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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

ESPAMPANANTE…

 

DIÁRIO DE AGOSTO (VIII) - 8 de agosto de 2017

 

Um pinga-amor muito conhecido na noite lisboeta mudava amiúde de namoradas, que ia ostentando com garbo no Chiado lisboeta para espanto de muitos. Acontece que nem sempre a cultura e a erudição acompanhavam a espetacularidade das senhoras…
Um dia, descendo a rua da Misericórdia, o sujeito, que conhecia meio mundo e que gozava de simpatia mesmo daqueles que lhe davam o desconto pelo excesso da sua instabilidade afetiva, coincidente com a sua inclinação para a multiplicação de belas companhias, encontrou um velho conhecido… E demorou-se algum tempo na conversa, para desespero da jovem companhia, que se aguentava mal nuns sapatos espampanantes de saltos altíssimos.
Terminado o colóquio, despediram-se os dois amigos e ela perguntou: - Quem era? – Era o Marquês de Pombal!... Incrédula e julgando tratar-se de brincadeira, respondeu: - Também se não queres dizer, não digas…

 

 

DIÁRIO DE AGOSTO

por Guilherme d'Oliveira Martins

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DIÁLOGO NA "BRASILEIRA"…

 

DIÁRIO DE AGOSTO (II) - 2 de agosto de 2017

 

O Chiado está cheio de histórias. José-Augusto França diz que a capital de Portugal é Lisboa e a capital de Lisboa é o Chiado, e tem razão!

Hoje recordamos um episódio invocado por Luís de Oliveira Guimarães… «Uma tarde Gualdino Gomes (1857-1948) entrou na Brasileira e pediu ao criado – o venerável João – chá e bolos. João não tardou com o lanche. – Os bolos estão frescos? – quis saber Gualdino. – Se são frescos! Vieram agora mesmo da pastelaria… Gualdino, encaixando o monóculo: - Isso não prova nada. Também eu vim agora mesmo de casa – e já tenho 78 anos…».
Gualdino era um conhecido jornalista, crítico de teatro, a quem Fialho de Almeida, de «Os Gatos», acusava de não ter obra…
O certo, porém, é que foi durante muitos anos testemunha da boémia e da atividade teatral lisboeta e sobretudo elo entre a gloriosa geração de 1870 e os começos do século XX… Gostava de dizer: «Sou um leitor, não sou um escritor». Fizera a banca de jornalista no «Repórter» ao lado de Oliveira Martins, D. João da Câmara e Teixeira-Gomes…
Sobre «A Brasileira», dizia Raul Brandão: «A um canto, de gabinardo e barba branca, Gualdino prepara a última piada»… Lisboa de outro tempo…

 

 

DIÁRIO DE AGOSTO
por Guilherme d'Oliveira Martins