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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

LONDON LETTERS

 

The Munich speech, spies and, manners, 2018

 

O lugar escolhido é deveras curioso. Depois de Lancaster House (London) e Florence (Italy), Munich (Germany) é palco para um novo grande discurso da Prime Minister RH Theresa May sobre as futuras relações entre o United Kingdom of Great Britain and Northern Ireland e a European Union. O tema em foco é também tão oportuno quanto incómodo: a segurança comum. — Chérie! Ne pas se poser de questions, c’est se garantir des mensonges.

O Sunday Telegraph revela laços perigosos entre membros do Labour Party e serviços secretos do antigo East Bloc durante a Cold War. No rol de alegados informadores dos ‘Commies’ aparecem os nomes de RHs Jeremy Corbyn e John MacDonell. O porta-voz do Lab Leader rejeita a imputação do anel de MPs. — Well, well. Every Jack has his dearest Jill. O Ukip despede o líder Mr Henry Bolton, tido nos bastidores como uma planta do MI5, colocando interinamente ao leme Mr Gerard Batten. South Africa procura novos rumos na era pós President Jacob Zuma. Para a eternidade partem já Mr John Mahoney e Mr Terence Marsh, aquele celebrizado pelo papel de Marry Crane em Frasier e este pela direção artística de cenários visíveis em Lawrence of Arabia, Doctor Zhivago ou Oliver. Mr Gary Oldman continua a amealhar com a sua interpretação de Sir Winston Churchill em Darkest Hour, desta feita com triunfo nos 2018 Bafta da British Academy Film.

 

 

Light rain but better low temperatures at Great London. A passarada guia os primeiros sinais do Springtime, a exemplo da gradual coloração nos rebentos florais. O fio simbólico das estações é também evidente na esperada intervenção primoministerial na Security Conference de Munich. RH Boris Johnson pavimenta-lhe por cá o caminho, com uma positiva visão de futuro soberano e braços abertos para os ‘nobres sentimentos’ dos Remainers nas vésperas do novo encontro da PM com a Bundeskanzeralin Angela Merkel em Berlin. O Foreign Secretary respira forte otimismo, quando as altas propinas universitárias preenchem a agenda doméstica e desviam o olhar para os desafios na vida dos mais jovens. Na big picture, porém, domina o countdown para March 2019. Mrs May aproveita a viagem a Germany para desnudar um pouco mais das realidades do Brexiting. Reafirma o comprometimento britânico na segurança comum face às ameaças globais enquanto anuncia que Westminster irá retomar o pleno controlo das suas políticas externa e de defesa ‒ campos até agora com responsabilidades partilhadas, nomeadamente no tocante às operações de assistência ou de manutenção da paz no resto do mundo. Pragmatismo é a senha de ordem na missiva de Downing Street para a Mitteleuropa.

 

Com o cenário teutão a sugerir quer o 1938 Agreement, assinado pelo PM Neville Chamberlain com o III Reich, quer o massacre dos 1972 Olympics, e consequente iniciativa do Foreign Secretary Jim Callaghan de criar um grupo intergovernamental para coordenar o europoliciamento e a ação antiterrorista, começa a tornar-se crystal clear para as chancelarias continentais que o reino está de saída da alçada de Brussels em múltiplas áreas sensíveis. A equação da Brexit tem mais, na perspetiva de London. Retirada da EU, sim, mas sem que tal signifique enfraquecimento na vontade política de uma protocolada nova fórmula de cooperação entre os margens do Channel. Ainda assim, autonomias à parte na rota de almejadas intermacionalidades, o Number 10 persiste na ausência dos detalhes concretos: “for ours is a dynamic relationship, not a set of transactions.” Na retórica da honorável representante de Maidenhead, sendo aqui o objetivo último “put the safety of ours citizens first,” haverá que concretizar “[a] relationship built on an unshakeable commitment to our shared values. (…) A relationship in which we must all play our full part in keeping our continent safe and free, and reinvigorate the transatlantic alliance and rules based system on which our shared security depends.”

 

Porque gerir a ambiguidade é uma das artes da liderança, abra-se a lente ao apontado atlanticismo. A última edição da Tablet apresenta três interessantes teses sobre a ascensão política de DJ Trump. É um leque alternativo viável às teorias da conspiração popularizadas pelo FBI quanto ao atual inquilino da White House ter sido alcandorado à presidência com o apoio ativo do regime russo, hipótese que acaba de ganhar formas com a 37-pages indictment contra 13 indivíduos, por alegada, concertada e dolosamente organizarem “fake campaign events” visando minar a candidatura democrata de Mrs Hillary R Clinton. O artigo de Mr Paul Berman antes foca o perfil sociológico dos eleitorados, escalpeliza os argumentos dos agravos materiais e dos ressentimentos culturais, contextualizando depois o candidato “unWashingtonian” na tradição dual da Great Republic, para acabar a identificar as raízes profundas do classificado “Mussolinian con man” e do seu “Italian style” (leia-se: mafioso) com avassaladora derrocada moral de valores na atual paisagem americana: “the cultural collapse‒ of civility, education, and decorum.” O artigo merece leitura demorada, para fixar o pormenor metodológico. — Umm. Civility, incivility! Politeness! Manners? What about those woolly lines of Master Will by the Duke Senior’s mouth in the entertaining As You Like It: — “This wide and universal theatre / Presents more woeful pageants than the scene / Wherein we play in."

 

St James, 19th February 2018

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

‘This England’ and, The Liberal Brexit, 2018

 

Very good, indeed. A minha amada revista This England celebra 50 anos sobre o shakespeareano  acto fundacional de Mr Roy Faiers (1927-2016). And― not decent behaviour at all, I am afraid. No melhor pano das charities cai a nódoa, com aguaceiro de falhas morais na Oxfam.

Chérie! L'avis d'un sot est quelque fois bon à suivre. Nas euronegociações, London e Brussels endurecem o idioma diplomático. Downing Street avança para um road show no reino, com série de discursos pelos Top Ministers sobre the way ahead. RH Boris Johnson expõe a visão unificadora da Liberal Brexit. — Well. Adam's ale is the best brew. O Prince Harry of Wales e a noiva Meghan visitam uma surpreendida e acolhedora Scotland. Já a PM Theresa May viaja até Belfast e RH Jeremy Corbyn ruma a Glasgow. Germany tem finalmente governo, cinco meses depois das eleições federais. O Israeli Prime Minister Mr Benjamin Netanyahu é acusado de suborno e fraude. A New Yorker revela as espantosas telas oficiais dos exs US President Barack Obama e da First Lady Michelle, ela posando num elusivo azul e ele sentado numa cadeira flutuando em verde manto floral.

