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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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OS TEATROS DE LISBOA EM 1875 - II

 

O TEATRO DE D. MARIA II

 

Na semana passada, referimos o livro de Júlio César Machado intitulado “Os Teatros de Lisboa”, publicado em 1875 com ilustrações de Rafael Bordalo Pinheiro. Tal como na altura escrevemos, o livro contém uma evocação histórica, mas sobretudo acentua a relevância e atividade do Teatro na época e a abrangência das atividades artísticas e culturais, numa perspetiva ajustada à sociedade portuguesa centrada em Lisboa e, mesmo assim, limitada no livro ao Teatro de S. Carlos, ao Teatro D. Maria e ao Teatro da Trindade. Evocámos então, nesse texto da semana passada, os principais teatros que na época funcionavam em Lisboa e que não são citados: Recreios Wittone, Salão do Conservatório, Teatro da Rua dos Condes, Teatro D. Augusto, Teatro Ginásio, Teatro Taborda, Teatro das Laranjeiras.

 

Deles não fala pois o livro de Júlio César Machado e Rafael Bordalo Pinheiros: mas isso não obsta obviamente a que não mereça ser evocado, desde logo pelos autores, mas ainda pela linguagem, pela informação epocal, pelas descrições, pelas as análises culturais e sociais, digamos assim mesmo, e também pela atualidade, até porque os três Teatros detalhadamente analisados felizmente mantêm plena atividade.

 

E isto porque certo tom crítico epocal, com as alterações profundas entretanto decorridas, mantém ajustamento aos dias de hoje. Não se trata pois, insistimos, antes pelo contrário, de uma estudo puramente histórico...

 

Vejamos então agora o Teatro D. Maria II, tal como o analisa Júlio César Machado.  Desde logo a referência inicial:

 

“Mal fadado. Abriu para fechar. Primeira ratice!” assim mesmo, o que documenta a irónica linguagem utilizada. Mas também documenta o ajustamento histórico-crítico. Há que recordar, o Teatro Nacional de Dona Maria II, nos mais de 166 anos de existência, tantas e tantas vezes esteve fechado: e sobretudo, podemos hoje aqui evocar, na sequência do incêndio que quase o destruiu em 1964. Só reabriu em 1987.

 

Obviamente, o livro de Júlio Cesar Machado não o podia antever: mas assinala as sucessivas interrupções de exploração que na época também o atingiu.

 

Ora bem: em qualquer caso, o que sobretudo valoriza a perspetiva histórica e crítica do livro é o levantamento dos elencos, as referências críticas aos atores e atrizes que marcaram os primeiros anos do Teatro de D. Maria II.  Nomes que chegam até hoje pela qualidade artística: Tallassi, Teodorico, Tasso, Epiphanio, Josefa Soller, João Anastácio Rosa, Emília das Neves, Marcolino, Sargedas, António Pedro, Bárbara, Amélia Vieira, Virgínia, Catarina Falco, Cesar de Lacerda, Emília Adelaide...

 

Estes nomes são  referidas também em obras posteriores que evocam e analisam o teatro no Portugal post-garretteano: o próprio Garrett é aliás evocado como “modernizador” da dramaturgia e da cena portuguesa.  

 

Mas o mais relevante no livro de Júlio César Machado é a análise crítica à atuação dos artistas, devidamente “justificada” ou enquadrada por fatores psicossociais que não eram correntes na época e representam, como tal uma valorização do texto: pois tenha-se presente a relevância que na época tinha o meio teatral em Portugal.

 

E tudo isto é devidamente analisado e valorizado por Júlio César Machado e por Rafael Bordalo Pinheiro, este tanto no que respeita à figura dos artistas como a cenas dos espetáculos evocados e analisados.

 

DUARTE IVO CRUZ  

EVOCAÇÃO DE MARIA GERMANA TÂNGER

 

A morte de Maria Germana Tânger ocorrida recentemente, motiva esta evocação de uma amizade que sobretudo decorria primeiro do convívio direto e prolongado, e depois de uma admiração incondicional pelo talento, pela inteligência e pela carreira criativa que, ao longo de dezenas de anos me foi dado acompanhar. Muito me honra aliás termos sido contemporâneos na docência do Conservatório Nacional, depois Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa: esse convívio foi para mim determinante tanto no aspeto da docência e da cultura, como sobretudo na amizade.

 

Mas mais do que isso, tive também oportunidade de colaborar em publicações e em intervenções que completavam a formação artística e cultural, tantas e tantas vezes como espetador nos espetáculos que Maia Germana dirigia ou participava: representaram um enriquecimento cultural e artístico de que muito beneficiei – e de cuja memória continuo a beneficiar.

