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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

A VIDA DOS LIVROS


   De 5 a 11 de setembro de 2016

 

«José Escada - Eu não evoluo, viajo» é o catálogo de uma exposição antológica que se encontra na Fundação Calouste Gulbenkian, sendo comissariada por Rita Fabiana. Recorde-se que foi o Centro Nacional de Cultura um dos primeiros locais que acolheu a obra deste pintor e artista plástico, como, aliás, também aconteceu com Lourdes de Castro.

 

 

REFERÊNCIA FUNDAMENTAL

Se tivesse seis estrelas para atribuir a uma exposição, enquanto iniciativa cultural da maior relevância, dá-las-ia à mostra que se encontra na Fundação Calouste Gulbenkian dedicada a José Escada. Afinal, a apresentação excede todas as expectativas. E assim podemos usufruir de um conjunto diversificado e coerente de obras e referências, que não retrata apenas um autor de exceção, mas que o associa a um período de transição da história portuguesa, em que a liberdade e a democracia se prepararam, numa singular associação de talento, sensibilidade e génio. Sou, no entanto, muito suspeito para me pronunciar com este entusiasmo, por todas as razões conhecidas e mais uma – o ser um admirador confesso de José Escada há muitos anos, que considero um dos grandes artistas europeus da segunda metade do século XX, e por o pintor pertencer ao grupo que o meu querido e saudoso amigo António Alçada Baptista (com o João Bénard da Costa, o Pedro Tamen e tutti quanti) reuniu na «aventura da Moraes», na revista «O Tempo e o Modo» e no Centro Nacional de Cultura. Quando, numa manhã inesquecível, em frente da pintura intitulada “25 de Abril”, a curadora da exposição, Doutora Rita Fabiana, com um zelo e um entusiasmo evidentes e muito especiais, me assinalou o caráter emblemático da obra, que não tem sido suficientemente realçada, ambos nos fixámos na colagem sobre a tela de uma página com um poema de Sophia de Mello Breyner, «Um Dia», que assinala a cumplicidade forte entre a poesia e a pintura – entre dois “irmãos vivos do mar e dos pinhais”. E a respiração suspende-se perante esta ilustração poética de um tempo de esperança, em que o amor por Portugal e pela sua diversidade de cores e de gentes está bem presente (fazendo lembrar o cromatismo de Amadeo de Souza Cardoso): “Um dia mortos gastos voltaremos / a viver livres como os animais / E mesmo tão cansados floriremos / Irmãos vivos do mar e dos pinhais” (“Dia do Mar”, 1947). E nessa reta final da exposição, marcada por uma janela, sentimos o progressivo fechamento e uma tensão, enquanto paradoxo de abertura e de emancipação – o bairro de Santo Amaro em Lisboa, o quarto em casa da mãe, as suas coisas, a sua mão, os cães Strof e Gitano, ele, os amigos, os corpos adormecidos, dobrados, apertados… Passamos das «nossas amarras» para o entusiamo de uma janela. O fechamento exige a libertação. Prenuncia-se uma explosão de energia. A fase das «cordas» e das «amarras» dos anos setenta dá-nos a expressão do pleno domínio do traço, a representar a necessidade da passagem da opressão à libertação…

 

