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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

LONDON LETTERS

 

Jerusalem and, Le President Macron, 2018

 

Till we have built Jerusalem, In Englands green & pleasant Land. O dia abre com sentimento fundo de saudades ― da civilidade de Oxfordshire, dos campos viçosos do Kent, da atitude geral do doing the right thing. À mente vêm notas de Herr Martin Heidegger sobre os estados de espírito. Voam, para dar lugar utilitário ao better Socrates de Mr John Stuart Mill (1806-73).

O filósofo do Middlesex é um dos profetas da liberdade, não por acaso. — Chérie! Qui se ressemble s'assemble. O cenário de um segundo referendo sobre a partida do United Kingdom da European Union é publicamente admitido por Sir Brexit. Mr Nigel Farage adverte os Brexiteers para se prepararem para a last dramatic battle, antes que esta lhes seja imposta por maiorias hostis nas Houses of Parliament. — Umm. Why not the best vote of three!? Sandhurst recebe a Anglo-French summit, reunindo o French President Emmanuel Macron com a Prime Minister Theresa May e Cabinet Ministers a par dos Princes William e Harry. Em Berlin, a Bundeskanzlerin Frau Angela Merkel continua a negociar eventual Grosse Koalition entre a sua eurocética CDU com o eurófilo SPD de Herr Martin Schultz. Já pelas ilhas, a ala corbynista do Labour Party reforça a participação no National Executive Committee. Vai crescer. A mega empresa de infraestruturas Carrillion sucumbe na praça da monarquia, sem o resgate à última hora pedido a Downing Street.

 


Sky partly cloudy
at Great London. A town talk está submersa em torno das semânticas da Brexit, após mais uma peculiar remodelação governamental, Há novos talentos nas fileiras conservadoras. A estampa inicial do pretty much as before é incontornável ao fim do dia, porém. Aliás, algo que evoca os tempos do Major Govt. Uma mexida sensível ocorre na ligação do executivo ao partido: a líder aponta RH Brandon Lewis como new Tory chairman, nome que quer conjugar com o rejuvenescimento da militância. Sob o denominador comum da missing oportunity, o comentário na honorável Press é misto. Assinalemos as extremas da rossio. No jornal crítico dos críticos de Mrs May retrata-se uma tela cruel das subidas e descidas num Cabinet de 25 membros, cuja balança interna soma sete Brexiteers ― Premier excluída. Resume o London Evening Standard do arquirrival Mr George Osborne: “You have to hand it to May. With this week’s «farce,» she has now achieved the hat-trick of the worst reshuffle, the worst party conference speech and the worst manifesto in modern history.” Ouchh. Recorde-se que o editor do assanhado LSE é o anterior Chancellor of The Exchequer, o qual a senhora destituiu ao entrar na residência de Downing Street, Mais equitativo é o favorável Daily Telegraph. Explica Mr James Kirkup que o presente rol de winners & loosers segue o padrão habitual dos “messy and managerial affairs.”

 

Mas Monsieur Macron is coming… again. Em oposição ao divisivo US President Donald J Trump, que acaba de cancelar uma visita a London para inaugurar a nova embaixada americana no reino, Westminster está de braços abertos para com o “young JFK,” O apoio explícito do Number 10 ao ido candidato aquando da corrida ao Palais de l'Élysée dá frutos. O dirigente da Rue du Faubourg vem com o seu top ministerial team e gera expetativas em todos os quadrantes políticos quanto à intermediação parisiense nas duras negociações da Brexit em Brussels. Ver-se-á se, desta feita em contraste com o European Commission President Jean Claude Juncker, no fim da cimeira não há queixas do cozinheiro local e antes louvores à aliança diplomática que secularmente une os primos atlânticos do English Channel. No countdown das chancelarias, faltam 19 meses para a saída dos Brits da Other Union. Justamente quando há uma incrível inscrição no flanco dos disponíveis para re-run referendário. Isto é: A bandeira do #EUref II não é mais exclusivo dos Liberal Democrats, de Sir Vince Cable, para gáudio escocês. É agitada pelo mesmo protagonista que, à frente dos ukippers, há décadas defende o estado soberano insular contra o superestado continental: Mr Nigel Farage MEP, por cá cada vez mais visto em mediáticas cavaqueiras com destacados Remainers como Mr Alastair Campbell (o ex Press Secretary do PM Tony Blair) ou Lord Adonis (o chairman da National Infrastructure Commission que se demite do cargo em protesto contra a política europeia de Mrs May). ― Quite surprising, indeed. What are those three cooking? A new lord?!

 

 A amenizar esta paisagem política, eis uma excelente notícia para os apaixonados do countryside. Whitehall dá luz verde à plantação de 50 milhões de árvores num “120-mile corridor” entre Liverpool e Hull.

A novíssima Northern Forest arranca na primavera e contém cabaz misto de latifoliadas e coníferas, visando criar habitats para espécies variadas como morcegos, pássaros ou os adoráveis red squirrels. Mais: O plano ecológico prevê espaços próprios de observação, para visitantes humanos, espalhados de Leeds a Manchester. O plantio dispõe de um orçamento central de £5.7m e £10m do Woodland Trust, num custo final global de quase £500m. — Well. Not so much. Remember the long life of that beautiful poem penned by Master Will around the Stratford’s mulberry leaves: — “Under the greenwood tree / Who loves to lie with me, / And turn his merry note / Unto the sweet bird's throat, / Come hither, come hither, come hither: / Here shall he see / No enemy / But winter and rough weather. | Who doth ambition shun, / And loves to live i' the sun, / Seeking the food he eats, / And pleas'd with what he gets, / Come hither, come hither, come hither: / Here shall he see / No enemy / But winter and rough weather."

 


St James, 15th January 2018

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Their Finest Hour, 1940-2018

 

New beginnings. 2018 abre com abençoado regresso do olhar total, após brumosas intermitências na humana visão. O episódio recorda-me páginas do diário de Mr Samuel Pepys. Afinal, nunca se sabe o quanto algo ou alguém são essenciais até ao dia da ausência. — Chérie! Les événements présentent toujours des signes avant-coureurs.