 

Recordo aqui um livro evocativo, denominado “Conservatório Nacional 150 Anos de Ensino do Teatro” reunindo conferências na Escola Superior de Teatro e Cinema” (1988) em que tive o gosto de colaborar e onde Maria Germana escreveu um texto exemplar no conteúdo e na qualidade. “Teatro, Veículo da Língua” se denomina esse texto, onde, a partir de uma citação de Miguel Torga, Maria Germana define uma “teoria geral” da estética e da substância da comunicação artística nas suas dimensões complementares de expressão cultural e social, a partir do teatro mas extensiva a todas as manifestações.

 

“Palavra-Teatro. É este o tema que gostaria de saber desenvolver” diz-nos logo de início: e é caso então para questionar quem até hoje aí haverá que saiba melhor desenvolver...

 

Desde logo nos aspetos da própria expressão técnico-dramática do espetáculo teatral: “Quantas vezes vamos ao Teatro e nos aparece um ator com a voz bem colocada, boa expressão, ótimo jogo dramático, e nós, na plateia, tentamos adivinhar o texto, porque enrola as sílabas, tem consoantes pouco nítidas, ausência das vogais, etc. Julgo que isto tem acontecido a todos que frequentam assiduamente o Teatro”.

 

Isto era em 1988...mas e hoje?

 

Maria Germana Tânger cita amplamente autores, desde Gil Vicente, Camões   António Ferreira, António Vieira, Garrett, António Patrício, Fernando Pessoa, Jorge de Sena, Hernâni Cidade, Almada, Maria de Lourdes Martins, Jolly Braga Santos, Ary dos Santos e outros. E espraia-se em aspetos críticos relativamente à chamada arte de dizer, declamação e recitação:

 

“Os meus alunos todos sabem que essas duas palavras – recitação e declamação – e tudo o que elas envolvem são o maior erro para a interpretação, seja da prosa ou da poesia”.

 

E a recomendação didática mas sobretudo de análise crítica:

 

“Dizer é comunicar a palavra sem efeitos nem falsas emoções. Humildade, respeito e sinceridade é o que se pede ao ator – enquanto a palavra for importante”.

 

E no final, como síntese: 

 

"Que o teatro que é o espelho da cultura de um Povo saiba transmitir a inteligência e o poder da Língua Portuguesa".

 

Ora, tal como escreveu Guilherme D’Oliveira Martins por ocasião da morte de Maria Germana Tânger, “o método que usava era simples, mas permitia compreender a diferença entre o declamar (que não praticava) e o dizer, que foi o seu trabalho de sempre. Começava pela descontração, e continuava pela respiração, pela articulação, pelo conhecimento do corpo e pela máscara. Os seus alunos e os amigos (e os primeiros rapidamente entravam para o grupo dos segundos) sabiam-no bem por experiência e entusiasmo. O fundamental era saber dizer, o que pressupunha compreender e transmitir o que o poeta escreveu e o que o leitor sentia. Em quase cem anos de vida, Maria Germana Tânger viveu intensamente”...  (in Jornal de Letras – 14 a 27 de fevereiro de 2018).

 

DUARTE IVO CRUZ

OS TEATROS DE LISBOA EM 1875 - I


O TEATRO DE SÃO CARLOS

 

Evocamos hoje um livro publicado em Portugal em 1875, e programaticamente intitulado “Os Theatros de Lisboa”. É seu autor nada menos do que Júlio César Machado, figura marcante na época e ainda hoje. E mais: a edição é valorizada com cerca de 250 ilustrações de Rafael Bordalo Pinheiro. Está tudo dito quanto à relevância cultural e editorial.

 

O livro contém uma evocação histórica mas sobretudo desenvolve sobretudo a época em que foi escrito e publicado, aí como na flagrante atualidade e na abrangência cultural e documental, não obstante a seletividade das salas e dos artistas referidos.   E isto porque Júlio César Machado concentra sua evocação no Teatro de São Carlos, no Teatro de D. Maria II e no Teatro da Trindade.

 

São ainda hoje, como bem sabemos, e eram na época, grandes referências da arquitetura e da arte do espetáculo em Lisboa e no país inteiro. Mas não eram, longe disso, os únicos “teatros de Lisboa”.  

 

Efetivamente, pela mesma época, mais ano menos ano, funcionaram em Lisboa muitos outros teatros: por exemplo, o chamado Recreios Wittone, o Salão do Conservatório, o Teatro da Rua dos Condes, o Teatro D. Augusto, o Teatro do Ginásio, o Teatro Taborda, o Teatro Avenida, o Teatro das Laranjeiras e mais salas de maior ou menor relevância e durabilidade.  

 

Mas muito embora: os três teatros analisados no livro de Júlio César Machado eram na época os mais relevantes. E em muitos aspetos, na cidade de Lisboa e não só, ainda hoje o são.