EU NÃO EVOLUO, VIAJO

Para a última exposição do artista, em 1979, na Galeria São Mamede, “Óleos de Escada”, Sophia, ainda ela, escreve: “Algo aqui lembra a frase de Pessoa ‘eu não evoluo, viajo’”… E compreende-se que essa feliz síntese tenha servido para dar o título a esta reunião de 170 obras, algumas inéditas, outras guardadas em coleções particulares. Reencontrei assim telas que significam tantas amizades antigas – António Alçada, João Bénard, Pedro Tamen, Maria Isabel Bénard da Costa Tamen (ah! Como Lisboa está ali toda, dos beirais às colinas com o casario até ao Tejo), António Sande Lemos… Mas tive a grata surpresa de encontrar muitas obras que não esperava ou que não conhecia… O caminho é intenso e seguro. E os cinco núcleos completam-se naturalmente - «Joie de Vivre», Iluminações, Metamorfoses, As Nossas Amarras e Da minha Janela… Lembrando-nos das obras, fica-nos na retina: Lourdes de Castro na Exposição da Pórtico (1955); Nossa Senhora e o Menino de 1956, que tantas vezes ouvi João Bénard invocar e enaltecer; a fantástica «Joie de Vivre» (1960) – referência emblemática do tempo da bolsa da Gulbenkian em Paris; as pequenas composições de 1965 a guache e tinta-da-china; uma preciosa composição de um rendilhado a tinta-da-china sobre papel vegetal, de 1971; o búzio em recorte e colagem de 1976; a homenagem a Messiaen, do mesmo ano… E não podemos esquecer a ligação fundamental de José Escada ao Movimento de Renovação da Arte Religiosa – de que é exemplo essencial o baldaquino na igreja de Santo António de Moscavide. Lembramo-nos bem de uma tarde extraordinária no Centro Nacional de Cultura em que o Arquiteto João de Almeida nos entusiasmou e comoveu a todos numa sentida e merecidíssima recordação da memória de José Escada, na plena riqueza da sua obra.

 

CONCHINHAS, PEDRINHAS…

O José Escada era, na definição do António Alçada Baptista, «uma pessoa doce, inteligente, com um grande sentido de humor, limpinho e arrumado». Foi orientador gráfico da Moraes e de «O Tempo e o Modo» e as suas capas desafiam «o grafismo das capas editadas aqui e em qualquer lugar». Era um pintor e um artista completo, no sentido do artesão que exprime o seu enorme talento com a preocupação da perfeição e do bom acabamento. Escrevia o desenho! José-Augusto França fala de maturidade, entre os seus colegas do «KWY», e de uma «delicada solução de uma pintura pessoal numa espécie de “simulação caligráfica”». Quanto às composições feitas de pequenos elementos, disse um dia «ter-se inspirado no último verso de um soneto de Camilo Pessanha “conchinhas, pedrinhas, bocadinhos de osso”». Depois, voltou ao figurativo – paisagens, cabrinhas, cães. Os seus amigos reconheceram uma espécie de regresso à descoberta da contemplação. E assim, depois de uma certa turbulência, transmite-nos serenidade e paz… Ainda o António escreveu: «Não sei se, na minha geração, alguém sofreu com tanta violência o embate entre a lucidez e a clarividência perante o grande projeto que foi prometido ao homem e a mediocridade dos pesos interiores intransponíveis e mais dos bloqueios das circunstâncias que eles semearam à nossa própria volta»… O «regresso do trágico», de que falava Jean-Marie Domenach, era um tema que preocupava o artista. Desenhado em 1961, com um forte sentido dramático, «a expulsão do Paraíso» ilustra um momento autobiográfico em que o pintor se vê lançado num longo período de combate pela sobrevivência. E sente-se no caminho da sua obra «uma relação intensa e constante com o mistério e a transcendência, como ponto de partida para podermos recoser o corpo ao espírito e recomeçar o caminho da nossa unidade só assim reencontrada». E o percurso desenhado por Rita Fabiana faz-nos compreender isso mesmo. Nos últimos encontros que teve com o autor da «Peregrinação Interior», havia uma grande esperança, uma avidez na leitura de Alan Wilson Watts (1915-1973) e pelo diálogo entre o oriente e o ocidente – mantendo, até ao fim, «o olhar, a curiosidade e a inquietação da infância». Esta viagem representa um círculo que se vai abrindo e fechando. Daí a importância da recordação da obra originalíssima de José Escada e desta retrospetiva!

 

   
Guilherme d'Oliveira Martins
Oiça aqui as minhas sugestões - Ensaio Geral, Rádio Renascença

  

DACOLECTIVA - associação cultural de jovens

A exposição Trópicos que promove jovens artistas plásticos, inaugurada a 21 de Março de 2009 na GALERIA 59, em Lisboa. É o primeiro evento da nova associação cultural DACOLECTIVA.
 