O fogo regressa aos céus de London, com incêndio feroz em Waterloo Road. Também a Trump Tower fumega em New York, enquanto o US President Donald J Trump arde em lume pouco brando na fogueira mediática global. — Umm. Dog does not eat dog. Windsor prepara o state theater para a boda do Prince Harry of Wales com Ms Meghan Markle. Além Channel soam as sirenes de alarme orçamental. O European Commission President revela, em Brussels, que a Brexit abrirá “a massive financial hole of around £11bn.” Monsieur Jean Claude Juncker nada diz sobre o repartir da fatura pelos remanescentes estados membros. Já Berlin ultima o governo de coligação CDU-SPD, três meses depois dos eleitores retirarem a maioria à Kanzlerin Frau Angela Merkel. O filme Darkest Hour chega às salas britânicas, na esteira do Golden Globe 2018 para Mr Gary Oldman como best actor pelo papel de Mr Winston Churchill. A cerimónia nos USA serve também para testar a eventual candidatura presidencial de… Mrs Oprah Winfrey.

 

Freezing temperature at London. Apagadas as luzes da Christmas Season e com as camellias, magnolias & rhododendros prometendo florir lá para February, o ano arranca agitado em Westminster Village. Está em curso a Cabinet Reshuffle. Os jornalistas vão debitando os ups, ins & outs. Nada dramático nos primeiros movimentos. Em matéria de novidades, digamos que vigora o método Lampedusa: it all sounds pretty much the same. Ainda assim, a mexida dista de comum windows dressing. A Prime Minister Theresa May não toca nos top jobs, distribuídos por Brexiters e Remainers, mas quer aproveitar a oportunidade para premiar talentos e lealdades nas Tory grass roots. Dois nomes destacam-se desde já no lote do minoritário May Govt 3: a manutenção do controverso RH Jeremy Hunt na pasta da saúde e a saída da popular RH Justine Greening na da educação. Temo as nomeações seguintes, neste persistente balancear das desavindas fações ― com a Brexit como pano de fundo.

 

Histórica remodelação governamental ocorre no reino em 1942. Mr Winston Churchill ocupa o No. 10 e Great Britain está em guerra vital com a Nazi Germany e seus aliados. O líder conservador ousa nomear ministros do Labour Party e cria o cargo de Deputy Prime Minister para o major domestic rival, Mr Clement Attlee. Se o gesto afirma a unidade nacional em encruzilhada bélica da soberania, custa a cadeira primoministerial ao estadista nas eleições gerais de 1945 ― às mãos dos trabalhistas que promove. Attlee chefia o 1st post-war Lab government. WSC entra para a história; regressa em 1951. O posto de Deputy Prime Minister por cá continua e é a causa mediata do presente corrupio em Whitehall. Mrs May desbaratou o número dois na… Pestminster Operation, RH Damien Green MP, contrariando este a boa estrela do cargo. O anterior Deputy PM foi o ora Sir Nick Clegg, na Cameron Coalition dos Tories com os Liberal Democrats (2010-15), o qual, mui orwellianamente, acaba de ganhar napoleónica entrada na House of Lords, após perder o lugar de Member of Parliament por via do voto dos comuns.

 

O facto é inescapável! Contrastante é a estatura do atual pessoal político com o dos vintage 40’s. Ontem como hoje, Britain enfrenta dilemas estratégicos ― como sejam, a II World War e a Brexit. E agora, como então, a história observa os decisores. Em matéria do que o próprio Churchill cognomina como “the gathering storm” para uma “unnecessary war,” os paralelismos começam a ser mais que os previdentes na appeasement road. O futuro dirá. Do passado ditam várias fontes. Os primeiros Downing Street days de Right Honourable Winston Leonard Spencer Churchill são vivamente retratados no filme Darkest Hour. A película narra a ascensão do MP de Oxfordshire ao topo do poder. Estamos dois anos antes do All-parties Govt para bater a suástica de Herr Adolph Hitler, numa tormentosa Spring, marcada pela resignação do PM RH Neville Chamberlain e a dramática retirada militar de Dunkirk, Esta é uma fita maior de Mr Joe Wright, baseada em guião e livro de Mr Anthony McCarten: How Churchill Brought England Back from the Brink (Harper, 2017). O aparelho de produção é o de Theory of Everything (2014) e merece igual percurso do aplauso entre Globes e Oscars. A interpretação de Mr Gary Oldman como WSC é simplesmente superior, sobretudo por bem corporizar alguns dos mais poderosos discursos churchillianos, do "I have nothing to offer but blood, toil, tears, and sweat" a "We shall never surrender," com o plus de um apurado make-up e da mais humana tela do estadista visionada no celuloide; aliás, em contraponto com firme Mrs Kristin Scott Thomas (Dame Clemmie Churchill). Já o clever script de Mr McCarten enriquece se for lido com o rigor histórico de um clássico de Mr John Lukacs, Five Days in London. May 1940 (Yale Nota Bene, 1999).

 

Mão amiga envia-me já um outro livrinho, que, por momentos, abala Washington e arredores: Fire and Fury. Inside the Trump White House, de Michael Wolff (Little Brown, 2018). São 327 páginas carpinteiradas por laureado colunista da Vanity Fair e do Guardian. É também o último episódio de ‘Mr Donald & His Critics.’ O leitor apanha o tom da diatribe no primeiro parágrafo:

“The reason to write this book could not be more obvious. With the inauguration of Donald Trump on January 20, 2017, the United States entered the eye of the most extraordinary political storm since at least Watergate.” Cedo surge a necessidade de atar a leitura com o Article 20 da US Constitution, cunhado no mítico ano de 1933, para dispor da posse e da substituição do POUS, nomeadamente “if the President elect shall have failed to qualify.” Confirmando o estilo peculiar do detentor dos códigos nucleares atlânticos, viperina pena monta o cenário da destituição presidencial por mental reasons. Atendendo à fila, a par da famous Oprah, sobrevém a dúvida sobre se os cenógrafos não deveriam antes aprofundar o perfil público do Vice President Mike Pence "the fallback guy” pincelado por Mr Wolff como “not dumb,” “a cipher, a smiling presence either resisting his own obvious power or unable to seize it.". — Well, well. Consider what wrote Master Will in that older canvas of political transgression called Macbeth: — “To beguile the time, / Look like the time. Bear welcome in your eye, / Your hand, your tongue. Look like th' innocent flower, / But be the serpent under ’t.."

