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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

LONDON LETTERS

 

RH May’s last supper, or 28 beers in a bar, 2017

 

O senhor é inequivocamente um clássico. O President da European Commission reafirma pela enésima vez que o UK "have to pay” para avançar nas Brexit trade talks. Até aqui é só eurocratês e questão resumível a zeros.

Mas gloriosa inovação vem do enquadramento legal ora invocado por Monsieur Jean Claude Juncker para justificar o pagamento: “If you are sitting in a bar and if you are ordering 28 beers, and then suddenly some of your colleagues is leaving and he is not paying, that is not feasible.” — Chérie! L'eau est le meilleur des breuvages. A Prime Minister RH Theresa May aproveita o fuso alcoólico. Enceta esforços de phone diplomacy com a Kanzlerin Angela Merkel e outros líderes dos 27 para avançar com o negócio. Já esta noite voa a Brussels para jantar com o herói da LuxLeaks. Na last supper, London obtém o compromisso de aceleração nos tratos. — Well. Nothing is agreed until is agreed. A storm Ophelia abate-se sobre as ilhas britânicas, com vagas e ventos de 118mph guiando cinzas de Portugal. Do Atlantic à California, o fogo carcome a terra e as espécies. As  ancient woodlands do Kent são devastadas pelo avanço da A21. Os astrofísicos anunciam nova era nas estrelas. A East, Austria elege como chanceler Herr Sebastian Kurz, conservador de 31 anos, lá tido como The Messias. O escândalo do produtor de Shakespeare in Love, o mogul Harvey Weinstein, assombra de Hollywood a Hollyoaks.

 

 

A orange sky at London. A Sky informa que o red Oktober ocorre no midday em várias regiões de England. Os metereologistas explicam o fenómeno com air and dusk da Iberia e do Sahara, quando as chuvas torrenciais causam vítimas e danos em Ireland ainda antes da noitada O céu de Gloucester é visto como very freak. Cientistas das universidades de Warwick e Jacob Bremen falam de descobertas nas astrofísicas e na origem dos elementos. Também o Brexitting traz tintas inusuais e talvez almejado magical tipping point. Pelo meio, a Prime Minister janta em Brussels com os EU top negotiators, os inefáveis Monsieurs Michael Barnier e ainda Jean Claude Juncker. Se bem me lembro, a última vez que o grupo jantara foi em Downing St e tudo acaba em desastre. A governança continental insiste no estilo do old Cosimo Medicis. Nem o cozinheiro do nº 10 então escapa ao criticismo eurófilo.

 

Temo, porém, que alguém transmute a Blue Lady em ido RH Neville Chamberlain MP. Seja como seja, as fileiras atrás da dama estão formadas para a sucessão nos Tories e o Old Labour Party tem em RH Jeremy Corbyn a true bennite. No entretanto, tal qual Lady Margaret Thatcher em Fointainbleau, a PM tem sempre a carteira como… ultimate weapon.

 

Já outra senhora atravessa o Atlantic Ocean. Mrs Hillary R Clinton está no reino em grand tour promocional ao seu livro What háppened, narrando causas e cargas pela derrota nas eleições presidenciais americanas de 2016.

A impressão da Simon & Schuster tem 464 páginas, custa £20 e soma a um honoris causa pela Swansea University, em Wales, terra dos ancestrais. O marido ficou em casa, mas ela também não tem tempos livres na série cerrada de entrevistas onde reedita a oposição da Obama Administration à Brexit. Há algo de fantasmático na revisitação. Pela manhã é o Guardian quem prega susto de morte aos ilhéus, ao divulgar a revisão da riqueza nacional em baixa: menos £490 billions. Estimo que o Chancellor Phillip Hammond haja diligenciado contatos junto da ex US Secretary of State sobre as melhores práticas de gestão no bar.Ummm. Take it easy as does Master Will in As you like it: — “O coz, coz, coz, my pretty little coz, that thou didst know how many fathom deep I am in love. But it cannot be sounded; my affection hath an unknown bottom, like the Bay of Portugal."

 

St James, 16th October 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The Lady, The Lyon and, The Butler, 2017

 

O discurso da Prime Minister RH Theresa May visa tocar sensível corda na mente coletiva. Renewing the British dream é o mote, porém, para desastrada encenação na Tory Party Conference.

A voz da senhora não resiste a uma constipação mal curada, cerca de 30 entrevistas em três dias e um discurso de 15 páginas, interrompido pela entrega de um boletim ‘P45’ e ainda um monumental ataque de tosse mais lenços mais água mais pastilhas. — Chérie! Il y a pas de rose sans épine. Em contratenor, com igual dose de ovações, o Foreign Secretary RH Boris Johnson MP faz uma poderosa intervenção de verbo churchiliano. Let that lyon roar é o eco que extravasa as paredes de Manchester e se espraia pelas veias dos ilhéus. — Well. A carpenter is known by his chips. Algures na ilha, o ex cabecilha dos Lib Dems Mr Nick Clegg apela à filiação no Labour Party para obviar à Brexit. Berlin e Paris alinham recusa aos termos do ‘Florence Speech’ para o período de transição da saída do UK da European Union. London apresta o… No deal. O parlamento da Catalonia debate amanhã a proclamação da independência.  O shining British Mr Kazuo Ishiguro vence o 2017 Nobel Prize in Literature, com romagens da memória como The Remains Of The day e esse mordomo de nome Stevens.

 

 

Vibrante é a comunicação do Brexiter mor RH Boris Johnson, “a lucky general” em campanha. Notem este finale do MP de Uxbridge ao perpetivar a retirada do reino do superestado europeu: “There are people say we can’t do it. / We say we can. / We can win the future because we are the party that believes in this country and we believe in the potential of the British people. [..] We are not the lion. / We do not claim to be the lion. / That role is played by the people of this country. But it is up to us now – in the traditional non-threatening, genial and self-deprecating way of the British – to let that lion roar.” A plateia é catapultada das cadeiras. Na Conservative Home, polvilhada de rumores de eventual candidatura do anterior Mayor of London à sucessão nos Tories e em Downing Street, Mr Paul Goodman é lapidar quanto ao X Factor: “[T]he week will have reminded them of an inconvenient truth – namely, that the Foreign Secretary stands out from his Cabinet colleagues in being able to make a mass Tory appeal with pizzazz, wit and gusto.”Still dry days at Great London. A petit histoire, para começar. Há muitos anos atrás, ao assistir a ilustre ópera num teatro português, soa um inesquecido comentário nas filas em volta no momento mais dramático do musical: ― “Morreu muito bem.” Efetivamente, após uma longa e trinada ária, a heroína jazia em palco. O episódio regressa, com um sorriso, quando escuto nas ondas hertzianas o discurso de Mrs May no último dia da Conservative Conference. O fantástico James O’ B cedo informa na LBC que caíra o “f” da mensagem atrás da oradora ― Building a country that works for everyone. Segue-se uma opereta trágico cómica. A meio da intervenção, a Husky voice da Premier fenece. A Lady tosse, regressa às palavras, tosse, a voz enfraquece, tosse, o som esvai-se. As interrupções são pontuadas pelo bom humor da PM. A sala ergue-se em apoio. A senhora retoma a prédica. É socorrida aqui e além, sendo até brindada com uma carta de desemprego por infeliz prankster. Resultado do evento? Os Mayists felicitam-na pelo figting spirit. Os críticos fustigam-na com a metáfora viva de quem have nothing to say. O imparcial Mr Tom Peck conclui que “not for anything like the first time in recent years, the satirist is reduced to transcriber.”

