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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

MEDITANDO E PENSANDO PORTUGAL

 

4. PORTUGAL E A EUROPA NO PENSAMENTO DE EDUARDO LOURENÇO - I

 

 

Ao invés de Vieira, Pascoais, Pessoa, Agostinho da Silva e António Quadros, Eduardo Lourenço parte da convicção da não existência de um destino providencial, mítico, messiânico, da ausência de utopias variadas, exaltantes, de insondável enigma e irredutível originalidade para o povo português e, assim sendo, o seu convencimento de que não é mais predestinado, heroico, sábio ou virtuoso do que outros povos. Entende que a história cultural portuguesa tem de ser inserida, em primeiro lugar, no espaço geográfico da Península Ibérica e, em segundo, e de modo mais determinante, na análise relacional e sem complexos da história da nossa cultura frente a frente com a história da cultura europeia, numa base despreconceituada e com a ausência, à partida, de qualquer tipo de inferioridade ou superioridade.

 

Segundo Eduardo Lourenço, temos historicamente um percurso num espaço inconciliável entre o modo como somos e o modo como quereríamos ser ou que deveríamos ser. Existe, em cada português, uma desproporção, um duplo estado de espírito ou de alma em que cada um sente o que ontologicamente é (país pequeno, pobre, carente de recursos ou de recursos limitados, conservador, atrasado por confronto com a Europa de maior desenvolvimento económico, científico, social e cultural) e o que imageticamente nos é dado ver através da leitura da história pátria (o mito dos Descobrimentos, da Expansão Ultramarina, o sonho do Quinto Império, a quimera de um Estado Imperial Uno do Minho a Timor, dos amanhãs que cantam milagreiros esperando a salvação).

 

Esta dupla consciência que acompanha a maioria dos portugueses, que se sintetiza na diferença imaginária, em cada época histórica, entre a realidade e a ficção, é o que o pensador e ensaísta designa por “o irrealismo prodigioso que os portugueses fazem de si mesmos” (O Labirinto da Saudade). Acrescenta que esta “forma mentis” e caraterística permanente de ser português, tanto nos tem arrastado para as maiores decadências, como para o crer de que somos, por condição e destino, um povo eleito, por vezes adormecido, mas sempre imprevisível e preparado para novas descobertas, lançando novas naus da civilização. Cita que alguns dos maiores vultos de Portugal, mesmo em pleno século XX, não se alhearam desta condição de ser português, como Fernando Pessoa e Agostinho da Silva. A esta “forma mentis” de ser português designa-a de tipo traumático.

 

Foi esta contradição entre um passado glorioso e a nossa diminuída realidade presente que nos levou a treze anos de guerra colonial, e que nos conduziria a um terceiro traumatismo profundo, isto é, à perda do Império colonial em 1975. Terá sido então o projeto político de integração na Europa Comunitária que terá compensado a amputação provocada pela descolonização, permitindo a ultrapassagem sem cicatriz duma ferida simbólica que em geral provoca noutros povos tragédias inultrapassáveis, exemplificando-o com a França em relação à Argélia.

 

Se desde cedo havia sempre insistido no reatamento das relações com a Europa, tipo “O diálogo que nos falta”, só após o 25 de Abril vê Portugal apostar politicamente, enquanto projeto nacional, no diálogo com a Europa.

 

Este cartão de cidadão dos portugueses, assente numa intrínseca e estrutural fragilidade, é compensada pelo “irrealismo prodigioso” por que nos imaginamos e vemos mentalmente a nós próprios como país e povo dotado de uma missão histórica providencial.

 

Embora Eduardo Lourenço, no Labirinto da Saudade, chame a atenção para o facto de estas duas imagens antagónicas serem imagens irreais que Portugal arquitetou e imagina, a verdade é que elas permanecem, até aos nossos dias, no imaginário coletivo português.

 

Revelam um excessivo sentimento de superioridade que oscila com um não menos excessivo sentimento de inferioridade, uma representação nacional excessiva, uma hiperidentidade, ora excessiva e eufórica, ora depressiva e doentia.