 

St James, 8th January 2018

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The Remembrance Sunday, 2017

 

O Prince Charles of Wales conduz a sua primeira cerimónia no Cenotaph de homenagem aos War Fallen. HM The Queen e o Prince Philip of Edinburg acompanham a parada das Army Forces, a par da Royal Familý e dos dignatários políticos e militares, em moldura humana polvilhada por veteranos e cadetes.

A celebração fica marcada por uma lágrima de Elizabeth II. — Chérie! La voix du sang parle toujours plus fort que les autres. HM Government tem dois novos membros. Mr Gavin Williamson substitui Sir Michel Fallon na defesa e Mrs Amy Mondaunt reveza Mrs Priti Patel no desenvolvimento internacional. Nos bastidores aposta-se no derrube da Prime Minister RH Theresa May MP e a Loyal Opposition, de novo, pede a cabeça de The Rt Hon Foreign Secretary Boris Johnson MP. — Umm. A rolling stone gathers no moss. Há 100 anos, em calendário ajustado, os Bolsheviks tomam o poder em St Petersburg e abrem à revolução comunista. O President Donald J Trump cumpre o primeiro ano de mandato na White House e reinventa-se a oriente, indiferente ao avanço dos Democrats and a lot of firsts nas US State and Local Elections. O Met anuncia temperatures colder than the Artic in the United Kingdom of Great Britain and Northern Ireland. O Smithsonian revela a descoberta de um templo a Ramses II junto ao Cairo (Egipt).

Ao olhar os líderes políticos junto aos pacíficos Cenotaph e Arboteum, por momentos alinhados, interrompem-se as (lacklustrean) querelas partidárias. Simplesmente se celebra the human spirit. A Pestminster Operation prossegue, agora talvez com maior cuidado, após o alegado suicídio de um alegado suspeito na hoste do Labour Party, despedido sem acusação mas logo queimado na praça mediática. A generalidade dos MPs cuida da Brexit e prepara mais justo mapa orçamental, ou assim esperam famílias, empresas e regiões, às voltas com o rosário do dia-a-dia. O negócio para a saída do UK da European Union entra na sexta ronda, com a iniciativa privada a diligenciar esforços junto do 10 Downing Street para reduzir a incerteza. No mais, em teste real e com a vida de uma cidadã a jogo, a British-Iranian Mrs Nazanin Zaghari-Ratcliffe, regressa o sempre gracioso get Boris sport…Expecting the snowing trees at London. As luzes de Oxford Street iluminam já a quadra natalícia, com as zonas em volta afadigadas no movimento comercial, à espera de boas novas do próximo orçamento do Chancellor Philip Hammond e das áreas verdes prometidas pelo Mayor Sadik Khan. No coração de Whitehall é a festa do fim da Great War, to end all wars. O Remembrance Sunday é assinalado aquém e além Channel, com romagens aos Dead Memorials por toda a British Commonwealth, das Ardennes, India e Israel a South Africa, do Middle East e Afghanstan a Japan, Hong Kong e China. Her Majesty acompanha a cerimónia local de uma varanda do Foreign Office, comove-se e comove-nos. Para os veteranos é ainda o reencontro fraternal e para os demais é o contato com inspiradoras histórias de coragem e sacrifício. Nas zonas de conflito à volta do globo, muitos depositam coroas de red, white and purple poppies nas campas de familiares e amigos. 2017 é um ano especial a muitos títulos. Assinala quer a passagem do 99th Anniversary do fecho da First World War, quer o centenário do serviço feminino militar regular, bem como os 100 anos da Battle of Passchendaele e da criação da Commonwealth War Graves Commission. Marca ainda os 75 anos sobre a Battle of El Alamein e a génese do RAF Regiment as well as os 100 anos do nascimento da forces' sweetheart, Dame Vera Lynn. No Armistice Day, à eleventh hour, o reino cumpre dois minutos de silêncio. Em Paris, enquanto escreve no Spectator sobre uma euroreforma trough sovereignty and democracy, também o French President Emmanuel Macron repete o rito na Tomb of the Unknown Soldier do Arc de Triomphe. Como one thing is one thing and other thing is other thing, Germany delibera sobre o batismo do Anne Frank Train.

 

Em hectic days, por motivos alheios aos gentle readers, duas notas finais de natureza bibliográfica. Mr Stephen Fry acaba de editar, em livro e audiolivro, Mythos, A Retelling of the Myths of Ancient Greece (Michael Joseph, 2017, 432 pages). É uma viagem ao paganismo grego, abaixo do Olimpo, entre musas e titãs. Uma sua entrevista a Mr Steve Allen - na LBC, claro - atiça o apetite de o ler. E revisitar o foco ecológico do Pope Francis quando este, em Rome, suscita o debate teológico em torno do casamento dos sacerdotes para cristianizar Amazone. O mesmo apelo à leitura contém a última Spectator, no rol de Christmas Books I. Os abrégés são de tal modo tentadores que, desta feita, impõem misterioso saco natalício cá em casa. — Well. Meanwhile, why not read Master Will and that unique Sir John F in The Merry Wives of Windsor (Act 2 Scene 2): — “Falstaff: Of what quality was your love, then?  / Ford: Like a fair house built on another man’s ground."

 

St James, 13th November 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The Parties’ Ethical Waltz and, The Royal Tax Heaven, 2017

 

Another day, another scalp. A operação de desinfestação nas Houses of Parliament está a gerar vítimas em Downing Street. É ainda o caso das pestinhas sexuais em Westminster, entre alegações mais que sérias e alegações menos que sérias de más práticas relacionais.

O Defence Secretary Sir Michael Fallon e o Tory Whip Chris Pincher MP demitem-se, fragilizando o May Cabinet. — Chérie! L'arbre cache souvent la forêt. Já a BBC enreda o Buckingham Palace nos Paradise Papers, ao desnudar novos segredos dos ditos regimes fiscais claramente favoráveis. O Ducky of Lancaster é um dos investidores que parqueia capitais nas Cayman Islands. Para uns, a gestora das finanças reais faz uma aplicação de “fully audit and legitimate” economia doméstica; mas, para outros, antes serve para exprobar Her Majesty The Queen de evasão aos impostos. — Umm. It's the empty barrels that make the most noise. A par do harakiri dos ricos e poderosos no Old Ally Realm, o US President Donald J Trump ruma para oriente em périplo de Tokio a Beijing com Pyongiang na agenda. No Texas é a further day, a further mass-shooting, agora numa igreja anglicana, com o inquilino do 1300 Pensylvannia Avenue a apontar a dedo um louco islamizado, de arma na mão, zangado com a família. O Science Channel teoriza que Nan Madol, a “Venice of the Pacific,” possa ser Atlantis.

