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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

LONDON LETTERS

 

The start of The Brexit Show, 2017-19

 

Finally the set off! Um ano após o voto referendário, abrem os tratos oficiais da saída do United Kingdom da European Union. Do primeiro dia dos negociadores resullta plano e calendário.

Ainda que envolto em good rethoric de Mr David Davis e de Monsieur Michel Barnier, o sinal de partida revela concessões britânicas na agenda de trabalhos. Segue-se proposta londrina de reciprocidade na situação dos cidadãos deslocados aquém e além Channel, com a Prime Minister cá a declarar enfaticamente aos émigrés que “we want you to stay.” Brussels quer mais e reclama garantismos. — Chérie. Il faut réfléchir avant d'agir. No estio doméstico assombra série de tragédias, entre o fogo num arranha céus de Kensington, um atentado terrorista numa mesquita de Finsbury Park e um ataque digital às Houses of Parliament. Com a open season for Theresa May ao rubro, o aparato da Royal Ascot Horse Racing rivaliza com o Queen’s Speech enquanto o Tory Government conclui dispendioso acordo de base tribunícia com o DUP. — Well. Slow and steady wins the race. O Prince William of Cambridge perfaz 35 anos em ano de singular varanda cerimonial aquando do Trooping the Colour. Já Washington assiste à vitória presidencial no Supreme Court da Trump travel ban. Em Paris, o Élysée projeta um ministro das finanças para a Eurozone. Herr Helmut Kohl parte aos 87 anos, legando a unificação de Germany em Europe e a hegemonia do Christian Democratic Union Party em Berlin.

 

 

Hazardous Indian Summer at Central London. O novíssimo hung parliament toma assento entre o juramento dos MP’s e a eleição de Speakers, Chairs e afins. A envolvente política está para além do estado volátil. Os Liberal Democrats avançam para uma nova liderança depois de RH Tim Farron se demitir do leme enquanto os Independent Scots buscam um capitão para Westminster, os Ukkipers andam perdidos em combate e os Tories fecham um acordo de £1b em infraestruturas para Northern Ireland como contrapartida do apoio dos dez MP’s do Democratic Unionist Party. Uma bagatela, pois! Há quem desgoste; e quem organize o descontentamento. Se a comunicação social noticia surdos ultimatos à Prime Minister no seio da bancada conservadora e o spin contra Downing Street assume formas de open plot nas páginas do insuspeito The Times, o Labour solta ações de rua para apear a maioria relativa do May II Government. O Red Shadow Chancellor RH John MacDonnell pilota uma incendiária “one million march” ― “to force new elections.” Já o revigorado Lab Leader RH Jeremy Corbyn declara que entrará no Number 10 dentro de 6 meses, no fim de semana protagonizando uma missa de massas no Glastonbury Festival. O evento reúne idosos hippies e jovens revolucionários. Ora, dir-se-ia que JC desce dos céus para ressuscitar como pop star no Pyramid Stage de Somerset e o delírio na festa da contra cultura. Jezza anima o teen spirit com amanhãs que cantam. A performance tem até conveniente direto televisivo sob o script “Ye are many―they are few!” Dos bastidores das 100,000 Corby T-shirts cedo sai o revisionismo em curso ao manifesto eleitoral trabalhista, consensualizado com a oposição interna dos Blairites, sob testemunho do Comrade Jeremy ter como prioridade “to ‘get rid’ of Trident.” Ou seja, o unilateral desarmamento nuclear do UK e o almejado desmantelamento da NATO.

 

RH Theresa May enfrenta crises sérias semeadas pela perda da maioria na 2017 General Election. Com o Brexiting em tela de fundo, facto que explica o frenesim adversarial dos eurofilos de todas as cores, a PM enfrenta esta semana o teste ao seu programa legislativo na House of Commons. Aqui avulta a Great Repeal Bill, a qual remove o ECA 1972 do Statute Book e reinstitui a plena soberania da Law of The Land, por estas ilhas em uso, desde 1215, na esteira da Magna Carta. Este regresso à constituição histórica é tomado como antídoto para diagnosticado declínio político  e confirmado no Queen’s Speech durante peculiar cerimónia nos Lords, desta vez sem pompa e circunstância, com a monarca vestida em day blue dress e acompanhada não pelo Prince Philip mas por Charles of Wales trajado sem a full regalia. Ainda assim, e com o consorte logo de volta ao palácio após curta estada hospitalar, cumpre registo das memoráveis palavras de Elizabeth II: “My Lords and Members of the House of Commons, my Government’s priority is to secure the best possible deal as the country leaves the European Union. My Ministers are committed to working with Parliament, the devolved Administrations, business and others to build the widest possible consensus on the country’s future outside the European Union. / A Bill will be introduced to repeal the European Communities Act and provide certainty for individuals and businesses. This will be complemented by legislation to ensure that the United Kingdom makes a success of Brexit, establishing new national policies on immigration, international sanctions, nuclear safeguards, agriculture and fisheries. / My Government will seek to maintain a deep and special partnership with European allies and to forge new trading relationships across the globe." Fora de Westminster, o Met assenta o recorde de 30C no “longest June hot spell for more than 20 years.”

 

Parcela incontornável das celebrações do 91º aniversário oficial de Her Majesty, devidamente assinalado com as Royal Gun salutes a par do State Opening of Parliament e da visita real de conforto às vítimas do incêndio da Grenfell Tower, sai à luz do dia discreta lista de honrarias destinada a homenagear os talentos do reino. O rol é deveras plural e apontado pelo Cabinet Office como “the most diverse yet.” Contém diferentes gerações, muitas mais mulheres e elementos das populosas minorias étnicas. Dois nomes atraem a atenção entre os 1,109 novos membros das ordens honoríficas recriadas em 1917 pelo King George V. Deslumbra Dame Olivia De Havilland, em vésperas dos seus veneráveis 101 anos e nenhuma outra senão a oscarizada Melanie de Tara em Gone With the Wind (1939). Brilha também Mrs J K Rowling, a autora de 51 anos feita Companion of Honour por magia desse young wizard sonhado no Porto e por si batizado como Harry Potter (1997). — Hmm. Even Master Will concedes in As You Like It the essential role of reverie among the human affairs: — “It is to be all made of fantasy, All made of passion and all made of wishes, All adoration, duty, and observance, All humbleness, all patience and impatience, All purity, all trial, all observance. And so am I for…"

 

St James, 26th June 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The United Kingdom’s spirit, May 2017

 

Após dias dramáticos de severo alerta terrorista e ainda a processar o massacre dos inocentes em Manchester perpretrado por um jihadista, o reino carry on. Um jovem Brit, de 22 anos, fruto de refugiados do regime líbio de Gadaffi generosamente cá

acolhidos e dado ao consumo de drogas, ruma para o delírio das ‘70 virgens’ enquanto assassina adolescentes e crianças que sorriem no final de um concerto pop na Arena. Entre as vítimas deste “evil loser”, como o reputa o President Donald J Trump, está a pequena Sophie de 8 anos. — Chérie. Qui sème le vent, récolte la tempête. A campanha eleitoral pára por momentos. A apresentação dos manifestos partidários revela a deslocação à esquerda. O Corbynism ganha tração com um líder em Father Christmas mood e radical programa de re-nacionalizações, vasto investimento público e altos salários. — Shocking days, indeed. O French President Emmanuel Macron viaja a Berlin e Moscow para a enésima jura de reforma continental. O POUS faz um périplo ao Middle East e Europe, com paragem em Jerusalem e no Vatican, discursando sobre o Islam e a contabilidade da NATO. A Bundeskanzelrin Frau Angela Merkel anuncia o fim da aliança ocidental e conclui que Europe “must take destiny in its hands.”