 

Ora somos os ou dos melhores do mundo, ora somos os ou dos piores do mundo. Ora somos otimistas em excesso, ora somos pessimistas em excesso.

 

Tanto nos deslumbramos e vangloriamos excessivamente pelo pioneirismo nas descobertas ou achamentos, como em fazer o culto excessivo de dizer mal de nós próprios.

 

Havendo que estabilizar e normalizar, com equilíbrio e recurso ao bom senso, esta desproporção entre o que somos e o modo como imaginamos ser ou deveríamos ser.

 

14.03.2017

Joaquim Miguel De Morgado Patrício

MEDITANDO E PENSANDO PORTUGAL

 

3. SOBREVIVENDO E GERINDO DEPENDÊNCIAS - III

 

A imagem de Portugal como centro, dada pela sua posição pioneira via Descobrimentos, correspondeu à época em que eram sobretudo os portugueses que representavam a Europa à escala global, que vinha então até nós, desejosa de um diálogo igualitário.


Com o decorrer do tempo, Portugal deixou de ser rosto e vanguarda da Europa, convertendo-se em sua periferia e retaguarda, não sendo o seu império tido como uma continuidade e braço essencial para a sua expansão económica, financeira, política e social, mas sim o seu refúgio essencial de sobrevivência, em termos reais e simbólicos.

Até 1974/75, Portugal viveu, estrategicamente, fechado à Europa e aberto sobre o Atlântico e o império colonial. Orientou-se, externamente, a nível diplomático e militar, para o Atlântico, privilegiando a aliança com a potência marítima, tradicionalmente a Aliança Inglesa, os Estados Unidos após 1945, a NATO a partir de 1949. Quando integrou a EFTA, na Europa, continuou marítimo, atlântico e não continental, diversificando as alianças externas em relação a Espanha, sem esquecer os sucessivos impérios, desde o oriental, o brasileiro e o africano.

Perdido o império ultramarino, após a descolonização, fecha-se o ciclo imperial. Há necessidade de repensar o futuro de Portugal, em função da análise do seu passado, alterando o seu modelo de inserção internacional, o relacionamento peninsular e a reformulação do interesse nacional. Optou-se, como prioridade, pela adesão à Comunidade Económica Europeia, atual União Europeia e, dentro desta, à Zona Euro.

Apesar da opção atlântica ser tida, desde sempre, como historicamente vital para Portugal, não se esgota em si, impondo-se também a europeia, desde logo porque parte integrante da Europa, apesar da sua especificidade, do lado de cá dos Pirenéus, além do carater insular da Península Ibérica, qual ilha, tipo Jangada de Pedra, de Saramago, onde coexiste uma forte componente marítima portuguesa, por contraste com a continentalidade de Espanha.

Integrando a Europa, a Lusofonia e a CPLP, Portugal afirma-se, por um lado, como país democrático europeu e, por outro, como de vocação atlântica, que pela língua comum se identifica com outros povos que a adotaram e que outrora colonizou, havendo que compatibilizar e harmonizar estas opções.

Também a manutenção e reforço da relação transatlântica é imprescindível, por ser insuficiente, para a Europa, ser uma potência económica e fraca em termos de defesa, segurança, investigação científica, tecnológica e espacial, porque irremediavelmente ultrapassada por um dos seus filhos, os Estados Unidos da América, a que acresce a defesa e segurança do nosso país como parte da Europa, da UE e como estado europeu individualmente considerado, se confrontado com a emergência de um Diretório Europeu assente numa hegemonia franco-alemã, ou outra. Sendo a Comunidade Transatlântica uma realidade europeia na sua génese cultural, a lógica antagónica do binómio Europa/Atlântico faz cada vez menos sentido, perante desafios globais como o terrorismo, ameaças ambientais, doenças facilmente propagáveis, problemas de defesa ou segurança coletiva, ou decorrentes da globalização económica.