Freezing days at Central London. Com a Red Poppy na lapela, eis súbito retorno à Irak War a dias de um Rembrance Sunday que este ano contará com a presença da Queen Elizabeth II em varanda do Foreign Office e o Prince Charles no Cenotaph. Segundo o ex Premier Gordon Brown, "we were not just misinformed but misled on the critical issue of WMDs." No livro de memórias sobre os seus anos no poder, My Life, Our Times, declara que “a rush” de 2003 resultou de manipulação atlântica e conduziu a uma guerra injusta do governo onde foi Cancellor of Exchequer. Se Flash G ensaia desligar-se das areias ardentes do Chilcot Report que flamejam RH Tony Blair, é em relação ao amigo que raia as portas da indiscrição. Focando o Granita Pact com que, em mesa regada, os dois mapeiam a sucessão no No. 10, revela bastidores do último Labour Govt tal-qualmente óbvios: "The restaurant did not survive and ultimately neither did our agreement." O fato cinzento não está mal, pois. Axiomático é também o último herdeiro da glorious warrior mess. Rt Hon Jeremy Corbyn quer públicas desculpas de Her Majesty pelos £10m depositados pelo contabilista nas Cayman. Entrementes, com a Brexit no frigorífico de Whitehall, os líderes partidários acordam uma série de safeguards para o pessoal parlamentar face às “sexual improprieties” de alguns dos seus MPs.

 

O escândalo carnal que abala as veneráveis pedras de Westminster é a matéria prima da amuzing conversation in town. Mrs Theresa May apela a uma cultura de respeito, mas vê-se ameaçada no cargo primo ministerial pela série de demissões num hemiciclo onde não detém maioria de votos. O líder da Most Loyal Opposition agita com a tolerância zero, para logo ser ultrapassado por um movimento no seu partido contra os “serial sex pests” que mimetiza as feministas conservadoras: o Labour too. A Commons Leader Andrea Leadson quer que o parlamento “take action in days, not weeks.” O Speaker John Bercow escuta umas e outros, até concluir que fará “whatever I can.” Os cidadãos, todavia, assombram-se com a alegada concupiscência. É que o alvoroço apresenta contornos que oscilam do grave ao ridículo. Salvo raras situações, contém pouco ou nenhum sexo. O arguido abuso antes compreende desde satisfeitos casos extramaritais a pacatos convites para tomar um copo no bar da esquina, num ramalhete onde aqui e além, sim, aparecem os handsy boys. Seja como seja, a cabeça de Sir Michael Fallon rola e o Deputy Prime Minister RH Damian Green está sob investigação. Para a história da semana ficam ainda as soberbas declarações da jornalista Mrs Julia Hartley-Brewer, sobre uma mão colocada no seu joelho algures nos princípios do século. “I calmly and politely explained to him that, if he did it again, I would punch him in the face,” diz a veterana das Houses. “He withdrew his hand and that was the end of the matter.”

Concludente desfecho tem a nova produção de Dame Agatha Christie nos palcos londrinos.

“Guilty, My Lord” encerra a mais consumada peça de whodunnit engendrada pela senhora quando, nos 50s, andava pelas paisagens da histórica Assyria, justamente após sucessivos twists de culpa e de inocência para baralhar a prova perante qualquer júri. Recordareis, por certo, The Witness For The Prosecution dos écrans, dadas as inúmeras adaptações. A primeiríssima é vintage, de Mr Bily Wilder, com dupla que afinal é um trio: Mr Tyrone Power (Leonard Vole), Ms Marlene Dietrich (Christine Vole) e Mr Charles Laughton (o único Sir Wilfrid Robarts). Em tempos de concorrência política deslealíssima, o drama está em cena até March 2018 na augusta Chamber do County Hall, sob a direção segura de Ms Lucy Bailey, com Mr Jack McMullen (como acusado de homicídio) e Ms Catherine Steadman (como vítima). “The queen of cunning has been brilliantly served,” sintetiza doce Mr Quentin Letts no Daily Mail. — Well. So goes Master Will with Pompey and all the others characters in that eternal and interminable play Antony and Cleopatra: — “Your hostages I have, so have you mine; and we shall talk before we fight."

 

St James, 6th November 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Papa Xi, The Kremlin Connections and, The Westminster Pests, 2017

 

O insuspeito Washington Post adverte que as campainhas de alarme deveriam estar a soar nas democracias à volta do planeta face à nova ambição de Beijing ascender “a leading global power.”

Esta é a visão para o império do meio traçada pelo China President Xi Jinping no 19th Communist Party Congress, o qual tanto cimenta a sua liderança no poder como o promove ao panteão constituinte, a par do fundador Mao Zedong e do reformista Deng Xiaoping. Ao invés, no palco dos World affairs, as torres gémeas dos US e da European Union afundam-se em tristíssimas trivialidades.  — Chérie! Tout est bon à prendre. A conexão russa faz as primeiras vítimas na equipa do colorido inquilino da White House, com a detenção domiciliária pelo FBI de dois dos colaboradores na campanha presidencial. Brussels arrasta-se entre as negociações da Brexit e a autoproclamada independência dos Catalans. London embaraça-se com a spreadsheet de 27 MPs suspeitos de assédio sexual. — Umm. A drowning man will catch at a straw. Já os arquivos nacionais norte americanos desnudam mais um dos sete véus que envolvem o assassinato do President John F Kennedy em Dallas (Texas) e fresca pegada moscovita. Mr Lewis Hamilton sagra-se “Britain's most successful F1 driver” ao vencer o quarto campeonato mundial no Mexico.