 

 

Dark days in the Realm. O ambiente em volta é de alta tensão, entre o choque e a fúria face à matança dos inocentes. O alerta da segurança nacional sobe de crítico a severo, regressando à atual categoria de existir forte probabilidade mas não estar eminente um novo atentado terrorista. Forças especiais capturam uma dúzia de jihadistas em várias paragens, à mistura com detonações controladas em catedrais, casas e centros comerciais. Soldados e polícias protegem áreas sensíveis. Mal refeitos da cadeia de acontecimentos, com um tigre à solta num zoológico de Cambridgeshire e o caos informático a suspender os voos da British Airways em Heathrow e Gatwick, a honorável Press revela a presença de 23,000 extremistas islâmicos na watch list. O número do terror assusta e o clamor popular pede medidas. Afinal, a rede de controlo 24 h+7x7 é perfurada em Manchester, berço do jihadista e geografia aparentemente inclinada a produzir extremistas entre os assíduos da Mosque sem que haja mão nos hate preachers. As ondas de choque face ao Homegrown Jihadism e ao ataque de May 22th continuam a evoluir. O reino reage com as velas e as vigílias, mas há mais. Na internet, de rosto tapado e familiar sotaque, o Isis faz ameaças de morte aos filhos do infidel. Nas ruas questiona-se o… até quando?

 

Já hoje à noite sopra vento de normalidade. A Sky News apresenta o grande debate político das #2017 General Elections. Em estúdio, red-looking, estão Mrs Theresa May e Mr Jeremy Corbyn. É a Battle for Number 10. A segurança é um entre vários temas quentes abordadas num TV show formatado a dois tempos: um após outro, os líderes do Labour e do Conservative Party respondem a questões da audiência (em modalidade Townhall) para depois se submeterem a entrevista com o (not so) temível Mr Jeremy Paxman. Ambos vão bem no geral, mas chegam aqui a diferentes velocidades. Os Tories estão em queda nas sondagens, com a vantagem inicial a cair dos 20% para os 5-8%, após lançarem um manifesto incluindo exigente reforma na segurança social, no meio de cortes nos benefícios e apelos à responsabilidade individual. Os contornos da proposta central são tais que, logo etiquetada pelas oposições de “dementia tax,“ a reação do espetador imparcial é de perplexidade: What are they thinking! Se os Red Tories ousam ir longe de mais na distribuição das libras orçamentais, já o Populist JC Labour tem vento pela popa à custa de querer taxar os ricos. RH Jezza promete agir “for the many, not the few.” Nacionalizará combóios, telecomunicações, correios, água e eletricidade ― mas não bancos. Aonde vai buscar o dinheiro para pagar a fatura? Aos impostos e ao crédito internacional, que o paraíso chaveznista não teme as dívidas soberanas. Só as simpatias de Mr Corbyn &co para com os movimentos revolucionários armados causam inquietação, entre o apoio ao IRA ou a amizade com o Hamas. Faltam 10 dias para a 2 horses race e 21 para o início das negociações da Brexit.

Estes são também dias da partida de Mr Roger Moore, o suave “James Bond” que se aventurou em Portugal. É ainda tempo para um dos meus eventos favoritos na capital: o Chelsea Flower Show. A mostra é sempre uma inspiração para quantos amam o English Garden. Na abertura por lá passam HM Queen Elizabeth II ou Dame Judy Dench. A recreação natural corresponde às expetativas do mais rigoroso dos jardineiros locais. E os Iris Louvois nos London living displays da Royal Horticultural Society apresentam-se gloriosamente surpreendentes em nova coloração. Para a semana, de 7 a 11 June, é a vez do RHS Chatsworth Flower Show em Derbyshire e da tradicional visita à glasshouse com que Mr Joseph Paxton MP em 1836 induz a traça dos Crystal Palaces no meridiano atlântico. — Well. Keep in mind those floral wording of Master Will in A Midsummer Night's Dream: — “I know a bank where the wild thyme blows, / Where oxlips and the nodding violet grows, / Quite over-canopied with luscious woodbine, / With sweet musk-roses and with eglantine: / There sleeps Titania sometime of the night, / Lull'd in these flowers with dances and delight.."

 

St James, 29th May 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Red Tories vs Cherry Labourites, June 8, 2017

 

Et voilà! Eis o baptismo dos nóveis Red Tories. Os Conservatives liderados por RH Theresa May avançam com leque de propostas eleitorais claramente concebidas para captar o voto trabalhador, entre as quais uma a licença sabática para cuidar da família e casas sociais para alugar ou comprar. “Our plans will be the greatest expansion in workers’ rights by any Conservative government in history,” declara a Prime Minister. Já o Labour de RH Jeremy Corbyn ultima um manifesto radical contra o austeritarismo, esgrimindo com o “Robin Hood Tax” no meio de iniludível guerra civil. — Chérie. Il ne faut pas se fier aux apparences. Fontes bem informadas radicam na North Korea a origem do mais recente ataque do terrorismo informático global. O NHS é um dos alvos atingidos pelo pedido de resgate de dados. — Well. A penny saved is a penny earned. O casamento da irmã da Duchess of Cambridge disputa as atenções da semana. O President Emmanuel Macron toma posse em Paris em estilo imperial e ocupa-se com a terceira ida a votos, agora para o parlamento, com o seu La République En Marche. Washington vibra com o despedimento presidencial do diretor do FBI e pasma com a notícia de o POUS DJ Trump ter revelado informação sensível sobre o Isis a uma delegação diplomática russa. Happy Valley triunfa nos 2017 BAFTA.

 

Long days with late sunsets at London. Questiono-me quanto o eleitor médio absorverá da cornucópia dos ‘compromissos eleitorais’ diariamente formulados pelos partidos de Westminster? A bandeira de ontem em torno do fim das propinas esfuma-se com o hastear hoje de mão pesada contra a evasão fiscal ou a descriminalização das drogas e afins, tudo entremeado deste ou daquele episódio colorido no trilho da persuasão pelo reino. A abundância é tanta que sobrevém a imagem de cada qual prometendo o seu unicórnio junto a uma magic money tree. É milhões para aqui, biliões para ali, algures entrando os números em série longa de car-crash interviews quando os jornalistas perguntam aos políticos desprevenidos os sacros quanto custa? ou quem paga? Também os (anti) social media estão ao rubro, no séquito do ataque às caixas de correio eletrónico. Temo até que a hiperinformação esteja a mobilizar… os abstencionistas.

