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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

LONDON LETTERS

 

Necessary does not happen, 2017-2021

 

Porfiam, insistem e persistem. A persuasão não pára. Susto aqui, aviso acolá, advertência além. RH Tony Blair declara que "[is] absolutely necessary that Brexit does not happen." O ex Prime Minister tem direito  a devido eco mediático e a réplica do seu antigo spin doctor no No. 10.

 

Sempre caloroso, Mr Alastair Campbell diz saber, “in my heart, that Brexit can be stopped”. Na Prospect é já o Professor AC Grayling quem remata, dizendo que “Brexit is dying.” — Chérie. À cœur vaillant rien d'impossible. HM Government prossegue, em Brussels, as negociações da saída do UK da European Union. A House of Commons agenda o debate da ‘Great Repeal Bill’ para o outono. — Hmm. Boys will be boys. Em reino polarizado comemora a Royal House of Windsor o seu primeiro centenário. Os Young Royals iniciam uma digressão continental em Poland. A Trump Saga avança em Capitol Hill, com inquirições familiares na Russian Connection. O French President Emmanuel Macron desentende-se com as esferas militares depois da visita do American Friend e da parada do Bastille Day, mas recupera com foto astronáutica nas revistas de charme. Os Lampedusians despedem o Mayor e a sua política de portas abertas pelo voto. 

Sun and showers at Central London.

Entre caseiras aventuras informáticas e very sad news saídas do torneio em Wimbledon, eis que por cá irrompe nova, espetacular e prometedora série na praça mediática. Como qualificar a narrativa? Tudo se passa no círculo das celebridades e em casa aristocrata. Ora, a qualidade do guião é tal, que, momentaneamente, logra obscurecer no debate nacional a quarta vitória de Mr Chris Fromme no Tour de France e o 19.º título de Mr Roger Fedrer no Central Court ou até a chegada do épico Dunkirk às salas de cinema. Mesmo as lutas tribais de Westminster perdem luz. Também os cortes na saúde ou segurança social sossobram no altar da popularidade. Na town talk chamam-lhe o BBC Mon£y Show. Envolve dinheiro e poder, além da paga de licença sob pena de cadeia. Em plena era austeritária, com fartos tributos e soldos congelados, a estação pública remunera apresentadores & co com milhões. Pior. No topo das best-paid stars surgem rostos de programas desportivos, entre carros e futebol, com jornalistas, guionistas, produtores e, sobretudo, as mulheres que fazem igual trabalho, por vezes lado-a-lado no êcrã, a muitos cifrões de distância. A disciplina orçamental não é para todos, de todo em todo.

 

Há 100 anos atrás, com mão de mestre, é o King George V quem surpreende a opinião pública. Confrontado com a febre patriótica e o custo humano da guerra continental contra o primo Kaiser,  em 1917 decide o avô da Queen Elizabeth II abdicar do apelido teutónico. A Royal Proclamation descontinua o uso de “all German titles and dignities” enquanto anuncia que os residentes no palácio serão doravante "styled and known as the House and Family of Windsor." O British Royal Blood tem trajetos admiráveis. Os últimos ingleses são os Tudor de 600. As raízes alemãs da atual família real recuam à House of Hanover, a qual sucede aos escoceses Stuart. Herdando o cetro, sem herdeiros, da Queen Anne of Great Britain & Ireland, cabe ao primo teutão Georg Ludwig naturalizar-se como George I. Sucedem-se quatro reis e a Queen Victoria, casada com o bávaro Prince Albert. O primogénito Edward VII assume o sobrenome régio da casa ducal do pai, Saxe-Coburg Gotha, abandonado depois pelo seu filho. Muitos o dizem como vencedor da I WW e salvador da monarquia. Se a dinastia formalmente dura sete anos, resta agora saber da perenidade secular dos Windsor. Já contam com três reis e uma rainha, simplesmente a jóia da linhagem.

 

Com o Palace of Westminster a cessar a atividade parlamentar e os MP’s de partida para férias, notas finais da cultura londrina. O que vem por aí, lá para October, a tal recomenda. Ocupado Whitehall nas rondas mensais da Brexit, faço ainda votos de a common long cool break. Assim, após o excitante triénio de referendos e eleições pelo veraneio, destaque agora para um tipo mais tranquilo de power play. No Theatre Royal Haymarket abre Queen Anne, pela Royal Shakespeare Company. A peça esteve em cena no Swan de Stratford-upon-Avon e desce ao palco de West End sob aplauso plural dos críticos. O espetáculo foca precisamente o reinado da last Stuart monarch. Da autoria de Mrs Helen Edmundson e dirigida por Mrs Natalie Abrahami, a história tem como protagonistas a rainha escocesa e a sua confidente: Mrs Emma Cunniffe (de Great Expectations) e Mrs Romola Garai (de Suffragette ou The Hour). Os ingredientes estão lá todos, para absorver a audiência em vésperas das outoniças conferências partidárias. Mostra acontecimentos históricos como a coroação, a união real de England e Scotland ou a emergência do bipartidarismo no reino. À conjuntura somam as intrigas palacianas e o poder por detrás do trono, a influente Duchess Sarah of Marlborough. — Well, well. Keep in mind how Master Will dissects the moral authority that comes with the sceptre in his Macbeth: — “Could trammel up the consequence, and catch / With his surcease success: that but this blow / Might be the be-all and the end-all, here, / But here upon this bank and shoal of time, | We’d jump the life to come. But in these cases / We still have judgement here, that we but teach / Bloody instructions which, being taught, return / To plague th’inventor."

 

St James, 24th July 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

May never happen, 2017-2020

 

Tremei. Não acharais morangos nos supermercados, nem haverá tratamento de radioterapia para os pacientes de cancro… Os últimos alertas contra o Brexiting regressam ao grau zero da política. Se a nuclearização do debate deve ao London Evening Standard e ao editor Mr George Osborne, o ex Chancellor of Exchequer, já a míngua do fruto cabe na retórica eurófila dos Liberal Democrats.

 

O leader-to-be Sir Vince Cable sustenta que "[is] beginning to think Brexit may never happen." — Chérie. Battre le fer pendant qu'il est chaud. O menor apreço pelos resultados democráticos, no caso: do euroreferendo, ecoam em paralelo ao deleite nativo com os prazeres morangueiros do veraneio enquanto assistem a… history in the making. A dupla britânica Andy Murray e Johanna Konta somam e seguem para as semi finais em Wimbledon, 44 anos depois de idêntico feito nos Tennis Championships. Já o Speaker John Bercow relaxa o uso da gravata na House of Commons. — Hmm. Strange things happen. O Iraq anuncia a reconquista de Mosul ao Isis. O G20 Summit põe face a face os presidentes Donald J Trump e Vladimir Putin, revela as fendas no bloco ocidental e senta na mesa das negociações, pelos USA, Mrs Ivanka Trump. Pouco canónicas andam também as praxes gaulesas, onde, repetindo um gesto recuado a Napoleon III em meados do 19th century, Monsieur Emmanuel Macron reúne as duas câmaras parlamentares da república no palácio real de Versailles.