 

Em linha com o estilo de Sir Winston Churchill, aplauso e aclamação vai ainda para outro talento das imaginary homelands: Mr Kazuo Ishiguro. Muitos terão talvez presente o trabalho do 2017 Nobel Prize in Literature por via do filme The Remains of the Day, do Director James Ivory, com a dupla Mr Anthony Hopkins e Mrs Emma Thompson. As suas palavras soarão até revestidas pelo inconfundível timbre de Mr Stevens, the imperfectly perfect butler, ao exclamar “it's not my place to have an opinion” quando este rememora Darlington Hall ou celebra “the calmness of beauty, its sense of restraint” ao viajar por England. Pintam KI como um exótico híbrido de Mr Franz Kafka e Miss Jane Austen; leio-o com cores próprias. E vero prémio entrega a Stockolm Academy ao literato quer do quintessential British manor house book, quer de An Artist of the Floating World, When We Were Orphans ou A Pale View of Hills.Well, well. A fine reading for sure after those tricky lines of Master Will in Troilus and Cressida: — “The ample proposition that hope makes / In all designs begun on earth below / Fails in the promis'd largeness: checks and disasters / Grow in the veins of actions highest rear'd."

 

St James, 9th October 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The party conferences’ season, 2017

 

Com locais de reunião inverosímeis no reino, eis que chega a estação das conferências partidárias. É fruta da época. Os conservadores concentram-se em Red Manchester com o chapéu da PM RH Theresa May MP no topo da agenda. Os trabalhistas convivem em Brighton cantando Oh Jeremy!

Os Lib-Dems consagram a liderança de Sir Vince Cable em Bournemouth. E os ukipper's adotam de assentada, em Torquay, um novo dirigente e um leão como logotipo. — Chérie! C'est au pied du mur qu'on voit le maçon. O programa das obras de conservação do Big Ben e da Elizabethan Tower duplica de preço. Estimado em £29m na primavera de 2016, “including VAT, Risk and Optimism Bias and transferred fire safety work costs,” o valor total do projeto envolvendo a Tower, o Great Clock e o Great Bell sobe para £61m. — Well. With that Victorian masterpiece, we have to watch them. Catalonia redige declaração da independência. OS US vibram com a devastação em Puerto Rico e massacre em Las Vegas. Na Australia, Mr Elon Musk revela o plano da SpaceX para povoar o planeta Mars. 

Autumn days at Great London. Westminster District desertifica-se por momentos dos honoráveis talking animals. Por curioso alinhamento astral, os principais clãs partidários rumam para a costa que tanto inspirou os vitorianos a par da flora e da fauna. Desses tempos da revolução industrial perduram palavras e imagens, casas e paisagens, artes e ideologias. Temo que a hodierna safra à beira mar não se lhes equipare na técnica de pastorear as gentes. É que, na bissetriz, ainda que também visem apelar à emoção das audiências, again and again, is all about Brexit. Mas observe-se a beleza desta tela de Mr Briton Rivière (1840-1920). A dama é a sua daughter-in-law, Mrs Henrietta. O óleo está na Tate e é um todo um depoimento político. Contém uma estória, tem elegância  e mostra um ideal. Não de todo por acaso, o pintor de St Pancras afirmava-se "a great lover of dogs," notando algures que "you can never paint a dog unless you are fond of it.” Hoje, simplesmente, há mistério a menos.

 

Ora, com os megafones e as câmaras no rasto, os partidos reúnem os fiéis em grandes capelas desenhadas para uma sociedade espetáculo.  Só RH Jeremy B Corbyn prega durante 75 minutos. Enfim, no potpourri do Labour Party arvora-se a ideia da escola pública… from cradle to grave. Os Liberal Democrats cinzelam políticas para travar a desigualdade, enquanto o seu capitão afirma aos incrédulos que levará o partido “back to power.” No entretanto, porém, desbarata um dos seus. Os ukippers ganham um antigo Lib-Dem e ex soldado de Her Majesty para o leme, desta feita até com apoio de Mr Nigel Farage. O quarto líder da ala roxa no espaço de um ano é um ilustrissimo desconhecido chamado Henry Bolton. O senhor faz sintético discurso na coroação: hasteia o pendão da Brexit, “which is not the end of the history,” agradece aos team players e eleitores, mais em quem nele não vota. Por seu turno, os Tories arrancam a conferência anual com promessa juvenil de congelar as tuition fees e deles se saberá nos próximos dias. Por hoje, depois de uma ode ao capitalismo feita no Bank of England, basta parabenizar Mrs May pelo 60.º aniversário nas bandas de Manchester-by-sea.

 

Já o Spectator antecipa a saída de Mrs Emma Rice da direção artística do Shakespeare’s Globe. Nas usuais notas semanais, invocando a Thames breeze, Mr Charles Moore resume o desempenho: “The search for novelty in the arts, from which she benefited, is undoubtedly necessary, but it does often produce what Dr Johnson (speaking, in fact, of Cymbeline) called ‘unresisting imbecility’.” A opinião do biógrafo de Lady Thatcher será decerto fatal no palco elizabetheano. Ainda assim, após elencar erro após erro, celestial é a conclusão do grande Samuel Johnson sobre a peça do bardo: “To remark the folly of the fiction, the absurdity of the conduct, the confusion of the names, and manners of different times, and the impossibility of the events in any system of life, were to waste criticism (…), upon faults too evident for detection, and too gross for aggravation.” — Hum. What could then heavenly be said about this one of Master Will in Julius Caesar: — “It is not in the stars to hold our destiny."

