Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

LONDON LETTERS

 

RH May’s last supper, or 28 beers in a bar, 2017

 

O senhor é inequivocamente um clássico. O President da European Commission reafirma pela enésima vez que o UK "have to pay” para avançar nas Brexit trade talks. Até aqui é só eurocratês e questão resumível a zeros.

Mas gloriosa inovação vem do enquadramento legal ora invocado por Monsieur Jean Claude Juncker para justificar o pagamento: “If you are sitting in a bar and if you are ordering 28 beers, and then suddenly some of your colleagues is leaving and he is not paying, that is not feasible.” — Chérie! L'eau est le meilleur des breuvages. A Prime Minister RH Theresa May aproveita o fuso alcoólico. Enceta esforços de phone diplomacy com a Kanzlerin Angela Merkel e outros líderes dos 27 para avançar com o negócio. Já esta noite voa a Brussels para jantar com o herói da LuxLeaks. Na last supper, London obtém o compromisso de aceleração nos tratos. — Well. Nothing is agreed until is agreed. A storm Ophelia abate-se sobre as ilhas britânicas, com vagas e ventos de 118mph guiando cinzas de Portugal. Do Atlantic à California, o fogo carcome a terra e as espécies. As  ancient woodlands do Kent são devastadas pelo avanço da A21. Os astrofísicos anunciam nova era nas estrelas. A East, Austria elege como chanceler Herr Sebastian Kurz, conservador de 31 anos, lá tido como The Messias. O escândalo do produtor de Shakespeare in Love, o mogul Harvey Weinstein, assombra de Hollywood a Hollyoaks.

 

 

A orange sky at London. A Sky informa que o red Oktober ocorre no midday em várias regiões de England. Os metereologistas explicam o fenómeno com air and dusk da Iberia e do Sahara, quando as chuvas torrenciais causam vítimas e danos em Ireland ainda antes da noitada O céu de Gloucester é visto como very freak. Cientistas das universidades de Warwick e Jacob Bremen falam de descobertas nas astrofísicas e na origem dos elementos. Também o Brexitting traz tintas inusuais e talvez almejado magical tipping point. Pelo meio, a Prime Minister janta em Brussels com os EU top negotiators, os inefáveis Monsieurs Michael Barnier e ainda Jean Claude Juncker. Se bem me lembro, a última vez que o grupo jantara foi em Downing St e tudo acaba em desastre. A governança continental insiste no estilo do old Cosimo Medicis. Nem o cozinheiro do nº 10 então escapa ao criticismo eurófilo.

 

Temo, porém, que alguém transmute a Blue Lady em ido RH Neville Chamberlain MP. Seja como seja, as fileiras atrás da dama estão formadas para a sucessão nos Tories e o Old Labour Party tem em RH Jeremy Corbyn a true bennite. No entretanto, tal qual Lady Margaret Thatcher em Fointainbleau, a PM tem sempre a carteira como… ultimate weapon.

 

Já outra senhora atravessa o Atlantic Ocean. Mrs Hillary R Clinton está no reino em grand tour promocional ao seu livro What háppened, narrando causas e cargas pela derrota nas eleições presidenciais americanas de 2016.

A impressão da Simon & Schuster tem 464 páginas, custa £20 e soma a um honoris causa pela Swansea University, em Wales, terra dos ancestrais. O marido ficou em casa, mas ela também não tem tempos livres na série cerrada de entrevistas onde reedita a oposição da Obama Administration à Brexit. Há algo de fantasmático na revisitação. Pela manhã é o Guardian quem prega susto de morte aos ilhéus, ao divulgar a revisão da riqueza nacional em baixa: menos £490 billions. Estimo que o Chancellor Phillip Hammond haja diligenciado contatos junto da ex US Secretary of State sobre as melhores práticas de gestão no bar.Ummm. Take it easy as does Master Will in As you like it: — “O coz, coz, coz, my pretty little coz, that thou didst know how many fathom deep I am in love. But it cannot be sounded; my affection hath an unknown bottom, like the Bay of Portugal."

 

St James, 16th October 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The Lady, The Lyon and, The Butler, 2017

 

O discurso da Prime Minister RH Theresa May visa tocar sensível corda na mente coletiva. Renewing the British dream é o mote, porém, para desastrada encenação na Tory Party Conference.

A voz da senhora não resiste a uma constipação mal curada, cerca de 30 entrevistas em três dias e um discurso de 15 páginas, interrompido pela entrega de um boletim ‘P45’ e ainda um monumental ataque de tosse mais lenços mais água mais pastilhas. — Chérie! Il y a pas de rose sans épine. Em contratenor, com igual dose de ovações, o Foreign Secretary RH Boris Johnson MP faz uma poderosa intervenção de verbo churchiliano. Let that lyon roar é o eco que extravasa as paredes de Manchester e se espraia pelas veias dos ilhéus. — Well. A carpenter is known by his chips. Algures na ilha, o ex cabecilha dos Lib Dems Mr Nick Clegg apela à filiação no Labour Party para obviar à Brexit. Berlin e Paris alinham recusa aos termos do ‘Florence Speech’ para o período de transição da saída do UK da European Union. London apresta o… No deal. O parlamento da Catalonia debate amanhã a proclamação da independência.  O shining British Mr Kazuo Ishiguro vence o 2017 Nobel Prize in Literature, com romagens da memória como The Remains Of The day e esse mordomo de nome Stevens.

 

 

Vibrante é a comunicação do Brexiter mor RH Boris Johnson, “a lucky general” em campanha. Notem este finale do MP de Uxbridge ao perpetivar a retirada do reino do superestado europeu: “There are people say we can’t do it. / We say we can. / We can win the future because we are the party that believes in this country and we believe in the potential of the British people. [..] We are not the lion. / We do not claim to be the lion. / That role is played by the people of this country. But it is up to us now – in the traditional non-threatening, genial and self-deprecating way of the British – to let that lion roar.” A plateia é catapultada das cadeiras. Na Conservative Home, polvilhada de rumores de eventual candidatura do anterior Mayor of London à sucessão nos Tories e em Downing Street, Mr Paul Goodman é lapidar quanto ao X Factor: “[T]he week will have reminded them of an inconvenient truth – namely, that the Foreign Secretary stands out from his Cabinet colleagues in being able to make a mass Tory appeal with pizzazz, wit and gusto.”Still dry days at Great London. A petit histoire, para começar. Há muitos anos atrás, ao assistir a ilustre ópera num teatro português, soa um inesquecido comentário nas filas em volta no momento mais dramático do musical: ― “Morreu muito bem.” Efetivamente, após uma longa e trinada ária, a heroína jazia em palco. O episódio regressa, com um sorriso, quando escuto nas ondas hertzianas o discurso de Mrs May no último dia da Conservative Conference. O fantástico James O’ B cedo informa na LBC que caíra o “f” da mensagem atrás da oradora ― Building a country that works for everyone. Segue-se uma opereta trágico cómica. A meio da intervenção, a Husky voice da Premier fenece. A Lady tosse, regressa às palavras, tosse, a voz enfraquece, tosse, o som esvai-se. As interrupções são pontuadas pelo bom humor da PM. A sala ergue-se em apoio. A senhora retoma a prédica. É socorrida aqui e além, sendo até brindada com uma carta de desemprego por infeliz prankster. Resultado do evento? Os Mayists felicitam-na pelo figting spirit. Os críticos fustigam-na com a metáfora viva de quem have nothing to say. O imparcial Mr Tom Peck conclui que “not for anything like the first time in recent years, the satirist is reduced to transcriber.”

