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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

TERESA DESQUEYROUX

FRANÇOIS MAURIAC, Prémio Nobel da Literatura em 1952. Teresa Desqueyroux, uma obra-prima da primeira metade do séc., um dos melhores romances que li.

  


Em 1906 François Mauriac foi para Paris, vindo de Bordéus, cidade onde nasceu. Publica então Les Mains jointes, uma poesia muitíssimo saudada. Em 1922 Le Baiser au Lépreux e Genitrix já o colocam entre os melhores romancistas de seu tempo. A Academia Francesa entrega-lhe o Grande prémio do Romance pelo seu magnífico livro Le Désert de L’ Amour, contudo com a obra-prima Teresa Desqueyroux (1927) leva-o à inesquecível morada dos grandes.

 

Trata-se de um romance em que uma mulher casada tenta envenenar o marido num ambiente de vida conjugal de total solidão ainda que vivida no seio da família. Se acaso consegue Teresa Desqueyroux escapar à justiça dos homens e alcançar a liberdade que tanto desejara e sonhara, será para cada leitor dentro do imaginar que idade teria Teresa ou, antes se não teria idade alguma e por essa razão

 

«Não é a cidade de pedra que eu adoro, nem as conferências, nem os museus, mas a floresta viva que nela se agita, atormentada por paixões mais furiosas do que nenhuma tempestade. O gemido dos pinheiros de Argelouse, de noite, só emocionava pelo que dir-se-ia ter de humano.»

 

Teresa tinha bebido um pouco e fumado de mais. Ria sozinha como uma bem-aventurada. Pintou a cara e os lábios com minúcia; depois dirigiu-se para a rua e caminhou ao acaso.

 

Teresa, muitos dirão que não existes.

 

(…) Quantas vezes através das grades vivas de uma família te vi caminhar de um lado para o outro, a passo de loba.

 

Pelo menos, nesta rua onde te abandono, tenho a esperança de que não estás só.

 

Nataniel Costa, tradutor desta obra que li em português, e de cuja chancela ESTUDIOS COR era sócio fundador conjuntamente com José Saramago, ofereceu-me este livro em 1980 com uma dedicatória da qual me orgulho.

 

Teresa Bracinha Vieira

 

Obs.: O romance foi adaptado para cinema, com título homónimo, em 1962, sendo o realizador Georges Franju.

JOSÉ SARAMAGO


NO DIA DA MORTE DE JOSÉ SARAMAGO

[poema de homenagem]

agora, livre da coadjuvância das afectações: os
deuses se escondem nas artérias do teu
silêncio, na tua fraqueza perfeita porque
sem o hábito de se auto-observar.
voltaste a ti: numa outra intermitência da morte, com
o sublime que é tudo aquilo que ignora um todo e
conduz uma perspectiva até ao quociente interno
de uma invisibilidade que fala através
do teu questionário incicatrizável.
e daí tudo vês: vês-me faltar de propósito à
conclusão do meu poema, vês o peso
da omnipresença do abstracto, da hora antiga,
vês as minhas infâncias e urgências juntas e tar-
dando hoje em se converterem, devolvendo-me
ao que eu era: ao início do dia.

Sylvia Beirute
http://sylviabeirute.blogspot.com/

 


 

UM ANO DEPOIS...


O ano de 2011 não ficará apenas marcado com a celebração do primeiro aniversario da morte do escritor, que se marca este fim-de-semana com várias iniciativas, a maior das quais o depósito das suas cinzas em frente à Casa dos Bicos, em Lisboa, mas também com o lançamento do inédito “Clarabóia”.


LANÇAMENTO DA OBRA INACABADA DE SARAMAGO EM 2012
O manuscrito inacabado em que José Saramago estava a trabalhar quando morreu o ano passado, a 18 de Junho de 2010, “Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas”, será publicado em 2012 e não este ano, conforme inicialmente previsto.

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UM ANO SEM SARAMAGO
Texto de Pilar del Río

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FUNDAÇÃO E PALÁCIO DE MAFRA QUEREM CRIAR NÚCLEO DEDICADOO A SARAMAGO

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José Saramago (1922-2010)

 

O escritor português e Prémio Nobel da Literatura em 1998, José Saramago, morreu hoje aos 87 anos em Lanzarote.
O autor português encontrava-se doente mas em estado "estacionário", mas a situação agravou-se, explicou o seu editor, Zeferino Coelho.

 

José Saramago é um grande escritor universal.
"Memorial do Convento" e "O ano da morte de Ricardo Reis" são grandes obras da língua portuguesa e da literatura contemporânea.
Era sócio do CNC e demonstrou-nos sempre a sua amizade!