 

St James, 2nd October 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The hand of God, 2017

 

A mão de Deus passou por Parsons Green Station. Há um bombista incompetente e uma bomba que não mata em mais um ataque terrorista em London. À explosão no metropolitano sucedem gritos e rostos lívidos, pânico e estupefação.

As pessoas abandonam os haveres e perdem até os sapatos ao correr para fora das carruagens apinhadas. Surgem os gestos que ajudam e os que atropelam. O divino desce ali sob a forma dos bons samaritanos. E há ainda aquele British spirit do keep calm and carry on. Um 18th years' old é capturado em Dover.  —  Chérie! Les jours se suivent et ne se ressemblent pas. A Great Repeal Bill passa com confortável maioria na House of Commons, em nova etapa legislativa rumo à separação continental. O Foreign Secretary RH Boris Johnson agita as àguas com um artigo no Daily Telegraph ao recordar causas, formas e finalidades da saída do UK da European Union A Prime Minister Theresa May igualmente prepara memorável intervenção sobre a Brexit, esta semana, em Florence (It)  — Well. Actions speak louder than words. O furacão Maria gira nas Caribbeans. O US President DJ Trump discursa nas United Nations e exorta o Secretary General António Guterres "to make changes.". Em Brussels, o EU Commission President Jean-Claude Juncker reafirma que o reino unido "will regret leaving" enquanto traça uma utópica visão federalista do superestado europeu.

 

Light blue clouds at Great London. O senhor louro puxa da pena e é sempre um imenso alvoroço. Bastam pouco mais de 4,000 palavras espalhadas pela primeira página do Telegraph e eis fresco recentrar do debate em torno do Brexiting. Esta é a primeira intervenção pública de RH B Johnson depois do histórico voto no euroreferendo e um recatado silêncio nas funções do Foreign Office. Ora, Boris escreve a 2017 UK Declaration of Independence. E é o splash quando a direção das negociações eurobritânicas parece rumar para um forçadíssimo consenso balizado por indefinido período de transição com acesso ao mercado único e indeterminado cheque do Treasury pela trela. A dias da Prime Minister May fazer “a major Brexit speech” na cidade italiana filha da Old Rome, ao que se sabe, para detalhar as linhas orientadoras do seu definidor discurso em Lancaster House, o campeão dos Leavers retoma as ideais centrais do argumento que persudiu 17,4 milhões de britânicos a optarem por futuro soberano. Apenas dois sublinhados em peça de leitura obrigatória. O dinheiro dos contribuintes hoje enviado para o orçamento bruxelense será bem melhor aplicado segundo prioridades domesticamente definidas. A permanência do país nas estruturas comerciais ou aduaneiras da Europen Union, seja qual seja o molde formal, fará do voto democrático de 2016 "a complete mockery."

 

As reações às palavras escritas de Boris são tempestuosas. Uns veem na tinta um movimento para publicamente condicionar o Her Majesty Government nas negociações da retirada continental e outros antes aqui vislumbram pé de candidatura à liderança dos Tories. Destaque para a resposta da Home Secretary RH Amber Rudd, e possível rival pelo leme conservador, de o colega intentar a "back-seat driving." Ineludível é a surpreendente vinda a terreiro do ex Mayor of London revelar que a Prime Minister tem tarefa difícil na condução do seu Cabinet. Tal qual inequívoco é, dias depois do incendiário discurso federalista de Mr Juncker no European Parliament, já com trono imperial e exército a 27, Mr Johnson ter injetado um sopro de oxigénio no debate político interno, com uma positiva visão de Britain pós Brexit de novo erguida no meio dos espantalhos semeados pelo omnipresente Project Fear. Ele é o rosto otimista da autonomia, o qual muitos querem apagar num país que há muitos séculos experiencia a vida em liberdade.

 

A semana fica também marcada pela perda de um dos grandes. Parte da existência Mr Peter Hall (1930-2017), o empreendedor que funda a Royal Shakespeare Company em Stratford-Upon-Avon e encenador que dirige o National Theatre em London. O seu nome está indissociavelmente ligado às artes e ao que de melhor há décadas roda nos palcos britânicos, entre Camino Real e Amadeus, da voz de Mr Laurence Olivier, John Gielgud ou Anthony Hopkins ao estilo de Dames Maggy Smith, Peggy Ashcroft ou Judi Dench. Deixa legado valioso e inspirador. — Farewell, gentle Sir. Go by the sun and see Master Will remembering his deep poetry: — “You and I will meet again, When we're least expecting it, One day in some far off place, I will recognize your face, I won't say goodbye my friend, For you and I will meet again."

 

St James, 18th September 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

  

Returning to the Realm, 2017

 

Após um adorável interregno de férias, eis o regresso ao suave reino. A vida política permanece marcada pelo debate em torno do Brexiting.

Tudo, aliás, parece tão diferente quanto é assaz igual. Se os Tories mantêm o rumo com a manutenção de RH Theresa May MP no leme governamental, apesar da murmuração, o Labour Party acomoda a ambiguidade com novo posicionamento europeu: quer agora garantir um perído de transição com acesso… ao mercado único. — Chérie! À l'impossible nul n'est tenu. A House of Commons ocupa-se em maratona de esgrima em torno da Great Repeal Bill, o diploma âncora na retirada de Britain da European Union. A contrabalançar  a alta mercurial em Westminster, a frente negocial em Brussels evidencia graus árticos. — Well. As you know, bad money drives out good. Além Atlântico, a estação dos tufões causa vítimas e danos. Os Clintons regressam em força às capas das revistas, a par de Mr Al Gore e a climática inconvenient truth. No continente começa a contagem para o teste popular da Bundeskanzlerin Frau Angela Merkel nas eleições federais alemãs. Preocupante é o adensar da crise na península coreana, com guerra aberta de palavras entre Washington e Pyongyang. Nas ilhas, os Duke e Duchess of Cambridge anunciam que esperam o seu terceiro filho. 

 

Sky partly cloud at Central London. O nome é equívoco, mas…surpresa, surpresa. A denominada Great Repeal Bill acaba de confirmar algo de que até agora se duvidava: a existência parlamentar da Her Majesty’s Most Loyal Opposition. À hora a que escrevo, o Labour de Mr Jeremy Corbyn ameaça resistir à aprovação do diploma que determina a integral transposição das leis europeias para os Statute Books, algo que, convenhamos, é de todo em todo distinto do sugerido no título. Os conservadores censuram o gesto como visando gerar “caos and confusion” na Brexit e boa fatia dos observadores vê aqui fio conspiratório da resistência ao divórcio continental. Seja como seja, a bem de democracia, os trabalhistas questionam os chamados poderes do King Henry The Eight  que a proposta governamental entregará aos ministros “without a proper parliamentary scrutiny.” Se o enredo nos Commons ostenta uma singular ironia histórica, logo o Tudor!!, a vera novidade deste Summer vem das fileiras eurófilas. Em mais uma intervenção pública, nas Sunday Politics de ontem, RH Tony Blair aponta a responsabilidade do voto eurocético à… emigração maçiva. Daqui parte para refrescada via para intentar segundo euroreferendo: na sua ótica, basta que o UK adote “tougher immigration policies” e a outra Union reforme o seu modo de funcionamento, Comentário desta manhã do grande Nick Ferrari na LBC: “This is the man who presided over opening the gates.”