Portugal tem interesse em compatibilizar e harmonizar estas opções, agregando-as a marcas e sinais que deixou pelo mundo e que o tempo não apaga, atualizando-as e corrigindo-as, anos ou séculos após o afastamento da presença de domínio ou cooperação, da Índia, ao Brasil, a África, passando por Malaca, Aden e o Mar Vermelho, Ceilão, Insulíndia, antigo Reino de Sião, Tibete, China, Japão. O que decorre das nossas responsabilidades históricas, da nossa presença e cultura no mundo, de cuja disseminação e diáspora resulta ser a língua portuguesa o terceiro idioma europeu mais falado mundialmente.

Se não queremos ser excluídos da Europa a que pertencemos por direito próprio, ao mesmo tempo que não devemos abdicar da presença da cultura portuguesa e lusófona deslocalizada por vários continentes, nem da relação transatlântica, há que compatibilizar e reforçar desenvolvimento com segurança na diversificação das dependências, gerindo estas para efeitos de sobrevivência com responsabilidade e em respeitabilidade. Maximizando a nossa posição geográfica, potencial marítimo, relações e demais recursos a nível global, invertendo a periferia europeia pelo centralismo mundial.

 

14.02.2017
Joaquim Miguel De Morgado Patrício

MEDITANDO E PENSANDO PORTUGAL

 

2. SOBREVIVENDO E GERINDO DEPENDÊNCIAS - II

 

1. Ultrapassado o trauma da perda do Império Oriental, o da independência e síndrome de amputação do Brasil e confinado, por um lado, com a decadência nacional de que falava a Geração de 1870 e, por outro, com a doutrina jusinternacionalista da ocupação e partilha efetiva da Conferência de Berlim, Portugal tenta superar as suas debilidades forjando um novo sonho imperial que unisse em rosa cor Angola a Moçambique, o mapa cor-de-rosa. Assinaram-se tratados, com a Alemanha e França, que visavam assegurar a nossa soberania sobre tais territórios. Eis que surge, em 1890, um novo trauma, revelador da traumática relação Portugal-África, um Ultimato inglês declarando o não reconhecimento de tais direitos, exigindo a nossa retirada e reclamando a posse da região, com a cedência portuguesa, fazendo tábua rasa de direitos históricos adquiridos. Esse novo ideário levou a conflitos bélicos com povos africanos do interior, subjugados e vencidos. 

 

Consolidada a ocupação plena, repensou-se o imaginário imperial com a fusão da Metrópole e as oficializadas províncias ultramarinas (teoria integracionista), o que foi inviabilizado pelo eclodir da guerra colonial iniciada pelos movimentos independentistas africanos, na década de sessenta do século XX, forçando Portugal a ceder. Enquanto no âmbito dos conflitos coloniais europeus, Portugal teve de sujeitar-se ao Ultimato, sob coação do seu mais antigo aliado, foi também coagido a aceitar, na segunda metade do século XX, uma nova amputação, a da independência das suas colónias, especialmente africanas, na sequência da luta emancipadora e ganhadora dos povos colonizados e da nova ordem bipolar internacional fixada entre os Estados Unidos e a União Soviética.

 

A perda do Império Ultramarino, em 1975, cuja subsistência Oliveira Martins pensara ser a única saída para Portugal após a perda do Oriental e do Brasileiro, parecia cumprir o fatal destino por ele pressentido. Com a perda da guerra colonial e a independência das colónias africanas, emergia um novo trauma, um novo momento, um quarto momento de pagar, pensar e reconsiderar Portugal como país, regressado agora, de uma vez por todas, ao fim de vários séculos, às suas fronteiras europeias. Após a diáspora, ausências e deslocalizações, faltava cumprir Portugal, nas palavras de Manuel Alegre. Fechado o ciclo imperial, torna-se premente, mais uma vez, Portugal repensar o seu futuro, tentando ultrapassar esse novo momento traumático, de que estudos de então são esclarecedores.