 


Frosty temperatures
at Central London. Conspirações, mistérios e escândalos circulam em Westminster City à velocidade da luz. Atenção primordial, pois, para a estória cintilante do quase centenário Mr Ron Jones em vésperas do Remembrance Sunday. Conta a Sky News que o senhor há três decénios vende a Red Poppy com assinalável sucesso num supermercado local Tesco, sob uma aura especial e recuada à II World War. Soldado no 1st Battalion Welch Regiment no Middle East, em 1942 é capturado pelos Nazis em Benghazi (Libya) e transferido para Auschwitz (Ger). Aqui labora com judeus também escravizados na “IG Farben's infamous chemical factory.” Sobrevive, onde muitos caem que nem tordos. Perto do final da guerra, é forçado pelos caveirosos SS a uma marcha da morte, entre Poland e Austria, 17 gélidas semanas privado de mantimentos, arrostando o fenecimento dos pares, sendo finalmente libertado por tropas paraquedistas aliadas em May 1945. Regressa a casa, em Newport. Hoje, muito justamente aos olhos dos ilhéus, é classificado como "a legend" na comunidade de apoio à Royal British Legion. 

 

Este glorioso avô funciona como o fumo de um bom cubano face à paranoia da talk of the town. Há sexual pests nas Houses of Parliament e seus arredores! Relatórios diários chegam à mesa da Prime Minister RH Theresa May MP, como se lhe não bastara a arenosa negociação da retirada do UK da European Union e a memória dos almoços, jantares e sanduíches no fuso bruxelense com algumas inefáveis personagens. Verdade se diga, porém, que muitos dos rumores se liquidificam nas almas românticas do reino. Ainda assim, senão capaz de coibir os predadores mas dissuasor bastante para os pinga-amores mais temerários, o alvoroço anima as redes sociais ávidas de casos de sexual and racial harassment. Que existe inappropriate behaviour no circuito da misoginia, haverá, e de diversa espécie, entre drugs addictions & drink habits. Indignadas com o abuso, grupos de mulheres a operar em Whitehall engrossam o rol de queixas que há muito rodam pelos corredores da BBC. De tal modo que, hoje, nos Commons, respondendo à Labour MP The Rt Hon Harriet Harman em questão urgente, a Leader of the House RH Andrea Leadsom anuncia um código de ética sexual, enquanto a própria Premier apela em carta ao Speaker John Bercow que "ensure the reputation of Parliament is not damaged further." Uma situação em particular se destaca na tela: quem será, entre os até agora seis implicados, o Tory do HM Cabinet conhecido pelo nome de “Happy Hands?”

 

Após o sky diving protestante junto ao Thames em tempo de celebrar os 500 anos das 95 Theses pregadas pelo Father Martin Luther, a 31 October 1517, nas portas da Castle Church na alemã Wittenberg, nota para um bem humorado kayaking nas ondas hertzianas O Mayor Sadik Khan estreia-se como apresentador de rádio na mais estranha orquestra de pinguins que vem à memória numa semana sem Mr James O’ Brien nas manhãs da amada LBC. Com o trabalhista e o bónus da sua entrevista ao Honourable Lab Leader Jeremy Corbyn, um dia atrás do outro, surgem as vozes incomparáveis do Conservative MP Jacob Rees-Mogg e do Labour MP Chuka Umunna a par do ITV Political Editor Mr Robert Peston. Para currículo numa well-deserved break de James, quando este atinge o primeiro milhão de ouvintes e o Foreign Secretary RH Boris Johnson vai a Lisboa brexitar as cláusulas do Windsor Treaty (de 1386) ao homólogo Dr Augusto Santos Silva, it just could getting worse… Acabado de cair das nuvens, desta feita para as bandas de Hollywood, está Mr Kevin Spacey, nenhum outro senão o protagonista da profética House of Cards. — Well. Meanwhile, as time goes by, why not learn with Master Will at the Barbican and that black Coriolanus: — “Enough, with over-measure."

 

St James, 30th October 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Diplomacy and, Merchants, 2017

 

Et voilà. A Prime Minister RH Theresa May afirma na House of Commons que as Brexit talks correm bem e logo o Leader da Her Majesty Most Loyal Opposition RH Jeremy Corbyn diz o contrário.

Teme-se que as euronegociações vão de mal a pior nos jantares de trabalho dos 27, em London e Brussels, mas inexistem queixas dos cozinheiros. — Chérie! Toutes les choses sont difficiles avant d'être faciles. O Foreign Secretary RH Boris Johnson revela a gravitas na Chatham House, com discurso sobre a diplomacia. A BBC investiga as origens da double-entry accounts bookkeeping entre florais Venezia e Milan. — Well. Jack is as good as his master. China ouve Mr Xi Jinping anunciar uma nova era no 19th Congress do Communist Party. Spain divide-se em torno da Catalonia. Nos US, o ex President George W Bush é o mais recente passageiro VIP a entrar no comboio do “take down the Trumpism.” Mr George Clooney aponta cumplicidades na tragédia sexual de Harvey Weinstein e abala os modos de recrutamento nas fábricas de Los Angeles e arredores. Faltam 60 dias para o Christmas.

Occasional  showers at Central London. O Mayor Sadik Khan avança com nova taxa de toxicidade em criativa política ambiental. Com a T-charge, os carros mais poluentes pagam £10 para os cofres de City Hall e assim a todos podem cianizar no centro histórico. As House of Parliament preparam o debate sobre a conservação do venerável Palace of Westminster. O custo do projeto continua a crescer entre batalhas surdas de arquitetos, engenheiros e outros. No entretanto, também sobreocupados Lords, MPs e jornalistas esgrimem barbadas razões nas olimpiadas do Brexit or no Brexit. Esta tarde, após carta aberta com welcome sign aos cidadãos europeus por cá residentes, a Premier informa os Commons sobre os últimos desenvolvimentos das conversas com Brussels. Nos bastidores é o Labour Shadow Sir Keir Starmer quem move esforços transpartidários “to force concessions on the EU Withdrawal Bill.” Também a BBC eleva a voz entre os lobbystas, para reclamar que o Tory Govt encete “an urgent transitional agreement with the European Union to give firms greater certainty on a smooth Brexit.” O Professor Timothy Garton Ash interroga no Guardian sobre a decadência do West, quando até capitais como Bulgaria se agitam, ao descrever desconfortável viagem atlântica da “Brexit frying pan into the Trump fire.”