 

Em linha com o estilo de Sir Winston Churchill, aplauso e aclamação vai ainda para outro talento das imaginary homelands: Mr Kazuo Ishiguro. Muitos terão talvez presente o trabalho do 2017 Nobel Prize in Literature por via do filme The Remains of the Day, do Director James Ivory, com a dupla Mr Anthony Hopkins e Mrs Emma Thompson. As suas palavras soarão até revestidas pelo inconfundível timbre de Mr Stevens, the imperfectly perfect butler, ao exclamar “it's not my place to have an opinion” quando este rememora Darlington Hall ou celebra “the calmness of beauty, its sense of restraint” ao viajar por England. Pintam KI como um exótico híbrido de Mr Franz Kafka e Miss Jane Austen; leio-o com cores próprias. E vero prémio entrega a Stockolm Academy ao literato quer do quintessential British manor house book, quer de An Artist of the Floating World, When We Were Orphans ou A Pale View of Hills.Well, well. A fine reading for sure after those tricky lines of Master Will in Troilus and Cressida: — “The ample proposition that hope makes / In all designs begun on earth below / Fails in the promis'd largeness: checks and disasters / Grow in the veins of actions highest rear'd."

 

St James, 9th October 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The party conferences’ season, 2017

 

Com locais de reunião inverosímeis no reino, eis que chega a estação das conferências partidárias. É fruta da época. Os conservadores concentram-se em Red Manchester com o chapéu da PM RH Theresa May MP no topo da agenda. Os trabalhistas convivem em Brighton cantando Oh Jeremy!

Os Lib-Dems consagram a liderança de Sir Vince Cable em Bournemouth. E os ukipper's adotam de assentada, em Torquay, um novo dirigente e um leão como logotipo. — Chérie! C'est au pied du mur qu'on voit le maçon. O programa das obras de conservação do Big Ben e da Elizabethan Tower duplica de preço. Estimado em £29m na primavera de 2016, “including VAT, Risk and Optimism Bias and transferred fire safety work costs,” o valor total do projeto envolvendo a Tower, o Great Clock e o Great Bell sobe para £61m. — Well. With that Victorian masterpiece, we have to watch them. Catalonia redige declaração da independência. OS US vibram com a devastação em Puerto Rico e massacre em Las Vegas. Na Australia, Mr Elon Musk revela o plano da SpaceX para povoar o planeta Mars. 

Autumn days at Great London. Westminster District desertifica-se por momentos dos honoráveis talking animals. Por curioso alinhamento astral, os principais clãs partidários rumam para a costa que tanto inspirou os vitorianos a par da flora e da fauna. Desses tempos da revolução industrial perduram palavras e imagens, casas e paisagens, artes e ideologias. Temo que a hodierna safra à beira mar não se lhes equipare na técnica de pastorear as gentes. É que, na bissetriz, ainda que também visem apelar à emoção das audiências, again and again, is all about Brexit. Mas observe-se a beleza desta tela de Mr Briton Rivière (1840-1920). A dama é a sua daughter-in-law, Mrs Henrietta. O óleo está na Tate e é um todo um depoimento político. Contém uma estória, tem elegância  e mostra um ideal. Não de todo por acaso, o pintor de St Pancras afirmava-se "a great lover of dogs," notando algures que "you can never paint a dog unless you are fond of it.” Hoje, simplesmente, há mistério a menos.

 

Ora, com os megafones e as câmaras no rasto, os partidos reúnem os fiéis em grandes capelas desenhadas para uma sociedade espetáculo.  Só RH Jeremy B Corbyn prega durante 75 minutos. Enfim, no potpourri do Labour Party arvora-se a ideia da escola pública… from cradle to grave. Os Liberal Democrats cinzelam políticas para travar a desigualdade, enquanto o seu capitão afirma aos incrédulos que levará o partido “back to power.” No entretanto, porém, desbarata um dos seus. Os ukippers ganham um antigo Lib-Dem e ex soldado de Her Majesty para o leme, desta feita até com apoio de Mr Nigel Farage. O quarto líder da ala roxa no espaço de um ano é um ilustrissimo desconhecido chamado Henry Bolton. O senhor faz sintético discurso na coroação: hasteia o pendão da Brexit, “which is not the end of the history,” agradece aos team players e eleitores, mais em quem nele não vota. Por seu turno, os Tories arrancam a conferência anual com promessa juvenil de congelar as tuition fees e deles se saberá nos próximos dias. Por hoje, depois de uma ode ao capitalismo feita no Bank of England, basta parabenizar Mrs May pelo 60.º aniversário nas bandas de Manchester-by-sea.

 

Já o Spectator antecipa a saída de Mrs Emma Rice da direção artística do Shakespeare’s Globe. Nas usuais notas semanais, invocando a Thames breeze, Mr Charles Moore resume o desempenho: “The search for novelty in the arts, from which she benefited, is undoubtedly necessary, but it does often produce what Dr Johnson (speaking, in fact, of Cymbeline) called ‘unresisting imbecility’.” A opinião do biógrafo de Lady Thatcher será decerto fatal no palco elizabetheano. Ainda assim, após elencar erro após erro, celestial é a conclusão do grande Samuel Johnson sobre a peça do bardo: “To remark the folly of the fiction, the absurdity of the conduct, the confusion of the names, and manners of different times, and the impossibility of the events in any system of life, were to waste criticism (…), upon faults too evident for detection, and too gross for aggravation.” — Hum. What could then heavenly be said about this one of Master Will in Julius Caesar: — “It is not in the stars to hold our destiny."

 

St James, 2nd October 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The May’s Florence speech, 2017-21

 

As palavras de RH Theresa May MP ainda ecoam nas paredes florentinas de Santa Maria Novella. A Prime Minister vai ao continente e discursa na sede toscana dos Dominicans para apresentar a two-years Brexit transition plan.