 

As sondagens persistem na vantagem folgada dos Tories, na gama dos 20%, mas o Labour Party resiste com a claque da Hard-Left militante face à moderação dos Liberal Democrats, enquanto o SNP mantém e o Ukip desliza. Soa a ouvido nu a metralha de mensagens dirigidas pelas várias máquinas partidárias aos eleitorados tribais como contraponto à estratégia centrista conservadora de colher à esquerda e à direita. Aumenta a incógnita quanto ao feixe de efeitos nos indecisos, a somar à clivagem da Brexit. Outros indícios chegam da impetuosa jornada da General Election 2017, o quarto sufrágio em pouco mais de dois anos. Um tweet vindo do terreno atrai o olhar, por si só sintomático e sobremaneira revelador pelo seu autor. Mr Dennis MacShane. O que diz este antigo Labour MP? “Canvassing in S London Labour seat and every 2nd house it was Jeremy. Never heard such hostility in 4 decades.” Prenúncio do espetro da derrota trabalhista de 1983? Se o cenário do imenso triunfo de Lady Thatcher contra RH Michael Foot tem ainda de ser sufragado, a June 8, inequívoco é que o combate pela sucessão de Jezza está em combustão. Faltam 24 dias para o exame da ballot box.

 

Mudemos de agulha. King Charles III é o título de uma peça de teatro escrita por Mr Mike Bartlett, que viajou da Broadway para West End até aterrar agora na BBC Two. Visionei finalmente a versão televisiva, dirigida por Mr Rupert Goold, o experiente diretor do Almeida Theater, em London, onde o drama do newly crowned king amealhou na bilheteira. Fiquei com mix feelings após os 90 minutos iniciados com os corais góticos de um funeral real, mas sobretudo com desejo de rever a alternativa visão imaginada por Lord Dobbs no original da House of Cards. A estória é credível, porque possível. Todavia, há algo de perturbador naquele “At last” ouvido na abertura! Não querendo quebrar o suspense de um must-see, este é um inventado UK pós Elizabeth II. O enredo roda em torno da família real, centrada nas linhas de acesso ao trono, e ainda nas ambições que o autor coloca em torrente tanto nos palácios como nas ruas, à mistura com um Red Prime Minister cedo em choque com dilemático (e assombrado) herdeiro. Advém uma crise constitucional. A cadência das palavras e o recorte das personagens são shakespearianos, há poder e há cilada, confluindo numa Lady Macbeth os des/encontros de coroa multicultural. A adaptação é tributária dos palcos e de elenco dominado pelo notável Mr Tim Pigott-Smith. A estrela de Dowton Abbey, falecido em April, tem desempenho maior no seu último papel. E é ele e os princípios do protagonista que salvam o ensaiado futuro imperfeito. — Mm. Learn by heart how Master Will distinguish Henry The Fouth in an unquiet reign: — “Uneasy lies the head that wears a crown."

 

St James, 15th May 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Westmorland and Lonsdale, May-June 2017

 

Totally fascinating. As clivagens partidárias já haviam por cá produzido um Labour politician with Tory values, mas agora chega a vez de uma Tory Prime Minister with some Labour values.

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Esta é a perceção que os estudos de opinião recolheram junto do eleitorado sobre The Right Honourable Theresa May MP, na esteira da vitória dos conservadores nas eleições locais. A contraciclo político, o partido no poder desde 2010 ganha terreno a todas as oposições em England, Wales e até em Scotland. — Chérie. Aide-toi et le ciel t'aidera. A Brexit Britain indicia outras surpresas no apoio popular. Com o No. 10 a erguer a voz face a novas diatribes continentais e quási-devorado o Ukip pelo voto, eis a onda azul a avançar para as paragens nortenhas. Os Tories tanto sustêm o SNP, quanto avultam na remota Cumbria. Uma das circunscrições debaixo de olho do May-ism é Westmorland and Lonsdale, nenhuma outra senão a que elege o líder dos Liberal Democrats para Westminster: o arch-remainer RH Tim Farron. — Hmm. These days we never no! Yet.... Os sufrágios florescem também em Europe. France elege para o Palais de l’Élysée o neófito Monsieur Emmanuel Macron. Nos US e em Italy, o President Donald J Trump defronta o antagonismo do… Obama show e da cerveja Baracchini. Nas ilhas, o Prince William of Cambridge prepara-se para novas responsabilidades na vida pública. O HMS Somerset escolta um submarino russo detetado no English Channel.

 

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Beautiful weather at London. Em vésperas dos 2017 BAFTA sagrarem a qualidade cinéfila de The Crown, série revelando alguns dos mysteries of the traditional norms of statecraft, amanhã é o recatado casal primoministerial que responde a questões de uma audiência plural em estúdio. A expetativa sobre a perfomance é tão maior quanto a PM recusa participar no usual Leader’s debate e opta por discreta campanha eleitoral, porta a porta, em vivo contraste com as ruadas e o espetáculo dos rivais, cuja sucessão diária de promessas apenas sublinha a estratégia presidencialista dos Tory. A June 8 ver-se-á dos resultados. Os últimos dias, porém, ficam marcados pelo anúncio real da reforma de Philip Mountbatten e o carinho publicamente manifestado pelos seus 70 anos de “loyal service to Britain and The Queen.” O príncipe consorte de Elizabeth II afasta-se este Autumn dos “public duties” assumidos em 1947. Mrs May sintetiza posições: “On the behalf of the whole country, I want to offer our deepest gratitude and good wishes to His Royal Highness the Duke of Edinburgh.”

 

Muito distinto é o tom usado pela senhora às portas do Ten face a Monsieur Jean-Claude Juncker. O European Commission President desgosta da ementa no “Brexit working dinner” que a PM lhe oferece em Downing Street e coloca o mais próximo dos seus colaboradores a brifar jornais alemães sobre o ali ocorrido, aliás, em termos pessoalíssimos que devem aos bons costumes. Ora, o que realmente aconteceu no jantar onde London recusa a €100bn divorce bill de Brussels depende do paladar de quem neste participa: para uns é uma conversa útil; para outros antes é um desastre… ter tal cozinheiro. Como a deselegância entre ainda-parceiros não bastara e atestando a mentalidade despeitada de infelizes separações, o ex-PM luxemburguês viaja a Firenze e comete crime capital contra a língua inglesa. Nas suas próprias palavras: “I will speak in French (…), because, slowly but surely, English is losing importance in Europe.” Irlandeses e malteses tremem. Já a RH Theresa May reage, antes de rumar ao Palace of Buckingham em dia de dissolução do Parliament: “Threats against Britain have been issued – deliberately timed to affect the election.” O Daily Mail logo resume a mensagem: “Hands off our election.” Vem aí… a huge blue  majority!

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Se as forças aquém e além Channel esculpem, mais e mais, a 2017 snap patriotic election como “who negotiates the Brexit?,” apesar do interesse eleitoral do Labour de RH Jeremy Corbyn &co em maximizar a utilidade de Herr Karl Marx no futuro insular, a conquista do Élysée desagua no esperado President Emmanuel Macron. Os 65-35% no duelo contra Madame Marine Le Pen, escoltados por massiva abstenção e militante voto nulo, contrastam com um discurso da vitória que releva nada estar escrito na pedra. Evitado o perigo imediato do populismo, pois, os meios parisienses comentam agora que, eleito que está, o mais jovem político francês desde o Empereur Napoléon Ier (1769-1812) pode finalmente revelar qual o seu programa e a equipa para governar. Os desafios são imensos, e em muito respeitam à European Union. Nascido nas terras do bloody Somme, o ex-ministro e protégè de M François Hollande é um fervoroso eurófilo que gosta de viajar até London para assistir a uma noturna peça de teatro na língua universal de Shakespeare. Mas eis extraordinário 1st statement do dirigente do novíssimo On marche, após 10 minutos ao telefone com a Bundeskanzlerin Angela Merkel e as warm congratulations da UK Prime Minister. É a noite do triunfo. A imagem parece saída do The Da Vinci Code. Não vemos Mr Tom Hanks, mas o protagonista é ainda energético e telegénico. A câmara segue-lhe os passos, na penumbra, com as pirâmides do Louvre em fundo e as cordas da Ode to Joy. Exato, o EU anthem! A 14 May jurará ele à desnudada Marianne de la Republique. So, best of luck. Seguro é que, depois do Trump circus, o 39 years’ old promete fazer as delícias de quantos apreciam o Planet Rothschild. — Well. Consider Master Will and ours thoughtful Jaques in As you like it: — “All the world's a stage, / And all the men and women merely players; / They have their exits and their entrances, / And one man in his time plays many parts. / His acts being seven ages."