 

Lovely sunny Monday at Central London. Contrastam as atitudes em volta, entre a excitação dos turistas, a descontração dos ilhéus e a efervescência dos políticos em Westminster. Febris estão igualmente os bookmakers e um contingente rombo na caixa estimável em algo como £20million. A responsabilidade não é da Brexit, por uma vez, mas antes do muito aprazível curso dos match-points em Wimbledon. Os Brits posicionam-se para disputar o ouro em femininos e em masculinos. A proeza dos sorridentes Sir Andy e Ms Konta apanha as agências de apostas desprevenidas, ao negociarem as paradas da double GB win nas baixas probabilidades. Certo é que, até ao próximo magical weekend, a expetativa sobre o que acontecerá no Centre Court vai crescer em espiral. Já agora, informação adicional para os fãs do political betting: as chances do ano de saída do Number 10 de RH Theresa May andam em 5/2 para 2017-19 e em 7/2 para 2020; as ofertas para a partida de RH Jeremy Corbin da liderança do Labour Party estão nos 5/1 para 2017 e em 11/8 em 2020+.

 

Espiraladas seguem as geminadas sagas da saída do UK da European Union e da liderança Tory. A Prime Minister ensaia um relançamento político entre os conservadores face à chuva de notícias sobre conspirações para a derrubar algures em torno da conferência partidária de November 2017. Revigorada pelos apoios globais colhidos nestes dias pela cimeira de Hamburg, em contraponto ao gelo dos parceiros continentais, RH T May prepara importante série de discursos políticos a título de State of Nation. Por cá cognominado o passo como May-reboot, espera-se que a senhora (que perdeu a maioria parlamentar nas eleições de June) lance amarras em consensos interpartidários, desde logo, para negociar com Brussels, dando prioridade governamental ao lançamento de nova geração de direitos laborais. É a planeada did economy review. Logo, porém, nas Sunday Politics, aparece um antigo Cameron Govt Minister, RH Andrew Mitchell MP (o do Plebgate) a etiquetar Mrs May como “dead in the water.” Com o dinheiro do casino a indiciar (nos 1/12) o cenário de RH Jezza ‘Red’ Corbyn entrar em Downing Street até January 2018, à festa ajudam outros franco atiradores espalhados pela praça mediática e alguns há em modo criativo. Extasia a sugestão do desgaste do May-ism em estilo Flash Gordon, por exemplo, retomando idas táticas apontadas ao RH Gordon Brown quando, nas sombras, e com sucesso, ensaiaria apear o Lab PM Tony Blair. Entre as modalidades do pronounced political murder recomendam, pois, a ocasional demissão de ministros e deputados para encurtar a base de apoio. No contra spin, semelhantemente maravilha a retoma da sabedoria consumada do histórico RH Harold MacMillan (Con PM, 1957-63): “Loyalty is the Tories secret weapon.”

 

Ocupado o HM Government a preparar uma ampla barganha politica na casa-mãe dos parlamentos, decerto que a história assiste na power play de nação de ancestrais mercadores mesmo quando as mentes antes melhor derivam para o great achievement at Wimbledon.

Nenhum outro líder do No. 10 sobreviveu em condições idênticas. Seja como seja, uma nota merece registo na conjuntura: a dignidade e a determinação com que a Premier age na adversidade. Não que, realisticamente, na era do naufrágio do proper dress code em Westminster, isto conte muito. Pesará, sim, um facto que anda alheado do grande jogo continental. Na régua do eurocetiscismo ilhéu, Mrs May é uma pomba. — Well. As Master Will emphasises in his Sonnet 116, there are the circumstances and the nature of the loyalties: — “Let me not to the marriage of true minds / Admit impediments. Love is not love / Which alters when it alteration finds, / Or bends with the remover to remove: / O no; it is an ever-fixed mark, / That looks on tempests, and is never shaken."

 

St James, 10th July 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The return of the great state, 2017

 

Os investigadores interrogam-se sobre como interpretar os efeitos da globalização no tecido social que vota o Brexit no culminar de uma década de severa crise financeira. É o fim do liberalismo?

Está o conservadorismo social em marcha? Os resultados do 2017 British Survey Attitudes revelam as recentes macrotendências políticas no reino, esculpindo a recusa do austeritarismo e da tolerância quanto à fuga fiscal, a desintonia em torno da emigração e a exigência de um estado mais protetor. Dado interessante é que uma maioria de 48% está disponível para pagar altos impostos, a fim de alavancar uma justa distribuição da riqueza e financiar maior investimento público nas áreas da saúde, educação e segurança social. — Chérie. Autres temps, autres mœurs. A guerra civil no Labour Party regressa em força após a trégua eleitoral. Entre a murmuração de uma purga dos moderados, RH Jeremy Corbyn despede sumariamente três dos Shadow Cabinet Members por desobediência em voto favorável à manutenção do UK no mercado comum. — Hmm. A chain is only as strong as its weakest link. North Korea testa com sucesso um míssil intercontinental, capaz de atingir as costas do Alaska. O French President Emmanuel Macron convida o POUS Donald J Trump para as comemorações do Bastille Day, quando o seu governo de dias perde quatro ministros no altar da moralização da república. Madame Simone Weil parte aos 90 anos, testando uma notável história de coragem e de causas.

 

 

Light clouds at Central London. A atmosfera política em Westminster parece estabilizar sob os chuviscos refrescantes do veraneio, mas ainda reverberam as ondas de choque geradas no incêndio da Grenfell Tower ― entre o apoio às vítimas e os primeiros passos do inquérito oficial à tragédia. A Prime Minister RH Theresa May passa tranquilamente os primeiros testes ao poder do seu segundo governo, um ano depois do euroreferendo, da resignação de RH David Cameron do No. 10 e da entrada em Downing Street. Nas votações da House of Commons em torno do programa legislativo, enunciado no Queen’s Speech, apresenta confortável maioria de 15 votos, mais ampla, portanto, que os dez acordados com os unionistas irlandeses do DUP. Curiosa é ainda a fixação do eleitorado captada nas sondagens conduzidas após o desastre eleitoral de June 8 e as sequentes demissões nas lideranças partidárias, do imediato afastamento do MEP Paul Nuttall no Ukip ao ulterior abandono do MP Tim Farron nos Liberal Democrats. Com o já habitual ruído mediático a propósito ou a pretexto do Brexit divide no seio do Cabinet, eis reiterada confirmação em três sucessivos retratos à opinião pública do colapso dos pequenos partidos a par do crescendo do Labour Party. Com RH Jeremy Corbyn em alta de popularidade, contrastando com a inimitigável oposição no seio da respetiva bancada parlamentar, os trabalhistas recolhem entre 44 a 46% das preferências contra 39-41% dos Tories (face a 6-7% dos Lib Dems e 2-3% dos Ukippers).