 

Já novo vigor ao Brexiting doa o Rt Hon Boris Johnson numa conferência na Chatham House sobre as ambições nucleares à volta do mundo. Apontando a dedo rogue states como o Iran ou North Korea, o Secretary of State for Foreign & Commonwealth Affairs começa no estilo habitual: “It is fantastic to be here in this wonderful hotel, that I think that I opened or reopened. I opened many hotels across London in my time as Mayor and I definitely reopened this hotel at one stage and this is after all an example of the kind of infrastructure that you were just talking... It is an inspirational structure.” O tom muda então. Com a statesman voice, surge o elogio à diplomacia como fórmula política para uma moderna bill of rights no concerto internacional. Sobre as relações do reino com o continente, Bojo é claríssimo no apoio ao Prime Minister’s Florence speech. Ou seja: a um período de transição que respeite os resultados do euroreferendo.

 

Ainda com ecos da paisagem emiliana, novidade vem de Mr Tim Hartford sobre o famoso sistema contabilístico da dupla entrada. O autor de 50 Things That Made the Modern Economy questiona a autoria da ferramenta financeira usualmente imputada ao Maestro Luca Pacioli e antes a atribui a um mercador de lã do Prato, terra às portas de Florence, de nome Francesco di Marco Datini. A teoria cruza os destinos do seu discreto diário financeiro com a Arithmetica, Geometria, Proportioni et Proportionalita de Luca, colossal obra de 615 páginas por muitos classificada como “the most influencial work in the history of capitalism” e onde surgem 27 páginas acerca do método contábil. No plano dos achados históricos, referência também para uma exposição que acaba de abrir em Cambridge sobre The Codebreakers and Groundbreakers. Aqui são os sonhos matemáticos de Mr Alan Turing que estão em foco. O mastermind de Bletchley Park, onde quebra o código nazi durante a II World War, aparece no Fitswilliam Museum como… um aluno cábula. — Well. Even that Helen of Master Will so does say it in All's Well that Ends Well: — “Our remedies oft in ourselves do lie, / Which we ascribe to heaven: the fated sky / Gives us free scope, only doth backward pull / Our slow designs when we ourselves are dull."

 

St James, 23th October 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

RH May’s last supper, or 28 beers in a bar, 2017

 

O senhor é inequivocamente um clássico. O President da European Commission reafirma pela enésima vez que o UK "have to pay” para avançar nas Brexit trade talks. Até aqui é só eurocratês e questão resumível a zeros.

Mas gloriosa inovação vem do enquadramento legal ora invocado por Monsieur Jean Claude Juncker para justificar o pagamento: “If you are sitting in a bar and if you are ordering 28 beers, and then suddenly some of your colleagues is leaving and he is not paying, that is not feasible.” — Chérie! L'eau est le meilleur des breuvages. A Prime Minister RH Theresa May aproveita o fuso alcoólico. Enceta esforços de phone diplomacy com a Kanzlerin Angela Merkel e outros líderes dos 27 para avançar com o negócio. Já esta noite voa a Brussels para jantar com o herói da LuxLeaks. Na last supper, London obtém o compromisso de aceleração nos tratos. — Well. Nothing is agreed until is agreed. A storm Ophelia abate-se sobre as ilhas britânicas, com vagas e ventos de 118mph guiando cinzas de Portugal. Do Atlantic à California, o fogo carcome a terra e as espécies. As  ancient woodlands do Kent são devastadas pelo avanço da A21. Os astrofísicos anunciam nova era nas estrelas. A East, Austria elege como chanceler Herr Sebastian Kurz, conservador de 31 anos, lá tido como The Messias. O escândalo do produtor de Shakespeare in Love, o mogul Harvey Weinstein, assombra de Hollywood a Hollyoaks.

 

 

A orange sky at London. A Sky informa que o red Oktober ocorre no midday em várias regiões de England. Os metereologistas explicam o fenómeno com air and dusk da Iberia e do Sahara, quando as chuvas torrenciais causam vítimas e danos em Ireland ainda antes da noitada O céu de Gloucester é visto como very freak. Cientistas das universidades de Warwick e Jacob Bremen falam de descobertas nas astrofísicas e na origem dos elementos. Também o Brexitting traz tintas inusuais e talvez almejado magical tipping point. Pelo meio, a Prime Minister janta em Brussels com os EU top negotiators, os inefáveis Monsieurs Michael Barnier e ainda Jean Claude Juncker. Se bem me lembro, a última vez que o grupo jantara foi em Downing St e tudo acaba em desastre. A governança continental insiste no estilo do old Cosimo Medicis. Nem o cozinheiro do nº 10 então escapa ao criticismo eurófilo.

 

Temo, porém, que alguém transmute a Blue Lady em ido RH Neville Chamberlain MP. Seja como seja, as fileiras atrás da dama estão formadas para a sucessão nos Tories e o Old Labour Party tem em RH Jeremy Corbyn a true bennite. No entretanto, tal qual Lady Margaret Thatcher em Fointainbleau, a PM tem sempre a carteira como… ultimate weapon.

 

Já outra senhora atravessa o Atlantic Ocean. Mrs Hillary R Clinton está no reino em grand tour promocional ao seu livro What háppened, narrando causas e cargas pela derrota nas eleições presidenciais americanas de 2016.

A impressão da Simon & Schuster tem 464 páginas, custa £20 e soma a um honoris causa pela Swansea University, em Wales, terra dos ancestrais. O marido ficou em casa, mas ela também não tem tempos livres na série cerrada de entrevistas onde reedita a oposição da Obama Administration à Brexit. Há algo de fantasmático na revisitação. Pela manhã é o Guardian quem prega susto de morte aos ilhéus, ao divulgar a revisão da riqueza nacional em baixa: menos £490 billions. Estimo que o Chancellor Phillip Hammond haja diligenciado contatos junto da ex US Secretary of State sobre as melhores práticas de gestão no bar.Ummm. Take it easy as does Master Will in As you like it: — “O coz, coz, coz, my pretty little coz, that thou didst know how many fathom deep I am in love. But it cannot be sounded; my affection hath an unknown bottom, like the Bay of Portugal."

 

St James, 16th October 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The Lady, The Lyon and, The Butler, 2017

 

O discurso da Prime Minister RH Theresa May visa tocar sensível corda na mente coletiva. Renewing the British dream é o mote, porém, para desastrada encenação na Tory Party Conference.