 

E acresce que as 250 ilustrações de Rafael Bordalo Pinheiro que aliás consagra na capa do livro a grafia da época (Raphael) obviamente valorizam, e de que maneira, a edição. E isto porque as ilustrações são extremamente variadas, englobam autores, atores, salas e até público, constituindo no seu conjunto uma ampla documentação do teatro da época.

 

No conjunto da escrita e das gravuras, o livro mostra-nos o que era o Teatro em Lisboa na sua perspetiva global e abrangente, mas com um distanciamento irónico. Vemos lá cenas de peças, mas também inúmeras evocações do público, dos autores, dos encenadores, dos atores.

 

E tudo isto com um distanciamento descritivo e gráfico e uma visão digamos irónica, mas sem de modo algum ignorar ou menosprezar, em crítica direta ou implícita, as virtudes e as qualidades, as lacunas e os defeitos do meio teatral, cultural, profissional e mesmo social da vida de Lisboa, representada e concentrada nos três principais teatros.

 

E isto com rigor mas com uma ironia distanciadora!

 

No que respeita aos Teatros, o livro tem em vista sobretudo as programações mas também um sentido crítico da respetiva função cultural respetiva.

 

Vejamos hoje o Teatro de São Carlos. Não haverá exemplo mais flagrante no tom crítico, da época e não só, do que a primeira frase, que abre a longa referência a ao público, aos artistas e ao próprio Teatro.

 

Diz com efeito, logo no início, Júlio César Machado:

«Serve só de inverno, como os capotes. E em se espalhando por todos os lados a melancolia do inverno aí abre ele! (...) soberbo, magnífico e ao mesmo tempo sem cerimónia. (...)

É o teatro da corte, mas pode, quem quiser, ir para ali como para o quintal.

Bom edifício. Sala magnífica.

Nos camarotes, na plateia, tudo gente conhecida»...

 

E segue-se uma descrição detalhada e irónica da atividade operística do Teatro de São Carlos ilustrada com cerca de 45 gravuras de cena, de público e de artistas, de elementos de apoio, desde maestros a compositores, cantores, mas também filas de espetadores entusiasmados - ou nitidamente maçados!...

 

Iremos ver, em próximos artigos, as referências de Júlio César Machado e de Rafael Bordalo Pinheiro ao Teatro D. Maria II e ao Teatro da Trindade.

 

DUARTE IVO CRUZ

Evocação de António Braz Teixeira como diretor do Teatro Nacional de D. Maria II (II)

 

Vimos em crónica anterior o repertório selecionado por António Braz Teixeira no período em que desempenhou funções de diretor do Teatro Nacional de D. Maria II (1982-1985). Tenha-se então presente que esta escolha e execução reflete e documenta uma abordagem efetivamente adequada à função cultural de um Teatro Nacional, designadamente nos aspetos de qualidade e de equilíbrio peças portuguesas e de outras dramaturgias, e entre autores clássicos e autores modernos.

 

Importa agora salientar a intervenção de António Braz Teixeira na ponderação analítica de dramaturgos que detalhadamente estudou.

 

Citei já, noutras ocasiões, a análise ao teatro de José Régio numa perspetiva profunda de conteúdos.  

 

Escreveu António Braz Teixeira sobre a religiosidade expressa ou implícita do teatro de Régio:

 

“A redenção é puramente individual – cada homem está irremediavelmente só com o seu sofrimento. Só rendendo-se ao Espírito, humilhando-se, recusando-se ao mundo, morrendo e ressuscitando – pois o único sofrimento real é o de não ser Espírito, o de ser homem, cada homem, um ser desgarrado e exilado do espírito – é possível, a cada um, redimir-se” (in “Sobre o Teatro de José Régio” in Espiral nº 6/7 - 1964).

 

Acrescento agora que tive o gosto de colaborar nessa publicação com dois estudos sobre o teatro de Raul Brandão e sobre o teatro de Almada Negreiros. E relendo a revista, encontro um longo e extremamente interessante artigo de António Braz Teixeira intitulado “Possibilidade e Realidade do Teatro Português”.

 

Dele extraio uma passagem:

 

“Descontínuo e intermitente, como que renascendo e morrendo em cada novo dramaturgo, o teatro português tenta novos caminhos no saudosismo virtualmente trágico do «D. Carlos» de Pascoaes, no drama estático de Fernando Pessoa, na redescoberta da pureza luminosa das peças de Almada Negreiros, na atmosfera poética em que, no teatro de António Patrício, o amor e a morte se digladiam e se fundem, na interrogação metafísica sobre a condição humana que obcessivamente perpassa nas farsas trágicas de Raul Brandão, na pluralidade de experiências que, em irrequieta e insatisfeita busca, regista o teatro de Alfredo Cortez, do historicismo ao expressionismo, do drama citadino, apologético ou de cítica social, ao teatro popular ou mesmo regionalista, no simbolismo espiritualista dos mistérios religiosos, dos poemas espetaculares, dos dramas, das farsas e tragicomédias de José Régio, o vigoroso teatro de Bernardo Santarenos, na autenticidade da sua raiz popular e da sua incontida apetência trágica, na dramaturgia social e de aspiração metafísica, de Luis Francisco Rebello, no teatro filosófico de Orlando Vitorino e Afonso Botelho ou nas tentativas de recriação de um novo auto narrativo de Luis Sttau Monteiro e José Cardoso Pires.”