Freezing weather at Central London. Nada melhor, pois, que granjeados English tea and cookies. Com este tema surge This England há 50 anos. Tal qual a sua “little sister“ Evergreen, bem longe das ruas parisienses, esta é uma revista única e tão afável quanto a singela tira com que, na Spring 1968, se apresenta em bancas e tapetes ‒ “as refreshing as a pot of tea.” O manifesto editorial logo a posiciona entre o mercado mediático e o campo literário. Visa celebrar a cultura, os usos e os costumes sob a bandeira de St George. Dizendo do ser humano que escreve, Mr Roy Faiers, a pena do fundador firma marcas no chão: “We shall not be slick or sensational. There will be no world scoop articles, no glamour pictures, no fierce controversies. Instead we set out deliberately to produce a wholesome, straightforward and gentle magazine that loves its own dear land, and the people who have sprung from its soil. Instead of politics we shall bring you the poetry of the English countryside in words and pictures. Instead of bigotry we shall portray the beauty of our towns and villages. Instead of prejudice there will be pride in the ancient traditions, the surviving crafts, the legends, the life, the splendour and peace of this England.” O apelo telúrico conjuga aqui o leque dos “traditional principles of goodness, decency and common sense” com as velhas artes gráficas, entre o verbo elegante, a bela fotografia e a ilustração rápida. Esta é uma publicação produzida em Cheltenham para leitores e assinantes apaixonados, “For all who love our green and pleasant land.” Na capa da Golden Jubilee Edition, a quaternária traz imagem de marca: Sissinghurst, o castelo no Kent do casal Sir Harold Nicolson e Lady Vita Sackville-West, com as características Elizabethan Towers e o seu White Garden. Pelas páginas interiores canta ainda Mrs Dorothy Coe: “England. / Oh, my England. / I’m coming back to you. / I’ll see you in the Springtime. Watch / For me!”

Em debate semanal colorido quanto this sweet land of mist and green, a Prime Minister assinala na House of Commons diverso aniversário mas com idêntica fibra pictural. A intervenção governamental ocorre entrecruzada com declarações duras para com os Brits do EU Negotiator. Um cada vez mais nervoso Monsieur Michel Barnier tece advertências, veicula críticas, e ameaça descartar o biénio de transição acordado bilateralmente em December 2017. É His Master voice. Tudo em modos tais, porém, que, cá por casa, evoca usual e deliciosa tirada de um antigo professor: ’Voz grossa, argumento fraco!’ O Brexit Secretary RH David Davis sai a terreiro, notando a atitude “discourteous and unwise.” Ora, já nas PMQ’s é Mrs Theresa May confrontada com as velas da assinatura do Maastrich Treaty ‒ do qual o reino fez opt-out do “social chapter.” A Tory Leader é linear na resposta para a Other Union sobre o que está sobre a mesa: “The United Kingdom is leaving the European Union. That means that we are leaving the single market and the customs union. If we were a full member of the customs union, we would not be able to do trade deals around the rest of the world. And we are going to have an independent trade policy and do those deals.” Preparam os Brexiteers a chegada à World Trade Organization? Estarão os 27 a fazer contas aos efeitos da fatura tarifária nas balanças externas? E onde anda o racional da comunidade europeia de ideais e interesses?

Nota final sobre um livro com informação preciosa sobre um período sombrio da história comum. Em September 1940, nos Pyrenees, guardas fronteiriços recusam a passagem de France para Spain a um refugiado judeu alemão. Mr Walter Benjamin suicida-se na circunstância. Cerca de três semanas mais tarde, em Paris, sete anos após escapar da Nazi Germany e em vésperas de rumar a Lisboa com destino aos USA, Mrs Hannah Arendt (1905-75) comunica a triste notícia a outro amigo do filósofo berlinense.

Mr Gershom Scholem (1897-982) lê sabido cri de coeur: “Jews are dying in Europe and are being buried like dogs.” Ela é a jornalista que, em 1962, de Jerusalem, reporta o julgamento do SS-Obersturmbannführer Otto Adolf Eichmann disserta sobre a banalidade do mal e desperta a humanidade para o risco da demissão da consciência; Ele é o arqueológo do misticismo cabalístico e autor indispensável na visitação a Zohar, Book of Splendor. Unidos no debate do Holocaust, o Zionism separa-os nas correntes da Diaspora e de Israel. A relação epistolar entre os dois pensadores é agora editada em inglês pela Prof Marie Luise Knott, na University of Chicago Press, com tradução por Mr Anthony David entre as cartas e os documentos. The Correspondence of Hannah Arendt and Gershom Scholem condensa ideias que atravessam clivagens políticas contemporâneas (atenção, straussianos!) e dá pistas para aclarar uma controvérsia em torno da natureza diabólica do poder, à sombra de mão humana que coorganiza os guettos, as mass deportations e os death camps durante a II World War (1939-45). Vale também para ponderar sobre a geopolítica do espectador imparcial — Umm. Do never forget that dark human observation of Master Will in The Tempest: — “Hell is empty and all the devils are here."

 

St James, 13th February 2018

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The Representation of The People Act & some shenanigans, 1918-2018

 

O Royal Assent data de 6 February 1918. O King George V promulga a lei eleitoral que reconhece o direito de voto às mulheres, pela primeira vez, após décadas de acesa luta por movimentos mais ou menos calorosos como as Suffragists e as Suffragettes. The Representation of The People Act 1918 alarga o eleitorado aos homens com 21 anos e às mulheres com 30 anos, casadas, proprietárias ou academicamente graduadas. — Chérie! La belle plume fait le bel oiseau.

O EU Chief Negotiator viaja até London para acelerar o Brexiting. Downing Street recebe Monsieur Michel Barnier com anúncio de o UK recusar qualquer união aduaneira comum. — Well. Tide and time wait for no man or woman. As Houses of Parliament vão abandonar o Palace of Westminster for years, para obras de restauração estimadas em £3.5bn. A Prime Minister “Auntie” May regressa da China com um louvor do President Xi Jingping pelo pragmatismo, uma carteira de contratos comerciais que ascende a £9 billion e um acordo bilateral para promover o “global free trade.” Pope Francis recebe no Vaticano a histórica visita do Turkish President R Erdogan. Warsaw avança para a criminalização das referências aos “Polish death camps” como Auschwitz ou Treblinka. As bolsas de valores mundiais agitam-se.

Snow showers and minus degrees at Central London, within a lot of weather warnings in the coldest week of the Winter… so far. Estava tudo por aqui tão tranquilo, salvo a Tory Civil war, o Labour Anti-semitism, o Brexit divide, o Palace full decant…, e eis que entram em cena os Free Masons. Três lojas maçónicas estão ativas e a operar secretamente em Westminster, segundo o Guardian. Unem membros das Houses e do Political Press Corps: a New Welcome Lodge, aberta aos parlamentares; a Gallery Lodge, para as várias alas do lobby; e a Alfred Robbins Lodge, destinada a jornalistas e outros. As teses de conspiração exuberam, pois, quanto ao alinhamento das lealdades e quando Whitehall reativa a cirúrgica violação dos documentos oficiais no âmbito do afadigado Project Fear. Há um século atrás, todavia, experiencia-se mais: The strange death of Liberal England (George Dangerfield, 1935). No Number 10 cai o liberal HH Asquith e entra o radical Tory David Lloyd George. A nova balança de poderes avança com the votes for the middle-class women and the working-class men.

1918. A Great War segue ainda o curso cruento, mas com desfecho acelerado pela entrada dos United States of America ao lado dos Allies “in defence of the principles of Liberty and Justice.” No His Majesty’s Most Gracious Speech às Houses of Parliament, George V refere a tormenta que ocupa o Imperial War Cabinet, agradece públicas provisões “for the heavy expenditure of the War” e sublinha aos Lords and Gentlemen um outro evento de alta magnitude. O monarca fundador da novel House of Windsor releva que “I have been pleased to give My consent to your proposals for the better Representation of the People. I trust that this measure will ensure to a much larger number of My subjects in the United Kingdom an effective voice in the government of the country, and will enable the National Unity, which has been so marked a characteristic of the War, to continue in the not less arduous work of reconstruction in times of peace.” A expansão popular do cosmos eletivo firma bases em aristocrático cradle of democracy para vencer a paz interna após um almejado armistício externo, já sobre a revolucionária aprovação parlamentar da pioneira Minimum Wage Bill.