Reafirmando a fidelidade Tory ao voto popular no referendo, a estratégia atira a saída do UK da European Union para 2021. Ver-se-á agora como respondem “our friends” em Brussels à flexibilidade do Her Majesty Government. — Chérie! Impossible mission n'est pas français. Brighton recebe a Labour Party Conference e The Economist projeta a imagem de RH Jezza B Corbyn na porta do No. 10, acompanhado pela red bike e o Larry. Os trabalhistas ocupam-se a apurar a implementação do programa For the many, not the few enquanto aforram no eurodebate. — Humm. Eventually, something political is happenning there. Washington sobe a escalada verbal contra o regime norte coreano de Mr Kim Jon Un, por lá coloridamente batizado como The Rocket Man. O Mexico treme. Catalonia luta pelo direito de votar a independência. Germany dá mais quatro anos a Frau Angela Merkel na chancelaria e o Bundestag senta deputados da extrema direita pela primeira vez desde 1945.

 

 

Early sunrise with a blue sky at Great London. A BBC tem material ideativo para criar uma nova série de political amusement sob o título Yes or No, Minister. Será a ambiguidade criativa ditada pela navegação das dificuldades nas euronegociações. No Daily Telegraph de um destes dias, Matt desenhava o conceito a traços de carvão – “We weren’t warned that voting Brexit would mean talking about it for EVER!” Ora, enquanto os ilhéus examinam a notícia de, por “family reasons”, o ator Colin Firth ter optado pelo passaporte italiano e obrigar os fãs de Miss Jane Austen, e do seu Mr Darcy, a revisitar Pride and Prejudice, a senhora de Downing Street enaltece em Florence a “shared history” que vem esculpindo o que é ser europeu.

 

Sabereis os detalhes da estratégia de Mrs May para a saída formal do UK da European Union, a 29th March 2019, no quadro da visão traçada em Lancaster House e agora na prática adiada para os arredores de novas eleições no reino. Adiante, pois, nas tecnicidades diplomáticas do Withdrawal Agreement. Importa antes mencionar a presença no hall-church do Foreign Secretary Boris Johnson e do Chancellor Philip Hammond, protagonistas do Brexit divide no Cabinet. Vale ainda sublinhar o tom de confiança ora dado pela honorável representante de Maidenhead às futuras relações entre London e Brussels, em terra que cruza as medievas fraternidades religiosas e as corporações de artesãos, doando ao mundo ideias, obras e artes que a todos interpelam sobre como é ser humano.

 

Alhures no planeta azul, também os homens e as mulheres da NASA interrogam no ramo espacial das odisseias. Uma missão dos texanos visa extrair amostras do asteroide 101955 Bennu e está a cargo do Goddard Space Flight Centre. É o OSIRIS-Rex, acrónimo para Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security, Regolith Explorer. No elementar do que podemos entender do nasarez, a par do combustível, tanto a partida como a chegada da spacecraft fruem as leis da gravidade. Mr Rich Burns, que gere as operações no Cabo Cañaveral da Florida, assinala que "the encounter with Earth is fundamental to our rendezvous with Bennu." — Well. Keep in mind Master Will and that daughter Miranda in The Tempest: — “How beauteous mankind is! O Brave new world, that has such creatures in't."

 

St James, 25th September 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The start of The Brexit Show, 2017-19

 

Finally the set off! Um ano após o voto referendário, abrem os tratos oficiais da saída do United Kingdom da European Union. Do primeiro dia dos negociadores resullta plano e calendário.

Ainda que envolto em good rethoric de Mr David Davis e de Monsieur Michel Barnier, o sinal de partida revela concessões britânicas na agenda de trabalhos. Segue-se proposta londrina de reciprocidade na situação dos cidadãos deslocados aquém e além Channel, com a Prime Minister cá a declarar enfaticamente aos émigrés que “we want you to stay.” Brussels quer mais e reclama garantismos. — Chérie. Il faut réfléchir avant d'agir. No estio doméstico assombra série de tragédias, entre o fogo num arranha céus de Kensington, um atentado terrorista numa mesquita de Finsbury Park e um ataque digital às Houses of Parliament. Com a open season for Theresa May ao rubro, o aparato da Royal Ascot Horse Racing rivaliza com o Queen’s Speech enquanto o Tory Government conclui dispendioso acordo de base tribunícia com o DUP. — Well. Slow and steady wins the race. O Prince William of Cambridge perfaz 35 anos em ano de singular varanda cerimonial aquando do Trooping the Colour. Já Washington assiste à vitória presidencial no Supreme Court da Trump travel ban. Em Paris, o Élysée projeta um ministro das finanças para a Eurozone. Herr Helmut Kohl parte aos 87 anos, legando a unificação de Germany em Europe e a hegemonia do Christian Democratic Union Party em Berlin.

 

 

Hazardous Indian Summer at Central London. O novíssimo hung parliament toma assento entre o juramento dos MP’s e a eleição de Speakers, Chairs e afins. A envolvente política está para além do estado volátil. Os Liberal Democrats avançam para uma nova liderança depois de RH Tim Farron se demitir do leme enquanto os Independent Scots buscam um capitão para Westminster, os Ukkipers andam perdidos em combate e os Tories fecham um acordo de £1b em infraestruturas para Northern Ireland como contrapartida do apoio dos dez MP’s do Democratic Unionist Party. Uma bagatela, pois! Há quem desgoste; e quem organize o descontentamento. Se a comunicação social noticia surdos ultimatos à Prime Minister no seio da bancada conservadora e o spin contra Downing Street assume formas de open plot nas páginas do insuspeito The Times, o Labour solta ações de rua para apear a maioria relativa do May II Government. O Red Shadow Chancellor RH John MacDonnell pilota uma incendiária “one million march” ― “to force new elections.” Já o revigorado Lab Leader RH Jeremy Corbyn declara que entrará no Number 10 dentro de 6 meses, no fim de semana protagonizando uma missa de massas no Glastonbury Festival. O evento reúne idosos hippies e jovens revolucionários. Ora, dir-se-ia que JC desce dos céus para ressuscitar como pop star no Pyramid Stage de Somerset e o delírio na festa da contra cultura. Jezza anima o teen spirit com amanhãs que cantam. A performance tem até conveniente direto televisivo sob o script “Ye are many―they are few!” Dos bastidores das 100,000 Corby T-shirts cedo sai o revisionismo em curso ao manifesto eleitoral trabalhista, consensualizado com a oposição interna dos Blairites, sob testemunho do Comrade Jeremy ter como prioridade “to ‘get rid’ of Trident.” Ou seja, o unilateral desarmamento nuclear do UK e o almejado desmantelamento da NATO.