 

 

St James, 8th May 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

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   A Brexit snap election, 8 June 2017

 

 It is not done until is done. A Prime Minister RH Theresa May MP pede hoje poderes bastantes à House of Commons para convocar eleições gerais antecipadas. A libra esterlina dispara com a previsão de uma vasta

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maioria Tory. — Chérie. Prudence est mère de sûreté. Que se pode dizer sobre o clima nas ilhas ? É a Brexit Britain e o guião segue a matriz dos plot twists. Depois de três vezes negar o cenário de legitimação para o mandato primoministerial, eis a Tory líder a mudar de opinião após uma cuidada reflexão pascal. — Hmm. Do not put new wine into old bottles. O suspense marca também o resto do mundo. O US President DJ Trump demonstra o seu entendimento do que é o America First: a península coreana treme com a visão de um conflito nuclear. As presidenciais francesas digladiam os últimos argumentos. Turkey vota pela concentração dos poderes do President Recep Erdogan e adensa a sombra otomana no eurocontinente. Os Princes William e Harry impulsionam o debate no reino em torno da saúde mental. O J025 aproxima-se da Earth com a etiqueta do maior asteroide a passar nas proximidades desde 2004.

 

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Lovely Springtime at Central London even with fresh wind. Um telefonema do Number 10 para o Buckingham Palace inicia uma nova reviravolta, para alguns surpreendente, na impetuosa política doméstica. A Prime Minister informa HM Elizabeth II que convoca eleições gerais para 8 June a fim de obter a “Brexit unity.” A decisão assume forma dramática, com o anúncio de “a surprise PM statement” para as 11.15 am de Monday. A especulação circula durante horas na political bubble. Note-se que tais declarações oficiais são algo extraordinário, servindo usualmente para declarar guerra, dizer da queda governamental por resignação da PM ou marcar eleições. Singular é também o facto de todos os cenários serem por cá tidos como prováveis, dadas as vagas emocionais que tumultuam o Brexit serial. Quando Mrs May aclara as águas é já consensual a tese de… a Blue murder. Os Tories avançam para uma maioria histórica face a enfraquecidas (apesar de ruidosas) oposições.


Esta tarde decorre mais uma acalorada votação nos Commons quando Mrs May requer luz verde para a #GE2017. Necessita de 2/3 da câmara para revogar o Fixed-term Parliaments Act 2011, que datava o sufrágio em 2020. As reações ao gesto do 10 ainda ribombam no Palace of Westminster. Pouco fica da imensa espuma dos comentários plurais, quando muitos MPs encaram a séria possibilidade de perder o emprego às mãos do eleitorado flutuante. Tracemos a bissetriz possível. Se a generalidade das sondagens indica as vésperas de a blood Labour bath, com o partido de RH Jeremy Corbyn a 21 pontos percentuais de distância face aos Conservatives, a snap election é por cá encarada de forma genericamente dual: para uns é a almejada oportunidade para reverter o resultado do euroreferendo de 2016; para outros é o momento decisivo para unir forças atrás de HM Government nas complexas negociações da saída do UK da European Union. O tom do debate está dado: no "are you kidding?" da entrevistada acidental em plena rua, na autoexclusão do ex Tory Chancellor George Osborne das listas de candidatos e em manchete do Daily Mail ― “Crush the saboteurs.” Com paragem nas eleições locais de 4 May, a par das consequências judiciais do overspending partidário na última campanha, faltam 50 dias para o sufrágio geral.

 

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Aos amantes de jardins, arquitetura e história, uma recomendação final de leitura e de convite à visita. Nos dois últimos números da sempre belíssima Country Life, uma revista muito cá de casa, Mr Geoffrey Tyack narra a evolução secular da University of Oxford. Sob o título “A seat of learning” e com fotografias de Mr Will Pryce, a dupla de artigos recua ao nascimento da universidade no 12th Century como comunidades de “scholars and aspiring scholars” para traçar a direção e a inspiração das artes ao longo de um passeio por edifícios e bibliotecas. Das lecture rooms e alojamentos clericais das Oseney Abbey Schools no medievo, aliás, as que fascinam o Infante Dom Pedro, conforme o Duque de Coimbra testemunha na sua “Carta de Bruges,” à majestosa Arts End, a primeira biblioteca britânica com wall shelving, criada em 1610-12, a peregrinação centra-se nas góticas Schools Quadrangle e na Bodleian para dar conta do papel público da Convocation House. Este é um espaço menos conhecido pelos pergaminhos políticos, mas é o cenário consensualizado para estruturar o debate nacional em dividido reino, ao servir de parlamento, em várias ocasiões, no turbulento 17th century. — Well. Let us amuse our minds with Master Will and that contemplative Jaques in As you like it: — “Out of these convertites / There is much matter to be heard and learnt."

 

St James, 18th April 2017

Very sincerely yours,

V.

 

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LONDON LETTERS

 

The End of The Affair, 2017-19

 

Et voilá! Brexit begins with the Springtime. A coreografia diplomática é singela. RH Theresa May aciona o Article 50 do Treaty of Lisbon e inicia a contagem

decrescente para a saída programada do United Kingdom da European Union, a 29 March 2019, com ou sem acordo sobre os laços comerciais. Começa também um outro futuro para o projeto europeu e o papel da EU no mundo. O momento é de refundação para o clube dos estados continentais, mas decisões só as haverá depois das eleições outonais em Germany. Para o UK, faltam 717 dias de navegação até oceano aberto. — Chérie. Goûts et couleurs ne se discutent pas. A Prime Minister visita o Arabian Gulf para conversações de trade & defense. Na mala leva um cheque de £1,2b para apoio local aos refugiados sírios. — Hmm. Do not be wise in words, be wise in deeds. O terror jihadista ataca de St Petersburg a Stockholm. O US President DJ Trump lança ataque punitivo na Syria, recebe o líder egípcio Abdel-Fattah el-Sissi e dá uma entrevista ao FT de leitura forçosa para aferir da agenda geopolítica da superpotência. A corrida ao Élysée soma sinais do êxito no desenho do sistema eleitoral: produzir um decisor centrista. O Prince Charles of Wales prepara an European charm tour. Nas ilhas, Northern Ireland persiste no limbo governamental e Scotland vota pelo IndyRef2. O Labour Party continua em queda livre, com perdas estimadas de 125 lugares nas eleições locais de May a favor dos Liberal Democrats e dos Conservatives.