 

A descolagem do Lab ancora-se nos jovens eleitores e relembra as dificuldades demográficas observadas por RH Margaret Thatcher no balanço da vitória na 1979 General Election (então com uma maioria de 43 MPs). Neste state of affairs, porém, os ministros do Mayism dedicam-se a esgrimir em público as red lines traçadas pela PM no eurodiscurso de Lancaster House (“no deal is better than a bad deal”) em paralelo com a necessidade de esquecer o défice & a dívida e doar nova prioridade a aumentos salariais no funcionalismo e a propinas gratuitas no ensino superior. Por outras palavras, e a fim de aplacar o surfar da vaga popular por Red Jezza, debate-se por cá o fim próximo das políticas austeritárias. Daí a interessante moldura do euroceticismo que à querela dá o Brit Survey Attitudes, apresentado em Westminster pelo National Centre for Social Research. Sob o título "Britain wants less nanny state, more attentive parents," o 34th NatCen Report revela "a kind-hearted but not soft-hearted country" enquanto examina o atual posicionamento cívico em torno de grandes temas como a erosão fiscal e a fraude nos benefícios sociais, a emigração massiva, o papel do governo, as liberdades e as moralidades públicas, desta feita auscultados na senda da agendada saída do UK da European Union. A síntese que soa na Atlee Suite de Portcullis House é claríssima: “Britain wants the state to open its wallet, keep a watchful eye to keep us safe, but let us live our private lives how we wish.”

 

Mas a quinzena está fortemente marcada pelos 2017 Tennis Championships. Wimbledon is back, com o wonderful sport a somar no encanto das cercanias. As atenções e as aspirações centram-se na defesa do título por Sir Andy Murray, em pleno Central Court, contando o escocês com fervor unânime do reino unido. No primeiro dia dos jogos no sudoeste londrino, Andy leva a audiência ao rubro ao vencer Mr Alexander Bublik em straight sets com convincente trio 6-1, 6-4, 6-2. Seguem-se mais difíceis oponentes e é de esperar renhida disputa quer pelo Open Grand Slam, quer também pelo pódio mundial entre o fantástico quarteto que compõe com Novak Djokovic, Roger Federer e Rafael Nadal. — Well. By turns fervent and witty, so Master Will presents us with the subtleties of the old game in Henry V, at the first lights of Agincourt, when the king receives a odd gift of tennis balls from the hands of the French Ambassador: — “We are glad the Dauphin is so pleasant with us; / His present … we thank you for: / When we have match’d our rackets to these balls. / We will, in France, by God’s grace, play a set / Shall strike his father’s crown into the hazard. / Tell him, he hath made a match with such a wrangler / That all the courts of France will be disturb’d / With chases."

 

St James, 3th July 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The start of The Brexit Show, 2017-19

 

Finally the set off! Um ano após o voto referendário, abrem os tratos oficiais da saída do United Kingdom da European Union. Do primeiro dia dos negociadores resullta plano e calendário.

Ainda que envolto em good rethoric de Mr David Davis e de Monsieur Michel Barnier, o sinal de partida revela concessões britânicas na agenda de trabalhos. Segue-se proposta londrina de reciprocidade na situação dos cidadãos deslocados aquém e além Channel, com a Prime Minister cá a declarar enfaticamente aos émigrés que “we want you to stay.” Brussels quer mais e reclama garantismos. — Chérie. Il faut réfléchir avant d'agir. No estio doméstico assombra série de tragédias, entre o fogo num arranha céus de Kensington, um atentado terrorista numa mesquita de Finsbury Park e um ataque digital às Houses of Parliament. Com a open season for Theresa May ao rubro, o aparato da Royal Ascot Horse Racing rivaliza com o Queen’s Speech enquanto o Tory Government conclui dispendioso acordo de base tribunícia com o DUP. — Well. Slow and steady wins the race. O Prince William of Cambridge perfaz 35 anos em ano de singular varanda cerimonial aquando do Trooping the Colour. Já Washington assiste à vitória presidencial no Supreme Court da Trump travel ban. Em Paris, o Élysée projeta um ministro das finanças para a Eurozone. Herr Helmut Kohl parte aos 87 anos, legando a unificação de Germany em Europe e a hegemonia do Christian Democratic Union Party em Berlin.

 

 

Hazardous Indian Summer at Central London. O novíssimo hung parliament toma assento entre o juramento dos MP’s e a eleição de Speakers, Chairs e afins. A envolvente política está para além do estado volátil. Os Liberal Democrats avançam para uma nova liderança depois de RH Tim Farron se demitir do leme enquanto os Independent Scots buscam um capitão para Westminster, os Ukkipers andam perdidos em combate e os Tories fecham um acordo de £1b em infraestruturas para Northern Ireland como contrapartida do apoio dos dez MP’s do Democratic Unionist Party. Uma bagatela, pois! Há quem desgoste; e quem organize o descontentamento. Se a comunicação social noticia surdos ultimatos à Prime Minister no seio da bancada conservadora e o spin contra Downing Street assume formas de open plot nas páginas do insuspeito The Times, o Labour solta ações de rua para apear a maioria relativa do May II Government. O Red Shadow Chancellor RH John MacDonnell pilota uma incendiária “one million march” ― “to force new elections.” Já o revigorado Lab Leader RH Jeremy Corbyn declara que entrará no Number 10 dentro de 6 meses, no fim de semana protagonizando uma missa de massas no Glastonbury Festival. O evento reúne idosos hippies e jovens revolucionários. Ora, dir-se-ia que JC desce dos céus para ressuscitar como pop star no Pyramid Stage de Somerset e o delírio na festa da contra cultura. Jezza anima o teen spirit com amanhãs que cantam. A performance tem até conveniente direto televisivo sob o script “Ye are many―they are few!” Dos bastidores das 100,000 Corby T-shirts cedo sai o revisionismo em curso ao manifesto eleitoral trabalhista, consensualizado com a oposição interna dos Blairites, sob testemunho do Comrade Jeremy ter como prioridade “to ‘get rid’ of Trident.” Ou seja, o unilateral desarmamento nuclear do UK e o almejado desmantelamento da NATO.

 

RH Theresa May enfrenta crises sérias semeadas pela perda da maioria na 2017 General Election. Com o Brexiting em tela de fundo, facto que explica o frenesim adversarial dos eurofilos de todas as cores, a PM enfrenta esta semana o teste ao seu programa legislativo na House of Commons. Aqui avulta a Great Repeal Bill, a qual remove o ECA 1972 do Statute Book e reinstitui a plena soberania da Law of The Land, por estas ilhas em uso, desde 1215, na esteira da Magna Carta. Este regresso à constituição histórica é tomado como antídoto para diagnosticado declínio político  e confirmado no Queen’s Speech durante peculiar cerimónia nos Lords, desta vez sem pompa e circunstância, com a monarca vestida em day blue dress e acompanhada não pelo Prince Philip mas por Charles of Wales trajado sem a full regalia. Ainda assim, e com o consorte logo de volta ao palácio após curta estada hospitalar, cumpre registo das memoráveis palavras de Elizabeth II: “My Lords and Members of the House of Commons, my Government’s priority is to secure the best possible deal as the country leaves the European Union. My Ministers are committed to working with Parliament, the devolved Administrations, business and others to build the widest possible consensus on the country’s future outside the European Union. / A Bill will be introduced to repeal the European Communities Act and provide certainty for individuals and businesses. This will be complemented by legislation to ensure that the United Kingdom makes a success of Brexit, establishing new national policies on immigration, international sanctions, nuclear safeguards, agriculture and fisheries. / My Government will seek to maintain a deep and special partnership with European allies and to forge new trading relationships across the globe." Fora de Westminster, o Met assenta o recorde de 30C no “longest June hot spell for more than 20 years.”