 

RH Theresa May enfrenta crises sérias semeadas pela perda da maioria na 2017 General Election. Com o Brexiting em tela de fundo, facto que explica o frenesim adversarial dos eurofilos de todas as cores, a PM enfrenta esta semana o teste ao seu programa legislativo na House of Commons. Aqui avulta a Great Repeal Bill, a qual remove o ECA 1972 do Statute Book e reinstitui a plena soberania da Law of The Land, por estas ilhas em uso, desde 1215, na esteira da Magna Carta. Este regresso à constituição histórica é tomado como antídoto para diagnosticado declínio político  e confirmado no Queen’s Speech durante peculiar cerimónia nos Lords, desta vez sem pompa e circunstância, com a monarca vestida em day blue dress e acompanhada não pelo Prince Philip mas por Charles of Wales trajado sem a full regalia. Ainda assim, e com o consorte logo de volta ao palácio após curta estada hospitalar, cumpre registo das memoráveis palavras de Elizabeth II: “My Lords and Members of the House of Commons, my Government’s priority is to secure the best possible deal as the country leaves the European Union. My Ministers are committed to working with Parliament, the devolved Administrations, business and others to build the widest possible consensus on the country’s future outside the European Union. / A Bill will be introduced to repeal the European Communities Act and provide certainty for individuals and businesses. This will be complemented by legislation to ensure that the United Kingdom makes a success of Brexit, establishing new national policies on immigration, international sanctions, nuclear safeguards, agriculture and fisheries. / My Government will seek to maintain a deep and special partnership with European allies and to forge new trading relationships across the globe." Fora de Westminster, o Met assenta o recorde de 30C no “longest June hot spell for more than 20 years.”

 

Parcela incontornável das celebrações do 91º aniversário oficial de Her Majesty, devidamente assinalado com as Royal Gun salutes a par do State Opening of Parliament e da visita real de conforto às vítimas do incêndio da Grenfell Tower, sai à luz do dia discreta lista de honrarias destinada a homenagear os talentos do reino. O rol é deveras plural e apontado pelo Cabinet Office como “the most diverse yet.” Contém diferentes gerações, muitas mais mulheres e elementos das populosas minorias étnicas. Dois nomes atraem a atenção entre os 1,109 novos membros das ordens honoríficas recriadas em 1917 pelo King George V. Deslumbra Dame Olivia De Havilland, em vésperas dos seus veneráveis 101 anos e nenhuma outra senão a oscarizada Melanie de Tara em Gone With the Wind (1939). Brilha também Mrs J K Rowling, a autora de 51 anos feita Companion of Honour por magia desse young wizard sonhado no Porto e por si batizado como Harry Potter (1997). — Hmm. Even Master Will concedes in As You Like It the essential role of reverie among the human affairs: — “It is to be all made of fantasy, All made of passion and all made of wishes, All adoration, duty, and observance, All humbleness, all patience and impatience, All purity, all trial, all observance. And so am I for…"

 

St James, 26th June 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

1.jpg

 

So, what’s next? - June 2017

 

2.jpg

What election! What result! And, what a mess! RH Theresa May MP forma um novo governo, minoritário em Westminster e com 20 Remainers + 7 Brexitters, após uma shocking election que deixa os Tories à beira de um ataque de nervos. Os Conservatives perdem a anterior maioria na House of Commons, ensaiam um acordo com o Democratic Unionist Party (o DUP que governa Northern Ireland) e deixam Comrade Jeremy Corbyn e o seu Labour Party aos portões de Downing Street num hung parliament. Na prática, e apesar da presente fortitude, a senhora mantém o top job mas perde autoridade. — Chérie. Il n'y a que le provisoire qui dure. A soma dos votos apresenta outro desfecho imprevisto, para além do êxito relativo dos trotskystas. Resolve problema interno maior. Os independentistas de Scotland igualmente perdem a hegemonia no plenário de Holyrood. — Well-Well-Well, indeed. Já Brussels e Berlin mantêm o calendário da Brexit. Além Atlantic, perdura a Trump soap. Washington rasga o Paris Climate Treaty. Meanwhile, o US President e o diretor do FBI que ele despediu, Mr James Comey, trocam galhardetes em Capitol Hill. O En Marche! do President Emmanuel Macron triunfa nas eleições parlamentares gaulesas, certificando o óbito dos partidos tradicionais da Ve République. Em Russia, as manifestações anti-Putin regressam às ruas e os protestantes às prisões.

3.jpg


Sunny and hot, very hot, days at Central London
. A #2017 General Election deixa o reino atónito e muitas stony faces nos corredores de Whitehall. O esperado passeio da coroação thatcheriana de The Right Honourable Theresa Mary May MP simplesmente não acontece, apesar dos históricos 43% obtidos nas ballot boxes. Uma two horses race deixa o rival Labour Party com 40% e esfuma a força dos pequenos partidos. Ora, tudo se afigurava diferente a 25 April, quando The Gazette publica a proclamação de Her Majesty Elizabeth II “appointing Thursday the 8th day of June 2017 as the polling day for the general election of the next parliament.” Os Tories lideram nas sondagens por 20-22 pontos, face a uma Loyal Opposition ocupada a digladiar-se entre Corbynists e Blairites. Sobrevém o inesperado. Uma longa campanha de oito semanas pára duas vezes por causa de três sangrentos atentados jihadistas, em Manchester e em London, após caos generalizado no serviço nacional de saúde gerado por um ataque informático global. Os conservadores apresentam então infeliz e austeritário programa para a bolsa dos comuns. Sir Humphrey Appleby diria ser “a brave manifesto.” Neste contexto surge a receita populista para vencer sufrágios: energizar os fiéis ante a paralisação dos opositores, aumentar as expetativas dos adversários e prometer… utopia to the working class. Só no último dia das lides, para ganhar o voto jovem, e foram dois milhões de novos eleitores, o líder trabalhista perdoa as dívidas estudantis após hastear a bandeira das free tuition fees. Na noite eleitoral, todas as cidades universitárias votam vermelho. Se o secular azul de Canterbury cai, a cereja no empolado bolo de Red Jezza é ainda mais luzente. Seduzido por verbo revolucionário, o Royal Borough of Kensington elege um camarada. But, recordando os gloriosos Monty Python – He’s not The Messiah. He’s a very naughty boy.