O Lloyd George Coalition Govt (1916-22) aprova uma aspiração política que recua ao 1818 Plan of Parliamentary Reform de Mr Jeremy Bentham e à formatação jurídica do MP John Stuart Mill na 1867 Reform Bill. No seio de inequívoca maioria conservadora-trabalhista-liberal destaca-se o apoio de honoráveis Herbert Henry Asquith, Ramsay MacDonald, Bonar Law e Winston Churchill. A reforma eleitoral de 1918 passa na House of Commons com 385 vs 55 votos, logo secundados na câmara dos Peers. Mrs Millicent Garrett Fawcett, a instituidora da National Union of Women’s Suffrage Societies anota no seu diário terem passado 61 anos desde que ouvira a ousada proposta de Mr Mill. O comentário da senhora diz dos tempos; “So I have had extraordinary good luck in having seen the struggle from the beginning.” O sufrágio dobra e seis milhões de mulheres participam nas eleições gerais de December 14, no passo inicial da emancipação só completa com o Equal Franchise Act 1928 ― o sufrágio universal promovido pelo Conservative Government de RH Stanley Baldwin. So, in a decennial while, parliamentary crocodile.

A perspetiva dos longos ciclos históricos assiste na leitura da tela política além das perceções. Algo bem diverso do carpe diem que anima os shenanigans around. Só umas quantas pinceladas acerca da espuma dos dias. Cresce a onda de orgulho nacional inspirada pelo filme Darkest Hour e até um relutante Mr Charles Moore se rende à ida ao cinema para apreciar o monumento público. Ativistas ruidosos manifestam-se contra a decoração churchilliana no interior do Blighty Cafe, em North London, ignorando que o casal Jeremy Corbyn está entre os seus frequentadores. O Deustch Ambassador em London, Dr Peter Ammon, classifica a Brexit como “a tragedy” e nota que “the image of Britain standing alone in the second world war against German domination has fed Euroscepticism in the UK, but does little to solve the country’s contemporary problems.” Regressam os weekends protests a Westminster Village enquanto o Brexit game of chicken preenche os écrans na Sunday Politics, O Brexiteer chieftain RH Jacob Rees-Mogg protagoniza heroica tentativa de dialogar com um grupo de anónimos mascarados empenhado em impedir que fale numa conferência na University of Bristol. O Economist e o Spectator aumentam o rol das vendas com capas teatrais, um encaixilhando “The Next Nuclear War” na península coreana e outro emoldurando “The Theresa’s choice: Lead or Go.”

Ora, enquanto os Tories reimaginam diariamente dramas políticos como Julius Ceasar e Macbeth,  face ao monólogo going nowhere da sua líder, partem para a eternidade duas senhoras da escrita.

Fica o farewell para Mrs Ursula K Le Guin, aged 88, a laureada criadora de Sci-Fi, amante de gatos e discípula de JRR Tolkien a Philip K Dick, a par de discreta tradutora ocidental de Lao Tzu: Tao Te Ching. A Book about the Way and the Power of the Way. E também good skies para a Oxonian Mrs Jenny Joseph, aged 85, uma favorita dos ilhéus e autora do famosíssimo Warning que cognomina de red hatters as 50plus: “When I am an old woman I shall wear purple / With a red hat which doesn't go, and doesn't suit me. / And I shall spend my pension on brandy and summer gloves / And satin sandals, and say we've no money for butter. / I shall sit down on the pavement when I'm tired / And gobble up samples in shops and press alarm bells / And run my stick along the public railings / And make up for the sobriety of my youth." A sua poesia conquista o Gregory Award com Unlooked-for Season e o Cholmondeley por Rose in the Afternoon, culminando na Fellowship da Royal Society of Literature. — Umm. Perhaps was between red and pink hatters that ours Master Will writes that special line of Troilus and Cressida: — “Things won are done; joy’s soul lies in the doing."

 

St James, 5th February 2018

Very sincerely yours,

V.

PS: Happy birthday para a UK Ambassador to Portugal, Mrs  Kirsty Hayes.

LONDON LETTERS

 

Brexit? Or Brexitoin? Or yet Westminsterxit, 2018

 

A European Union aperta o cerco a Britain. O negociador mor Monsieur Michel Barnier anuncia as condições continentais para o biénio da implementação da Brexit com acesso aos mercados, resumível na totalidade das obrigações financeiras e nenhuns direitos decisórios.

A fúria dos Brexiteers com a PM RH Theresa May vai em crescendo. “Name the date of your departure or we will do it for you,” assinala no Mail On Sunday o ex Tory Party Chairman Mr Grant Shapps. — Chérie! Les conseilleurs ne sont pas les payeurs. A House of Lords classifica a EU (Withdrawal) Bill como “constitutionally unacceptable.” Os Peers dizem-se aqui “disappointed” por o Her Majesty Government ignorar as suas prévias recomendações legislativas. — Well. Things will get worse before going better. A UK Prime Minister reúne-se em Davos com o US President Donald J Trump e ouve uma inequívoca declaração do apoio norte americano à comunidade de ideais e interesses, assente num “lucrative new transatlantic trade deal.” Já a Bundeskanzlerin Frau Angela Merkel etiqueta o estilo negocial de Mrs May sob sibilina fórmula do “Nothing to say, Make me an offer.” Em London, porém, muitos interrogam se antes não é senão a Brexitoin ‒ a Brexit only in name.


Cold days
at Central London. A neblina matinal que envolve Westminster Village traz à memória laivos do Bruges Speech apresentado por Mrs Margaret Thatcher. Falando no College of Europe, em 1998, a Iron Lady sente necessidade de sublinhar ancestrais evidências a uma peculiar elite: “Europe is not the creation of the Treaty of Rome. Nor is the European idea the property of any group or institution.” Os ecos de Brussels denotam os ventos do esquecimento e da soberba. Enquanto Mrs May ruma para Beijing em oportuníssima 3-days state visit e o Project Fear retorna em força às ilhas, num e noutro caso com os mandarins de Whitehall e apêndices na Press revelando especial empenhamento em cenários de ruína e pauperismo, a febril atmosfera que se observa nos main parties recorda talqualmente a punch line de RH Clement Attlee ouvida na House of Commons num suave dia primaveril de 1940. Em câmara preenchida, sob alto som de fundo dos “Hear, Hear” de muitos MP’s e do “Order, Order” do Speaker, o dirigente do Labour aponta o dedo para o Prime Minister RH Neville Chamberlain e pede-lhe a imediata resignação: “In the country’s interest man, resign! Step down! And let us find a new leader!” Algo do género ressoa agora em diferentes quadrantes e nem mesmo o calendário ajuda uma distante protagonista. Se as Local Elections marcadas para 3 May 2018 ameaçam veneráveis bastiões conservadores em prometida maré esquerdista, no dia 30th January de ido 1649, no exterior de Banqueting House, uma criação dos Tudor junto ao Thames River, é Charles The First decapitado por high treason.

Com todas as armas para si apontadas, sejam de EU Leavers ou de Remainers, a começar nos próprios Tory backbenchers, onde cada vez mais avultam as palavras de Mr Jacob Rees-Mogg, Right Honourable Theresa May ausenta-se para o outro lado do mundo. No reino, patroticamente unimpressed com os Brussels bully boys, a PM não tem alternativa política senão pronto rejeitar do unfriendly, unhealthy & unfair ultimatum da European Union. Mas os termos continentais para negociar a futura relação bilateral dizem sobre quem os decide, tanto nos aligeirados dois minutos que o EU General Affairs Council demora para os aprovar, quanto sobre a intensidade dos bloody affairs que envolvem os liames orçamentais dos 27. Note-se a régua comum: Como contrapartida dos negócios caseiros no mercado único até 2021, durante os dois anos de transição após a saída oficial em March 2019, os demais estados-membros querem que o United Kingdom pague bilionário cheque anual pela pertença ao euroclube, aplique as atuais e as novas leis comunitárias, mantenha as fronteiras abertas e ainda acate o impedimento de negociar acordos comerciais com terceiros. Tudo isto sem assento nas instituições, agências e afins da eurocracia. Na impiedosa Brexitoin, “the UK should have taxation without institutional representation.”