 

Sublime mesmo nestes dias outonais é o regresso de Victoria. Mrs Jenna Coleman corporiza novamente a segunda série da ITV sobre a jovem rainha, quando Dame Jude Dench está em vésperas de revelar no celuloide um seu tardio amor ― até agora omisso nas crónicas reais e que não é o querido cavalo Almonzo. Para já saboreie-se a elegância neoclássica do conto televisivo, ao som inconfundível da Gloriana, dado que bem escrito e bem interpretado. A história retoma a prévia meada, cujo finale fora o nascimento da homónima primogénita do casal Saxe-Coburg. Porque as tensões up and downstairs estruturam a trama, eis a monarca às voltas com os delicate times da maternidade e ainda com os dédalos teutónicos a somar à gestão dos assuntos num reino em notável metamorfose. Os três primeiros episódios são soberbos no entrelaçar da visão política e da vida familiar, entre os lençóis reais e as Corn Laws, sobre a tela do poderoso império global em construção. O resultado fílmico é simplesmente  excelente. A tal nível de qualidade, também a criadora Mrs Daisy Goodwin está a erguer mais um Brit drama para conquistar o globo. — Great, indeed. And as Master Will writes in his unique Midsummer Night's Dream, let us leave with a fine heart: — “So, good night unto you all. / Give me your hands, if we be friends, / and Robin shall restore amends."

 


St James, 11th September 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS


Prime Minister RH Theresa May, 1956-2016

For goodness' sake! What will happen next!? O Tory Party resume a eleição da liderança a RH Theresa May MP e o reino ganhará uma nova Prime Minister durante os longos próximos dias. A last woman standing emerge após um hubristic weekend, pleno de atrito e que dita abrupto abandono de RH Andrea Leadsom da corrida ao Number 10. O gesto a todos surpreende. — Chérie! Il ne faut pas se fier aux apparences.

Há 500 anos, alva de 6 July 1535, morre Sir Thomas More na Tower of London. O ex Lord Chancellor é executado por se recusar a jurar o Oath of Succession que legitima a descendência do King Henry VIII e Lady Anne Boleyn na Tudor Crown. Em 1516 publicara Utopia. — Humm! Honey is sweet, but bees sting. O Chilcot Report, 13 livros para 9 dias de leitura sobre a Iraq War, crucifica o Blair Government. O Labour Party apresenta desculpas públicas e as famílias dos caídos visam reparação: Hague e o Parliamentary impeachment são opções contra Mr Tony Blair & co. Já um outro protagonista do definidor Azores Meeting, em 2003, e ido líder da EU Comission, o Dr Durão Barroso, entra no Goldman Sachs. A NATO Summit reúne em Warsaw ainda com as GW Bush’s Wars na agenda. O French President François Hollande anuncia viagem aos 27 em promoção do projeto federal. A violência atormenta as noites americanas de Dallas, com um sniper a abater 11 polícias durante manif do Black Lives Matter. Mr Andy Murray e Ms Serena Williams triunfam nos belíssimos Wimbledon Championships. Também Mr Lewis Hamilton vence o British Grand Prix e Portugal conquista o Euro 2016.

 

Occasional rain over Central London and… another wild day at Westminster. Os eventos evoluem enquanto escrevo e o fluxo de alta trepidação política dos últimos meses manifesta-se a céu aberto. Prenunciados na geopolítica dos 60s por RH Harold MacMillan, pasma a rapidez crescente dos winds of change na esteira do Brexit divide. Na Number 10 Tory Race, afastado The Assassin nas votações parlamentares e caída The Newcomer em fogo mediático, RH Theresa Mary May ganha as chaves do 10 Downing Street. Antes da ida a Buckingham Palace, a ainda Home Secretary arvora três bandeiras: unidade (Tories and Country), igualdade de oportunidades (a society that works for everyone) e uma acertada saída da EU (Brexit means Brexit). Daí a situação ostentar incógnitas que só a posse neste Wednesday aclarará. Afinal: Que negociação com a European Union? Qual o futuro para a US-UK special relationship? Será este um ritual Tory de coroação ou, como a Loyal Opposition apregoa, o último passo nos preparativos para an early general election?

Face à inequívoca strong proved leadership agora avançada pelos Conservatives, “a safe pair of hands,” como cá se qualifica The Right Honourable Member of Parliament for Maidenhead, logo exigem quer o Labour, quer os Lib-Dems, quer os Greens a realização sooner than later de uma consulta popular para legitimar a segunda mulher na residência oficial de Downing St. O caso dos trabalhistas admira, porém. Este é o partido cujo líder RH Jeremy Corbyn dispõe da confiança de 20% do grupo parlamentar, não possui aliados bastantes para formar apto Shadow Cabinet e hoje mesmo é desafiado a ir a votos pelo exercício no leme por RH Angela Eagle MP. É o culminar de um cerco parlamentar que leva semanas e ameaça a própria existência do Labourism. Ora, apesar do aplauso dos ativistas fora de portas, a bravia realidade interna fere o desígnio do poder. O Tweetminster revela até triste sequência aquém do infortúnio de Mr Blair. Os trabalhistas reclamam a antecipação de eleições no reino (agendadas para May de 2020) em primeiro press release do dia e apenas seis minutos depois emitem segundo comunicado a dar conta da candidatura rival à liderança da sua MP por Wallasey. Nem tudo é cruel. A caótica situação auxilia à rearrumação das tropas na maioria. Abre o cerimonial de all behind Theresa com que desfilarão doravante os extenuados Tories. O baixar dos estandartes de Brexitters e de Bremainers ocorre perante uma unanimemente aclamada sucessora no Cabinet Office do PM David Cameron, mas também da ida Lady Margaret Thatcher: uma woman Prime Minister, nascida em Eastbourne (Sussex), geógrafa pelo St Hugh's College de Oxford e antigo quadro do Bank of England, politicamente identificável com a ala liberal do clássico One-Nation Conservatism e de quem esperamos visão, capacidade e boaventura para unir o Post-Brexit UK