 

Assim escreveu pois António Braz Teixeira. E como é atual a sua reflexão sobre o teatro português!

DUARTE IVO CRUZ

Evocação de António Braz Teixeira como diretor do Teatro Nacional de D. Maria II (I)

 

Faço aqui uma evocação sintética mas muito refletida da atuação e da obra de António Braz Teixeira como diretor do Teatro de D. Maria II, no período de 1982 a 1985.

 

Importa recordar antes de mais que a gestão de um Teatro Nacional implica uma abordagem convergente da evocação e renovação.

 

Evocação, chamemos-lhe assim à necessária abordagem global de uma expressão histórica e estética, necessariamente breve mas adequada a um teatro do Estado: e isso, porque há que ter presente a “obrigatoriedade” (entre aspas) de retoma do património histórico e estético da literatura dramática, nacional e não só, evidentemente.

 

A verdade é que um Teatro Nacional e Normal constitui referência para a realização em espetáculo, como o teatro deve ser, da cultura teatral.

 

Mas mais: um Teatro Nacional tem de conciliar essa perspetiva histórica com a necessidade de evolução e renovação dramatúrgica e das artes e literaturas do espetáculo dramático e isto, não só na literatura e na cultura dramática do país, como também da literatura e cultura dramática a nível mundial.

 

E ainda acrescentamos que o Teatro Nacional e Normal mais deve ter em vista a dupla dimensão, no que respeita à dramaturgia (neste caso portuguesa) do património histórico-cultural do país, mas também da atualização de patrimónios histórico-culturais de expressões vinda de outros países e de outras culturas.

 

E se isto nos parece óbvio no quadro de qualquer cultura-literatura dramática, mais o será no que respeita à cultura-literatura dramática portuguesa:  porque, há que reconhecer, o teatro não é e expressão artística dominante no quadro da cultura portuguesa – o que não significa, de modo algum, uma redução da importância e qualidade da literatura dramática e do espetáculo em Portugal.

 

Fazemos pois aqui uma evocação da seletividade cultural e teatral do Teatro de D. Maria II no período em que foi dirigido por António Braz Teixeira como vimos de 1982 a 1985.

 

E fazemo-lo a partir da evocação das peças representadas, chamando a atenção para um fator também muito relevante: é que a seletividade implicou uma abordagem coerentemente global do repertório.

 

E nesse aspeto saliento alguns pontos específicos.

 

Em primeiro lugar, uma preponderância de textos de autores portugueses, o que é adequado a um Teatro Nacional.

 

Mas também obviamente peças de autores estrangeiros.

 

E num caso e noutro, uma preponderância de textos mais ou menos contemporâneos, sem embargo, claro está, da evocação de grandes clássicos da história do teatro.

 

Recordamos peças referenciais levadas à cena no Teatro D. Maria II durante a gestão de António Braz Teixeira:

 

CASTRO de ANTÓNIO FERREIRA
AUTO DE SANTO ALEIXO de AFONSO ÁVARES
GUERRAS DO ALECRIM E MANJERONA de ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA
FÍGDOS DE TIGRE de F. GOMES DE AMORIM
A SOBRINHA DO MARQUÊS de GARRETT
O MORGADO DE FAFE EM LISBOA de CAMILO CASTELO BRANCO
PEDRO O CRU de ANTÓNIO PATRÍCIO
O GEBO E A SOMBRA de RAUL BRANDÃO e mais as peças num ato do mesmo autor
ALMA de MARIO SÁ CARNEIRO e PONCE DE LEÃO
ANTES DE COMEÇAR de ALMADA NEGREIROS
O MARINHEIRO de FERNANDO PESSOA
FERNANDO (TALVEZ) PESSOA de JAIME SALAZAR SAMPAIO
A BIRRA DO MORTO de VICENTE SANCHES
POE OU O CORVO de FIAMA HASSE PAES BRANDÃO
OS IMPLACÁVEIS de MANUEL GRANGEIRO CRESPO
DOM JOÃO de MOLIÈRE
A CASA DE BERNARDA ALBA de FREDERICO GARCIA LORCA
LONGA VIAGEM PARA A NOITE de O´NEILL
ANÚNCIO FEITO A MARIA de PAUL CLAUDEL
MÃE CORAGEM de BERTOLD BRECHT
LULU de WEDEKIN

 

E acresce que António Braz Teixeira reconstituiu ainda cenas de uma peça perdida de António Patrício intitulada “Teodora”.