 

Parcela incontornável das celebrações do 91º aniversário oficial de Her Majesty, devidamente assinalado com as Royal Gun salutes a par do State Opening of Parliament e da visita real de conforto às vítimas do incêndio da Grenfell Tower, sai à luz do dia discreta lista de honrarias destinada a homenagear os talentos do reino. O rol é deveras plural e apontado pelo Cabinet Office como “the most diverse yet.” Contém diferentes gerações, muitas mais mulheres e elementos das populosas minorias étnicas. Dois nomes atraem a atenção entre os 1,109 novos membros das ordens honoríficas recriadas em 1917 pelo King George V. Deslumbra Dame Olivia De Havilland, em vésperas dos seus veneráveis 101 anos e nenhuma outra senão a oscarizada Melanie de Tara em Gone With the Wind (1939). Brilha também Mrs J K Rowling, a autora de 51 anos feita Companion of Honour por magia desse young wizard sonhado no Porto e por si batizado como Harry Potter (1997). — Hmm. Even Master Will concedes in As You Like It the essential role of reverie among the human affairs: — “It is to be all made of fantasy, All made of passion and all made of wishes, All adoration, duty, and observance, All humbleness, all patience and impatience, All purity, all trial, all observance. And so am I for…"

 

St James, 26th June 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

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So, what’s next? - June 2017

 

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What election! What result! And, what a mess! RH Theresa May MP forma um novo governo, minoritário em Westminster e com 20 Remainers + 7 Brexitters, após uma shocking election que deixa os Tories à beira de um ataque de nervos. Os Conservatives perdem a anterior maioria na House of Commons, ensaiam um acordo com o Democratic Unionist Party (o DUP que governa Northern Ireland) e deixam Comrade Jeremy Corbyn e o seu Labour Party aos portões de Downing Street num hung parliament. Na prática, e apesar da presente fortitude, a senhora mantém o top job mas perde autoridade. — Chérie. Il n'y a que le provisoire qui dure. A soma dos votos apresenta outro desfecho imprevisto, para além do êxito relativo dos trotskystas. Resolve problema interno maior. Os independentistas de Scotland igualmente perdem a hegemonia no plenário de Holyrood. — Well-Well-Well, indeed. Já Brussels e Berlin mantêm o calendário da Brexit. Além Atlantic, perdura a Trump soap. Washington rasga o Paris Climate Treaty. Meanwhile, o US President e o diretor do FBI que ele despediu, Mr James Comey, trocam galhardetes em Capitol Hill. O En Marche! do President Emmanuel Macron triunfa nas eleições parlamentares gaulesas, certificando o óbito dos partidos tradicionais da Ve République. Em Russia, as manifestações anti-Putin regressam às ruas e os protestantes às prisões.

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Sunny and hot, very hot, days at Central London
. A #2017 General Election deixa o reino atónito e muitas stony faces nos corredores de Whitehall. O esperado passeio da coroação thatcheriana de The Right Honourable Theresa Mary May MP simplesmente não acontece, apesar dos históricos 43% obtidos nas ballot boxes. Uma two horses race deixa o rival Labour Party com 40% e esfuma a força dos pequenos partidos. Ora, tudo se afigurava diferente a 25 April, quando The Gazette publica a proclamação de Her Majesty Elizabeth II “appointing Thursday the 8th day of June 2017 as the polling day for the general election of the next parliament.” Os Tories lideram nas sondagens por 20-22 pontos, face a uma Loyal Opposition ocupada a digladiar-se entre Corbynists e Blairites. Sobrevém o inesperado. Uma longa campanha de oito semanas pára duas vezes por causa de três sangrentos atentados jihadistas, em Manchester e em London, após caos generalizado no serviço nacional de saúde gerado por um ataque informático global. Os conservadores apresentam então infeliz e austeritário programa para a bolsa dos comuns. Sir Humphrey Appleby diria ser “a brave manifesto.” Neste contexto surge a receita populista para vencer sufrágios: energizar os fiéis ante a paralisação dos opositores, aumentar as expetativas dos adversários e prometer… utopia to the working class. Só no último dia das lides, para ganhar o voto jovem, e foram dois milhões de novos eleitores, o líder trabalhista perdoa as dívidas estudantis após hastear a bandeira das free tuition fees. Na noite eleitoral, todas as cidades universitárias votam vermelho. Se o secular azul de Canterbury cai, a cereja no empolado bolo de Red Jezza é ainda mais luzente. Seduzido por verbo revolucionário, o Royal Borough of Kensington elege um camarada. But, recordando os gloriosos Monty Python – He’s not The Messiah. He’s a very naughty boy.

 

A mais estranha campanha eleitoral de que há memória tem efeitos tanto no futuro incerto da PM e do partido no poder, como também na internamente contestada liderança do Labour Party, quanto, e sobretudo, no rumo das negociações da saída do UK da Eurpean Union. Os Remainers aproveitam a ocasião para reeditar pela enésima vez um estafado argumentário face a um já mais que agastado eleitorado. Nas urnas, porém, sumido o Ukip, até o arqui europeísta RH Nick Clegg perde o emprego como MP de Sheffield Hallam (South Yorkshire) pelos Liberal Democrats. Igual fim têm outros pesos pesados, desde logo entre os contrários escoceses, como RH Alex Salmond em Gordon (Aberdeenshire) ou RH Angus Robertson em Moray, nada menos que os ex líder e chefe da bancada do Scottish National Party em Wesminster. Com os 10 MPs de Northern Ireland na porta grande do Westminster system, por via do apoio governamental do Democratic Unionist Party, as Highlands têm agora uma nova referência: RH Ruth Davidson, a Tory MSP que conquista 12 postos aos independentistas. Não espanta que perante este complexo xadrez nacional, pela primeira vez na história parlamentar do reino, o Queen’s Speech anunciado para a proxima semana esteja sob risco de adiamento, o mesmo podendo acontecer à abertura dos tratos da Brexit agendados para 19th June.

 

Mrs May assegurou tréguas internas num partido em deep unhapiness e está de partida para Paris a fim de acalmar as águas continentais. Durante o fim de semana, enquanto o Labour Party se declara pronto a governar com equipa marxista e programa sul americano de renacionalizações, a new old PM reganha a iniciativa política. Forma um segundo Cabinet com maioria de Remainers à volta da mesa e assume responsabilidades pelo desastre eleitoral perante o poderoso Tory 1922 Committee: “I'm the person who got us into this mess, and I'm the one who will get us out of it.” Sustentada graças à cortesia dos Scott Conservatives e dos Irish Unionists (Needs must, of course), a posição da Prime Minister é delicada: se sinaliza razoabilidade nas euronegociações conduzidas pelo intacto trio dos Brexiters (RHs David Davis, Boris Johnson e Liam Fox), o porta voz do Number 10 rapidamente informa que “Government policy remains the same on Brexit, migration and the deficit.” Falhado o ensaio eleitoral do Red Torysm, em suma, num astonishing state of affaires, resta agora apurar quão fundo tem presente a sucessora de Baroness Margaret Thatcher em Downing Street uma imortal lição do fundador da Ve République Française: "No Nation has friends, only interests."