 



Lovely weather at Central London. Duas damas agitam a domesticidade de Westminster Village, que hoje diz adeus ao herói da Metropolitan Police caído nos Palace Gates. Um cordão de polícias saúda PC Keith Palmer, uma das cinco vítimas do atentado terrorista, em público cortejo fúnebre ao longo de quase três milhas. A envolvente do Big Ben é agora de mais apertada segurança, quando a Scotland Yard tem a first female chief nos 188 anos da instituição: Met Commissioner Cressida Dick. No ar anda algo de feminil, não obstante o ‘empate’ na 2017 Oxbridge Boat Race: os remadores de Oxford University vencem a corrida, mas, no drama da deteção-remoção de uma WWII bomb nas águas da partida em Putney, são as azuis-claro de Cambridge a ganhar a palma do Thames River. Mais há, todavia. Após a histórica assinatura pela Prime Minister May da carta entregue ao European Council President Donald Tusk em Brussels, pelo Ambassor Tim Barrow, seis páginas timbradas a anunciar a retirada do UK da EU, eis nova rosa nos anais da coroa e na mística geografia local. O verde das Houses of Parliament vai acolher uma estátua da líder das Suffragists, Dame Millicent Garrett Fawcett (1847-1929).

 

Abrigada de ocasionais chuviscos por peripécias de saúde, a lava das notícias é ainda avassaladora e quase ofusca este acontecimento maior.

Se o rufar das eleições para os councils segue em fundo, com visíveis desafios para o Labour e o Ukip enquanto a Brexit abunda em red lines e ameaça turbulência nos céus de Gibraltar, é a canonização política da senhora quem cativa o olhar – tanto pela decisão quanto pelo espaço. Dame Fawcett é a pacífica presidente da National Union of Women’s  Suffrage Societies, fundada em 1897 a fim de aliar as reivindicações do sufrágio feminino que há 30 anos ecoavam pela sociedade vitoriana. O movimento distingue-se das Suffragettes pelo método diplomático, sempre a sua líder valorizando a persuasão em contraponto ao protesto advogado, desde 1903, pelo grupo radical de Mrs Emmeline Pankhurst. Na preparação do centenário do voto das mulheres no UK decide HM Government homenagear a sufragista nascida em Suffolk, que fez do No. 2 de Gower Street domicílio das insistentes petições aos azoratados MPs que, em 1918, finalmente acedem à paridade. A first woman to be honoured with a statue in Parliament Square alinhará com o moderno bronze de Lady Margaret Thatcher no Members' Lobby do Palace of Westminster e erguer-se-á no jardim exterior entre os pedestais de Winston Churchill, David Lloyd George, Viscount Palmerston, Earl of Derby, Benjamin Disraeli, Robert Peel, George Canning ou Abraham Lincoln, Nelson Mandela e Mahatma Gandhi.

 

Por terras que rezam a Allah intervém já a PM, vigorosamente, em polémica da Christian Easter. Na anual caça aos ovos do National Trust ao longo do reino desaparecem as referências pascais na promoção do evento, para espanto até do good Archbishop of York Dr John Sentamu. O avanço secularista logo é etiquetado por Mrs May de… “ridiculous.” No cenário de uma próxima disputa com Spain por causa de Gibraltar, incluído por Madrid e Brussels nas euronegociações, a reação de uma senhora com cabelos prateados ao vento em solo jordano e saudita é ainda mais explícita: uma sonora gargalhada. Não é para menos, ou diferente. Muitas vezes ao longo do debate europeu lutei com a ideia de incredulidade, face aos espantalhos da crise financeira e do conflito armado, mas há ainda lugar para surpresas. Na espuma final do EUref2 dos últimos 9 meses, pasmo com declarações de Lord Heiseltine a atribuir à Other Union a revolução contra o fascismo em Portugal ou quando agora Lord Fallon declara que o UK defenderá The Rock tal como valeu às Falklands. Os excessos sempre comovem. Afinal, the words that we use form our worldview.

 

Quando as chancelarias engendram fórmulas de pressão sobre Moscow devido a Damascus e Beijing por causa da North Korea, nota comemorativa para os 35 anos do fantástico Blade Runner. A masterpiece de Mr Ridley Scott apura no tempo quanto Do Androids Dream of Electric Sheep? de Mr Philip K Dick prova nas areias da distância. Uma e outra obra possuem génese reveladora. O cineasta desenvolve as aventuras protagonizadas por Mr Harrison Ford quando filma Dune e o universo ficcional de Mr Frank Herbert. O escritor concebe a ideia do humano sintético ao ler num jornal Nazi ensonadas queixas de um oficial SS pelos gritos num campo de concentração. — Well. Keep in mind those strident thoughts that Master Will puts among the silent humanity in Hamlet: — “There is nothing either good or bad, but thinking makes it so."

 

St James, 10th April 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Britishness, The Scottish Question and, a black wolf, 27-22 March 2017

 

RH Theresa May atravessa o Hadrian Wall. As tropas do SNP perfilam-se no topo das montanhas.

Está a 72 horas de acionar o Article 50 que abre à saída do UK da European Union. Há dias atrás fala a um reino unido após ataque jihadista às Houses of Parliament. Bastam 82 segundos para semear a morte dos agnelos e a perplexidade face ao mal. —  Chérie. L'intention fait l'action. Os líderes religiosos rezam a um só céu pelos caídos: PC Keith Palmer, Mr Kurt Cochran, Mrs Aysha Frade e Mr Leslie Rhodes. Um português sobrevive ao atentado com ferimentos ligeiros. — Hmm. Where God builds a church, the devil will make a chapel. Northern Ireland vive problemática formação do governo sob encruzilhada constitucional: o consenso DUP-Sinn Féin, a terceira eleição num ano ou a London rule. Já a EU comemora os 60 anos do Treaty of Rome, Capitol Hill declina o Obamacare Repeal do Presidente DJ Trump e Madame Le Pen visita o Kremlin. O Prince George of Cambridge prepara-se para frequentar a Thomas's Battersea School em London. O Ukip perde o seu único MP, com o abandono do partido de RH Douglas Carswell MP sem ida a votos.


Sunny break after the terrible dark clouds at Central London
. O pandemónio vem e vai,  inopinado, deixando um rasto de devastação cujos efeitos silentes ainda germinam. Hoje são as barreiras de segurança erguidas até ao  Windsor Castle. Ontem foi a assombração. Os corpos, o sangue, os disparos, o pânico, os polícias e o selar do perímetro, a reação armada, carros e helicópteros, ambulâncias, angélicos paramédicos no auxílio às vítimas e ao vilão, os heróis acidentais. Destacam-se RHs Tobias Ellwood e Ben Wallace MPs, reconhecidos, celebrados e entrados no Her Majesty’s Most Honourable Privy Council. O ataque terrorista de 22 March no coração de Westminster é  uma voragem do mal e do bem. O black wolf logo é abatido, mas sobejam intermináveis horas de um misto de perturbação nas almas ao olhar o abismo. A expressão da Right Honourable Theresa May tudo compõe, porém, na insigne House of Commons:


“Mr Speaker, yesterday an act of terrorism tried to silence our democracy. But today we meet as normal.” E é a urbana normalidade que abate o fantasma jihadista. O assalto falha tão redondamente que de novo sobrevém desconcerto. Com uniformes a esquadrinhar o país de lés-a-lés em lide da ameaça severa, eis eurófila manifestação de amor na mesmíssima praça onde o demónio, por momentos, andou à solta. A insólita tela diz também algo dos labirintos humanos. Nos portões do palácio, olhando as estátuas dos santos locais, mora uma rosa branca.