 

A mais estranha campanha eleitoral de que há memória tem efeitos tanto no futuro incerto da PM e do partido no poder, como também na internamente contestada liderança do Labour Party, quanto, e sobretudo, no rumo das negociações da saída do UK da Eurpean Union. Os Remainers aproveitam a ocasião para reeditar pela enésima vez um estafado argumentário face a um já mais que agastado eleitorado. Nas urnas, porém, sumido o Ukip, até o arqui europeísta RH Nick Clegg perde o emprego como MP de Sheffield Hallam (South Yorkshire) pelos Liberal Democrats. Igual fim têm outros pesos pesados, desde logo entre os contrários escoceses, como RH Alex Salmond em Gordon (Aberdeenshire) ou RH Angus Robertson em Moray, nada menos que os ex líder e chefe da bancada do Scottish National Party em Wesminster. Com os 10 MPs de Northern Ireland na porta grande do Westminster system, por via do apoio governamental do Democratic Unionist Party, as Highlands têm agora uma nova referência: RH Ruth Davidson, a Tory MSP que conquista 12 postos aos independentistas. Não espanta que perante este complexo xadrez nacional, pela primeira vez na história parlamentar do reino, o Queen’s Speech anunciado para a proxima semana esteja sob risco de adiamento, o mesmo podendo acontecer à abertura dos tratos da Brexit agendados para 19th June.

 

Mrs May assegurou tréguas internas num partido em deep unhapiness e está de partida para Paris a fim de acalmar as águas continentais. Durante o fim de semana, enquanto o Labour Party se declara pronto a governar com equipa marxista e programa sul americano de renacionalizações, a new old PM reganha a iniciativa política. Forma um segundo Cabinet com maioria de Remainers à volta da mesa e assume responsabilidades pelo desastre eleitoral perante o poderoso Tory 1922 Committee: “I'm the person who got us into this mess, and I'm the one who will get us out of it.” Sustentada graças à cortesia dos Scott Conservatives e dos Irish Unionists (Needs must, of course), a posição da Prime Minister é delicada: se sinaliza razoabilidade nas euronegociações conduzidas pelo intacto trio dos Brexiters (RHs David Davis, Boris Johnson e Liam Fox), o porta voz do Number 10 rapidamente informa que “Government policy remains the same on Brexit, migration and the deficit.” Falhado o ensaio eleitoral do Red Torysm, em suma, num astonishing state of affaires, resta agora apurar quão fundo tem presente a sucessora de Baroness Margaret Thatcher em Downing Street uma imortal lição do fundador da Ve République Française: "No Nation has friends, only interests."

 

4.jpg

Sob a memória do General Charles De Gaulle, a quem Lady Clementine um dia disse "General, you must not hate your friends more than you hate your enemies," chega às salas a mais recente versão cinematográfica de Churchill. O filme recua à darkest hour, quando o reino defronta as forças nazis que dominam o continente europeu. Estamos em 1944 e eis-nos catapultados para behind the war for freedom. O drama dirigido por Mr Jonathan Teplitzky cedo surpreende com incorreções históricas, começando nos peculiares fatos de Sir Winston, vestido de gala no encontro decisivo do High Command, mas acaba por atrair na incontornável dimensão épica. Estamos em 1944 e seguem-se as graves 96 horas que rumam ao D-Day de 3 June e ao discurso “We shall never surrender.” Tal como na Operation Neptune brilham os heróis das Normandy landings, salvam aqui as interpretações de Mr Brian Cox (W Churchill), Mrs Miranda Richardson (Clementine), Mr John Slattery (Gen. Dwight D. Eisenhower), Mr James Purefoy (Gen Bernard Montgomery) ou Mr Julian Wadham (King George VI). O guião é pobre, todavia. — Hmm. Let us all remember how Master Will in The Tempest portrait the quest for autonomy after dilemmatic Prospero’s decisions: — “As you from crimes would pardoned be, / Let your indulgence set me free."

 

 

St James, 12th June 2017
Very sincerely yours,
V.

 

 

LONDON LETTERS

 

The United Kingdom’s spirit, May 2017

 

Após dias dramáticos de severo alerta terrorista e ainda a processar o massacre dos inocentes em Manchester perpretrado por um jihadista, o reino carry on. Um jovem Brit, de 22 anos, fruto de refugiados do regime líbio de Gadaffi generosamente cá

acolhidos e dado ao consumo de drogas, ruma para o delírio das ‘70 virgens’ enquanto assassina adolescentes e crianças que sorriem no final de um concerto pop na Arena. Entre as vítimas deste “evil loser”, como o reputa o President Donald J Trump, está a pequena Sophie de 8 anos. — Chérie. Qui sème le vent, récolte la tempête. A campanha eleitoral pára por momentos. A apresentação dos manifestos partidários revela a deslocação à esquerda. O Corbynism ganha tração com um líder em Father Christmas mood e radical programa de re-nacionalizações, vasto investimento público e altos salários. — Shocking days, indeed. O French President Emmanuel Macron viaja a Berlin e Moscow para a enésima jura de reforma continental. O POUS faz um périplo ao Middle East e Europe, com paragem em Jerusalem e no Vatican, discursando sobre o Islam e a contabilidade da NATO. A Bundeskanzelrin Frau Angela Merkel anuncia o fim da aliança ocidental e conclui que Europe “must take destiny in its hands.”

 

 

Dark days in the Realm. O ambiente em volta é de alta tensão, entre o choque e a fúria face à matança dos inocentes. O alerta da segurança nacional sobe de crítico a severo, regressando à atual categoria de existir forte probabilidade mas não estar eminente um novo atentado terrorista. Forças especiais capturam uma dúzia de jihadistas em várias paragens, à mistura com detonações controladas em catedrais, casas e centros comerciais. Soldados e polícias protegem áreas sensíveis. Mal refeitos da cadeia de acontecimentos, com um tigre à solta num zoológico de Cambridgeshire e o caos informático a suspender os voos da British Airways em Heathrow e Gatwick, a honorável Press revela a presença de 23,000 extremistas islâmicos na watch list. O número do terror assusta e o clamor popular pede medidas. Afinal, a rede de controlo 24 h+7x7 é perfurada em Manchester, berço do jihadista e geografia aparentemente inclinada a produzir extremistas entre os assíduos da Mosque sem que haja mão nos hate preachers. As ondas de choque face ao Homegrown Jihadism e ao ataque de May 22th continuam a evoluir. O reino reage com as velas e as vigílias, mas há mais. Na internet, de rosto tapado e familiar sotaque, o Isis faz ameaças de morte aos filhos do infidel. Nas ruas questiona-se o… até quando?