 

2. É dessa época um livro de Joaquim Barradas de Carvalho, “Rumo de Portugal. A Europa ou o Atlântico?”, cujo título traduz a inquietude da opção a fazer:

 

“Para além de profundas reformas na sua estrutura económica, social e política, Portugal terá, e a breve prazo, de escolher entre duas opções que dizem respeito à sua história, a mais profunda. Portugal terá de escolher entre a Europa e o Atlântico. Se rumar para a Europa - esta Europa tão do agrado dos tecnocratas - Portugal perderá a independência de novo, chegará a mais curto ou a mais longo prazo à situação de 1580. Na Europa do Mercado Comum, e numa futura, hipotética, Europa política, a economia dos grandes espaços forjará uma Península Ibérica unificada, e seguramente com a capital económica em Madrid, que de capital económica se transformará, a mais curto ou a mais longo prazo, em capital política. Ora este seria um resultado contra natureza, na medida em que nunca existiu, nem existe, uma unidade de civilização na Península Ibérica

 

E acrescenta: 


“Assim, perante a encruzilhada, a Europa ou o Atlântico, pronunciamo-nos pelo Atlântico, como única condição para que Portugal reencontre a sua individualidade, a sua especificidade, a sua genuinidade, medieva e renascentista. Ora esta opção passa forçosamente pela formação de uma autêntica Comunidade Luso-Brasileira, uma Comunidade Luso-Brasileira que não seja apenas aquela “comunidade sentimental, ortográfica, … (…), e, se possível, uma Comunidade Luso-Afro-Brasileira. Nela todas as partes se reencontrariam na mais genuína individualidade linguística e civilizacional.

 

É esta a condição para que Portugal volte a ser ele próprio”. 

 

Tem-na como uma escolha prioritária, de vocação-destino, não excluindo as possibilidades de cooperação com a Europa. Opina que o Brasil representa mais genuinamente Portugal, exemplifica-o literariamente com Graciliano Ramos, Guimarães Rosa ou Jorge Amado, observando que grande parte de escritores portugueses têm demasiada influência europeia, nomeadamente francesa, pelo que o melhor meio de nos conhecermos é ir para o Brasil e o inverso.

 

Justifica-se, num esclarecimento final:

 

“É que na história, existem uma curta, uma média e uma longa durações. Isto é: os regimes políticos, e até os sociais, passam. A Língua e a Civilização ficam”.

 

No que toca à interrogação decisiva de Barradas de Carvalho, a Europa ou o seu Atlantismo, deu-lhe resposta a nossa vivência recente e atual, tendo a entrada na Europa Comunitária compensado e superado, para muitos, o défice e o trauma derivado da perda do império ultramarino. Opção de fundo que nos trouxe, no curto e médio prazo, uma saída para a nossa viabilidade democrática e económica, um eventual quarto momento, cujos efeitos finais, por agora, desconhecemos.

 

De novo, confrontado com a sua imagem real, Portugal não aceita a sua pequenez ou mediania geográfica, ampliando-a e projetando-a num novo mapa, a atual União Europeia.

 

Ter-se-á reincidido num novo recurso “anormal “ou “tábua de salvação” de que Portugal se socorreu para adiar, por algum tempo, a resposta ao “problema português”, segundo a lógica proposta por Oliveira Martins?      

 

07.02.2017

Joaquim Miguel De Morgado Patrício

MEDITANDO E PENSANDO PORTUGAL

 

1. SOBREVIVENDO E GERINDO DEPENDÊNCIAS - I

 

1. Portugal, durante séculos, sempre superou interrogações vitais geradoras de traumas, sobrevivendo continuamente, ainda que, se necessário, em continuidades adaptadas às circunstâncias, subsistindo através da gestão de dependências.