 

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Sob a memória do General Charles De Gaulle, a quem Lady Clementine um dia disse "General, you must not hate your friends more than you hate your enemies," chega às salas a mais recente versão cinematográfica de Churchill. O filme recua à darkest hour, quando o reino defronta as forças nazis que dominam o continente europeu. Estamos em 1944 e eis-nos catapultados para behind the war for freedom. O drama dirigido por Mr Jonathan Teplitzky cedo surpreende com incorreções históricas, começando nos peculiares fatos de Sir Winston, vestido de gala no encontro decisivo do High Command, mas acaba por atrair na incontornável dimensão épica. Estamos em 1944 e seguem-se as graves 96 horas que rumam ao D-Day de 3 June e ao discurso “We shall never surrender.” Tal como na Operation Neptune brilham os heróis das Normandy landings, salvam aqui as interpretações de Mr Brian Cox (W Churchill), Mrs Miranda Richardson (Clementine), Mr John Slattery (Gen. Dwight D. Eisenhower), Mr James Purefoy (Gen Bernard Montgomery) ou Mr Julian Wadham (King George VI). O guião é pobre, todavia. — Hmm. Let us all remember how Master Will in The Tempest portrait the quest for autonomy after dilemmatic Prospero’s decisions: — “As you from crimes would pardoned be, / Let your indulgence set me free."

 

 

St James, 12th June 2017
Very sincerely yours,
V.

 

 

LONDON LETTERS

 

The United Kingdom’s spirit, May 2017

 

Após dias dramáticos de severo alerta terrorista e ainda a processar o massacre dos inocentes em Manchester perpretrado por um jihadista, o reino carry on. Um jovem Brit, de 22 anos, fruto de refugiados do regime líbio de Gadaffi generosamente cá

acolhidos e dado ao consumo de drogas, ruma para o delírio das ‘70 virgens’ enquanto assassina adolescentes e crianças que sorriem no final de um concerto pop na Arena. Entre as vítimas deste “evil loser”, como o reputa o President Donald J Trump, está a pequena Sophie de 8 anos. — Chérie. Qui sème le vent, récolte la tempête. A campanha eleitoral pára por momentos. A apresentação dos manifestos partidários revela a deslocação à esquerda. O Corbynism ganha tração com um líder em Father Christmas mood e radical programa de re-nacionalizações, vasto investimento público e altos salários. — Shocking days, indeed. O French President Emmanuel Macron viaja a Berlin e Moscow para a enésima jura de reforma continental. O POUS faz um périplo ao Middle East e Europe, com paragem em Jerusalem e no Vatican, discursando sobre o Islam e a contabilidade da NATO. A Bundeskanzelrin Frau Angela Merkel anuncia o fim da aliança ocidental e conclui que Europe “must take destiny in its hands.”

 

 

Dark days in the Realm. O ambiente em volta é de alta tensão, entre o choque e a fúria face à matança dos inocentes. O alerta da segurança nacional sobe de crítico a severo, regressando à atual categoria de existir forte probabilidade mas não estar eminente um novo atentado terrorista. Forças especiais capturam uma dúzia de jihadistas em várias paragens, à mistura com detonações controladas em catedrais, casas e centros comerciais. Soldados e polícias protegem áreas sensíveis. Mal refeitos da cadeia de acontecimentos, com um tigre à solta num zoológico de Cambridgeshire e o caos informático a suspender os voos da British Airways em Heathrow e Gatwick, a honorável Press revela a presença de 23,000 extremistas islâmicos na watch list. O número do terror assusta e o clamor popular pede medidas. Afinal, a rede de controlo 24 h+7x7 é perfurada em Manchester, berço do jihadista e geografia aparentemente inclinada a produzir extremistas entre os assíduos da Mosque sem que haja mão nos hate preachers. As ondas de choque face ao Homegrown Jihadism e ao ataque de May 22th continuam a evoluir. O reino reage com as velas e as vigílias, mas há mais. Na internet, de rosto tapado e familiar sotaque, o Isis faz ameaças de morte aos filhos do infidel. Nas ruas questiona-se o… até quando?

 

Já hoje à noite sopra vento de normalidade. A Sky News apresenta o grande debate político das #2017 General Elections. Em estúdio, red-looking, estão Mrs Theresa May e Mr Jeremy Corbyn. É a Battle for Number 10. A segurança é um entre vários temas quentes abordadas num TV show formatado a dois tempos: um após outro, os líderes do Labour e do Conservative Party respondem a questões da audiência (em modalidade Townhall) para depois se submeterem a entrevista com o (not so) temível Mr Jeremy Paxman. Ambos vão bem no geral, mas chegam aqui a diferentes velocidades. Os Tories estão em queda nas sondagens, com a vantagem inicial a cair dos 20% para os 5-8%, após lançarem um manifesto incluindo exigente reforma na segurança social, no meio de cortes nos benefícios e apelos à responsabilidade individual. Os contornos da proposta central são tais que, logo etiquetada pelas oposições de “dementia tax,“ a reação do espetador imparcial é de perplexidade: What are they thinking! Se os Red Tories ousam ir longe de mais na distribuição das libras orçamentais, já o Populist JC Labour tem vento pela popa à custa de querer taxar os ricos. RH Jezza promete agir “for the many, not the few.” Nacionalizará combóios, telecomunicações, correios, água e eletricidade ― mas não bancos. Aonde vai buscar o dinheiro para pagar a fatura? Aos impostos e ao crédito internacional, que o paraíso chaveznista não teme as dívidas soberanas. Só as simpatias de Mr Corbyn &co para com os movimentos revolucionários armados causam inquietação, entre o apoio ao IRA ou a amizade com o Hamas. Faltam 10 dias para a 2 horses race e 21 para o início das negociações da Brexit.

Estes são também dias da partida de Mr Roger Moore, o suave “James Bond” que se aventurou em Portugal. É ainda tempo para um dos meus eventos favoritos na capital: o Chelsea Flower Show. A mostra é sempre uma inspiração para quantos amam o English Garden. Na abertura por lá passam HM Queen Elizabeth II ou Dame Judy Dench. A recreação natural corresponde às expetativas do mais rigoroso dos jardineiros locais. E os Iris Louvois nos London living displays da Royal Horticultural Society apresentam-se gloriosamente surpreendentes em nova coloração. Para a semana, de 7 a 11 June, é a vez do RHS Chatsworth Flower Show em Derbyshire e da tradicional visita à glasshouse com que Mr Joseph Paxton MP em 1836 induz a traça dos Crystal Palaces no meridiano atlântico. — Well. Keep in mind those floral wording of Master Will in A Midsummer Night's Dream: — “I know a bank where the wild thyme blows, / Where oxlips and the nodding violet grows, / Quite over-canopied with luscious woodbine, / With sweet musk-roses and with eglantine: / There sleeps Titania sometime of the night, / Lull'd in these flowers with dances and delight.."