 

Mas esta semana decide-se por aqui uma outra árdua dicotomia do should I stay? Or should I go? que outrora celebriza os Clash. O futuro do Palace of Westminster está em debate nas Houses of Parliament, após um relatório oficial concluir que o edifício carece de custosos melhoramentos. Todas as opções estão em aberto, da manutenção à mudança temporária ou definitiva dos MPs para um outro local no reino, com os trabalhos de conservação avaliados entre £3.52bn e £5.67bn.

 

Segundo o Joint Committee dos Lords e dos Commons, apesar das firmes fundações no terreno escolhido no 11th Century pelo King Edward the Confessor, o complexo urbano defronta-se hoje com “a substantial and growing risk of either a single, catastrophic event, such as a major fire, or a succession of incremental failures in essential systems which would lead to Parliament no longer being able to occupy the Palace.” Daí o “R&R Programme,” um moderno projeto de renovação e de restauração. A história escrutinará de perto estas deliberações. Afinal, mais que “a masterpiece of Victorian and medieval eras,” as casas monumentais concebidas pelo arquiteto Charles Barry após o Great Fire of 1834 são um universal farol da tradição democrática. — Umm. At the end of the day, as ours Master Will says in Romeo and Juliet, all fluctuate with the criteria that we use to discern nature of convention as also with love: — “What's in a name? That which we call a rose / By any other name would smell as sweet."

 

St James, 29th January 2018

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

A lengthy embroidery & A bridge too far, 2018-22

 

What a nice man is that Donald. And what a lovely plan of Boris. O European Council President, Pan D Tusk, afirma que a EU está de braços abertos para Britain, acaso o governo mude de ideias e revogue o voto popular da Brexit.

Já o Foreign Affairs Secretary RH Boris Johnson quer edificar uma ponte sobre as 350 ml do English Channel.  — Chérie! Tout est bien que finit bien. A Anglo-French Summit termina em Sandhurst com a assinatura de acordos, públicos e privados, pelo President Emmanuel Macron e a Prime Minister Theresa May, apoiados por cheque de £45m para a segurança em Calais. Daqui resulta a vinda da doce relíquia normanda de La Reine Mathilde de Flandre (11th century). — Umm. Do not cross a bridge till you come to it. O anel feminino alarga no poder insular: RH Mary Lou McDonald MEP é a nova líder do Sinn Fein. O US President DJ Trump completa o primeiro ano na White House com usual normalidade: o encerramento do Federal Government, por falta de consenso orçamental. Em Bonn, a Bundeskanzlerin Frau Angela Merkel anuncia a Groko entre as CDU-CSU e o SPD como “a new dawn for Europe.” As atenções políticas continentais deslocam-se agora para Rome. Com sufrágio agendado para 4th March, e sendo as Italian politics mainly a regional affair, temem-se os humores eleitorais face a 11% de desempregados e cerca de 600,000 imigrantes resgatados do Mediterranean Sea no último quadriénio. A Lega Nord candidata-se com referendo sobre o €uro e Signor Silvio Berlusconi esgrime com thatcheriana flat tax.

 


O encanto ritualista não cessa aqui. Acaso o radar esteja ok e dado o poder nos dois lados da Mancha rezar em diferentes panteões, tempo virá para análoga cedência temporária de preciosidade local rumar até ao Louvre ou afim ‒ quiçá simbólica Rosetta Stone, talvez via Waterloo Station. Mas já o líder parisiense se distingue pelo charme com que cá veicula frescas e usadas euromensagens. Assim: Além de disponibilizar o famoso tapiz de 70m, tamanho passível de se elevar como franco Trajan horse, Monsieur Macron tanto defende que o UK receba maior número de imigrantes, quanto admite que os franceses votariam por Frexit se tivessem livre ocasião de referendar o lugar na European Union. Por fim, no veio dos grand projets que uniram o President François Miterrand a Lady Thatcher, o senhor do Elysée ter-se-á entusiasmado com uma ideia lançada pelo imaginativo Foreign Affairs Secretary: a construção conjunta de uma bridge over the English Channel. Aquém da façanha técnica que tal obra de engenharia pode representar para quantos navegam nos Northern Seas, a visão política dos 560 km nas águas atlânticas desde logo lembra um clássico de Mr Richard Attenborough: A Bridge Too Far (1977), sobre a ‘Operation Market Garden’ durante a World War II. Com o desempenho dos lendários Dirk Bogarde, James Caan, Michael Caine, Sean Connery, Edward Fox, Gene Hackman, Anthony Hopkins, Hardy Krüger, Laurence Olivier, Ryan O'Neal, Robert Redford, Maximilian Schell e Liv Ullmann, o filme foca a tentativa de quebrar as linhas nazis por tomadia de pontos estratégicos em terras ocupadas, Tivessem os Brits dominado a Arnhem Bridge, nas Netherlands, em 1944, e o conflito cessaria “by Christmas.” O flanqueamento militar falha. O armistício só ocorre depois de mais uma tragédia ocidental, visível de Dresden a Berlin.Godly breeze, light rain and gentle friendship at Central London. Em volta restam os vestígios da visita oficial de Monsieur Emmanuel Macron, em vésperas da Davos party nos Alps itálicos e do World Economic Forum emoldurar imprevisto tête-à-tête entre Right Honourable Theresa May e o POUS Donald J Trump. Dos detalhes da cimeira anglo-francesa dizem os registos mediáticos, bastando antes notar algumas singularidades nos resultados da coreografada diplomacia bilateral. O Palais de l'Élysée anui com a vinda temporária para o reino de valiosíssima relíquia medieval: La Tapisserie de La Reine Mathilde, segundo os historiadores gauleses; The Bayeux Tapestry, de acordo com o Guide do Victoria and Albert Museum (Dep. of Textiles, 1921). O empréstimo visa a sua exposição pública, em 2022, no British Museum, sendo a primeira vez em 950 anos que a peça regressa ao lar. Este é um bordado cerzido com a coloração técnica do Kent, contemporâneo da queda insular da House of Wessex erguida pelo King Edward The Confessor. A crónica lavrada na lã ilustra a saga militar de Harold of England entre 1064-66, até à derradeira Battle of Hastings (East Sussex). A tapeçaria acaba na Cathedral de Bayeux e estima-se ser pertença ora da consorte do vitorioso William The Conqueror, ora do irmão deste, o Bishop Odo, Earl of Kent e um exilado que ali morre em 1097. O Tapete Baiocense tem alquimia interessante, algures habitando também no imaginário de quem na modernidade ambiciona conquistar Britain. Em 1804 dele se apodera o Emperor Napoléon Bonaparte, quando prepara a invasão das ilhas; em 1870 repete-se o gesto, por mão teutónica, em plena Franco-Prussian War; e em 1944 é a Gestapo que, às ordens de Herr Heinrich Himmler, o leva para Paris, sem daí nunca sair para o místico destino final ditado pelo Reichsführer das SS: Berlin. As forças aliadas devolvem o artefacto a Normandy.