A DACOLECTIVA - Associação Cultural de Jovens é uma nova associação cultural sem fins lucrativos cujo objectivo é dinamizar o panorama cultural. Neste contexto insere-se Trópicos, uma exposição de desenho subordinada ao tema da Luz onde participam 29 artistas plásticos.* A exposição inaugura na Galeria 59 às 22 horas no dia 21 de Março 2009 e está patente de 24 Março a 11 Abril de 2009, de terça a sábado das 18 às 23 horas. A Galeria 59 situa-se no Bairro Alto, na Rua Diário de Noticias, nº59.
O desenho é uma peça determinante no percurso dos artistas participantes no projecto. A luz é condição essencial ao mundo visual e daí resulta natural a escolha desta temática para inaugurar a primeira exposição DACOLECTIVA. A escolha do titulo do projecto – Trópicos – relaciona-se com o facto de a zona de maior incidência de luz no planeta Terra estar situada entre os Trópicos de Caranguejo e de Capricórnio. No caso desta exposição participam artistas oriundos da Faculdade Belas Artes da Universidade Lisboa. A inauguração tem o apoio de vários restaurantes para um cocktail com iguarias e musica tropicais. A entrada é livre.


* Ana Oliveira . Ana Salomé Paiva . Carolina Rodrigues . Constança Saraiva . Daniel Pinheiro . Diogo Leôncio . Gerbert Verheij . Guillaume Vieira . Inês Moura . Jaime Guilherme . Joana Lobinho . Joana Roberto . João Coutinho . Jorge Catarino . Laura Marques . Liliana Martins Velho . Lúcia Luz . Luís Lázaro Matos . Luís Luz . Luís Matos . Marco Rodrigues . Margarida Rodrigues . mariana . Mariana Aboim . Nádia Ribeiro . Pedro Almeida . Pedro Coelho . Rita Frazão . Rui Gonçalves

'Apartamentos'

Na próximo dia 20 de Março, sexta-feira, pelas 21h30, será inaugurada, no Pavilhão 28 – Espaço Expositivo do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, a exposição Apartamentos, que reúne trabalhos de Vasco Sá Cabral, Gundula Friese, Sónia Duarte e Ram.

Pavilhão 28 – 20 Mar - 10 Abr 2009 [2ª - 6ª / 10h - 17h] Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (Hospital Júlio de Matos), Avenida do Brasil 53.

Desenhos: A a Z - 6 Fev a 29 Mar 09

Numa parceria entre o Museu da Cidade e a Madeira Corporate Services, e com curadoria de Adriano Pedrosa, esta exposição reúne mais de uma centena de trabalhos em desenho de artistas contemporâneos apresentados pela primeira vez em Lisboa.
São mostradas obras de alguns dos principais artistas nacionais e internacionais, tais como: Franz Ackermann, Francis Alÿs, Pedro Barateiro
, Pedro Cabrita Reis, Rui chafes, Mark Dion, Trisha Donnelly, Olafur Eliasson, Michael Elmgreen & Ingar Dragset, Leonilson, Jonathan Monk, Ernesto Neto, Thomas Sheibitz, entre muitos outros.

 Museu da Cidade  

"BATALHA DE SOMBRAS"

Fotografia portuguesa dos anos 50 da colecção do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, patente ao público no Museu do Neo-Realismo (Vila Franca de Xira), entre 8 de Março e 14 de Junho.
 