 

St James, 29th May 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Red Tories vs Cherry Labourites, June 8, 2017

 

Et voilà! Eis o baptismo dos nóveis Red Tories. Os Conservatives liderados por RH Theresa May avançam com leque de propostas eleitorais claramente concebidas para captar o voto trabalhador, entre as quais uma a licença sabática para cuidar da família e casas sociais para alugar ou comprar. “Our plans will be the greatest expansion in workers’ rights by any Conservative government in history,” declara a Prime Minister. Já o Labour de RH Jeremy Corbyn ultima um manifesto radical contra o austeritarismo, esgrimindo com o “Robin Hood Tax” no meio de iniludível guerra civil. — Chérie. Il ne faut pas se fier aux apparences. Fontes bem informadas radicam na North Korea a origem do mais recente ataque do terrorismo informático global. O NHS é um dos alvos atingidos pelo pedido de resgate de dados. — Well. A penny saved is a penny earned. O casamento da irmã da Duchess of Cambridge disputa as atenções da semana. O President Emmanuel Macron toma posse em Paris em estilo imperial e ocupa-se com a terceira ida a votos, agora para o parlamento, com o seu La République En Marche. Washington vibra com o despedimento presidencial do diretor do FBI e pasma com a notícia de o POUS DJ Trump ter revelado informação sensível sobre o Isis a uma delegação diplomática russa. Happy Valley triunfa nos 2017 BAFTA.

 

Long days with late sunsets at London. Questiono-me quanto o eleitor médio absorverá da cornucópia dos ‘compromissos eleitorais’ diariamente formulados pelos partidos de Westminster? A bandeira de ontem em torno do fim das propinas esfuma-se com o hastear hoje de mão pesada contra a evasão fiscal ou a descriminalização das drogas e afins, tudo entremeado deste ou daquele episódio colorido no trilho da persuasão pelo reino. A abundância é tanta que sobrevém a imagem de cada qual prometendo o seu unicórnio junto a uma magic money tree. É milhões para aqui, biliões para ali, algures entrando os números em série longa de car-crash interviews quando os jornalistas perguntam aos políticos desprevenidos os sacros quanto custa? ou quem paga? Também os (anti) social media estão ao rubro, no séquito do ataque às caixas de correio eletrónico. Temo até que a hiperinformação esteja a mobilizar… os abstencionistas.

 

As sondagens persistem na vantagem folgada dos Tories, na gama dos 20%, mas o Labour Party resiste com a claque da Hard-Left militante face à moderação dos Liberal Democrats, enquanto o SNP mantém e o Ukip desliza. Soa a ouvido nu a metralha de mensagens dirigidas pelas várias máquinas partidárias aos eleitorados tribais como contraponto à estratégia centrista conservadora de colher à esquerda e à direita. Aumenta a incógnita quanto ao feixe de efeitos nos indecisos, a somar à clivagem da Brexit. Outros indícios chegam da impetuosa jornada da General Election 2017, o quarto sufrágio em pouco mais de dois anos. Um tweet vindo do terreno atrai o olhar, por si só sintomático e sobremaneira revelador pelo seu autor. Mr Dennis MacShane. O que diz este antigo Labour MP? “Canvassing in S London Labour seat and every 2nd house it was Jeremy. Never heard such hostility in 4 decades.” Prenúncio do espetro da derrota trabalhista de 1983? Se o cenário do imenso triunfo de Lady Thatcher contra RH Michael Foot tem ainda de ser sufragado, a June 8, inequívoco é que o combate pela sucessão de Jezza está em combustão. Faltam 24 dias para o exame da ballot box.

 

Mudemos de agulha. King Charles III é o título de uma peça de teatro escrita por Mr Mike Bartlett, que viajou da Broadway para West End até aterrar agora na BBC Two. Visionei finalmente a versão televisiva, dirigida por Mr Rupert Goold, o experiente diretor do Almeida Theater, em London, onde o drama do newly crowned king amealhou na bilheteira. Fiquei com mix feelings após os 90 minutos iniciados com os corais góticos de um funeral real, mas sobretudo com desejo de rever a alternativa visão imaginada por Lord Dobbs no original da House of Cards. A estória é credível, porque possível. Todavia, há algo de perturbador naquele “At last” ouvido na abertura! Não querendo quebrar o suspense de um must-see, este é um inventado UK pós Elizabeth II. O enredo roda em torno da família real, centrada nas linhas de acesso ao trono, e ainda nas ambições que o autor coloca em torrente tanto nos palácios como nas ruas, à mistura com um Red Prime Minister cedo em choque com dilemático (e assombrado) herdeiro. Advém uma crise constitucional. A cadência das palavras e o recorte das personagens são shakespearianos, há poder e há cilada, confluindo numa Lady Macbeth os des/encontros de coroa multicultural. A adaptação é tributária dos palcos e de elenco dominado pelo notável Mr Tim Pigott-Smith. A estrela de Dowton Abbey, falecido em April, tem desempenho maior no seu último papel. E é ele e os princípios do protagonista que salvam o ensaiado futuro imperfeito. — Mm. Learn by heart how Master Will distinguish Henry The Fouth in an unquiet reign: — “Uneasy lies the head that wears a crown."

 

St James, 15th May 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Westmorland and Lonsdale, May-June 2017

 

Totally fascinating. As clivagens partidárias já haviam por cá produzido um Labour politician with Tory values, mas agora chega a vez de uma Tory Prime Minister with some Labour values.

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Esta é a perceção que os estudos de opinião recolheram junto do eleitorado sobre The Right Honourable Theresa May MP, na esteira da vitória dos conservadores nas eleições locais. A contraciclo político, o partido no poder desde 2010 ganha terreno a todas as oposições em England, Wales e até em Scotland. — Chérie. Aide-toi et le ciel t'aidera. A Brexit Britain indicia outras surpresas no apoio popular. Com o No. 10 a erguer a voz face a novas diatribes continentais e quási-devorado o Ukip pelo voto, eis a onda azul a avançar para as paragens nortenhas. Os Tories tanto sustêm o SNP, quanto avultam na remota Cumbria. Uma das circunscrições debaixo de olho do May-ism é Westmorland and Lonsdale, nenhuma outra senão a que elege o líder dos Liberal Democrats para Westminster: o arch-remainer RH Tim Farron. — Hmm. These days we never no! Yet.... Os sufrágios florescem também em Europe. France elege para o Palais de l’Élysée o neófito Monsieur Emmanuel Macron. Nos US e em Italy, o President Donald J Trump defronta o antagonismo do… Obama show e da cerveja Baracchini. Nas ilhas, o Prince William of Cambridge prepara-se para novas responsabilidades na vida pública. O HMS Somerset escolta um submarino russo detetado no English Channel.

 

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Beautiful weather at London. Em vésperas dos 2017 BAFTA sagrarem a qualidade cinéfila de The Crown, série revelando alguns dos mysteries of the traditional norms of statecraft, amanhã é o recatado casal primoministerial que responde a questões de uma audiência plural em estúdio. A expetativa sobre a perfomance é tão maior quanto a PM recusa participar no usual Leader’s debate e opta por discreta campanha eleitoral, porta a porta, em vivo contraste com as ruadas e o espetáculo dos rivais, cuja sucessão diária de promessas apenas sublinha a estratégia presidencialista dos Tory. A June 8 ver-se-á dos resultados. Os últimos dias, porém, ficam marcados pelo anúncio real da reforma de Philip Mountbatten e o carinho publicamente manifestado pelos seus 70 anos de “loyal service to Britain and The Queen.” O príncipe consorte de Elizabeth II afasta-se este Autumn dos “public duties” assumidos em 1947. Mrs May sintetiza posições: “On the behalf of the whole country, I want to offer our deepest gratitude and good wishes to His Royal Highness the Duke of Edinburgh.”