Notas finais relativas ao estado do tempo na House of Lords e no seio do Ukip, barricadas contra e pró Brexiting. Um novo golpe de espada é desferido no Tea Party nativo: o líder independentista (e ex Liberal Democrat), Mr Henry Bolton, recebe voto de desconfiança na cúpula nacional por estranho sarilho de saias. Celebrizado este porta-bandeira, eis que zune um vaticínio do autor do Article 50 do Treaty of the European Union (aquele que desencadeia o processo de desvinculação dos estados-membros). Lord Kerr prevê que haverá segundo #EuroRef ainda em 2018, capaz de anular a saída britânica em March 2019. Falando ontem aos microfones da LBC com Mr Alex Salmond (o ido Scotland First Minister e ex MP), Lord Kerr marca o calendário de Westminster: “The parliamentary row of the Autumn will be when the government bring back an outline, a framework, of the terms they think they can get for a permanent settlement. If it doesn’t look very good, quite a lot of people in the House of Commons and House of Lords will say now hang on, this isn’t exactly as was promised during the Referendum in 2016.” — Well. Let us since now sing the old Lancastrian tune that Master Will engraves in The Tragedy of King Richard the Second: — “This royal throne of kings, this sceptered isle, This earth of majesty, this seat of Mars, This other Eden, demi-paradise, This fortress built by Nature for herself, Against infection and the hand of war, This happy breed of men, this little world, This precious stone set in the silver sea, Which serves it in the office of a wall, Or as a moat defensive to a house, Against the envy of less happier lands, ---This blessed plot, this earth, this realm, this England."

 

St James, 22th January 2018

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Jerusalem and, Le President Macron, 2018

 

Till we have built Jerusalem, In Englands green & pleasant Land. O dia abre com sentimento fundo de saudades ― da civilidade de Oxfordshire, dos campos viçosos do Kent, da atitude geral do doing the right thing. À mente vêm notas de Herr Martin Heidegger sobre os estados de espírito. Voam, para dar lugar utilitário ao better Socrates de Mr John Stuart Mill (1806-73).

O filósofo do Middlesex é um dos profetas da liberdade, não por acaso. — Chérie! Qui se ressemble s'assemble. O cenário de um segundo referendo sobre a partida do United Kingdom da European Union é publicamente admitido por Sir Brexit. Mr Nigel Farage adverte os Brexiteers para se prepararem para a last dramatic battle, antes que esta lhes seja imposta por maiorias hostis nas Houses of Parliament. — Umm. Why not the best vote of three!? Sandhurst recebe a Anglo-French summit, reunindo o French President Emmanuel Macron com a Prime Minister Theresa May e Cabinet Ministers a par dos Princes William e Harry. Em Berlin, a Bundeskanzlerin Frau Angela Merkel continua a negociar eventual Grosse Koalition entre a sua eurocética CDU com o eurófilo SPD de Herr Martin Schultz. Já pelas ilhas, a ala corbynista do Labour Party reforça a participação no National Executive Committee. Vai crescer. A mega empresa de infraestruturas Carrillion sucumbe na praça da monarquia, sem o resgate à última hora pedido a Downing Street.

 


Sky partly cloudy
at Great London. A town talk está submersa em torno das semânticas da Brexit, após mais uma peculiar remodelação governamental, Há novos talentos nas fileiras conservadoras. A estampa inicial do pretty much as before é incontornável ao fim do dia, porém. Aliás, algo que evoca os tempos do Major Govt. Uma mexida sensível ocorre na ligação do executivo ao partido: a líder aponta RH Brandon Lewis como new Tory chairman, nome que quer conjugar com o rejuvenescimento da militância. Sob o denominador comum da missing oportunity, o comentário na honorável Press é misto. Assinalemos as extremas da rossio. No jornal crítico dos críticos de Mrs May retrata-se uma tela cruel das subidas e descidas num Cabinet de 25 membros, cuja balança interna soma sete Brexiteers ― Premier excluída. Resume o London Evening Standard do arquirrival Mr George Osborne: “You have to hand it to May. With this week’s «farce,» she has now achieved the hat-trick of the worst reshuffle, the worst party conference speech and the worst manifesto in modern history.” Ouchh. Recorde-se que o editor do assanhado LSE é o anterior Chancellor of The Exchequer, o qual a senhora destituiu ao entrar na residência de Downing Street, Mais equitativo é o favorável Daily Telegraph. Explica Mr James Kirkup que o presente rol de winners & loosers segue o padrão habitual dos “messy and managerial affairs.”

 

Mas Monsieur Macron is coming… again. Em oposição ao divisivo US President Donald J Trump, que acaba de cancelar uma visita a London para inaugurar a nova embaixada americana no reino, Westminster está de braços abertos para com o “young JFK,” O apoio explícito do Number 10 ao ido candidato aquando da corrida ao Palais de l'Élysée dá frutos. O dirigente da Rue du Faubourg vem com o seu top ministerial team e gera expetativas em todos os quadrantes políticos quanto à intermediação parisiense nas duras negociações da Brexit em Brussels. Ver-se-á se, desta feita em contraste com o European Commission President Jean Claude Juncker, no fim da cimeira não há queixas do cozinheiro local e antes louvores à aliança diplomática que secularmente une os primos atlânticos do English Channel. No countdown das chancelarias, faltam 19 meses para a saída dos Brits da Other Union. Justamente quando há uma incrível inscrição no flanco dos disponíveis para re-run referendário. Isto é: A bandeira do #EUref II não é mais exclusivo dos Liberal Democrats, de Sir Vince Cable, para gáudio escocês. É agitada pelo mesmo protagonista que, à frente dos ukippers, há décadas defende o estado soberano insular contra o superestado continental: Mr Nigel Farage MEP, por cá cada vez mais visto em mediáticas cavaqueiras com destacados Remainers como Mr Alastair Campbell (o ex Press Secretary do PM Tony Blair) ou Lord Adonis (o chairman da National Infrastructure Commission que se demite do cargo em protesto contra a política europeia de Mrs May). ― Quite surprising, indeed. What are those three cooking? A new lord?!

 

 A amenizar esta paisagem política, eis uma excelente notícia para os apaixonados do countryside. Whitehall dá luz verde à plantação de 50 milhões de árvores num “120-mile corridor” entre Liverpool e Hull.

A novíssima Northern Forest arranca na primavera e contém cabaz misto de latifoliadas e coníferas, visando criar habitats para espécies variadas como morcegos, pássaros ou os adoráveis red squirrels. Mais: O plano ecológico prevê espaços próprios de observação, para visitantes humanos, espalhados de Leeds a Manchester. O plantio dispõe de um orçamento central de £5.7m e £10m do Woodland Trust, num custo final global de quase £500m. — Well. Not so much. Remember the long life of that beautiful poem penned by Master Will around the Stratford’s mulberry leaves: — “Under the greenwood tree / Who loves to lie with me, / And turn his merry note / Unto the sweet bird's throat, / Come hither, come hither, come hither: / Here shall he see / No enemy / But winter and rough weather. | Who doth ambition shun, / And loves to live i' the sun, / Seeking the food he eats, / And pleas'd with what he gets, / Come hither, come hither, come hither: / Here shall he see / No enemy / But winter and rough weather."

 


St James, 15th January 2018

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Their Finest Hour, 1940-2018

 

New beginnings. 2018 abre com abençoado regresso do olhar total, após brumosas intermitências na humana visão. O episódio recorda-me páginas do diário de Mr Samuel Pepys. Afinal, nunca se sabe o quanto algo ou alguém são essenciais até ao dia da ausência. — Chérie! Les événements présentent toujours des signes avant-coureurs.