 

Já hoje à noite sopra vento de normalidade. A Sky News apresenta o grande debate político das #2017 General Elections. Em estúdio, red-looking, estão Mrs Theresa May e Mr Jeremy Corbyn. É a Battle for Number 10. A segurança é um entre vários temas quentes abordadas num TV show formatado a dois tempos: um após outro, os líderes do Labour e do Conservative Party respondem a questões da audiência (em modalidade Townhall) para depois se submeterem a entrevista com o (not so) temível Mr Jeremy Paxman. Ambos vão bem no geral, mas chegam aqui a diferentes velocidades. Os Tories estão em queda nas sondagens, com a vantagem inicial a cair dos 20% para os 5-8%, após lançarem um manifesto incluindo exigente reforma na segurança social, no meio de cortes nos benefícios e apelos à responsabilidade individual. Os contornos da proposta central são tais que, logo etiquetada pelas oposições de “dementia tax,“ a reação do espetador imparcial é de perplexidade: What are they thinking! Se os Red Tories ousam ir longe de mais na distribuição das libras orçamentais, já o Populist JC Labour tem vento pela popa à custa de querer taxar os ricos. RH Jezza promete agir “for the many, not the few.” Nacionalizará combóios, telecomunicações, correios, água e eletricidade ― mas não bancos. Aonde vai buscar o dinheiro para pagar a fatura? Aos impostos e ao crédito internacional, que o paraíso chaveznista não teme as dívidas soberanas. Só as simpatias de Mr Corbyn &co para com os movimentos revolucionários armados causam inquietação, entre o apoio ao IRA ou a amizade com o Hamas. Faltam 10 dias para a 2 horses race e 21 para o início das negociações da Brexit.

Estes são também dias da partida de Mr Roger Moore, o suave “James Bond” que se aventurou em Portugal. É ainda tempo para um dos meus eventos favoritos na capital: o Chelsea Flower Show. A mostra é sempre uma inspiração para quantos amam o English Garden. Na abertura por lá passam HM Queen Elizabeth II ou Dame Judy Dench. A recreação natural corresponde às expetativas do mais rigoroso dos jardineiros locais. E os Iris Louvois nos London living displays da Royal Horticultural Society apresentam-se gloriosamente surpreendentes em nova coloração. Para a semana, de 7 a 11 June, é a vez do RHS Chatsworth Flower Show em Derbyshire e da tradicional visita à glasshouse com que Mr Joseph Paxton MP em 1836 induz a traça dos Crystal Palaces no meridiano atlântico. — Well. Keep in mind those floral wording of Master Will in A Midsummer Night's Dream: — “I know a bank where the wild thyme blows, / Where oxlips and the nodding violet grows, / Quite over-canopied with luscious woodbine, / With sweet musk-roses and with eglantine: / There sleeps Titania sometime of the night, / Lull'd in these flowers with dances and delight.."

 

St James, 29th May 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Westmorland and Lonsdale, May-June 2017

 

Totally fascinating. As clivagens partidárias já haviam por cá produzido um Labour politician with Tory values, mas agora chega a vez de uma Tory Prime Minister with some Labour values.

ll1.jpg

Esta é a perceção que os estudos de opinião recolheram junto do eleitorado sobre The Right Honourable Theresa May MP, na esteira da vitória dos conservadores nas eleições locais. A contraciclo político, o partido no poder desde 2010 ganha terreno a todas as oposições em England, Wales e até em Scotland. — Chérie. Aide-toi et le ciel t'aidera. A Brexit Britain indicia outras surpresas no apoio popular. Com o No. 10 a erguer a voz face a novas diatribes continentais e quási-devorado o Ukip pelo voto, eis a onda azul a avançar para as paragens nortenhas. Os Tories tanto sustêm o SNP, quanto avultam na remota Cumbria. Uma das circunscrições debaixo de olho do May-ism é Westmorland and Lonsdale, nenhuma outra senão a que elege o líder dos Liberal Democrats para Westminster: o arch-remainer RH Tim Farron. — Hmm. These days we never no! Yet.... Os sufrágios florescem também em Europe. France elege para o Palais de l’Élysée o neófito Monsieur Emmanuel Macron. Nos US e em Italy, o President Donald J Trump defronta o antagonismo do… Obama show e da cerveja Baracchini. Nas ilhas, o Prince William of Cambridge prepara-se para novas responsabilidades na vida pública. O HMS Somerset escolta um submarino russo detetado no English Channel.

 

ll2.jpg

Beautiful weather at London. Em vésperas dos 2017 BAFTA sagrarem a qualidade cinéfila de The Crown, série revelando alguns dos mysteries of the traditional norms of statecraft, amanhã é o recatado casal primoministerial que responde a questões de uma audiência plural em estúdio. A expetativa sobre a perfomance é tão maior quanto a PM recusa participar no usual Leader’s debate e opta por discreta campanha eleitoral, porta a porta, em vivo contraste com as ruadas e o espetáculo dos rivais, cuja sucessão diária de promessas apenas sublinha a estratégia presidencialista dos Tory. A June 8 ver-se-á dos resultados. Os últimos dias, porém, ficam marcados pelo anúncio real da reforma de Philip Mountbatten e o carinho publicamente manifestado pelos seus 70 anos de “loyal service to Britain and The Queen.” O príncipe consorte de Elizabeth II afasta-se este Autumn dos “public duties” assumidos em 1947. Mrs May sintetiza posições: “On the behalf of the whole country, I want to offer our deepest gratitude and good wishes to His Royal Highness the Duke of Edinburgh.”

 

Muito distinto é o tom usado pela senhora às portas do Ten face a Monsieur Jean-Claude Juncker. O European Commission President desgosta da ementa no “Brexit working dinner” que a PM lhe oferece em Downing Street e coloca o mais próximo dos seus colaboradores a brifar jornais alemães sobre o ali ocorrido, aliás, em termos pessoalíssimos que devem aos bons costumes. Ora, o que realmente aconteceu no jantar onde London recusa a €100bn divorce bill de Brussels depende do paladar de quem neste participa: para uns é uma conversa útil; para outros antes é um desastre… ter tal cozinheiro. Como a deselegância entre ainda-parceiros não bastara e atestando a mentalidade despeitada de infelizes separações, o ex-PM luxemburguês viaja a Firenze e comete crime capital contra a língua inglesa. Nas suas próprias palavras: “I will speak in French (…), because, slowly but surely, English is losing importance in Europe.” Irlandeses e malteses tremem. Já a RH Theresa May reage, antes de rumar ao Palace of Buckingham em dia de dissolução do Parliament: “Threats against Britain have been issued – deliberately timed to affect the election.” O Daily Mail logo resume a mensagem: “Hands off our election.” Vem aí… a huge blue  majority!

ll3.jpg

 