 

Pertinente é um texto de Oliveira Martins, inserido no prefácio à 3.ª edição do “Portugal Contemporâneo”, de abril de 1894, onde afirma ter surgido, pela terceira vez, o momento da verdade em que Portugal, reincidindo, estava perante uma interrogação vital: havia ou não recursos suficientes, sobretudo económicos e financeiros, para sobreviver como povo e país dentro das suas tradicionais fronteiras em solo europeu? Pela regularidade com que essa pergunta se impunha, presumia que aí se radicava, no essencial, a razão de ser do problema português, assente numa sociedade que há muito vivia de recursos exógenos, alheios e anormais, não vivendo do fruto do seu trabalho e do rendimento de capitais investidos no seu território de origem. Colocava no mesmo patamar de recursos estranhos, por que vindos de fora, a posse dos territórios fora da Europa e os empréstimos das bolsas europeias. Era um Portugal que permanentemente adiava a resposta àquela pergunta, lançando mão de soluções de emergência. Esta incerteza inerente a uma angústia de sobrevivência, obrigava Portugal a repensar-se com periodicidade, a uma reflexão penosa sobre o que fazer, uma vez chegado o momento de nos confrontarmos com a nossa realidade, de nos vermos tais como somos, o momento de pagar, dado ter soado, de novo, o quarto de hora de Rabelais.

 

2. Data de 1640 o primeiro desses momentos, em que Portugal pagou caro a sua Restauração, perdendo o Império Oriental, necessitando do concurso da Europa para assegurar a independência, tendo esta como uma ficção, porque a realidade era o protetorado, salvando-se das garras de Espanha, para cair nas da Inglaterra. Apesar do desempenho e empenho do Padre António Vieira e do marquês de Castelo Melhor, não eram suficientes as forças morais e intelectuais para assegurar, sequer, a autonomia, reduzindo-se as económicas às condições traçadas pelo tratado de Methwen.

 

Que restava? Responde o historiador: “A obra heróica da dinastia de Avis, que nos dera o Oriente, tinha, porém, em reserva, para o futuro do povo português, outras tábuas de salvação. Perdida a Índia, restava o Brasil; e quando Portugal parecia condenado, descobria-se em Minas o Eldorado que séculos antes se buscara com tamanho ardor na terra fantástica do Amazonas. O ouro e os diamantes do Brasil foram como a transfusão de sangue em um organismo anémico”. 

 

A independência do Brasil, em 1825, acelerada pelas invasões napoleónicas e consequente fuga da família real, e agravada pela guerra civil entre absolutistas e liberais, produz um novo trauma e um segundo momento, dado que: “(…) outra vez dobravam para Portugal os sinos de finados, e, pela segunda vez, se inquiria se Portugal, reduzido aos recursos próprios do seu território, tinha ou não recursos para subsistir como Nação independente”.

 

3. Defrontando-se, uma vez mais, com um sentimento de amputação que pretende suprir, Portugal não aceita a sua imagem mutilada, que é também peninsular (como o exemplifica “As Causas da Decadência dos Povos Peninsulares”, de Antero de Quental), acabando os empréstimos e subsídios europeus e as remessas dos emigrantes por substituir as Índias e o Brasil, via fontismo e expansão capitalista do século XIX, mantendo-se a aparência de uma fortuna enganadora: “(…) enquanto o cenário do fomento dava a Portugal a aparência dum país rico, o facto é que a balança económica, principalmente expressa pelos algarismos do comércio externo, acusava um deficit sempre crescente e de alcance inverosímil quase”.

 

A ulterior mudança do contexto europeu causou a perda desses recursos, ocorrendo um  terceiro momento, obrigando Portugal a interrogar-se de novo sobre o seu destino, surgindo como mal menor substituir o anterior Império Oriental e Brasileiro pelo Ultramarino, perguntando Oliveira Martins: “Salvar-nos-á, no século XIX, Angola, como nos salvou o Brasil no século XVII ?”.  

 

Resumia, nestas perguntas, o historiador e pensador, o problema português.

 

A história portuguesa do século XX e do nosso século encarregou-se, e tem-se incumbido, de responder, como tentaremos procurar saber.       

 

31.01.2017
Joaquim Miguel De Morgado Patrício