Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

LONDON LETTERS

 

An historical date, 29 March 2019

 

HM Elizabeth II apõe o Royal Assent na European Union (Notification of Withdrawal) Bill. O PM Office anuncia que accionará a cláusula de saída da EU no próxima quarta-feira e imediatamente RH Theresa May inicia em Wales mais uma ronda de contatos às quatro nações do reino unido.

  O calendário fixa a histórica Brexit para 29 March 2019. —  Chérie. En toute chose il faut considérer la fin. Com a campanha interna do No. 10 aberta em Swansea (Wales) e o parlamento de Scotland a votar amanhã novo referendo independentista, já Westminster centra o olhar noutros temas prementes. O ex Tory Chanceler of Exchequer a todos espanta com o seu recrutamento para editor do London Evening Standard, sendo agora por cá conhecido como RH George ‘Six Jobs’ Osborne. Também o Labour Parliamentary Party protagoniza exaltada reunião com o líder RH Jeremy ‘Red’ Corbyn. — Hmm. Clothes do not make the man. France visiona longo debate televisivo entre os principais candidatos presidenciais. Netherlands dá a vitória eleitoral aos liberais do Premier Mark Rutte face aos eurocéticos de Mr Wim Welders. Washington assiste a frosty Trump-Merkel Summit na White House enquanto Capitol Hill investiga a conexão russa que pode desaguar em impeachment process com o GCHQ pelo meio. O Sinn Féin diz adeus a Mr Martin McGuinness.

 

Light rain at the begginings of the London Springtime. O alinhamento entre Downing Street e Buckingham Palace ganha visibilidade no Brexiting, tanto na frente interna como na frente externa. Passados os escolhos nos dois lados de Westminster Square, sejam as Houses of Parliament e o Supreme Court of Justice, a mais importante lei no nosso tempo ruma à secretária de Her Majesty The Queen. Elizabeth II tem constitucionalmente três opções: selar, recusar ou demorar a EU Bill. Sem delongas despacha o Royal Assent, através de letters patent unidas ao articulado legislativo, logo remetidas aos Commons para aqui se anunciar de viva voz a decisão da monarca: "La Reyne le veult." A tradicional fórmula em Anglo-Norman Law French é saudada com cheers dos MPs e não deixa de ser astral ironia que, segundo os anais de Westminster, o último veto real, em 11 March 1707, pela Queen Anne, haja incidido sobre a Bill for the settling of Militia in Scotland. Mais faz o cetro: os Dukes of Cambridge viajam até Paris em missão oficial de charme.

 

O avanço da Brexit materializa-se com anúncios públicos de prontidão em London e Brussels. Incontornáveis são os contornos homéricos do processo. Whitehall prepara um pacote legislativo, estima-se que 15 leis de enquadramento setorial, para acompanhar The Great Repeal que ecoará em May no Queen’s Speech. Até lá, é a vez da Prime Minister testar as suas habilidades diplomáticas na campanha interna de unificação de vontades e propósitos. Se era expetável que a saída do UK da European Union serviria de pretexto para nova batalha dos independentistas no parlamento de Holyrood, o cenário geral com que Mrs May se depara é bem mais complexo. Vejamos quem se sentou na primeira cimeira doméstica, a 24 October 2016, entre Downing Street e as autoridades de Edinburgh, Cardiff e Belfast. À volta da mesa encontram-se uma English Tory, uma Scottish nationalist, um Welsh socialist e uma Ulster unionist mais um Irish republican. Acresce que o euroreferendo de 23rd June reflete os votos a favor de England e Wales mas contra de Scotland e da Northern Ireland. Não por acaso é RH Theresa May MP comparada a formidável personalidade histórica na manutenção da coroa: Elizabeth The First. À Good Queen Bessie valeram os divinos ventos do Channel quando atacada pela Invincible Armada.