Se as forças aquém e além Channel esculpem, mais e mais, a 2017 snap patriotic election como “who negotiates the Brexit?,” apesar do interesse eleitoral do Labour de RH Jeremy Corbyn &co em maximizar a utilidade de Herr Karl Marx no futuro insular, a conquista do Élysée desagua no esperado President Emmanuel Macron. Os 65-35% no duelo contra Madame Marine Le Pen, escoltados por massiva abstenção e militante voto nulo, contrastam com um discurso da vitória que releva nada estar escrito na pedra. Evitado o perigo imediato do populismo, pois, os meios parisienses comentam agora que, eleito que está, o mais jovem político francês desde o Empereur Napoléon Ier (1769-1812) pode finalmente revelar qual o seu programa e a equipa para governar. Os desafios são imensos, e em muito respeitam à European Union. Nascido nas terras do bloody Somme, o ex-ministro e protégè de M François Hollande é um fervoroso eurófilo que gosta de viajar até London para assistir a uma noturna peça de teatro na língua universal de Shakespeare. Mas eis extraordinário 1st statement do dirigente do novíssimo On marche, após 10 minutos ao telefone com a Bundeskanzlerin Angela Merkel e as warm congratulations da UK Prime Minister. É a noite do triunfo. A imagem parece saída do The Da Vinci Code. Não vemos Mr Tom Hanks, mas o protagonista é ainda energético e telegénico. A câmara segue-lhe os passos, na penumbra, com as pirâmides do Louvre em fundo e as cordas da Ode to Joy. Exato, o EU anthem! A 14 May jurará ele à desnudada Marianne de la Republique. So, best of luck. Seguro é que, depois do Trump circus, o 39 years’ old promete fazer as delícias de quantos apreciam o Planet Rothschild. — Well. Consider Master Will and ours thoughtful Jaques in As you like it: — “All the world's a stage, / And all the men and women merely players; / They have their exits and their entrances, / And one man in his time plays many parts. / His acts being seven ages."

 

 

St James, 8th May 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

1.jpg

 

   A Brexit snap election, 8 June 2017

 

 It is not done until is done. A Prime Minister RH Theresa May MP pede hoje poderes bastantes à House of Commons para convocar eleições gerais antecipadas. A libra esterlina dispara com a previsão de uma vasta

2.jpg

maioria Tory. — Chérie. Prudence est mère de sûreté. Que se pode dizer sobre o clima nas ilhas ? É a Brexit Britain e o guião segue a matriz dos plot twists. Depois de três vezes negar o cenário de legitimação para o mandato primoministerial, eis a Tory líder a mudar de opinião após uma cuidada reflexão pascal. — Hmm. Do not put new wine into old bottles. O suspense marca também o resto do mundo. O US President DJ Trump demonstra o seu entendimento do que é o America First: a península coreana treme com a visão de um conflito nuclear. As presidenciais francesas digladiam os últimos argumentos. Turkey vota pela concentração dos poderes do President Recep Erdogan e adensa a sombra otomana no eurocontinente. Os Princes William e Harry impulsionam o debate no reino em torno da saúde mental. O J025 aproxima-se da Earth com a etiqueta do maior asteroide a passar nas proximidades desde 2004.

 

leg.jpeg

Lovely Springtime at Central London even with fresh wind. Um telefonema do Number 10 para o Buckingham Palace inicia uma nova reviravolta, para alguns surpreendente, na impetuosa política doméstica. A Prime Minister informa HM Elizabeth II que convoca eleições gerais para 8 June a fim de obter a “Brexit unity.” A decisão assume forma dramática, com o anúncio de “a surprise PM statement” para as 11.15 am de Monday. A especulação circula durante horas na political bubble. Note-se que tais declarações oficiais são algo extraordinário, servindo usualmente para declarar guerra, dizer da queda governamental por resignação da PM ou marcar eleições. Singular é também o facto de todos os cenários serem por cá tidos como prováveis, dadas as vagas emocionais que tumultuam o Brexit serial. Quando Mrs May aclara as águas é já consensual a tese de… a Blue murder. Os Tories avançam para uma maioria histórica face a enfraquecidas (apesar de ruidosas) oposições.


Esta tarde decorre mais uma acalorada votação nos Commons quando Mrs May requer luz verde para a #GE2017. Necessita de 2/3 da câmara para revogar o Fixed-term Parliaments Act 2011, que datava o sufrágio em 2020. As reações ao gesto do 10 ainda ribombam no Palace of Westminster. Pouco fica da imensa espuma dos comentários plurais, quando muitos MPs encaram a séria possibilidade de perder o emprego às mãos do eleitorado flutuante. Tracemos a bissetriz possível. Se a generalidade das sondagens indica as vésperas de a blood Labour bath, com o partido de RH Jeremy Corbyn a 21 pontos percentuais de distância face aos Conservatives, a snap election é por cá encarada de forma genericamente dual: para uns é a almejada oportunidade para reverter o resultado do euroreferendo de 2016; para outros é o momento decisivo para unir forças atrás de HM Government nas complexas negociações da saída do UK da European Union. O tom do debate está dado: no "are you kidding?" da entrevistada acidental em plena rua, na autoexclusão do ex Tory Chancellor George Osborne das listas de candidatos e em manchete do Daily Mail ― “Crush the saboteurs.” Com paragem nas eleições locais de 4 May, a par das consequências judiciais do overspending partidário na última campanha, faltam 50 dias para o sufrágio geral.

 

4.jpg

Aos amantes de jardins, arquitetura e história, uma recomendação final de leitura e de convite à visita. Nos dois últimos números da sempre belíssima Country Life, uma revista muito cá de casa, Mr Geoffrey Tyack narra a evolução secular da University of Oxford. Sob o título “A seat of learning” e com fotografias de Mr Will Pryce, a dupla de artigos recua ao nascimento da universidade no 12th Century como comunidades de “scholars and aspiring scholars” para traçar a direção e a inspiração das artes ao longo de um passeio por edifícios e bibliotecas. Das lecture rooms e alojamentos clericais das Oseney Abbey Schools no medievo, aliás, as que fascinam o Infante Dom Pedro, conforme o Duque de Coimbra testemunha na sua “Carta de Bruges,” à majestosa Arts End, a primeira biblioteca britânica com wall shelving, criada em 1610-12, a peregrinação centra-se nas góticas Schools Quadrangle e na Bodleian para dar conta do papel público da Convocation House. Este é um espaço menos conhecido pelos pergaminhos políticos, mas é o cenário consensualizado para estruturar o debate nacional em dividido reino, ao servir de parlamento, em várias ocasiões, no turbulento 17th century. — Well. Let us amuse our minds with Master Will and that contemplative Jaques in As you like it: — “Out of these convertites / There is much matter to be heard and learnt."