  

Nota final para imperdível exposição na British Library sobre o livro e o enigmático autor de The Best State of a Commonwealth. Até 18 September, na casa do 96 Euston Road, exibe-se Visions of Utopia. A mostra marca os 500 anos da obra que laureia os contemporâneos descobrimentos portugueses e inaugura moderno género literário sempre capaz de doar novos mundos ao mundo. Articulando com Utopia 2016: A Year of Imagination and Possibility, em Somerset House, explora as formas de uma singular imaginação em inquieto reinado Tudor. Entre itens e retratos pessoais, vêem-se várias edições e ensaios da fantástica viagem que abre com storytelling do piloto Raphael Hythloday quando este parte de Brussels para Antwerp e depara com o mercador Messer Peter Giles. A peregrinação encerra com a conclusão de "there are many things in the commonwealth of Utopia that I rather wish, than hope, to see followed in our governments." No mais que por aí vem, e é muito, voto de best wishes to ours new brave Lady of the House. — Aye! In Romeo and Juliet identifies Master Will the sacred that exists in certain ties: Here comes the lady. Oh, so light a foot / Will ne'er wear out the everlasting flint. / A lover may bestride the gossamers. / That idles in the wanton summer air, / And yet not fall. So light is vanity.

 

St James, 11th July 

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

 

A time for hope and optimism, 2016 - …

 

Quite a busy week! Aos 90 anos, sorriso a azul claro, HM The Queen simplesmente deslumbra na abertura da Fifth Session of The Scottish Parliament. Elizabeth II fala na conjuntura especial do post-Brexit UK.

Observa que “occasions such as today are rightly a time for hope and optimism.” Aponta para “deeper, cooler consideration of how challenges and opportunities can be best addressed.” Exorta à inspiração política ancorada sobre “the founding principles of the Parliament and the key values of Wisdom, Justice, Compassion and Integrity”. — Bonjour, mes chers amis. Oú allez vous? Há 100 anos, na última noite em Downing Street, a leitura ocupa o PM Herbert Henry Asquith. Conta Margot, Countess of Oxford, que vê HH a ler The Bible. O liberal pausara a tradução de Mr R Kipling para Greek com que ocupa a mente desde a cruenta catástrofe no Somme. Britânicos e franceses haviam atacado a linha alemã na alva de 1 July 1916. Morrem ao ritmo de um por segundo. Um milhão de vidas cai nos dois lados das trincheiras. — Humm! War is an expression of politics by other means. O refrescamento das lideranças acelera. Depois dos Tories, também Mr Nigel Farage MEP se apeia no Ukip e RH Jeremy Corbyn está cercado no Labour. Na Number 10 Race, uma mulher arrumará a casa: RHs Andrea Leadsom ou Theresa May. A Home Secretary lidera, após dramático abandono da corrida por RH Boris Johnson na sequência da aparição de moderno Macbeth na corte de Sir Cameron. Na contagem decrescente para a divulgação pública do Chilcot Inquiry sobre a Iraq War, aposta-se em Mr Andy Murray nos Wimbledon Championships. No Euro 2016, o admirável Team Wales vence Belgium e ruma às semifinais face a… Portugal.

 

 

Sunny, bright days, with light clouds, occasional rains and even warm winds at Great London. A névoa matinal cedo se esvai. Já a luta entre independentistas e globalistas continua ao rubro. We, The People have spoken - but... Só com voo da imaginação se acompanha a trama líquida. A espiral dos dias intima a literacia no New Pressure Political Cooker Cookbook! Analisemos. Os grandes prestigitadores ocupam a praça mediática, em toda a linha; enfatizando as divisões. Uma catch-all march enche Westminster Square, com fumos vermelhos e cânticos de Love EU. Mr Toni Blair manobra a big selling message: "The will of the people could change after exit negotiations.” Donde, em vésperas do Iraq War Inquiry e do temor da crucificação de Asquith: “Don't rush to Brexit - we've got to keep our options open!". O dossiê é agora The Project Fact. I. é Project Fear II, ou encenar the Brexit chaos. Porém, abramos com as indispensáveis palavras de Her Majesty nas Highlands. Por extenso, a fim de vero entendimento. Primo, parar: “We all live and work in an increasingly complex and demanding world, where events and developments can, and do, take place at remarkable speed; and retaining the ability to stay calm and collected can at times be hard.” Secondo, ver: “One hallmark of leadership in such a fast-moving world is allowing sufficient room for quiet thinking and contemplation, which can enable deeper, cooler consideration of how challenges and opportunities can be best addressed.” Terzo, ouvir: “I am sure, also, you will continue to draw inspiration from the founding principles of the Parliament and the key values of Wisdom, Justice, Compassion and Integrity that are engraved on the mace.”

 

 

So, what about The Politics of The Day? Desde as datas do fim de Lady Thatcher em Downing que nada de símil se vira; então com um justérrimo adicional de homicida enclausurado nas sidelines ao invés da indecorosa alternativa de ocupar The First Chair. O vácuo do poder é sempre terrível. Daí, aliás, a treinada presteza com que cá se fazem mudanças no Number Ten. A coisa é tal, que a literatura logo é chamada à interpretação. As referências invocam cena de The Sopranos (in the Middle-earth, of course), Game of Thrones ou The Tragedy of Macbeth. RH Boris Johnson é assassinado pelo seu chefe de campanha, ao vivo, na televisão, a horas da candidatura a Prime Minister. O ato visa ser fatal para o Brexiter: adaga bem na testa, a fim de não mais colher votos na floresta. Tal qual como a Sir Cameron, que ao ávido ofertara o posto em Whitehall, ao par falham… “that executive authority, that strength of purpose, that clarity.” A Premier, antes outro: Ele! Para o demonstrar, lê a radical 5,000-word manifesto. “Treachery! Brexecution!,” ecoam as Houses of Parliament. O Tweetminster ensandece. “Gove’s betrayal of Boris must be one of the most treacherous in Tory history. More brutal than Geoffrey Howe & Margart Thatcher,” sintetiza Mr Sebatian Payne. Rádios e jornais pontificam: “Et Tu Brute!” A autópsia da intriga ocorre ontem, finalmente, em technicolor, na BBC. O Justice Secretary é etiquetado por Mr Andrew Marr como “a political serial killer,” com punch question saída do sinistro livro de Lord Dobbs: "House of Cards - you're our Frank Underwood, aren't you?"