 

Veremos em próximo texto alguma doutrinação de António Braz Teixeira sobre teatro e estética de espetáculo.

 

DUARTE IVO CRUZ

BREVE NOTA SOBRE O TEATRO MARIA MATOS DE LISBOA

 

Há cerca de um ano referimos aqui o Teatro Maria Matos e a grande artista que em boa hora é evocada na denominação da sala de espetáculos, destacando a expressão de modernidade artística do Teatro, dado o historial da sala em si mas também o historial da grande atriz que em boa hora se consagra. 

 

Recorde-se que o Teatro Maria Matos foi inaugurado no final de 1969 e municipalizado em 1982. Integra-se na linha de construção/renovação de edifícios culturais e de espetáculo, que não sejam só cinemas, em zonas urbanas mais recentes por esse país fora, e que adotaram a funcionalidade do espetáculo a nível dos rés-do-chão de edifícios de vocação comercial e /ou habitacional: teatros “de bolso”.

 

Tal como temos então aqui visto, tratava-se na época -se de uma certa inovação, mas sobretudo, de uma rentabilização de investimento, muito positiva em si mesma: como bem se sabe, são muito numerosos os teatros, construídos no seculo XIX ou mesmo os cineteatros, estes a partir dos anos 20 do seculo passado, que pela sua implantação em zonas centrais de vilas e cidades, foram progressivamente demolidos para dar lugar a construções mais rentáveis no ponto de vista de investimento, e quantas vezes menos adequadas à implantação em centros históricos e à arquitetura correspondente. De alguns, temos aqui dado noticia, aliás sem pôr em causa a qualidade arquitetónica de muitos deles.

 

E quando os chamados teatros “de bolso” independentemente da respetiva estrutura interna e lotação, se implantam em zonas mais modernas das cidades, então só há que elogiar a iniciativa e procurar garantir a viabilidade económica e a qualidade artística, o que nem sempre é possível, como bem sabemos.

 

Recorde-se que o Teatro Maria Matos foi inaugurada num projeto complexo urbano. Tinha no início uma lotação de mais de 500 lugares em plateia e balcão, e uma sala de ensaios. E desde logo se notabilizou pela qualidade da sala e também pelas máscaras de Martins Correia e pelo painel de Maria Helena Madureira.

 

Maria Matos (1890-1952) foi na sua época e ainda é hoje um grande nome de qualidade e prestígio no meio teatral português. Era professora de Arte de Representar e Encenação no Conservatório Nacional.

 

Dada pois a sua carreira, é meritória e adequada a designação do Teatro Maria Matos, inicialmente concebido pelo arquiteto Fernando Ramalho. O projeto sofreu porém alterações já em fase de construção e o edifício, tal com foi inaugurado, deve-se aos arquitetos Aníbal Barros de Fonseca e Adriano Simões Tiago.

 

Na origem, o Teatro foi dirigido por Igrejas Caeiro, a quem cabe esse mérito indiscutível da iniciativa. E estreou com um texto de Aquilino Ribeiro, a partir de “O Tombo no Inferno”. O Teatro funcionou durante anos como desdobramento de companhias ligadas à RTP, sob a direção de Artur Ramos.

 

Estreou então numerosos textos portugueses importantes.  No meu estudo sobre “Teatros de Portugal” (ed. INAPA 2005) bem como  no texto que aqui publiquei em 2017, acima citado,  remete-se para parte desse repertório, referido  num estudo abrangente e de grande qualidade e documentação, da autoria de Maria do Céu Ricardo, precisamente denominado “Teatro Maria Matos (1969-2001) – Um Teatro com História”(ed. CML).

 

DUARTE IVO CRUZ

EVOCAÇÕES DO TEATRO DO PRÍNCIPE REAL – APOLO

 

Em 1866, é inaugurado no centro de Lisboa o então chamado Teatro do Príncipe Real, homenagem talvez inesperada a D. Carlos, então de facto Príncipe Real com 3 anos de idade.

 

 A mudança de designação ocorre obviamente a partir de 1910. Passou a chamar-se Teatro Apolo. Mas não durou muito: encerrou definitivamente e foi demolido em 1957.     

 

 O Teatro data pois de 1866, mas herdou uma tradição urbana de espetáculo vinda de décadas atrás – ou mais ainda, se pensarmos nos Teatros anteriores ao Teatro de D. Maria II, esse inaugurado em1846.

 

Segundo José Carlos Alvarez, o Príncipe Real - Apolo seria «o teatro mais popular e mais republicano, se é que faz algum sentido esta afirmação... nessa época. Situado entre a então novíssima Rua da Palma, a antiga carreirinha do Socorro e o Largo de Martim Moniz, bem longe do chic, moderno e elitista Chiado e dos seus teatros mais burgueses (Trindade, São Luiz) ou aristocráticos e italianos (São Carlos)»...