A voz da senhora não resiste a uma constipação mal curada, cerca de 30 entrevistas em três dias e um discurso de 15 páginas, interrompido pela entrega de um boletim ‘P45’ e ainda um monumental ataque de tosse mais lenços mais água mais pastilhas. — Chérie! Il y a pas de rose sans épine. Em contratenor, com igual dose de ovações, o Foreign Secretary RH Boris Johnson MP faz uma poderosa intervenção de verbo churchiliano. Let that lyon roar é o eco que extravasa as paredes de Manchester e se espraia pelas veias dos ilhéus. — Well. A carpenter is known by his chips. Algures na ilha, o ex cabecilha dos Lib Dems Mr Nick Clegg apela à filiação no Labour Party para obviar à Brexit. Berlin e Paris alinham recusa aos termos do ‘Florence Speech’ para o período de transição da saída do UK da European Union. London apresta o… No deal. O parlamento da Catalonia debate amanhã a proclamação da independência.  O shining British Mr Kazuo Ishiguro vence o 2017 Nobel Prize in Literature, com romagens da memória como The Remains Of The day e esse mordomo de nome Stevens.

 

 

Vibrante é a comunicação do Brexiter mor RH Boris Johnson, “a lucky general” em campanha. Notem este finale do MP de Uxbridge ao perpetivar a retirada do reino do superestado europeu: “There are people say we can’t do it. / We say we can. / We can win the future because we are the party that believes in this country and we believe in the potential of the British people. [..] We are not the lion. / We do not claim to be the lion. / That role is played by the people of this country. But it is up to us now – in the traditional non-threatening, genial and self-deprecating way of the British – to let that lion roar.” A plateia é catapultada das cadeiras. Na Conservative Home, polvilhada de rumores de eventual candidatura do anterior Mayor of London à sucessão nos Tories e em Downing Street, Mr Paul Goodman é lapidar quanto ao X Factor: “[T]he week will have reminded them of an inconvenient truth – namely, that the Foreign Secretary stands out from his Cabinet colleagues in being able to make a mass Tory appeal with pizzazz, wit and gusto.”Still dry days at Great London. A petit histoire, para começar. Há muitos anos atrás, ao assistir a ilustre ópera num teatro português, soa um inesquecido comentário nas filas em volta no momento mais dramático do musical: ― “Morreu muito bem.” Efetivamente, após uma longa e trinada ária, a heroína jazia em palco. O episódio regressa, com um sorriso, quando escuto nas ondas hertzianas o discurso de Mrs May no último dia da Conservative Conference. O fantástico James O’ B cedo informa na LBC que caíra o “f” da mensagem atrás da oradora ― Building a country that works for everyone. Segue-se uma opereta trágico cómica. A meio da intervenção, a Husky voice da Premier fenece. A Lady tosse, regressa às palavras, tosse, a voz enfraquece, tosse, o som esvai-se. As interrupções são pontuadas pelo bom humor da PM. A sala ergue-se em apoio. A senhora retoma a prédica. É socorrida aqui e além, sendo até brindada com uma carta de desemprego por infeliz prankster. Resultado do evento? Os Mayists felicitam-na pelo figting spirit. Os críticos fustigam-na com a metáfora viva de quem have nothing to say. O imparcial Mr Tom Peck conclui que “not for anything like the first time in recent years, the satirist is reduced to transcriber.”

 

Em linha com o estilo de Sir Winston Churchill, aplauso e aclamação vai ainda para outro talento das imaginary homelands: Mr Kazuo Ishiguro. Muitos terão talvez presente o trabalho do 2017 Nobel Prize in Literature por via do filme The Remains of the Day, do Director James Ivory, com a dupla Mr Anthony Hopkins e Mrs Emma Thompson. As suas palavras soarão até revestidas pelo inconfundível timbre de Mr Stevens, the imperfectly perfect butler, ao exclamar “it's not my place to have an opinion” quando este rememora Darlington Hall ou celebra “the calmness of beauty, its sense of restraint” ao viajar por England. Pintam KI como um exótico híbrido de Mr Franz Kafka e Miss Jane Austen; leio-o com cores próprias. E vero prémio entrega a Stockolm Academy ao literato quer do quintessential British manor house book, quer de An Artist of the Floating World, When We Were Orphans ou A Pale View of Hills.Well, well. A fine reading for sure after those tricky lines of Master Will in Troilus and Cressida: — “The ample proposition that hope makes / In all designs begun on earth below / Fails in the promis'd largeness: checks and disasters / Grow in the veins of actions highest rear'd."

 

St James, 9th October 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The party conferences’ season, 2017

 

Com locais de reunião inverosímeis no reino, eis que chega a estação das conferências partidárias. É fruta da época. Os conservadores concentram-se em Red Manchester com o chapéu da PM RH Theresa May MP no topo da agenda. Os trabalhistas convivem em Brighton cantando Oh Jeremy!

Os Lib-Dems consagram a liderança de Sir Vince Cable em Bournemouth. E os ukipper's adotam de assentada, em Torquay, um novo dirigente e um leão como logotipo. — Chérie! C'est au pied du mur qu'on voit le maçon. O programa das obras de conservação do Big Ben e da Elizabethan Tower duplica de preço. Estimado em £29m na primavera de 2016, “including VAT, Risk and Optimism Bias and transferred fire safety work costs,” o valor total do projeto envolvendo a Tower, o Great Clock e o Great Bell sobe para £61m. — Well. With that Victorian masterpiece, we have to watch them. Catalonia redige declaração da independência. OS US vibram com a devastação em Puerto Rico e massacre em Las Vegas. Na Australia, Mr Elon Musk revela o plano da SpaceX para povoar o planeta Mars. 