O fogo regressa aos céus de London, com incêndio feroz em Waterloo Road. Também a Trump Tower fumega em New York, enquanto o US President Donald J Trump arde em lume pouco brando na fogueira mediática global. — Umm. Dog does not eat dog. Windsor prepara o state theater para a boda do Prince Harry of Wales com Ms Meghan Markle. Além Channel soam as sirenes de alarme orçamental. O European Commission President revela, em Brussels, que a Brexit abrirá “a massive financial hole of around £11bn.” Monsieur Jean Claude Juncker nada diz sobre o repartir da fatura pelos remanescentes estados membros. Já Berlin ultima o governo de coligação CDU-SPD, três meses depois dos eleitores retirarem a maioria à Kanzlerin Frau Angela Merkel. O filme Darkest Hour chega às salas britânicas, na esteira do Golden Globe 2018 para Mr Gary Oldman como best actor pelo papel de Mr Winston Churchill. A cerimónia nos USA serve também para testar a eventual candidatura presidencial de… Mrs Oprah Winfrey.

 

Freezing temperature at London. Apagadas as luzes da Christmas Season e com as camellias, magnolias & rhododendros prometendo florir lá para February, o ano arranca agitado em Westminster Village. Está em curso a Cabinet Reshuffle. Os jornalistas vão debitando os ups, ins & outs. Nada dramático nos primeiros movimentos. Em matéria de novidades, digamos que vigora o método Lampedusa: it all sounds pretty much the same. Ainda assim, a mexida dista de comum windows dressing. A Prime Minister Theresa May não toca nos top jobs, distribuídos por Brexiters e Remainers, mas quer aproveitar a oportunidade para premiar talentos e lealdades nas Tory grass roots. Dois nomes destacam-se desde já no lote do minoritário May Govt 3: a manutenção do controverso RH Jeremy Hunt na pasta da saúde e a saída da popular RH Justine Greening na da educação. Temo as nomeações seguintes, neste persistente balancear das desavindas fações ― com a Brexit como pano de fundo.

 

Histórica remodelação governamental ocorre no reino em 1942. Mr Winston Churchill ocupa o No. 10 e Great Britain está em guerra vital com a Nazi Germany e seus aliados. O líder conservador ousa nomear ministros do Labour Party e cria o cargo de Deputy Prime Minister para o major domestic rival, Mr Clement Attlee. Se o gesto afirma a unidade nacional em encruzilhada bélica da soberania, custa a cadeira primoministerial ao estadista nas eleições gerais de 1945 ― às mãos dos trabalhistas que promove. Attlee chefia o 1st post-war Lab government. WSC entra para a história; regressa em 1951. O posto de Deputy Prime Minister por cá continua e é a causa mediata do presente corrupio em Whitehall. Mrs May desbaratou o número dois na… Pestminster Operation, RH Damien Green MP, contrariando este a boa estrela do cargo. O anterior Deputy PM foi o ora Sir Nick Clegg, na Cameron Coalition dos Tories com os Liberal Democrats (2010-15), o qual, mui orwellianamente, acaba de ganhar napoleónica entrada na House of Lords, após perder o lugar de Member of Parliament por via do voto dos comuns.

 

O facto é inescapável! Contrastante é a estatura do atual pessoal político com o dos vintage 40’s. Ontem como hoje, Britain enfrenta dilemas estratégicos ― como sejam, a II World War e a Brexit. E agora, como então, a história observa os decisores. Em matéria do que o próprio Churchill cognomina como “the gathering storm” para uma “unnecessary war,” os paralelismos começam a ser mais que os previdentes na appeasement road. O futuro dirá. Do passado ditam várias fontes. Os primeiros Downing Street days de Right Honourable Winston Leonard Spencer Churchill são vivamente retratados no filme Darkest Hour. A película narra a ascensão do MP de Oxfordshire ao topo do poder. Estamos dois anos antes do All-parties Govt para bater a suástica de Herr Adolph Hitler, numa tormentosa Spring, marcada pela resignação do PM RH Neville Chamberlain e a dramática retirada militar de Dunkirk, Esta é uma fita maior de Mr Joe Wright, baseada em guião e livro de Mr Anthony McCarten: How Churchill Brought England Back from the Brink (Harper, 2017). O aparelho de produção é o de Theory of Everything (2014) e merece igual percurso do aplauso entre Globes e Oscars. A interpretação de Mr Gary Oldman como WSC é simplesmente superior, sobretudo por bem corporizar alguns dos mais poderosos discursos churchillianos, do "I have nothing to offer but blood, toil, tears, and sweat" a "We shall never surrender," com o plus de um apurado make-up e da mais humana tela do estadista visionada no celuloide; aliás, em contraponto com firme Mrs Kristin Scott Thomas (Dame Clemmie Churchill). Já o clever script de Mr McCarten enriquece se for lido com o rigor histórico de um clássico de Mr John Lukacs, Five Days in London. May 1940 (Yale Nota Bene, 1999).

 

Mão amiga envia-me já um outro livrinho, que, por momentos, abala Washington e arredores: Fire and Fury. Inside the Trump White House, de Michael Wolff (Little Brown, 2018). São 327 páginas carpinteiradas por laureado colunista da Vanity Fair e do Guardian. É também o último episódio de ‘Mr Donald & His Critics.’ O leitor apanha o tom da diatribe no primeiro parágrafo:

“The reason to write this book could not be more obvious. With the inauguration of Donald Trump on January 20, 2017, the United States entered the eye of the most extraordinary political storm since at least Watergate.” Cedo surge a necessidade de atar a leitura com o Article 20 da US Constitution, cunhado no mítico ano de 1933, para dispor da posse e da substituição do POUS, nomeadamente “if the President elect shall have failed to qualify.” Confirmando o estilo peculiar do detentor dos códigos nucleares atlânticos, viperina pena monta o cenário da destituição presidencial por mental reasons. Atendendo à fila, a par da famous Oprah, sobrevém a dúvida sobre se os cenógrafos não deveriam antes aprofundar o perfil público do Vice President Mike Pence "the fallback guy” pincelado por Mr Wolff como “not dumb,” “a cipher, a smiling presence either resisting his own obvious power or unable to seize it.". — Well, well. Consider what wrote Master Will in that older canvas of political transgression called Macbeth: — “To beguile the time, / Look like the time. Bear welcome in your eye, / Your hand, your tongue. Look like th' innocent flower, / But be the serpent under ’t.."

 

St James, 8th January 2018

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The Remembrance Sunday, 2017

 

O Prince Charles of Wales conduz a sua primeira cerimónia no Cenotaph de homenagem aos War Fallen. HM The Queen e o Prince Philip of Edinburg acompanham a parada das Army Forces, a par da Royal Familý e dos dignatários políticos e militares, em moldura humana polvilhada por veteranos e cadetes.

A celebração fica marcada por uma lágrima de Elizabeth II. — Chérie! La voix du sang parle toujours plus fort que les autres. HM Government tem dois novos membros. Mr Gavin Williamson substitui Sir Michel Fallon na defesa e Mrs Amy Mondaunt reveza Mrs Priti Patel no desenvolvimento internacional. Nos bastidores aposta-se no derrube da Prime Minister RH Theresa May MP e a Loyal Opposition, de novo, pede a cabeça de The Rt Hon Foreign Secretary Boris Johnson MP. — Umm. A rolling stone gathers no moss. Há 100 anos, em calendário ajustado, os Bolsheviks tomam o poder em St Petersburg e abrem à revolução comunista. O President Donald J Trump cumpre o primeiro ano de mandato na White House e reinventa-se a oriente, indiferente ao avanço dos Democrats and a lot of firsts nas US State and Local Elections. O Met anuncia temperatures colder than the Artic in the United Kingdom of Great Britain and Northern Ireland. O Smithsonian revela a descoberta de um templo a Ramses II junto ao Cairo (Egipt).