 

E mais acrescenta José Carlos Alvarez que foi no já então teatro Apolo que se estreou a primeira revista levada à cena depois da implantação de República, denominada “Agulha em Palheiro”, E mais refere Alvarez que, ao ser demolido, se perdeu também  grande parte do arquivo respetivo, o que evidentemente prejudica o historial dos nossos teatros na globalidade de textos, elencos e expressão cultural e sociológica dos respetivos públicos. (cfr. José Carlos Alvarez “A República foi ao Teatro”ed. Museu Nacional do Teatro – 2010, págs.11 e segs.)

 

Por seu lado, Luciano Reis refere que a tradição de espetáculo vinha de trás. Em 1885, um tal Francisco Viana Ruas, «num terreno desocupado que que havia depois da abertura da nova Rua da Palma, à esquina da Carreirinha do Socorro, edificou um salão, a que deu o nome de Vauxhall, e realizou ali bailes de máscaras que pouco resultado deram. Mudou-lhe então o nome para Salão Meyerbeer, em que realizou alguns concertos ainda com pior resultado. Inaugurou-se com as comédias imitadas por Aristides Abranches e Rangel de Lima, “Dois Pobres a Uma Porta”, em 3 atos, e “Muito Padece quem Ama, em 1 ato”». (cfr. Luciano Reis “Teatros Portugueses” ed. Sete Caminhos 2005 págs. 46 e segs.)

 

 Mas ainda recuamos nas citações e desta vez a partir do sempre referido “Diccionario do Teatro Português” (1908) de Sousa Bastos, o qual mais se adequa porque é contemporâneo do Teatro.

 

Denomina-o “Theatro do Príncipe Real (Lisboa)” e ilustra-o com uma fotografia. Atribui a iniciativa a Francisco Viana Ruas, «avô dos atuais empresários deste teatro», esclarece. Descreve o edifício, que qualifica como «uma bonita casa de espetáculos (que) tem tido épocas brilhantíssimas, principalmente a do ator Santos, a de Rossi, a de Paladini, a de Preciozi e Maria Deus e muitas outras» (ob. cit. pág. 355).  

 

Era pois, na época, um teatro internacional. 

 

DUARTE IVO CRUZ

EVOCAÇÃO DO TEATRO AVENIDA

 

Em 1888 abre ao público em Lisboa o teatro Avenida, situado na então ainda relativamente recente Avenida da Liberdade. Foi mandado construir por Miguel Angelo Lambertini, figura destacada nos meios culturais e empresariais. Inaugurou em 11 de fevereiro daquele ano: é de assinalar a iniciativa, num contexto urbano que, apesar do incremento decorrente da Avenida, não representava ainda o eixo cultural que viria mais tarde a alcançar.

 

Luciano Reis refere que o Teatro Avenida «registou o seu primeiro grande êxito com a opereta “O Burro do Senhor Alcaide” de D. João da Câmara, Gervásio Lobato e Ciríaco de Cardoso», autores de grande projeção na época e ainda hoje, sendo certo que a peça referida marcou uma época e confirmou a notável ainda hoje abrangência estilística e o sentido de espetáculo dos autores. (cfr. “Teatros Portugueses”, Ed. Sete Caminhos).

 

 E Glória Bastos e Ana Isabel Vasconcelos evocam o Teatro Avenida, reproduzindo a descrição feita na época por João Paulo Freire:

“Teatro acanhado, sem segurança para o público, em caso de incêndio, embora lhe tornassem obrigatória uma saída pela porta lateral. Entalado entre prédios de diminutas dimensões, o corredor que serve o bufete é de tal forma acanhado que em noites de enchente quase se não dá um passo. Exteriormente não tem recomendação possível. Internamente, à parte os defeitos já apontados, é simples mas gracioso”.

 

Acrescentam as duas autoras citadas que o Avenida foi explorado por sucessivos empresários de prestígio na época: Luis Galhardo, Luísa Satanela e Estêvão Amarante, Maria Matos e Mendonça de Carvalho e, anos depois, pela Nova Companhia do Teatro de Sempre, dirigida por Gino Saviotti, o qual marcou uma presença de grande qualidade no meio teatral português como diretor de companhia, como crítico e doutrinador e como professor no Conservatório Nacional. (cfr. “O Teatro em Lisboa no Tempo da Primeira República”, Ed. MNT 2004, pág. 50).

 

E assinala-se que a última empresa citada muito contribuiu para a atualização, digamos assim, dos repertórios tal como nesses anos 50/60 do século passado eram explorados em Portugal.

 

Mas voltando à época da fundação do Teatro Avenida, encontramos num autor francês já aqui citado, Henry Lionnet, uma descrição no mínimo desconfiada para mais não dizer, da exploração artística do Teatro Avenida.