Autumn days at Great London. Westminster District desertifica-se por momentos dos honoráveis talking animals. Por curioso alinhamento astral, os principais clãs partidários rumam para a costa que tanto inspirou os vitorianos a par da flora e da fauna. Desses tempos da revolução industrial perduram palavras e imagens, casas e paisagens, artes e ideologias. Temo que a hodierna safra à beira mar não se lhes equipare na técnica de pastorear as gentes. É que, na bissetriz, ainda que também visem apelar à emoção das audiências, again and again, is all about Brexit. Mas observe-se a beleza desta tela de Mr Briton Rivière (1840-1920). A dama é a sua daughter-in-law, Mrs Henrietta. O óleo está na Tate e é um todo um depoimento político. Contém uma estória, tem elegância  e mostra um ideal. Não de todo por acaso, o pintor de St Pancras afirmava-se "a great lover of dogs," notando algures que "you can never paint a dog unless you are fond of it.” Hoje, simplesmente, há mistério a menos.

 

Ora, com os megafones e as câmaras no rasto, os partidos reúnem os fiéis em grandes capelas desenhadas para uma sociedade espetáculo.  Só RH Jeremy B Corbyn prega durante 75 minutos. Enfim, no potpourri do Labour Party arvora-se a ideia da escola pública… from cradle to grave. Os Liberal Democrats cinzelam políticas para travar a desigualdade, enquanto o seu capitão afirma aos incrédulos que levará o partido “back to power.” No entretanto, porém, desbarata um dos seus. Os ukippers ganham um antigo Lib-Dem e ex soldado de Her Majesty para o leme, desta feita até com apoio de Mr Nigel Farage. O quarto líder da ala roxa no espaço de um ano é um ilustrissimo desconhecido chamado Henry Bolton. O senhor faz sintético discurso na coroação: hasteia o pendão da Brexit, “which is not the end of the history,” agradece aos team players e eleitores, mais em quem nele não vota. Por seu turno, os Tories arrancam a conferência anual com promessa juvenil de congelar as tuition fees e deles se saberá nos próximos dias. Por hoje, depois de uma ode ao capitalismo feita no Bank of England, basta parabenizar Mrs May pelo 60.º aniversário nas bandas de Manchester-by-sea.

 

Já o Spectator antecipa a saída de Mrs Emma Rice da direção artística do Shakespeare’s Globe. Nas usuais notas semanais, invocando a Thames breeze, Mr Charles Moore resume o desempenho: “The search for novelty in the arts, from which she benefited, is undoubtedly necessary, but it does often produce what Dr Johnson (speaking, in fact, of Cymbeline) called ‘unresisting imbecility’.” A opinião do biógrafo de Lady Thatcher será decerto fatal no palco elizabetheano. Ainda assim, após elencar erro após erro, celestial é a conclusão do grande Samuel Johnson sobre a peça do bardo: “To remark the folly of the fiction, the absurdity of the conduct, the confusion of the names, and manners of different times, and the impossibility of the events in any system of life, were to waste criticism (…), upon faults too evident for detection, and too gross for aggravation.” — Hum. What could then heavenly be said about this one of Master Will in Julius Caesar: — “It is not in the stars to hold our destiny."

 

St James, 2nd October 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The May’s Florence speech, 2017-21

 

As palavras de RH Theresa May MP ainda ecoam nas paredes florentinas de Santa Maria Novella. A Prime Minister vai ao continente e discursa na sede toscana dos Dominicans para apresentar a two-years Brexit transition plan.

Reafirmando a fidelidade Tory ao voto popular no referendo, a estratégia atira a saída do UK da European Union para 2021. Ver-se-á agora como respondem “our friends” em Brussels à flexibilidade do Her Majesty Government. — Chérie! Impossible mission n'est pas français. Brighton recebe a Labour Party Conference e The Economist projeta a imagem de RH Jezza B Corbyn na porta do No. 10, acompanhado pela red bike e o Larry. Os trabalhistas ocupam-se a apurar a implementação do programa For the many, not the few enquanto aforram no eurodebate. — Humm. Eventually, something political is happenning there. Washington sobe a escalada verbal contra o regime norte coreano de Mr Kim Jon Un, por lá coloridamente batizado como The Rocket Man. O Mexico treme. Catalonia luta pelo direito de votar a independência. Germany dá mais quatro anos a Frau Angela Merkel na chancelaria e o Bundestag senta deputados da extrema direita pela primeira vez desde 1945.

 

 

Early sunrise with a blue sky at Great London. A BBC tem material ideativo para criar uma nova série de political amusement sob o título Yes or No, Minister. Será a ambiguidade criativa ditada pela navegação das dificuldades nas euronegociações. No Daily Telegraph de um destes dias, Matt desenhava o conceito a traços de carvão – “We weren’t warned that voting Brexit would mean talking about it for EVER!” Ora, enquanto os ilhéus examinam a notícia de, por “family reasons”, o ator Colin Firth ter optado pelo passaporte italiano e obrigar os fãs de Miss Jane Austen, e do seu Mr Darcy, a revisitar Pride and Prejudice, a senhora de Downing Street enaltece em Florence a “shared history” que vem esculpindo o que é ser europeu.

 

Sabereis os detalhes da estratégia de Mrs May para a saída formal do UK da European Union, a 29th March 2019, no quadro da visão traçada em Lancaster House e agora na prática adiada para os arredores de novas eleições no reino. Adiante, pois, nas tecnicidades diplomáticas do Withdrawal Agreement. Importa antes mencionar a presença no hall-church do Foreign Secretary Boris Johnson e do Chancellor Philip Hammond, protagonistas do Brexit divide no Cabinet. Vale ainda sublinhar o tom de confiança ora dado pela honorável representante de Maidenhead às futuras relações entre London e Brussels, em terra que cruza as medievas fraternidades religiosas e as corporações de artesãos, doando ao mundo ideias, obras e artes que a todos interpelam sobre como é ser humano.

 

Alhures no planeta azul, também os homens e as mulheres da NASA interrogam no ramo espacial das odisseias. Uma missão dos texanos visa extrair amostras do asteroide 101955 Bennu e está a cargo do Goddard Space Flight Centre. É o OSIRIS-Rex, acrónimo para Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security, Regolith Explorer. No elementar do que podemos entender do nasarez, a par do combustível, tanto a partida como a chegada da spacecraft fruem as leis da gravidade. Mr Rich Burns, que gere as operações no Cabo Cañaveral da Florida, assinala que "the encounter with Earth is fundamental to our rendezvous with Bennu." — Well. Keep in mind Master Will and that daughter Miranda in The Tempest: — “How beauteous mankind is! O Brave new world, that has such creatures in't."

 

St James, 25th September 2017

Very sincerely yours,

V.