 

Que estranho alinhamento de planetas estará a ocorrer? A explicar the snake in the grass, temos voraz Lady Macbeth! Conclui-se que o vento eureferendário ainda está a passar e tudo levará. Os ajustamentos na political landscape são duros. Em pico de crise (= desafio + oportunidade), o comum desassossega e o pigmeu mira o colosso. Ora, os partidos em cacos rogam por mão. Por graça das estrelas, várias mulheres avançam já de vassouras em riste. Se no continente domina a Bundeskanzlerin Frau Angela Merkel e além Atlantic rola a Senator Hillary Clinton, do lado de cá do Channel sobrevém lote feminino cada vez mais resoluto. Os Tories agendam o first round vote na sucessão do PM Cameron: RHs Stephen Crabb, Liam Fox e Michael Gove escoltam as favoritas Leadsom e May. Na Labour Party Civil War sobressai a Shadow Cabinet Angela Eagle para revezar Comrade Jeremy Corbyn, após 80% do PLP aprovar bizarra moção de desconfiança e a todas as horas do dia clamar pela sua demissão. Já o Ukip ostenta a ida (e suspensa) Deputy Chairwoman, Mrs Suzanne Evans. — Well! In A Midsummer Night’s Dream recognizes Master Will those unusual women. At the royal court, when Theseus puts Hermia before two choices—either to die the death or abjure for ever the society of men, her reply comes with calm assertiveness: So will I grow, so live, so die, my lord, … My soul consents not to give sovereignty.

 

St James, 4th July
Very sincerely yours,
V. 

PS: Happy Fourth of July, dear M!

 

 

LONDON LETTERS

 

 

Decision Time, 2016 June 23

 

Bandeiras a meio mastro nas Houses of Parliament, flores em Westminster Square e lágrimas nas bancadas dos Commons. Uma branca e outra vermelha, duas rosas assinalam o lugar vazio de RH Jo Cox MP, 42. O choque une as hostes partidárias também num Remembrance Service na St Margaret’s Church, em tributo 

à deputada trabalhista assassinada numa rua de pacata town village de West Yorkshire. A decent, warm and joly person, dizem quantos a conheceram. Também uma defensora da estada do UK na European Union, da liberdade de movimentos e da política de portas abertas. Desconhecida ainda a exata configuração da tragédia, às mãos de um tonto local algures salpicado de fanatismo, cedo há quem não resista a triste, divisiva e oportunisticamente politizar a perda de uma vida na campanha euroreferendária. — Chérie. Avez vous l’esprit de l’escalier? O trovão e a fúria da batalha entre o In or Out baixam de tom. Mas o ar ainda crepita. — Hmm! The choice is ours. As operações antiterroristas, o alarme e o medo sucedem-se no menu mediático. Estado de alerta zune em Brussels e nos estádios do Euro2016. Nos US, um britânico é detido por atentar contra o aspirante republicano na White House Race. Já Mr Donald Trump visita o reino e o NYT faz contas à sua candidatura: dispõe de $1.3 milhões face aos $42m de Mrs Hillary Clinton.

 

 

Wonderful nights and very fine days at Central London. A atmosfera húmida do veraneio assiste à dramática descida da temperatura política, após espessa bomba de fumo lançada por imaginativo Chancellor of Exchequer ocupado em guess £30b work em orçamento post-Brexit. Ora, desde May 11, 1812 que o sangue não perspassa tão intensamente o Palace of Wesminster. A violência é por definição alheia ao regime, mas aqui e ali até as sociedades abertas atemoriza. A competição de visões tem procedimento retórico e protocolo eleitoral do princípio ao fim. Ontem, porém, um negociante ensandece e alveja o Prime Minister RH Spencer Perceval em pleno Lobby da House of Commons. Hoje é uma jovem e ativa deputada, eleita em 2015 pelo Labour Party, a perder a vida às mãos de insanidade assassina. Muito se supôs, diz e escreverá sobre o homicídio executado em Birstall, logo depois da MP open surgery na biblioteca local. No atordoado dia seguinte, entre testemunhos de perturbações e de elos a organizações nazis, um tabloide dispara premeditada bala política na primeira página: “MP dead after attack by Brexit gunman.” A Yorkshire Police dispensa suposições sobre a mente assassina, que guarda atrás das grades. Seja como seja, loucura do presente ou agravo do passado, começa público trabalho das emoções na reta final para o voto que decidirá o abandono ou a permanência do reino na European Union. A tendência altista do Leave cessa de bater nas sondagens e até os mercados acalmam.

 

Imagem perfeita do estado do British public é RH Jeremy Corbyn. O líder do enlutado Labour Party está hoje no primetime da Sky News e todo ele, da voz aos gestos e atitude, denota um desconfortável reluctant Remainer. O próprio admite o que tantos lhe criticam pela quase ausência do debate referendário. As memórias ainda pesam. Também nas Sunday politics, um agora calmo Prime Minister RH David Cameron vivera cena terrífica ao seu EU deal ser comparado no BBC Special Question Time a nenhum outro senão o Munich agreement de RH Neville Chamberlain em 1939. Jez enfrenta exigente audiência de jovens e o mínimo a dizer do teste é ser honesto desempenho. Declara não ser “an lover of the European Union,” antes um internacionalista que equaciona o Yes, Brussels como mal menor - numa “EU that must dramatically change.” Facto incontornável é que, até chegar à red leadership, o senhor era um assumido eurocético. Aliás, a private joke tem lugar no novo blogue do CNC: os dois lados do argumento In/Out vêem Comrade Corbyn como a double agent, dada a tardia mobilização do voto trabalhista. Quando tal pergunta soa, ouve-se mesmo o suave destrunfar - “I’m not going to take blame for people’s decisions - there will be a decision on Thursday.” No mais do espinhoso voto de 23rd June: Only 72 hours to go…

 

 

Uma breve nota sobre a fantástica missão espacial do Major Tom Peake a fechar esta missiva. A garotada, e não só, explode já em curiosidade cosmológica. Oficial do Army Air Corps colocado no ESA’s Centre de Cologne (Germany), o astronauta de Chichester regressa to Earth após seis meses na International Space Station. Desde December que observa o planeta à altura média de 248 milhas e a velocidade tal que completa a circunferência terreal a cada 90 minutos. Com os pés no solo, cedo regista saudades da visão orbitral. O seu rosto denota algo da beleza colhida ao sobrevoar mares e continentes a ritmo diário do ir à lua e voltar. Sorri, em contínuo. — Well! In the sonnet of Lucrece says Master Will something about that heavenly effect: Beauty itself doth of itself persuade, The eyes of men without an orator.

 

St James, 20th June
Very sincerely yours,
V.