 

Lionnet escreve em 1898. Começa por elencar os teatros - edifícios em Lisboa e no Porto e classifica-os basicamente a partir dos repertórios habituais, atribuindo ao Teatro Avenida uma como que vocação “para a opereta popular e para a revista”, o que significa de certo modo uma desqualificação relativamente a outros teatros em Lisboa e no Porto.

 

E afinal, ao longo do século passado, repita-se, o Teatro Avenida não poucas vezes marcou a cultura cénico-dramatúrgica da época!

 

Enfim: em 13 de dezembro de 1967, o Teatro Avenida, dirigido então por Amélia Rey Colaço na sequência do incêndio do Teatro Dona Maria II ocorrido em 1964, arde também!

 

Lá estive no dia seguinte. E escrevi então estes comentários que aqui reproduzo:

“O Avenida era um teatro feio, incómodo, anacrónico; muito embora - era um teatro. E hoje é um monte de ruínas que necessariamente nos fez lembrar, quando as visitamos na manhã do desastre, as ruínas do palco do Variedades, as ruínas do D. Maria II, as ruínas do Ginásio”.

É que todos estes teatros arderam!

 

DUARTE IVO CRUZ 

 

 

UM EXEMPLO DA TRANSIÇÃO DOS SÉCULOS – O TEATRO SOUSA TELLES DE OURIQUE

 

Abordamos hoje um exemplo de sobrevivência de sala de espetáculos, primeiro como teatro, depois como cine-teatro, que vem do século XIX e hoje perdura em plena atividade, conciliando a modernização funcional e cultural com a tradição dos teatros do interior do país: e tenha-se presente que o então Theatro Sousa Telles de Ourique, pois dele aqui se trata, é inaugurado em 1899, depois de menos de um ano de edificação, num meio urbano que, à época, não era propriamente centro de produção de espetáculos.

 

Foi pois inaugurado em 1899 por amadores, com um dramalhão ultra-romântico, intitulado “A Mãe dos Escravos” escrito ou adaptado por um tal Aristides Abranches (1832-1892), verdadeiro “profissional” da adaptação de textos mais ou menos originais sobretudo levados à cena em Teatros como o Ginásio ou o Trindade, e depois em salas numerosas por este país fora, e muitas havia naquele tempo. Hoje o nome de Aristides Abranches nada nos diz: mas dele se registam algo como 60 peças!

 

Era uma época de grande pujança na produção teatral, e por essa razão, muitos teatros foram então construídos em pequenos meios urbanos. Este Theatro Sousa Telles, à data da inauguração, pertencia a uma Sociedade Ouriquense que mantinha e dinamizava grupos de amadores. A sala, quando inaugurada, teria uma lotação de algo como 200 lugares, com uma galeria de 50 lugares reservada a espetadoras desacompanhadas, o que não era caso único na época em teatros do interior do país e não só...

 

A partir de meados do século passado ocorre uma renovação na infraestrutura de espetáculos de Ourique, e passa a falar-se de um Cine-Teatro Sousa Telles com lotação de 183 lugares mas mantendo o palco tradicional. Só que esse Cine-Teatro sofreu as consequências do impacto do espetáculo televisivo, e do incremento das comunicações: estes fatores convergentes estão de facto na origem da mudança à época da rede de salas de espetáculos em todo o país.

 

Mas em boa hora manteve-se uma estrutura de espetáculo, mesmo em edifício arruinado. E em boa hora também, a Câmara Municipal de Ourique celebrou em 2003 com o Ministério da Cultura um contrato-programa de recuperação a partir de projeto das Arquitetas Céu Oliveira Pinto e Luísa Biscaia.

 

E adaptou-se o Cine-Teatro a uma pluralidade complementar de funções culturais que marcam hoje mais do que antes a cidade.

 

Desde logo, a sala de espetáculos é modernizada, revestida de madeira, com plateia e balcão. E o edifício ganhou uma polivalência social e patrimonial: para além da sala de espetáculos em si, instalou-se o Museu do Trabalho e um denominado Clube Museu Ouriquense. 

 

 Mas em boa hora o projeto de modernização manteve a fachada original, em arco que abre para uma parede cega com telhado em plano recuado e uma torre lateral.
 

  

 

DUARTE IVO CRUZ

DOIS LIVROS SOBRE OS 150 ANOS DO TEATRO DA TRINDADE

 

Os 150 anos do Teatro da Trindade, efeméride que já aqui referimos, foram agora assinalados com o lançamento de dois livros e por uma sessão evocativa: e apesar da permanência em atividade de outros Teatros em Lisboa, como designadamente o São Carlos ou o D. Maria II, há que realçar o evento.