Dos valores comuns da Britishness, ”the values we share in our family of nations,” fala Mrs May quando hoje ruma às Highlands. A visita antecede a notificação oficial a Brussels da retirada do euroclube e materializa sensível etapa diplomática para concertar posições entre os quatro povos do reino. Se no plano europeu há que aguardar pelas 12H30 de 29 March 2017, hora e dia apontados para a entrega de carta primoministerial ao EC President Donald Tusk, em simultâneo com a presença da PM nos Commons para informar o país e responder aos MPs pelo ato, na frente interna acaba o 10 de obter imprevista trégua. Por acaso do destino, os trágicos acontecimentos em London congelam o voto do segundo referendo à independência em Holyrood. O compasso de tempo não durará, todavia. Os ecos do encontro com a First Minister Nicola Sturgeon pouco revelam, nomeadamente quanto a devolução dos poderes a repatriar, além de um esfíngico sorriso das duas ladies na foto de família. Em público, discursando no UK’s Department for International Development em East Kilbride, deixa a English Tory mensagem para Scots ouvirem: "[T]his is not – in any sense – the moment that Britain steps back from the world. Indeed, we are going to take this opportunity to forge a more Global Britain. The closest friend and ally with Europe, but also a country that looks beyond Europe to build relationships with old friends and new allies alike. (…) So as Britain leaves the European Union, and we forge a new role for ourselves in the world, the strength and stability of our Union will become even more important "

 

Em momentos pela maioria classificados com um modern hino à Union Jack e aos “shared values of freedom of speech, democracy, respect for human rights, the rule of law,” soberana nota final. Às mãos dos Brits chega a high-tech £1 coin, cunhada pelo Royal Mint em Llantrisant (South Wales) com o quinto perfil de HM The Queen.


A nova libra esterlina apresenta-se inovadora, diferente, com bordo de 12 ângulos, dourada e prateada, mais leve, fina e larga que a good old pound. Às características do design único soma especial minúcia ótica de defesa contra falsários. — Well. After an appalling week, even surrounded by gold and silver, bear in mind that thing of darkness that Master Will talks in The Tempest by the voice of Ariel: — Not a soul / But felt a fever of the mad and played / Some tricks of desperation. All but mariners / Plunged in the foaming brine and quit the vessel, / Then all afire with me. The king’s son, Ferdinand, / With hair up-staring—then, like reeds, not hair / — Was the first man that leaped, cried, “Hell is empty / And all the devils are here."

 

St James, 27th March 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

An historical date, 29 March 2019

 

HM Elizabeth II apõe o Royal Assent na European Union (Notification of Withdrawal) Bill. O PM Office anuncia que accionará a cláusula de saída da EU no próxima quarta-feira e imediatamente RH Theresa May inicia em Wales mais uma ronda de contatos às quatro nações do reino unido.

  O calendário fixa a histórica Brexit para 29 March 2019. —  Chérie. En toute chose il faut considérer la fin. Com a campanha interna do No. 10 aberta em Swansea (Wales) e o parlamento de Scotland a votar amanhã novo referendo independentista, já Westminster centra o olhar noutros temas prementes. O ex Tory Chanceler of Exchequer a todos espanta com o seu recrutamento para editor do London Evening Standard, sendo agora por cá conhecido como RH George ‘Six Jobs’ Osborne. Também o Labour Parliamentary Party protagoniza exaltada reunião com o líder RH Jeremy ‘Red’ Corbyn. — Hmm. Clothes do not make the man. France visiona longo debate televisivo entre os principais candidatos presidenciais. Netherlands dá a vitória eleitoral aos liberais do Premier Mark Rutte face aos eurocéticos de Mr Wim Welders. Washington assiste a frosty Trump-Merkel Summit na White House enquanto Capitol Hill investiga a conexão russa que pode desaguar em impeachment process com o GCHQ pelo meio. O Sinn Féin diz adeus a Mr Martin McGuinness.

 

Light rain at the begginings of the London Springtime. O alinhamento entre Downing Street e Buckingham Palace ganha visibilidade no Brexiting, tanto na frente interna como na frente externa. Passados os escolhos nos dois lados de Westminster Square, sejam as Houses of Parliament e o Supreme Court of Justice, a mais importante lei no nosso tempo ruma à secretária de Her Majesty The Queen. Elizabeth II tem constitucionalmente três opções: selar, recusar ou demorar a EU Bill. Sem delongas despacha o Royal Assent, através de letters patent unidas ao articulado legislativo, logo remetidas aos Commons para aqui se anunciar de viva voz a decisão da monarca: "La Reyne le veult." A tradicional fórmula em Anglo-Norman Law French é saudada com cheers dos MPs e não deixa de ser astral ironia que, segundo os anais de Westminster, o último veto real, em 11 March 1707, pela Queen Anne, haja incidido sobre a Bill for the settling of Militia in Scotland. Mais faz o cetro: os Dukes of Cambridge viajam até Paris em missão oficial de charme.

 

O avanço da Brexit materializa-se com anúncios públicos de prontidão em London e Brussels. Incontornáveis são os contornos homéricos do processo. Whitehall prepara um pacote legislativo, estima-se que 15 leis de enquadramento setorial, para acompanhar The Great Repeal que ecoará em May no Queen’s Speech. Até lá, é a vez da Prime Minister testar as suas habilidades diplomáticas na campanha interna de unificação de vontades e propósitos. Se era expetável que a saída do UK da European Union serviria de pretexto para nova batalha dos independentistas no parlamento de Holyrood, o cenário geral com que Mrs May se depara é bem mais complexo. Vejamos quem se sentou na primeira cimeira doméstica, a 24 October 2016, entre Downing Street e as autoridades de Edinburgh, Cardiff e Belfast. À volta da mesa encontram-se uma English Tory, uma Scottish nationalist, um Welsh socialist e uma Ulster unionist mais um Irish republican. Acresce que o euroreferendo de 23rd June reflete os votos a favor de England e Wales mas contra de Scotland e da Northern Ireland. Não por acaso é RH Theresa May MP comparada a formidável personalidade histórica na manutenção da coroa: Elizabeth The First. À Good Queen Bessie valeram os divinos ventos do Channel quando atacada pela Invincible Armada.