LONDON LETTERS

 

 

God Save The Queen, 1926-2016

 

Good heavens! Temos a Rainha! Dias encantadores nas comemorações do aniversário oficial de Elizabeth II, abençoados quer com a chuva do English Summer e a Trooping the Colour Parade, no recinto dos Horse Guards, aqui em Whitehall, quer ainda com momentânea pausa na arrebatada campanha do euroreferendo.

 

 O Happy 90th Official Birthday Your Majesty soa em múltiplos sotaques, pois as 3-days celebrations expandem-se por todo o United Kingdom e também pelos 53 países da Commonwealth. Momento alto é o Patrons Lunch, “the first big ever street party,” que reúne 10,000 pessoas no Mall e é razão de adorável curiosidade até nas janelas do Buckingham Palace. Também o Prince Philip lá completa uns rijos 95 anos. — Chérie. Jeunneuse pauresse, viellise pouilleuse. O contraste é imenso com os infortúnios do resto do mundo. — Hmm! The best things in life are free. O Euro 2016 de futebol vira batalha campal em Paris. E o horror volta a atacar em massacre nos USA. Notem as estatísticas: 50 mortos e 52 feridos em Orlando, somam a 5,963 pessoas assassinadas no país desde o início do ano, no 998.º mass shooting em 912 dias. O caso incendeia a White House Race, sob retórica explosiva de Mr DJ Trump, quando os democratas escolhem primeirísima mulher como candidata e Mrs  Hillary Rodham Clinton tem sérias possibilidades de ser the next President e the first female leader of the Free World

 

 

 

A beautiful English Summer at Central London. Marca até presença o fator que dá razão de ser ao duplo aniversário de Her Majesty: The British rain over us. Nascida a 21 April 1926, desde a coroação aos 25 que tem dia oficial de anos agendado para a Saturday in June. Desta feita recai a 11 June. A flutuante data deriva de as festas do nascimento de monarca implicarem uma parada militar e a coroa querer as hostes a marchar sob o sol do veraneio. O King Edward VII, bon vivant, nasce a 9 November e baila o official birthday entre May ou June nos dias de trono. A tradição remonta a George II e a crível intempérie na Birthday Parade de 1748. Ora, o céu sorri durante magnífico Trooping the Colour no quartel que outrora foi do Duke of Wellington (das guerras peninsulares) e com uma lovely Granny a passar revista a aprumados regimentos em carruagem vintage. Tudo cedo muda. Como anota o Duke of Cambridge, porém, “the Great British public doesn't let a little rain spoil a good day out.” Enjoying the weather, pois, eis longa procissão de cerimónias abertas em St Paul's Cathedral, com festas de rua pelo reino e pubs abertos fora de horas. A rainy party atmosphere envolve depois o nóvel Patron's Lunch, em plena alameda do Mall, com mesas de piquenique reunindo membros de 600 charities e toda a Royal Family em vivo exercício da art of small talk. Os sorrisos dizem da emoção geral. Em inesperado discurso final, “of gratitude,” The Queen tem o remate de ouro: ― “How I will feel if people are still singing “Happy Birthday” to me in December, remains to be seen!”

 

A constância real é epecialmente visível na conjuntura referendária. Os eventos da campanha sucedem-se a ritmo vertiginoso. Assim o determinam… The Physics of British Political Life. Em acelerada contagem decrescente e porque “when it rains it pours,” o Boris Factor marca a metereologia eleitoral. O RH Boris ‘Out’ Johnson participa no primeiro, televisivo e verdadeiro debate digno do termo, frente-frente, com alinhamento contrastado de argumentos e de visões. E não há volta a contrariar na reação: os Leavers tendem a maré cheia. Ora, se acaso os Brexitters obtiverem êxito na consulta do dia 23 sobre o In/Out do UK na European Union, decerto verei doravante os ilhéus como rebeldes gauleses em aldeia inteiramente rodeada por legiões romanas: The Few and, The Brave. Recordareis que as personagens de Hergé só temiam que o céu lhe caísse em cima! Pois bem, os weather man persistem em dramatizar o mágico cenário do medo maior. Ilustração? RHs Tony Blair e John Major unem as forças centristas para conjeturar, em Northern Ireland, que eventual Brexodus trará a quebra do United Kingdom e ainda do processo de paz irlandês! A desunião nacional, quiçá com terrorismo republicano, portanto, além dos riscos de World War 3 e recessão global, das retaliações europeias e isolamento atlântico, da subida das hipotecas e queda dos salários... Mais, e pior: nos recentes avisos de Barmagedeon, adverte o Prime Minister David Cameron que também as pensões e reformas cairão, o preço dos passes nos transportes subirá e até as free tv licences se esfumarão se os Brits instruirem HM Government para a porta de saída.

 

So: Darling you got to let me know / Should I Stay Or Should I Go? Cantam os Clash e equacionam os jornais do reino. Se The Guardian apoia a ala dos Bremainers e a BBC vota «nim», o mais popular tablóide cá do sítio faz capa com o título Be Leave in Britain embrulhado até nas tricores da Union Jack. The Sun traça a cruzinha do voto e editorializa na primeira página: “We must set ourselves free from dictatorial Brussels.” Ecoa teses de a EU massificar a emigração e ferir empregos, habitação e salários. A manchete é até um Ukip motto: “Believe in Britain. Together we can do great things.” O sinal pesa. O diário de Mr Rupert Murdock tem historial de escolher vencedores improváveis, da Tory Lady Thatcher ao Labour PM Blair. É o que é. A Brexit lidera o jogo, nalguns casos com 7% de avanço, mas a média dos 12% indecisos nas sondagens mantém o too close to call. Donde, no mais do enigmático voto de 23rd June: Only 9 days to go…

 

Com o suspense ao rubro e o desassossego a espiralar nas chancelarias do Atlantic aos Urals, tempo já para devido God save The Queen a par de delicioso apontamento de migração natural. O voo da gaivina é escoltado por cientistas da Newcastle University. Começa nas Fame Islands no último July e segue rota pelas costas de Northumberland até o Antarctica’s Weddell Sea, para regressar à ilha com os ventos quentes. No total são 59,650 milhas percorridas pelo little tern, de penugem brancocinza e bico vermelho, o equivalente a dupla circunferência planetária. Em semana de abertura da Royal Ascot Horse Race, há espécies que só podem mesmo suscitar a humana admiração. — Well! The order of things weights, but also commit to memory Master Will in “The Tragedy of Hamlet, Prince of Denmark:” We know what we are, but know not what we may be.

 

St James, 14th June
Very sincerely yours,
V.

