flattery? / Or whether shall I say, mine eye saith true, / And that your love taught it this alchemy, / To make of monsters and things indigest / Such cherubins as your sweet self resemble, / Creating every bad a perfect best, As fast as objects to his beams assemble? / O,'tis the first; 'tis flattery in my seeing, / And my great mind most kingly drinks it up: / Mine eye well knows what with his gust is 'greeing, / And to his palate doth prepare the cup: / If it be poison'd, 'tis the lesser sin  / That mine eye loves it and doth first begin.

 

 

St James, 21th November 2016
Very sincerely yours,
V.