 

St James, 18th April 2017

Very sincerely yours,

V.

 

5.jpg

 

LONDON LETTERS

 

The End of The Affair, 2017-19

 

Et voilá! Brexit begins with the Springtime. A coreografia diplomática é singela. RH Theresa May aciona o Article 50 do Treaty of Lisbon e inicia a contagem

decrescente para a saída programada do United Kingdom da European Union, a 29 March 2019, com ou sem acordo sobre os laços comerciais. Começa também um outro futuro para o projeto europeu e o papel da EU no mundo. O momento é de refundação para o clube dos estados continentais, mas decisões só as haverá depois das eleições outonais em Germany. Para o UK, faltam 717 dias de navegação até oceano aberto. — Chérie. Goûts et couleurs ne se discutent pas. A Prime Minister visita o Arabian Gulf para conversações de trade & defense. Na mala leva um cheque de £1,2b para apoio local aos refugiados sírios. — Hmm. Do not be wise in words, be wise in deeds. O terror jihadista ataca de St Petersburg a Stockholm. O US President DJ Trump lança ataque punitivo na Syria, recebe o líder egípcio Abdel-Fattah el-Sissi e dá uma entrevista ao FT de leitura forçosa para aferir da agenda geopolítica da superpotência. A corrida ao Élysée soma sinais do êxito no desenho do sistema eleitoral: produzir um decisor centrista. O Prince Charles of Wales prepara an European charm tour. Nas ilhas, Northern Ireland persiste no limbo governamental e Scotland vota pelo IndyRef2. O Labour Party continua em queda livre, com perdas estimadas de 125 lugares nas eleições locais de May a favor dos Liberal Democrats e dos Conservatives.

 



Lovely weather at Central London. Duas damas agitam a domesticidade de Westminster Village, que hoje diz adeus ao herói da Metropolitan Police caído nos Palace Gates. Um cordão de polícias saúda PC Keith Palmer, uma das cinco vítimas do atentado terrorista, em público cortejo fúnebre ao longo de quase três milhas. A envolvente do Big Ben é agora de mais apertada segurança, quando a Scotland Yard tem a first female chief nos 188 anos da instituição: Met Commissioner Cressida Dick. No ar anda algo de feminil, não obstante o ‘empate’ na 2017 Oxbridge Boat Race: os remadores de Oxford University vencem a corrida, mas, no drama da deteção-remoção de uma WWII bomb nas águas da partida em Putney, são as azuis-claro de Cambridge a ganhar a palma do Thames River. Mais há, todavia. Após a histórica assinatura pela Prime Minister May da carta entregue ao European Council President Donald Tusk em Brussels, pelo Ambassor Tim Barrow, seis páginas timbradas a anunciar a retirada do UK da EU, eis nova rosa nos anais da coroa e na mística geografia local. O verde das Houses of Parliament vai acolher uma estátua da líder das Suffragists, Dame Millicent Garrett Fawcett (1847-1929).

 

Abrigada de ocasionais chuviscos por peripécias de saúde, a lava das notícias é ainda avassaladora e quase ofusca este acontecimento maior.

Se o rufar das eleições para os councils segue em fundo, com visíveis desafios para o Labour e o Ukip enquanto a Brexit abunda em red lines e ameaça turbulência nos céus de Gibraltar, é a canonização política da senhora quem cativa o olhar – tanto pela decisão quanto pelo espaço. Dame Fawcett é a pacífica presidente da National Union of Women’s  Suffrage Societies, fundada em 1897 a fim de aliar as reivindicações do sufrágio feminino que há 30 anos ecoavam pela sociedade vitoriana. O movimento distingue-se das Suffragettes pelo método diplomático, sempre a sua líder valorizando a persuasão em contraponto ao protesto advogado, desde 1903, pelo grupo radical de Mrs Emmeline Pankhurst. Na preparação do centenário do voto das mulheres no UK decide HM Government homenagear a sufragista nascida em Suffolk, que fez do No. 2 de Gower Street domicílio das insistentes petições aos azoratados MPs que, em 1918, finalmente acedem à paridade. A first woman to be honoured with a statue in Parliament Square alinhará com o moderno bronze de Lady Margaret Thatcher no Members' Lobby do Palace of Westminster e erguer-se-á no jardim exterior entre os pedestais de Winston Churchill, David Lloyd George, Viscount Palmerston, Earl of Derby, Benjamin Disraeli, Robert Peel, George Canning ou Abraham Lincoln, Nelson Mandela e Mahatma Gandhi.

 

Por terras que rezam a Allah intervém já a PM, vigorosamente, em polémica da Christian Easter. Na anual caça aos ovos do National Trust ao longo do reino desaparecem as referências pascais na promoção do evento, para espanto até do good Archbishop of York Dr John Sentamu. O avanço secularista logo é etiquetado por Mrs May de… “ridiculous.” No cenário de uma próxima disputa com Spain por causa de Gibraltar, incluído por Madrid e Brussels nas euronegociações, a reação de uma senhora com cabelos prateados ao vento em solo jordano e saudita é ainda mais explícita: uma sonora gargalhada. Não é para menos, ou diferente. Muitas vezes ao longo do debate europeu lutei com a ideia de incredulidade, face aos espantalhos da crise financeira e do conflito armado, mas há ainda lugar para surpresas. Na espuma final do EUref2 dos últimos 9 meses, pasmo com declarações de Lord Heiseltine a atribuir à Other Union a revolução contra o fascismo em Portugal ou quando agora Lord Fallon declara que o UK defenderá The Rock tal como valeu às Falklands. Os excessos sempre comovem. Afinal, the words that we use form our worldview.

 

Quando as chancelarias engendram fórmulas de pressão sobre Moscow devido a Damascus e Beijing por causa da North Korea, nota comemorativa para os 35 anos do fantástico Blade Runner. A masterpiece de Mr Ridley Scott apura no tempo quanto Do Androids Dream of Electric Sheep? de Mr Philip K Dick prova nas areias da distância. Uma e outra obra possuem génese reveladora. O cineasta desenvolve as aventuras protagonizadas por Mr Harrison Ford quando filma Dune e o universo ficcional de Mr Frank Herbert. O escritor concebe a ideia do humano sintético ao ler num jornal Nazi ensonadas queixas de um oficial SS pelos gritos num campo de concentração. — Well. Keep in mind those strident thoughts that Master Will puts among the silent humanity in Hamlet: — “There is nothing either good or bad, but thinking makes it so."

 

St James, 10th April 2017

Very sincerely yours,

V.