  

LONDON LETTERS

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A Liberty Day to remember, 1944-2016

O dia abre com o toque dos sinos de St. Martin's Church, em Asnelles-sur-Mer (France). Normandy recebe as comemorações do 72nd Anniversary do decisivo D-Day na II World War. Começa então dura marcha para a liberation of Western Europe do controlo da Nazi Germany. — Chérie. Qui vivra verra.

 

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Deste lado do English Channel ninguém sabe onde politicamente estará o UK no day after do euroreferendo, só cá ou cá e lá, mas no day before aos votos vem… The Donald. Já com delegados bastantes e relutante establishment no bolsilho do colete, o putativo candidato republicano na White House Race Mr DJ Trump viaja até Britain para inaugurar um dos seus campos de golfe nas belas terras altas. — Hmm! Better an egg today than a hen tomorrow. Mr Andy Murray perde o French Open para Mr Novak Djokovic, o primeiro e glorioso tenista em meio século a conquistar all the four Grand Slam titles at once. Pope Francis decreta a expulsão dos bispos desatentos a casos de abusos de menores ou adultos vulneráveis. Um novo e improvável herói global é santificado, com a partida do boxeur Mr Muhammad Ali e ido Cassius Clay (1942-2016). Para muitos ele é o gigante do ringue, para muitos outros é "a man who fought for us."

 

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A beautiful sunshine here at Central London. As atenções dividem-se com as comemorações além Channel da Winston’s codenamed Operation Neptune. A 6 June 1944, em plena incerteza quanto ao desfecho na longa II World War, começa a invasão do continente pelas tropas dos Allies. Testa-se a dita inexpugnabilidade do Atlantic Wall, erguido nas eurocostas pelas forças militares nazis. Linha da frente na Operation Overlord, destinada a libertar politicamente o continente da suástica do III Reich, as manobras bélicas de desembarque são violentamente sangrentas mas decisivas na vitória face a Herr Adolph Hitler. Para a história, gravado a fogo, ficam cerca de 1,000 mortos alemães e nada senão 10,000 baixas entre os soldados americanos, britânicos e canadianos que atravessam os cinco infernais setores anfíbios de Utah, Omaha, Gold, Juno e Sword Beach. Solene RIP, pois. 

 

A batalha no seio do conservadorismo está similarmente ao rubro, e a blueonblue é pessoal. Vejamos se não perco o fio da meada tribal. Antes do referendo e da divisão das águas entre Inners & Outers, eles eram os melhores amigos em Whitehall. Presidem à Cameron’s era em Downing St. Depois, depois, tudo a Europe leva. Cameron diz Boris como a kind of traitor. Gove diz Cameron & Osborne roughly dishonest. E Osborne diz Boris & Gove like Farage, um dos supervilões na narrativa dos Bremainers. Notando que todos estão no coração do executivo, a dúvida que resta é saber o que restará do Cam Govt no final da contagem dos sufrágios sobre o YES or No à permanência do UK na European Union. Há melhor, além da nuvem atlântica que Mr Donald Trump trará dos US e do guess work caseiro. O ex PM RH John Major acusa RHs Boris J & Michael G de “misleading the public” (Woah! Do I/Do we really feel misled?). RH Gove reage e rebatiza o guião dos Remainers como Project Lies. O duo dos Brexitters escreve até a Sir David Cameron de dedo em riste: “You’ve deceived public on the economy” (Sunday Telegraph). Acresce uma unholly alliance: o Premier faz campanha em Oxford com o Labour In e ainda em London com o Mayor Sadik Khan. Tudo isto quando, a céu aberto, todos debatem the next conservative captain e os futuros papéis de Tory King or Tory Kingmaker.

 

Mas são os grandes debates que iluminam já uma nova fase da ruidosa peleja euroreferendária. O Prime Minister RH David Cameron e o Secretary of Justice RH Michael Gove são sucessivamente entrevistados na Sky News em formato peculiar. Ao invés de tradicional frente-a-frente, o Number 10 contorna a blueonblue battle com um duplo programa televisivo: primeiro vem forensic interview aos protagonistas por um sensacional Mr Faisal Islam, seguida de um período de perguntas e respostas por membros do público em estúdio. Apreciação sobre este reality check? O PM é grelhado ao vivo e o seu honorável amigo revela-se robusto orador. Os estilos são idênticos: combativos gladiadores da retórica. Assim: Um adverte os nativos contra a self-harm economic act e o outro pede aos Bretões to trust themselves para navegar na globalização. Os efeitos de cada qual ver-se-ão dentro de momentos. Pontos fortes: the framing argument pela discreta estrela do conservadorismo britânico de a EU ser “a job's destroying machine;” e o apelo de resiliente Premier  ao eleitorado para “do not roll the dice on Europe.” Mais a interrogação do ano ‒ “Prime Minister, what comes first? WW3 or the global Brexit recession?” No mais do interessante voto de 23rd June: Only 16 days to go…

 

As alas ligeiras da luta referendária também se movem. RH Nigel Farage anuncia na LBC que equipa uma flotilha do UKIP para vogar no Thames River e, frente ao Palace of Westminster, bradar que “We Want our waters back.” O Labour Leader RH Jeremy Corbyn igualmente assoma à cena, mesmo assim, apenas por breves momentos, primeiro acusando a BBC de discriminação (mau sintoma no party management) e, depois, ainda para não proferir previsto discurso sobre o futuro da Union mas sim hastear os ideais e as políticas igualitárias da esquerda ideológica em europês. Se assim confirma a perceção de, em política europeia, ser uma alma agnóstica, a intervenção tem o mérito de lembrar que nas causas do estádio de pré-desintegração da EU está a agenda política do austeritarismo.

 

A fechar, um ramalhete de observações enquanto aguardo por cortejada cópia do Chilcot Inquiry sobre a Iraq War. Fim de uma era na High Street: a cadeia de lojas BHS cerra as portas, conservando memórias no meu guardaroupa. Cheias em Paris encerram o Louvre Museum e colocam em alerta verde os diplomatas do Quais d'Orsay. O 2016 Global Slavery Index divulga que mais de 45 milhões de humanos são explorados à volta do globo, dos quais “1.2 million are in Europe.” O antigo vice-chancellor da Oxford University Lord Neill of Bladen despede-se aos 89 anos, com legado académico e de crossbench peer na House of Lords. O Brexit Movie soma inesperado sucesso no gallant James’ Circle. — Well! Let us have off pat Master Will at that mountainous country with a cave in “Cymbeline:” Hark! the game is rous’d. O Cymbeline! heaven and my conscience knows (…) The game is up.


St James, 6th June
Very sincerely yours,
V.