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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

O mau sinal

 

(…) – Não tens nada?

- Não, nada. Está tudo em ordem. Exceto o armagnac… Já não há. Desculpa-me, Alain!

- O papel de desculpador é meu – disse Alain -, foi culpa minha ter-te deixado subir a essa velha cadeira estragada. – Depois, preocupado: - Mas, meu amigo, estás a coxear!

- Só um bocadinho, mas não é grave.

(…) – O que é que se passou?

- Parti a garrafa – anunciou-lhe Caliban. – Já não há armagnac. Um mau sinal.

- Sim, um péssimo sinal. Preciso de ir depressa para Tarbes – disse Charles. - A minha mãe está a morrer. 

Milan Kundera in “A Festa da Insignificância”

 

Kundera: uma indefinida nostalgia sobre a finalidade da escrita explorando a existência. O imenso saber da partida quando o saber das identidades que se dissolvem abordam desse modo temas essenciais.

 

Teresa Bracinha Vieira

Enamoramento e Amor

Francesco Alberoni


O enamoramento, como estado nascente, é uma exploração do possível a partir do impossível, é uma tentativa que o imaginário faz de se impor ao existente. O comportamento do outro é decifrado a esta luz, para conhecer o que é e o que será, e, antes de o ver nos malmequeres.

 «Oui, dit Jean qui voulait dire quelque chose de tout à fait différent.»

                                              Milan Kundera, Le livre du rire et de l’oubli.

Uma outra dimensão de um estado nascente é a da verdade e da autenticidade. A verdade faz-nos libertos quando o «em ti» indica a vida real.

 

Teresa Bracinha Vieira