 

Até porque o Teatro da Trindade, como aliás aqui temos escrito, constitui um referencial de criação artística de espetáculo, cobrindo o teatro declamado, o teatro musicado, a ópera, o bailado, o cinema e em geral, a atividade cultural mesmo quando não diretamente ligada ao espetáculo.

 

E nesse sentido, começamos por assinalar a exposição evocativa da efeméride, “uma ideia de José Carlos Barros”, diz o catálogo. E lá se transcreve com a linguagem da época e com a grafia aqui atualizada, uma notícia da inauguração do Teatro da Trindade, em 1 de dezembro de 1867:

 

“Os fastos do teatro português registam mais um acontecimento memorável. É a inauguração do Teatro da Trindade, novo templo erguido ao culto da arte de instruir e civilizar as turbas por meio da representação ao vivo dos factos da vida social e familiar e da luta das paixões que agitam a humanidade, ou sejam viciosas e ridículas ou sejam virtuosas e sublimes. Muito deve o país a todos aqueles que dedicam seus esforços e capitais a obras de tanta magnitude, e o município de Lisboa deve felicitar-se por ver sair de um montão de ruinas tão belo edifício, que é um novo título de glória para o novo arquiteto o sr. Miguel Evaristo”.

 

E a notícia segue com elogios do espetáculo de estreia, “com o novo drama A Mãe dos Pobres do distinto escritor o sr. Ernesto Biester”, assim mesmo, na presença da “família real e considerável numero de cortesãos e titulares (que) abrilhantavam o numeroso concurso (sic) que enchiam o teatro”... (cit. Diário de Notícias 3 de dezembro de 1867 in “O Nosso Teatro...”ed.TeatroTrindade.INATEL.PT 2017).

 

Mas o que aqui quero assinalar é a publicação de dois livros, largamente documentados e ilustrados, sobre os 150 anos do Trindade, a saber, «Teatro da Trindade 150 anos - O Palco da Diversidade» da autoria de Paula Gomes Magalhães, e «Francisco Ribeiro “Ribeirinho” – O Instinto do Teatro» da autoria de Ana Sofia Patrão (ambos ed. INATEL e Guerra e Paz 2017).

 

Profusamente ilustrados, ambos os livros marcam a celebração dos 150 anos do teatro realçando, o primeiro, a poderosa intervenção cultural feita através do Trindade, nos domínios do teatro mas também da ópera, da opereta, do cinema, da revista, do bailado.

 

E parece também adequado o realce dado ao Ribeirinho e designadamente ao Teatro Nacional Popular – TNP que marcou profundamente, no Teatro da Trindade, a modernização da cultura teatral portuguesa com a estreia de “À Espera de Godot” de Samuel Beckett em 1959: repita-se, marcou profundamente um movimento de modernidade na cena portuguesa, aliás inesperada dada a época e as condições de exploração da atividade teatral...

 

Nesse aspeto (mas não só) o livro de Ana Sofia Patrão é extremamente elucidativo dos contrastes, paradoxos e contradições inesperadas que marcavam a atividade teatral na época, mesmo para quem não levantava problemas de ordem politica imediata.

 

E o livro de Paula Gomes de Magalhães, ao historiar os 150 anos do Trindade, realça a relevância que o Teatro alcançou e conseguiu manter, numa feliz sequencia de sucessivas iniciativas e gestões artísticas, de que salientamos as seis companhias analisadas no capítulo intitulado “A Era de Renovação” – Comediantes de Lisboa, Teatro d’Arte de Lisboa, Teatro Nacional Popular, Companhia Nacional de Teatro e Teatro do Gerifalto – da Companhia Portuguesa de Ópera, e da Companhia de Amélia Rey Colaço-Robles Monteiro a partir de 1970.

 

Em 1974, com a extinção da censura, regista-se no Trindade um movimento global de estreias e apresentação de companhias e peças, muitas delas antes proibidas, a começar por Bertold Brecht pelo Teatro da Cornucópia em outubro daquele ano, a que se seguiriam outras peças do mesmo autor a cargo da Companhia de Comediantes Rafael de Oliveira, e ainda variadíssimos espetáculos de grupos e de autores diversos, portugueses e estrangeiros.

 

O Teatro da Trindade passou então a ser uma casa referencial de acolhimento de companhias diversas e dispersas. Recordemos designadamente, e acordo com o livro de Paula Gomes de Magalhães, espetáculos do Teatro de Campolide, do Teatro da Cornucópia, da Barraca, do Cendrev, do Teatro Experimental de Cascais, do Teatro de Animação de Setúbal, e novamente espetáculos de ópera, numa sucessão de iniciativas e de autores  de que destaco para terminar alguns autores portugueses: Jaime Salazar Sampaio ,Norberto Ávila, Diogo Freitas do Amaral, Filomena Oliveira e Miguel Real, Luis Francisco Rebello, António Torrado, e outros mais...

 

DUARTE IVO CRUZ