 



A tarefa de Mrs May igualmente requer boa ventura na outra Union. Que as nuvens se avolumam além Channel observa-se sobretudo na fragmentada paisagem política gaulesa. No debate presidencial de três horas e meio entre os cinco principais candidatos ao Palais de l'Élysée, por maiores que foram os esforços de Madame Marine Le Pen para debater a situação europeia criada pela Brexit, multiplicado foi o silêncio manuseado pelos rivais – acrescido pela câmara de eco dos mass media. Evidente é a frente continental dos eurófilos. Em vésperas de RH G Osborne assumir as vestes de jornalista e fazer do London Evening Standard um jornal de combate dos Remainers, soa estranha equivalência na Spring Party Conference dos Liberal Democrats que tudo revela quanto à nova retórica dos contrários. RH Tim Farron acusa a comunitarista Theresa May de prosseguir as “aggressive, nationalistic politics of Trump and Putin.” Assim vamos quando nos US ocorre peculiar cimeira. O President DJ Trump recebe a Bundeskanzlerin Angela Merkel. Afirma-se não isolacionista e pró NATO ao apresentar faturas a Berlin. Ora, a linguagem corporal dos dois líderes diz do máximo desconforto existente nas neo relações continentais transtlânticas. No mais, passados 100 dias da administração republicana, The Trump Show goes on. Em Capitol Hill projeta-se já cibersequela do clássico de Holywood: The Comies are coming…

 

Com a novel interdição dos dispositivos eletrónicos nas viagens aéreas de paragens exóticas no Middle East e previsível agitação em torno da Pound Sterling para a próxima estação de veraneio, examinemos atempadamente destinos turísticos para caseiro 2017 Summer. O Sunday Times ajuda. No seu guia anual dos "best places to live in Britain" distingue a amena cidade de Bristol, à frente de campeões regionais como Peckham na Great London, Wadhurst em East Sussex ou Shipston-on-Stour em Warwickshire. A urbe portuária está geminada com o Porto e tanto a esplêndida traça natural como os pergaminhos recomendam visita. A Royal Charter recua a 1155. Cedo floresce o condado do South West England, autonomizando-se de Gloucestershire e Somerset em 1373 e conquistando foro a desenho de Master Robert Ricart em 1478. A terra fértil coloca Bricstow entre os grandes contribuintes do trono desde o medievo, com a cruz e o comércio a globalizar os elos com outros reinos de cruzados e navegadores. — Well. Remember what Master Will says in his Jacobean play Pericles, Prince of Tyre about the maritime lives: — Master, I marvel how the fishes live in the sea. | Why, as men do a-land; the great ones eat up the little ones; I can compare our rich misers to nothing so fitly as to a whale; a’ plays and tumbles, driving the poor fry before him, and at last devours them all at a mouthful. Such whales have I heard on o’ the land, who never leave gaping till they’ve swallowed the whole parish, church, steeple, bells, and all.

 

St James, 21th March 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Sailing ships, 2017

 

Very big political days and, another big win for The Brexiters. As duas Houses of Parliament aprovam a European Union (Notification of Withdrawal) Bill, após breve ping-pong legislativo entre os Lords e os Commons. Her Majesty sela o Royal Assent nos próximos dias. Os Remainers regressam aos tribunais. —  Chérie.

Goutte à goutte l'eau creuse la pierre. Que se vivem dias históricos não há dúvidas. The Honourable Company of Edinburgh Golfers vota favoravelmente a admissão no Muirfield Club de “women members,” quebrando misógnica regra datada de 1744. Na Bute House também a First Minister RH Nicola Sturgeon anuncia um segundo referendo à emancipação de Scotland, depois do “one-generation vote” pelo United Kingdom de 2014. O Sinn Féin segue-lhe os passos na Northern Ireland. — Hmm. Catch your bear before you sell its skin. Elizabeth II descerra o Iraq & Afghanistan War Memorial em London. O centrista 2017 Bugdet agita os Conservatives e Tories há a ver RH Phil Hammond como Labour Chancellor no Exchequer. Nos US continua a novela da Russian Connection na Trump Administration. Já as sondagens francesas apontam consistentemente para corrida a deux ao Palais de l'Élysée, entre Madame Marine Le Pen e Monsieur Emmanuel Macron. Na campanha holandesa é o choque do populista Mr Geert Wilders com o liberal Premier Mark Rutte, com a “Nexit” como tema forte. O Der Spiegel declara o “Nein Danke” à ideia das “German nukes.”

 

  


Plenty sunshine over London, with light winds in the Highlands and dreary clouds over Stormont!
Os elementos de interesse abundam em volta, esfumada sem rasto que está a ora tradicional marcha de protesto em Westminster City durante o weekend – desta vez, creio, sobre as mulheres. Sejamos, pois, seletivos quando os temas da town talk deambulam pelas “unfortunate leaderships”. A semana é marcada pelo simbolismo. Her Majesty preside a cerimónia nacional de homenagem aos militares e civis que serviram a pátria nas guerras do Iraq e Afghanistan, conduzindo um Drumhead Service na Horse Guards Parade. Ainda com as armas a troar em Mosul, na animada bancada central em Whitehall pontua um rosto fechado entre veteranos, membros da Royal Family e dignatários: RH Tony Blair, cedo captado pelas câmaras dos repórteres. A imagem fala por si; The Times esculpe-a em manchete para a posteridade. Elizabeth II presta tributo aos heróis também descerrando um memorial junto ao edifício do Ministry of Defence, nos Victoria Embankment Gardens, uma estátua da autoria de Mr Paul Day e à qual fica colada a “lonely soul” do decisor de 2003.

 


O palco político vive outros momentos de trepidação, vários dos quais radicam em idas opções dos tributos de moeda e sangue exigidos aos comuns. Westminster Square centra horas de tensão em torno do Euro vote, requerendo registo do efeito imediato. À agitação dos atores locais reagem os mercados globais com olímpico alheamento: “The pound has barely reacted.” Já a envolvente revela fossos que se alargam. Na Eurasia ocorre troca de Nazi-Islam Tennis entre Berlin e Ankara, para continental ver, enquanto o EC President Jean-Claude Juncker antevê o tempo onde “Britain will re-enter the boat” ao dissertar em Brussels sobre as “EU continental ambitions.” Por cá antes os contrários visam desfavorecer o Number 10 com a divisão de forças em duplo jogo: aquém e além Channel. Alguém pediu a referendum crisis? Sobre o #IndyRef2 ontem exigido pelo partido no poder em Holyrood para o semestre do Autumn 2018/Spring 2019, atenção aos protagonistas. A FM Nicola Sturgeon justifica a iniciativa não com ideologia nacionalista ou futura prosperidade dos highlanders, sim com a Brexit. A Scottish Tory Leader Ruth Davidson censura-a por escolher “the path of division and uncertainty.” A PM May sintetiza as posições ao declarar que “the SNP's tunnel vision is deeply regrettable.” O programa das festas nortenhas segue dentro de momentos, com o Labour “absolute fine” a favor e contra novo referendo escocês consoante quem opine.

 

Terminado está o Westminster Match. Os Lords lutaram bravamente pelas emendas à EU Bill, sem contudo demover os Commons de ratificar a anterior decisão sem perda de tempo. A natureza de cada uma das Houses of Parliament explica as posições de cada qual, sendo os números da representação a ditar o resultado legislativo. Uns questionam e outros respeitam a vontade popular, expressa no referendo de 23rd June. HM Government tem agora plenos poderes para formalizar a saída do UK da European Union, em estreita passagem maritima entre os rochedos nacionalistas de Holyrood e de Stormont. Já hoje de manhã é a própria Prime Minister RH Theresa May a anunciar aos MPs que, tal como planeado, accionará o Article 50 do Lisbon Treaty “by the end of the month.” Mais: Her Majesty aporá o Royal Assent nos “coming days.” Se frustradas ficam as expectativas de pronta abertura das negociações London-Brussels, nomeadamente nas chancelarias ocidentais que há duas semanas aguardam a May’s Withdrawal Letter, já a ala dos Hard Remainers não espera e ultima novo processo no Supreme Court para bloquear o divórcio. Nos julianos Ides of March anda pulsão schmitteana.