 

Muito distinto é o tom usado pela senhora às portas do Ten face a Monsieur Jean-Claude Juncker. O European Commission President desgosta da ementa no “Brexit working dinner” que a PM lhe oferece em Downing Street e coloca o mais próximo dos seus colaboradores a brifar jornais alemães sobre o ali ocorrido, aliás, em termos pessoalíssimos que devem aos bons costumes. Ora, o que realmente aconteceu no jantar onde London recusa a €100bn divorce bill de Brussels depende do paladar de quem neste participa: para uns é uma conversa útil; para outros antes é um desastre… ter tal cozinheiro. Como a deselegância entre ainda-parceiros não bastara e atestando a mentalidade despeitada de infelizes separações, o ex-PM luxemburguês viaja a Firenze e comete crime capital contra a língua inglesa. Nas suas próprias palavras: “I will speak in French (…), because, slowly but surely, English is losing importance in Europe.” Irlandeses e malteses tremem. Já a RH Theresa May reage, antes de rumar ao Palace of Buckingham em dia de dissolução do Parliament: “Threats against Britain have been issued – deliberately timed to affect the election.” O Daily Mail logo resume a mensagem: “Hands off our election.” Vem aí… a huge blue  majority!

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Se as forças aquém e além Channel esculpem, mais e mais, a 2017 snap patriotic election como “who negotiates the Brexit?,” apesar do interesse eleitoral do Labour de RH Jeremy Corbyn &co em maximizar a utilidade de Herr Karl Marx no futuro insular, a conquista do Élysée desagua no esperado President Emmanuel Macron. Os 65-35% no duelo contra Madame Marine Le Pen, escoltados por massiva abstenção e militante voto nulo, contrastam com um discurso da vitória que releva nada estar escrito na pedra. Evitado o perigo imediato do populismo, pois, os meios parisienses comentam agora que, eleito que está, o mais jovem político francês desde o Empereur Napoléon Ier (1769-1812) pode finalmente revelar qual o seu programa e a equipa para governar. Os desafios são imensos, e em muito respeitam à European Union. Nascido nas terras do bloody Somme, o ex-ministro e protégè de M François Hollande é um fervoroso eurófilo que gosta de viajar até London para assistir a uma noturna peça de teatro na língua universal de Shakespeare. Mas eis extraordinário 1st statement do dirigente do novíssimo On marche, após 10 minutos ao telefone com a Bundeskanzlerin Angela Merkel e as warm congratulations da UK Prime Minister. É a noite do triunfo. A imagem parece saída do The Da Vinci Code. Não vemos Mr Tom Hanks, mas o protagonista é ainda energético e telegénico. A câmara segue-lhe os passos, na penumbra, com as pirâmides do Louvre em fundo e as cordas da Ode to Joy. Exato, o EU anthem! A 14 May jurará ele à desnudada Marianne de la Republique. So, best of luck. Seguro é que, depois do Trump circus, o 39 years’ old promete fazer as delícias de quantos apreciam o Planet Rothschild. — Well. Consider Master Will and ours thoughtful Jaques in As you like it: — “All the world's a stage, / And all the men and women merely players; / They have their exits and their entrances, / And one man in his time plays many parts. / His acts being seven ages."

 

 

St James, 8th May 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

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   A Brexit snap election, 8 June 2017

 

 It is not done until is done. A Prime Minister RH Theresa May MP pede hoje poderes bastantes à House of Commons para convocar eleições gerais antecipadas. A libra esterlina dispara com a previsão de uma vasta

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maioria Tory. — Chérie. Prudence est mère de sûreté. Que se pode dizer sobre o clima nas ilhas ? É a Brexit Britain e o guião segue a matriz dos plot twists. Depois de três vezes negar o cenário de legitimação para o mandato primoministerial, eis a Tory líder a mudar de opinião após uma cuidada reflexão pascal. — Hmm. Do not put new wine into old bottles. O suspense marca também o resto do mundo. O US President DJ Trump demonstra o seu entendimento do que é o America First: a península coreana treme com a visão de um conflito nuclear. As presidenciais francesas digladiam os últimos argumentos. Turkey vota pela concentração dos poderes do President Recep Erdogan e adensa a sombra otomana no eurocontinente. Os Princes William e Harry impulsionam o debate no reino em torno da saúde mental. O J025 aproxima-se da Earth com a etiqueta do maior asteroide a passar nas proximidades desde 2004.

 

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Lovely Springtime at Central London even with fresh wind. Um telefonema do Number 10 para o Buckingham Palace inicia uma nova reviravolta, para alguns surpreendente, na impetuosa política doméstica. A Prime Minister informa HM Elizabeth II que convoca eleições gerais para 8 June a fim de obter a “Brexit unity.” A decisão assume forma dramática, com o anúncio de “a surprise PM statement” para as 11.15 am de Monday. A especulação circula durante horas na political bubble. Note-se que tais declarações oficiais são algo extraordinário, servindo usualmente para declarar guerra, dizer da queda governamental por resignação da PM ou marcar eleições. Singular é também o facto de todos os cenários serem por cá tidos como prováveis, dadas as vagas emocionais que tumultuam o Brexit serial. Quando Mrs May aclara as águas é já consensual a tese de… a Blue murder. Os Tories avançam para uma maioria histórica face a enfraquecidas (apesar de ruidosas) oposições.


Esta tarde decorre mais uma acalorada votação nos Commons quando Mrs May requer luz verde para a #GE2017. Necessita de 2/3 da câmara para revogar o Fixed-term Parliaments Act 2011, que datava o sufrágio em 2020. As reações ao gesto do 10 ainda ribombam no Palace of Westminster. Pouco fica da imensa espuma dos comentários plurais, quando muitos MPs encaram a séria possibilidade de perder o emprego às mãos do eleitorado flutuante. Tracemos a bissetriz possível. Se a generalidade das sondagens indica as vésperas de a blood Labour bath, com o partido de RH Jeremy Corbyn a 21 pontos percentuais de distância face aos Conservatives, a snap election é por cá encarada de forma genericamente dual: para uns é a almejada oportunidade para reverter o resultado do euroreferendo de 2016; para outros é o momento decisivo para unir forças atrás de HM Government nas complexas negociações da saída do UK da European Union. O tom do debate está dado: no "are you kidding?" da entrevistada acidental em plena rua, na autoexclusão do ex Tory Chancellor George Osborne das listas de candidatos e em manchete do Daily Mail ― “Crush the saboteurs.” Com paragem nas eleições locais de 4 May, a par das consequências judiciais do overspending partidário na última campanha, faltam 50 dias para o sufrágio geral.