Fernando Taborda . Interferência . Década de 50 . inv. 2978

Museu do Neo-Realismo . Vila Franca De Xira
8 de Março - 14 de Junho

Inauguração: 7 de Março. Sábado.17h00

Terça-feira a sexta-feira: 10-19h
Sábados: 15-22h | Domingos: 11-18h
Encerra segunda-feira e feriados

Comissariado: Emília Tavares
Produção: Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira

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"DIMENSÕES"

Pintura de Rosa Pais e textos de Eduarda Freitas

de 6 a 28 de Fevereiro
Sala de Exposições do Teatro de Vila Real

“Dimensões” é um projecto que junta telas em branco com folhas por escrever, numa tentativa sincera de dois olhares sobre o mesmo objecto. Este projecto faz parte de um outro mais alargado, o Ficçarte, que conta já com três anos e três exposições. A linha tem sido sempre a mesma: brincar com as palavras e as cores, com as texturas e os sentidos. Pintar palavras ou escrever quadros. Tanto faz.

http://teatrodevilareal.com

"AS CIDADES NO HOMEM"

Exposição de Nadir Afonso patente ao público na Assembleia da República, entre 9 de Fevereiro e 20 de Março.

Dia 9 de Fevereiro, pelas 18 horas, Nadir Afonso estará na Assembleia da República para inaugurar a exposição As Cidades no Homem.

A mostra, comissariada por Bruno Marques e Ivo André Braz, reúne 20 telas pertencentes ao acervo da Fundação Nadir Afonso. A totalidade das obras foi produzida entre a década de 1940 e a actualidade e é subordinada à temática das cidades. A exposição ficará patente até 20 de Março.
A mostra, comissariada por Bruno Marques e Ivo André Braz, reúne 20 telas pertencentes ao acervo da Fundação Nadir Afonso.
Mais informação aqui


 


Gare de Austerlitz, 2000
Acrílico s/ tela, 97 x 134 cm

ANTÓNIO PALOLO E ANOS 90



De 31 de Janeiro a 17 de Maio, duas novas exposições: António Palolo e Anos 90 no CAMB – Centro de Arte Manuel de Brito

 

CAMB apresenta as exposições: António Palolo e Anos 90
 

Dando continuidade à apresentação ao público da Colecção Manuel de Brito, na selecção Anos 90, pretende-se ilustrar com o conjunto apresentado as dinâmicas das artes visuais portuguesas neste período no contexto da Colecção.
 

De uma forma geral, a década de 90 é uma época de ruptura e também de expansão dos campos/limites tradicionais da obra de arte, de busca de novos e diferenciados conceitos estéticos no quadro das novas possibilidades que a fusão, apropriação/incorporação das novas tecnologias permite no processo de criação artística.
 

A geração de 90 afirma-se agora contra a geração de 80.
 

No entanto, a necessidade de legitimação perante uma procura de mercado por produtos de prestígio que surge com o florescimento de uma classe abastada nos anos 80 em Portugal, acaba por condicionar o arrojo experimentalista, marcando um significativo desfasamento entre a prática artística nacional e a internacional. Os anos 90 em Portugal serão, então, o paradoxo do binómio Experimentalismo/Convencionalismo. Em exposição estão obras de Paula Rego, Joaquim Rodrigo, Ana Vidigal, Fernando Lemos, Júlio Pomar, Menez, Nikias Skapinakis, Paula Rego, Eduardo Batarda, Pedro Chorão, Ascânio MMM, Graça Morais, Lisa Santos Silva, Ilda David, Urbano, Ana Vidigal, José Loureiro e Miguel Telles da Gama.
 

Na exposição individual de António Palolo (1946-2000), artista autodidacta nascido em Évora, apresentam-se obras desde os inícios dos anos 60 até 1984. A necessidade de experimentar será talvez a característica mais marcante do trabalho deste artista, que acompanhou os diferentes movimentos artísticos, passando do informalismo para a transvanguarda, pela arte-pop, pelo abstraccionismo geométrico até à arte conceptual.

Num jogo contínuo que estabelece com o olhar, Palolo propõe um sistema integrado de formas orgânicas com estruturas geométricas.
 

Citando Helena Freitas, “pintor da luz e da cor, António Palolo movimenta-se entre a abstracção e a figuração com a destreza de um absoluto domínio das técnicas da pintura e com a ironia de saber manipular os discursos das conjunturas artísticas”.


Morada:
Palácio Anjos, Alameda Hermano Patrone, Algés

Horário:
Terça a domingo_11h30 às 18h00
Última sexta-feira de cada mês_11h30 às 24h00