 

Fechemos com notável nota botânica, que do naming friend or foe bem escreve Herr Carl Schmitt. O último recenseamento arbóreo identifica mais de “1,000 previously unknown ancient oak trees” em England, com raízes recuadas às eras da génese da nacionalidade e dos reformadores Tudor. As estatísticas são simplesmente fabulosas e distinguem o reino de William The Conqueror e dos seus nobres terratenentes: 85% dos veneráveis carvalhos têm entre 400 e 600 anos de idade, datando 12% de há 600 a 800 anos a par de 3.4%, uns sagrados 117 exemplares, nascidos há 800 a 1.000 anos. A pesquisa do Woodland Trust foi desenvolvido no último quadriénio em colaboração com o Ancient Tree Forum, o Tree Register e os Royal Botanic Gardens. Da Quercus heritage mais desvendará o Professor Aljos Farjon no seu livro Ancient Oaks In The English Landscape, na prensa e a lançar pelo historiador conservacionista de Kew a 1 May 2017. — Well. Some of those survive from Master Will’s time and not by chance he writes in The Tragedy of Macbeth how the trees of Birnam Wood helped the victory of the English army: — What is this / That rises like the issue of a king, / And wears upon his baby-brow the round / And top of sovereignty? | Listen but speak not to ’t. | Be lion-mettled, proud, and take no care / Who chafes, who frets, or where conspirers are. / Macbeth shall never vanquished be until / Great Birnam Wood to high Dunsinane Hill / Shall come against him.

 

St James, 14th March 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The Sleep-Walkers, 2017-…

 

Quando se pensa que o estado das coisas não pode mais piorar de tão ruim que

está!... Fontes bem informadas dão conta que no núcleo duro da European Union se debate a militarização nuclear entre o leque das opções para o futuro post-Brexit, obviamente num cenário federal. —  Chérie. Quand le vin est tiré, il faut le boire. A House of Lords emenda a European Union (Notification of Withdrawal) Bill e inicia um ping-pong legislativo com a House of Commons. Já HM Govt mantém o calendário do Brexiting. — Well. Boys will be boys. Os Tories vencem a by-election em Copeland, uma circunscrição desde há 83 anos com as cores do Labour Party, mas os trabalhistas travam o Ukip em Stoke-on-Trent Central. O Chancellor Philip Hammond apresenta hoje o primeiro orçamento do Mayism. O Exchequer sobe os impostos e gasta nas ciências duras. Além Atlantic, após sereno discurso no Congress, o US President Donald John Trump publica a Travel ban 2.0 enquanto apresta a construção do Mexican Wall. No entretanto, incrimina o antecessor Mr Barack Obama de escutas ilegais à sua campanha para a White House. Com as justiças e a liderança de Madame Marine Le Pen avançam também as presidenciais francesas para a primeira volta em 23 April. Uma semana antes saber-se-á do voto holandês e se o eurocético Party for Freedom de Mr Geert Wilders triunfa na corrida a 28. Na Northern Ireland é o Sinn Fein (Ourselves Alone) quem assombra ao desbaratar o bloco unionista.

 


Rainy days but frosty nights at Central London!
Ora, bem. Será que sou só eu? Ou alguém ou algo quer, 330 anos após os Principia de Sir Isaac Newton, testar a lei natural da gravidade? É que, se bem recordo de idas leituras, o primeiro teste à theory of universal gravitation between masses foi concludente, pois conduzido com o devido rigor laboratorial por Mr Henry Cavendish em 1797. The Cavendish experiment fixa até um marco científico nas amenidades de Clapham Common, cedo imortalizadas em tela de Turner. It is lunacy! Será que a quadrar este ano de todos os perigos, posicionados entre a Trump’s America e a Putin’s Russia, destemidos dirigentes cenarizam o virar costas à NATO e equacionam nova nuclearização do continente? A notícia do EU military might roda a Leste e vem hoje ventilado na primeira página do Washington Post, em vésperas da passagem do século sobre a entrada dos USA na War to End Wall Wars. A April 6, 1917 pede o President Woodrow Wilson ao Congress que ratifique a declaração de guerra contra Germany e Austro-Hungary. Logo emite o Selective Service Act para erguer exército de 3,7 milhões de fuzis. Três meses depois marcha a Allied Coalition pelas ruas de Paris, historiografando ulteriormente a perda de toda uma geração até ao Armistice Day de November 11, 1918. Um responsável assume velados planos da pólvora. "Mr. Trump says that NATO may be obsolete, and that we need to be more independent. Well, maybe we will," afirma ao WP o Lt. Col. Torsten Stephan, porta voz das forças militares alemãs na Lithuania.

 

Por cá, a um oceano de distância das batalhas do President Trump contra a Fake Press e o Deep State da Inteligência, o belicismo é retórico. No fim-de-semana alteiam-se as vozes em massiva marcha de protesto, desta feita “To save our NHS.” RH Jeremy Corbyn e camaradas discursam em Westminster Square, entre bandeiras, cartazes e balões. A demonstração de força trabalhista reúne representantes de todos os cantos do reino e hasteia a bandeira da infeliz campanha da Cumbria. Mr Dan Hodges, ex Lab e cronista do Telegraph, sintetiza o ensaio com ironia letal: “In Copeland voters were given a choice. «Vote for Jeremy Corbyn or your hospital will close and you will die». They preferred death.” O triunfo do Conservative Party nas terras nortenhas nem pela derrota no Brexite vote às mãos dos Lords é mitigado. A conquista do bastião rubro repete as vitórias de há 35 anos, na esteira da glória na Falklands War, pela então Prime Minister RH Margaret Thatcher. Mas se, listando unilateral defesa de direitos dos ‘EU Nationals,’ a nobre emenda da Upper House à Withdrawal Bill regressa à House of Commons para ser despachada de volta pela maioria Tory, a by-election confirma a magnitude da mudança no eleitorado. A popularidade interclassista de Mrs Theresa May leva agora Lord Hague a recomendar a antecipação das eleições gerais, quando 68% dos Brits anuem no adeus à EU e querem que o HM Government avance com o europrocesso de vez. A PM olha o cronómetro do countdown para, dentro de dias, provavelmente a 10 March, accionar o famossíssimo Artigo 50 do Lisbon Treaty e abrir às negociações com Brussels.

 

Os contornos da Global Britain ganham já formas. Na estratégia governamental recortada no 2017 Budget destacam-se as prioridades dadas à industrialização e à qualificação. Downing Street aposta num perfil educativo virado para a modernidade, a fim de simultaneamente preparar uma mão-de-obra de novel geração e mitigar a pressão migratória. A par do regresso das Grammar Schools para estimular os talentos e do reforço na Technical Education para apoiar as vocações, surge idêntica ousadia no ensino superior. Chegam os cursos acelerados ou… fast-track degrees. As universidades podem disponibilizar os graus trienais em dois anos, por igual valor de propinas (£9,000‒£13,000 a year) mas aliviando os estudantes de um terço das respetivas living expenses. A flexibilidade da pauta acompanha públicos estímulos financeiros nos domínios da ciência pura, tecnologia e engenharias. Só as U-Techs recebem £500m. — Humm. Never Master Will forgot ours Lords High Treasurer like that loyal Lancastrian Baron Saye in 2 Henry VI: — And seeing ignorance is the curse of God, / Knowledge the wing wherewith we fly to heaven.

 

St James, 6th March 2017

Very sincerely yours,

V.