 

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Aos amantes de jardins, arquitetura e história, uma recomendação final de leitura e de convite à visita. Nos dois últimos números da sempre belíssima Country Life, uma revista muito cá de casa, Mr Geoffrey Tyack narra a evolução secular da University of Oxford. Sob o título “A seat of learning” e com fotografias de Mr Will Pryce, a dupla de artigos recua ao nascimento da universidade no 12th Century como comunidades de “scholars and aspiring scholars” para traçar a direção e a inspiração das artes ao longo de um passeio por edifícios e bibliotecas. Das lecture rooms e alojamentos clericais das Oseney Abbey Schools no medievo, aliás, as que fascinam o Infante Dom Pedro, conforme o Duque de Coimbra testemunha na sua “Carta de Bruges,” à majestosa Arts End, a primeira biblioteca britânica com wall shelving, criada em 1610-12, a peregrinação centra-se nas góticas Schools Quadrangle e na Bodleian para dar conta do papel público da Convocation House. Este é um espaço menos conhecido pelos pergaminhos políticos, mas é o cenário consensualizado para estruturar o debate nacional em dividido reino, ao servir de parlamento, em várias ocasiões, no turbulento 17th century. — Well. Let us amuse our minds with Master Will and that contemplative Jaques in As you like it: — “Out of these convertites / There is much matter to be heard and learnt."

 

St James, 18th April 2017

Very sincerely yours,

V.

 

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LONDON LETTERS

 

The End of The Affair, 2017-19

 

Et voilá! Brexit begins with the Springtime. A coreografia diplomática é singela. RH Theresa May aciona o Article 50 do Treaty of Lisbon e inicia a contagem

decrescente para a saída programada do United Kingdom da European Union, a 29 March 2019, com ou sem acordo sobre os laços comerciais. Começa também um outro futuro para o projeto europeu e o papel da EU no mundo. O momento é de refundação para o clube dos estados continentais, mas decisões só as haverá depois das eleições outonais em Germany. Para o UK, faltam 717 dias de navegação até oceano aberto. — Chérie. Goûts et couleurs ne se discutent pas. A Prime Minister visita o Arabian Gulf para conversações de trade & defense. Na mala leva um cheque de £1,2b para apoio local aos refugiados sírios. — Hmm. Do not be wise in words, be wise in deeds. O terror jihadista ataca de St Petersburg a Stockholm. O US President DJ Trump lança ataque punitivo na Syria, recebe o líder egípcio Abdel-Fattah el-Sissi e dá uma entrevista ao FT de leitura forçosa para aferir da agenda geopolítica da superpotência. A corrida ao Élysée soma sinais do êxito no desenho do sistema eleitoral: produzir um decisor centrista. O Prince Charles of Wales prepara an European charm tour. Nas ilhas, Northern Ireland persiste no limbo governamental e Scotland vota pelo IndyRef2. O Labour Party continua em queda livre, com perdas estimadas de 125 lugares nas eleições locais de May a favor dos Liberal Democrats e dos Conservatives.

 



Lovely weather at Central London. Duas damas agitam a domesticidade de Westminster Village, que hoje diz adeus ao herói da Metropolitan Police caído nos Palace Gates. Um cordão de polícias saúda PC Keith Palmer, uma das cinco vítimas do atentado terrorista, em público cortejo fúnebre ao longo de quase três milhas. A envolvente do Big Ben é agora de mais apertada segurança, quando a Scotland Yard tem a first female chief nos 188 anos da instituição: Met Commissioner Cressida Dick. No ar anda algo de feminil, não obstante o ‘empate’ na 2017 Oxbridge Boat Race: os remadores de Oxford University vencem a corrida, mas, no drama da deteção-remoção de uma WWII bomb nas águas da partida em Putney, são as azuis-claro de Cambridge a ganhar a palma do Thames River. Mais há, todavia. Após a histórica assinatura pela Prime Minister May da carta entregue ao European Council President Donald Tusk em Brussels, pelo Ambassor Tim Barrow, seis páginas timbradas a anunciar a retirada do UK da EU, eis nova rosa nos anais da coroa e na mística geografia local. O verde das Houses of Parliament vai acolher uma estátua da líder das Suffragists, Dame Millicent Garrett Fawcett (1847-1929).

 

Abrigada de ocasionais chuviscos por peripécias de saúde, a lava das notícias é ainda avassaladora e quase ofusca este acontecimento maior.

Se o rufar das eleições para os councils segue em fundo, com visíveis desafios para o Labour e o Ukip enquanto a Brexit abunda em red lines e ameaça turbulência nos céus de Gibraltar, é a canonização política da senhora quem cativa o olhar – tanto pela decisão quanto pelo espaço. Dame Fawcett é a pacífica presidente da National Union of Women’s  Suffrage Societies, fundada em 1897 a fim de aliar as reivindicações do sufrágio feminino que há 30 anos ecoavam pela sociedade vitoriana. O movimento distingue-se das Suffragettes pelo método diplomático, sempre a sua líder valorizando a persuasão em contraponto ao protesto advogado, desde 1903, pelo grupo radical de Mrs Emmeline Pankhurst. Na preparação do centenário do voto das mulheres no UK decide HM Government homenagear a sufragista nascida em Suffolk, que fez do No. 2 de Gower Street domicílio das insistentes petições aos azoratados MPs que, em 1918, finalmente acedem à paridade. A first woman to be honoured with a statue in Parliament Square alinhará com o moderno bronze de Lady Margaret Thatcher no Members' Lobby do Palace of Westminster e erguer-se-á no jardim exterior entre os pedestais de Winston Churchill, David Lloyd George, Viscount Palmerston, Earl of Derby, Benjamin Disraeli, Robert Peel, George Canning ou Abraham Lincoln, Nelson Mandela e Mahatma Gandhi.

 

Por terras que rezam a Allah intervém já a PM, vigorosamente, em polémica da Christian Easter. Na anual caça aos ovos do National Trust ao longo do reino desaparecem as referências pascais na promoção do evento, para espanto até do good Archbishop of York Dr John Sentamu. O avanço secularista logo é etiquetado por Mrs May de… “ridiculous.” No cenário de uma próxima disputa com Spain por causa de Gibraltar, incluído por Madrid e Brussels nas euronegociações, a reação de uma senhora com cabelos prateados ao vento em solo jordano e saudita é ainda mais explícita: uma sonora gargalhada. Não é para menos, ou diferente. Muitas vezes ao longo do debate europeu lutei com a ideia de incredulidade, face aos espantalhos da crise financeira e do conflito armado, mas há ainda lugar para surpresas. Na espuma final do EUref2 dos últimos 9 meses, pasmo com declarações de Lord Heiseltine a atribuir à Other Union a revolução contra o fascismo em Portugal ou quando agora Lord Fallon declara que o UK defenderá The Rock tal como valeu às Falklands. Os excessos sempre comovem. Afinal, the words that we use form our worldview.

 

Quando as chancelarias engendram fórmulas de pressão sobre Moscow devido a Damascus e Beijing por causa da North Korea, nota comemorativa para os 35 anos do fantástico Blade Runner. A masterpiece de Mr Ridley Scott apura no tempo quanto Do Androids Dream of Electric Sheep? de Mr Philip K Dick prova nas areias da distância. Uma e outra obra possuem génese reveladora. O cineasta desenvolve as aventuras protagonizadas por Mr Harrison Ford quando filma Dune e o universo ficcional de Mr Frank Herbert. O escritor concebe a ideia do humano sintético ao ler num jornal Nazi ensonadas queixas de um oficial SS pelos gritos num campo de concentração. — Well. Keep in mind those strident thoughts that Master Will puts among the silent humanity in Hamlet: — “There is nothing either good or bad, but thinking makes it so."

 

St James, 10th April 2017

Very sincerely yours,

V.