Ao olhar os líderes políticos junto aos pacíficos Cenotaph e Arboteum, por momentos alinhados, interrompem-se as (lacklustrean) querelas partidárias. Simplesmente se celebra the human spirit. A Pestminster Operation prossegue, agora talvez com maior cuidado, após o alegado suicídio de um alegado suspeito na hoste do Labour Party, despedido sem acusação mas logo queimado na praça mediática. A generalidade dos MPs cuida da Brexit e prepara mais justo mapa orçamental, ou assim esperam famílias, empresas e regiões, às voltas com o rosário do dia-a-dia. O negócio para a saída do UK da European Union entra na sexta ronda, com a iniciativa privada a diligenciar esforços junto do 10 Downing Street para reduzir a incerteza. No mais, em teste real e com a vida de uma cidadã a jogo, a British-Iranian Mrs Nazanin Zaghari-Ratcliffe, regressa o sempre gracioso get Boris sport…Expecting the snowing trees at London. As luzes de Oxford Street iluminam já a quadra natalícia, com as zonas em volta afadigadas no movimento comercial, à espera de boas novas do próximo orçamento do Chancellor Philip Hammond e das áreas verdes prometidas pelo Mayor Sadik Khan. No coração de Whitehall é a festa do fim da Great War, to end all wars. O Remembrance Sunday é assinalado aquém e além Channel, com romagens aos Dead Memorials por toda a British Commonwealth, das Ardennes, India e Israel a South Africa, do Middle East e Afghanstan a Japan, Hong Kong e China. Her Majesty acompanha a cerimónia local de uma varanda do Foreign Office, comove-se e comove-nos. Para os veteranos é ainda o reencontro fraternal e para os demais é o contato com inspiradoras histórias de coragem e sacrifício. Nas zonas de conflito à volta do globo, muitos depositam coroas de red, white and purple poppies nas campas de familiares e amigos. 2017 é um ano especial a muitos títulos. Assinala quer a passagem do 99th Anniversary do fecho da First World War, quer o centenário do serviço feminino militar regular, bem como os 100 anos da Battle of Passchendaele e da criação da Commonwealth War Graves Commission. Marca ainda os 75 anos sobre a Battle of El Alamein e a génese do RAF Regiment as well as os 100 anos do nascimento da forces' sweetheart, Dame Vera Lynn. No Armistice Day, à eleventh hour, o reino cumpre dois minutos de silêncio. Em Paris, enquanto escreve no Spectator sobre uma euroreforma trough sovereignty and democracy, também o French President Emmanuel Macron repete o rito na Tomb of the Unknown Soldier do Arc de Triomphe. Como one thing is one thing and other thing is other thing, Germany delibera sobre o batismo do Anne Frank Train.

 

Em hectic days, por motivos alheios aos gentle readers, duas notas finais de natureza bibliográfica. Mr Stephen Fry acaba de editar, em livro e audiolivro, Mythos, A Retelling of the Myths of Ancient Greece (Michael Joseph, 2017, 432 pages). É uma viagem ao paganismo grego, abaixo do Olimpo, entre musas e titãs. Uma sua entrevista a Mr Steve Allen - na LBC, claro - atiça o apetite de o ler. E revisitar o foco ecológico do Pope Francis quando este, em Rome, suscita o debate teológico em torno do casamento dos sacerdotes para cristianizar Amazone. O mesmo apelo à leitura contém a última Spectator, no rol de Christmas Books I. Os abrégés são de tal modo tentadores que, desta feita, impõem misterioso saco natalício cá em casa. — Well. Meanwhile, why not read Master Will and that unique Sir John F in The Merry Wives of Windsor (Act 2 Scene 2): — “Falstaff: Of what quality was your love, then?  / Ford: Like a fair house built on another man’s ground."

 

St James, 13th November 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The Parties’ Ethical Waltz and, The Royal Tax Heaven, 2017

 

Another day, another scalp. A operação de desinfestação nas Houses of Parliament está a gerar vítimas em Downing Street. É ainda o caso das pestinhas sexuais em Westminster, entre alegações mais que sérias e alegações menos que sérias de más práticas relacionais.

O Defence Secretary Sir Michael Fallon e o Tory Whip Chris Pincher MP demitem-se, fragilizando o May Cabinet. — Chérie! L'arbre cache souvent la forêt. Já a BBC enreda o Buckingham Palace nos Paradise Papers, ao desnudar novos segredos dos ditos regimes fiscais claramente favoráveis. O Ducky of Lancaster é um dos investidores que parqueia capitais nas Cayman Islands. Para uns, a gestora das finanças reais faz uma aplicação de “fully audit and legitimate” economia doméstica; mas, para outros, antes serve para exprobar Her Majesty The Queen de evasão aos impostos. — Umm. It's the empty barrels that make the most noise. A par do harakiri dos ricos e poderosos no Old Ally Realm, o US President Donald J Trump ruma para oriente em périplo de Tokio a Beijing com Pyongiang na agenda. No Texas é a further day, a further mass-shooting, agora numa igreja anglicana, com o inquilino do 1300 Pensylvannia Avenue a apontar a dedo um louco islamizado, de arma na mão, zangado com a família. O Science Channel teoriza que Nan Madol, a “Venice of the Pacific,” possa ser Atlantis.

Freezing days at Central London. Com a Red Poppy na lapela, eis súbito retorno à Irak War a dias de um Rembrance Sunday que este ano contará com a presença da Queen Elizabeth II em varanda do Foreign Office e o Prince Charles no Cenotaph. Segundo o ex Premier Gordon Brown, "we were not just misinformed but misled on the critical issue of WMDs." No livro de memórias sobre os seus anos no poder, My Life, Our Times, declara que “a rush” de 2003 resultou de manipulação atlântica e conduziu a uma guerra injusta do governo onde foi Cancellor of Exchequer. Se Flash G ensaia desligar-se das areias ardentes do Chilcot Report que flamejam RH Tony Blair, é em relação ao amigo que raia as portas da indiscrição. Focando o Granita Pact com que, em mesa regada, os dois mapeiam a sucessão no No. 10, revela bastidores do último Labour Govt tal-qualmente óbvios: "The restaurant did not survive and ultimately neither did our agreement." O fato cinzento não está mal, pois. Axiomático é também o último herdeiro da glorious warrior mess. Rt Hon Jeremy Corbyn quer públicas desculpas de Her Majesty pelos £10m depositados pelo contabilista nas Cayman. Entrementes, com a Brexit no frigorífico de Whitehall, os líderes partidários acordam uma série de safeguards para o pessoal parlamentar face às “sexual improprieties” de alguns dos seus MPs.

 

O escândalo carnal que abala as veneráveis pedras de Westminster é a matéria prima da amuzing conversation in town. Mrs Theresa May apela a uma cultura de respeito, mas vê-se ameaçada no cargo primo ministerial pela série de demissões num hemiciclo onde não detém maioria de votos. O líder da Most Loyal Opposition agita com a tolerância zero, para logo ser ultrapassado por um movimento no seu partido contra os “serial sex pests” que mimetiza as feministas conservadoras: o Labour too. A Commons Leader Andrea Leadson quer que o parlamento “take action in days, not weeks.” O Speaker John Bercow escuta umas e outros, até concluir que fará “whatever I can.” Os cidadãos, todavia, assombram-se com a alegada concupiscência. É que o alvoroço apresenta contornos que oscilam do grave ao ridículo. Salvo raras situações, contém pouco ou nenhum sexo. O arguido abuso antes compreende desde satisfeitos casos extramaritais a pacatos convites para tomar um copo no bar da esquina, num ramalhete onde aqui e além, sim, aparecem os handsy boys. Seja como seja, a cabeça de Sir Michael Fallon rola e o Deputy Prime Minister RH Damian Green está sob investigação. Para a história da semana ficam ainda as soberbas declarações da jornalista Mrs Julia Hartley-Brewer, sobre uma mão colocada no seu joelho algures nos princípios do século. “I calmly and politely explained to him that, if he did it again, I would punch him in the face,” diz a veterana das Houses. “He withdrew his hand and that was the end of the matter.”

Concludente desfecho tem a nova produção de Dame Agatha Christie nos palcos londrinos.

“Guilty, My Lord” encerra a mais consumada peça de whodunnit engendrada pela senhora quando, nos 50s, andava pelas paisagens da histórica Assyria, justamente após sucessivos twists de culpa e de inocência para baralhar a prova perante qualquer júri. Recordareis, por certo, The Witness For The Prosecution dos écrans, dadas as inúmeras adaptações. A primeiríssima é vintage, de Mr Bily Wilder, com dupla que afinal é um trio: Mr Tyrone Power (Leonard Vole), Ms Marlene Dietrich (Christine Vole) e Mr Charles Laughton (o único Sir Wilfrid Robarts). Em tempos de concorrência política deslealíssima, o drama está em cena até March 2018 na augusta Chamber do County Hall, sob a direção segura de Ms Lucy Bailey, com Mr Jack McMullen (como acusado de homicídio) e Ms Catherine Steadman (como vítima). “The queen of cunning has been brilliantly served,” sintetiza doce Mr Quentin Letts no Daily Mail. — Well. So goes Master Will with Pompey and all the others characters in that eternal and interminable play Antony and Cleopatra: — “Your hostages I have, so have you mine; and we shall talk before we fight."

 

St James, 6th November 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Papa Xi, The Kremlin Connections and, The Westminster Pests, 2017

 

O insuspeito Washington Post adverte que as campainhas de alarme deveriam estar a soar nas democracias à volta do planeta face à nova ambição de Beijing ascender “a leading global power.”

Esta é a visão para o império do meio traçada pelo China President Xi Jinping no 19th Communist Party Congress, o qual tanto cimenta a sua liderança no poder como o promove ao panteão constituinte, a par do fundador Mao Zedong e do reformista Deng Xiaoping. Ao invés, no palco dos World affairs, as torres gémeas dos US e da European Union afundam-se em tristíssimas trivialidades.  — Chérie! Tout est bon à prendre. A conexão russa faz as primeiras vítimas na equipa do colorido inquilino da White House, com a detenção domiciliária pelo FBI de dois dos colaboradores na campanha presidencial. Brussels arrasta-se entre as negociações da Brexit e a autoproclamada independência dos Catalans. London embaraça-se com a spreadsheet de 27 MPs suspeitos de assédio sexual. — Umm. A drowning man will catch at a straw. Já os arquivos nacionais norte americanos desnudam mais um dos sete véus que envolvem o assassinato do President John F Kennedy em Dallas (Texas) e fresca pegada moscovita. Mr Lewis Hamilton sagra-se “Britain's most successful F1 driver” ao vencer o quarto campeonato mundial no Mexico.

 


Frosty temperatures
at Central London. Conspirações, mistérios e escândalos circulam em Westminster City à velocidade da luz. Atenção primordial, pois, para a estória cintilante do quase centenário Mr Ron Jones em vésperas do Remembrance Sunday. Conta a Sky News que o senhor há três decénios vende a Red Poppy com assinalável sucesso num supermercado local Tesco, sob uma aura especial e recuada à II World War. Soldado no 1st Battalion Welch Regiment no Middle East, em 1942 é capturado pelos Nazis em Benghazi (Libya) e transferido para Auschwitz (Ger). Aqui labora com judeus também escravizados na “IG Farben's infamous chemical factory.” Sobrevive, onde muitos caem que nem tordos. Perto do final da guerra, é forçado pelos caveirosos SS a uma marcha da morte, entre Poland e Austria, 17 gélidas semanas privado de mantimentos, arrostando o fenecimento dos pares, sendo finalmente libertado por tropas paraquedistas aliadas em May 1945. Regressa a casa, em Newport. Hoje, muito justamente aos olhos dos ilhéus, é classificado como "a legend" na comunidade de apoio à Royal British Legion. 

 

Este glorioso avô funciona como o fumo de um bom cubano face à paranoia da talk of the town. Há sexual pests nas Houses of Parliament e seus arredores! Relatórios diários chegam à mesa da Prime Minister RH Theresa May MP, como se lhe não bastara a arenosa negociação da retirada do UK da European Union e a memória dos almoços, jantares e sanduíches no fuso bruxelense com algumas inefáveis personagens. Verdade se diga, porém, que muitos dos rumores se liquidificam nas almas românticas do reino. Ainda assim, senão capaz de coibir os predadores mas dissuasor bastante para os pinga-amores mais temerários, o alvoroço anima as redes sociais ávidas de casos de sexual and racial harassment. Que existe inappropriate behaviour no circuito da misoginia, haverá, e de diversa espécie, entre drugs addictions & drink habits. Indignadas com o abuso, grupos de mulheres a operar em Whitehall engrossam o rol de queixas que há muito rodam pelos corredores da BBC. De tal modo que, hoje, nos Commons, respondendo à Labour MP The Rt Hon Harriet Harman em questão urgente, a Leader of the House RH Andrea Leadsom anuncia um código de ética sexual, enquanto a própria Premier apela em carta ao Speaker John Bercow que "ensure the reputation of Parliament is not damaged further." Uma situação em particular se destaca na tela: quem será, entre os até agora seis implicados, o Tory do HM Cabinet conhecido pelo nome de “Happy Hands?”

 

Após o sky diving protestante junto ao Thames em tempo de celebrar os 500 anos das 95 Theses pregadas pelo Father Martin Luther, a 31 October 1517, nas portas da Castle Church na alemã Wittenberg, nota para um bem humorado kayaking nas ondas hertzianas O Mayor Sadik Khan estreia-se como apresentador de rádio na mais estranha orquestra de pinguins que vem à memória numa semana sem Mr James O’ Brien nas manhãs da amada LBC. Com o trabalhista e o bónus da sua entrevista ao Honourable Lab Leader Jeremy Corbyn, um dia atrás do outro, surgem as vozes incomparáveis do Conservative MP Jacob Rees-Mogg e do Labour MP Chuka Umunna a par do ITV Political Editor Mr Robert Peston. Para currículo numa well-deserved break de James, quando este atinge o primeiro milhão de ouvintes e o Foreign Secretary RH Boris Johnson vai a Lisboa brexitar as cláusulas do Windsor Treaty (de 1386) ao homólogo Dr Augusto Santos Silva, it just could getting worse… Acabado de cair das nuvens, desta feita para as bandas de Hollywood, está Mr Kevin Spacey, nenhum outro senão o protagonista da profética House of Cards. — Well. Meanwhile, as time goes by, why not learn with Master Will at the Barbican and that black Coriolanus: — “Enough, with over-measure."

 

St James, 30th October 2017

Very sincerely yours,

V.