 



A tarefa de Mrs May igualmente requer boa ventura na outra Union. Que as nuvens se avolumam além Channel observa-se sobretudo na fragmentada paisagem política gaulesa. No debate presidencial de três horas e meio entre os cinco principais candidatos ao Palais de l'Élysée, por maiores que foram os esforços de Madame Marine Le Pen para debater a situação europeia criada pela Brexit, multiplicado foi o silêncio manuseado pelos rivais – acrescido pela câmara de eco dos mass media. Evidente é a frente continental dos eurófilos. Em vésperas de RH G Osborne assumir as vestes de jornalista e fazer do London Evening Standard um jornal de combate dos Remainers, soa estranha equivalência na Spring Party Conference dos Liberal Democrats que tudo revela quanto à nova retórica dos contrários. RH Tim Farron acusa a comunitarista Theresa May de prosseguir as “aggressive, nationalistic politics of Trump and Putin.” Assim vamos quando nos US ocorre peculiar cimeira. O President DJ Trump recebe a Bundeskanzlerin Angela Merkel. Afirma-se não isolacionista e pró NATO ao apresentar faturas a Berlin. Ora, a linguagem corporal dos dois líderes diz do máximo desconforto existente nas neo relações continentais transtlânticas. No mais, passados 100 dias da administração republicana, The Trump Show goes on. Em Capitol Hill projeta-se já cibersequela do clássico de Holywood: The Comies are coming…

 

Com a novel interdição dos dispositivos eletrónicos nas viagens aéreas de paragens exóticas no Middle East e previsível agitação em torno da Pound Sterling para a próxima estação de veraneio, examinemos atempadamente destinos turísticos para caseiro 2017 Summer. O Sunday Times ajuda. No seu guia anual dos "best places to live in Britain" distingue a amena cidade de Bristol, à frente de campeões regionais como Peckham na Great London, Wadhurst em East Sussex ou Shipston-on-Stour em Warwickshire. A urbe portuária está geminada com o Porto e tanto a esplêndida traça natural como os pergaminhos recomendam visita. A Royal Charter recua a 1155. Cedo floresce o condado do South West England, autonomizando-se de Gloucestershire e Somerset em 1373 e conquistando foro a desenho de Master Robert Ricart em 1478. A terra fértil coloca Bricstow entre os grandes contribuintes do trono desde o medievo, com a cruz e o comércio a globalizar os elos com outros reinos de cruzados e navegadores. — Well. Remember what Master Will says in his Jacobean play Pericles, Prince of Tyre about the maritime lives: — Master, I marvel how the fishes live in the sea. | Why, as men do a-land; the great ones eat up the little ones; I can compare our rich misers to nothing so fitly as to a whale; a’ plays and tumbles, driving the poor fry before him, and at last devours them all at a mouthful. Such whales have I heard on o’ the land, who never leave gaping till they’ve swallowed the whole parish, church, steeple, bells, and all.

 

St James, 21th March 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Sailing ships, 2017

 

Very big political days and, another big win for The Brexiters. As duas Houses of Parliament aprovam a European Union (Notification of Withdrawal) Bill, após breve ping-pong legislativo entre os Lords e os Commons. Her Majesty sela o Royal Assent nos próximos dias. Os Remainers regressam aos tribunais. —  Chérie.

Goutte à goutte l'eau creuse la pierre. Que se vivem dias históricos não há dúvidas. The Honourable Company of Edinburgh Golfers vota favoravelmente a admissão no Muirfield Club de “women members,” quebrando misógnica regra datada de 1744. Na Bute House também a First Minister RH Nicola Sturgeon anuncia um segundo referendo à emancipação de Scotland, depois do “one-generation vote” pelo United Kingdom de 2014. O Sinn Féin segue-lhe os passos na Northern Ireland. — Hmm. Catch your bear before you sell its skin. Elizabeth II descerra o Iraq & Afghanistan War Memorial em London. O centrista 2017 Bugdet agita os Conservatives e Tories há a ver RH Phil Hammond como Labour Chancellor no Exchequer. Nos US continua a novela da Russian Connection na Trump Administration. Já as sondagens francesas apontam consistentemente para corrida a deux ao Palais de l'Élysée, entre Madame Marine Le Pen e Monsieur Emmanuel Macron. Na campanha holandesa é o choque do populista Mr Geert Wilders com o liberal Premier Mark Rutte, com a “Nexit” como tema forte. O Der Spiegel declara o “Nein Danke” à ideia das “German nukes.”

 

  


Plenty sunshine over London, with light winds in the Highlands and dreary clouds over Stormont!
Os elementos de interesse abundam em volta, esfumada sem rasto que está a ora tradicional marcha de protesto em Westminster City durante o weekend – desta vez, creio, sobre as mulheres. Sejamos, pois, seletivos quando os temas da town talk deambulam pelas “unfortunate leaderships”. A semana é marcada pelo simbolismo. Her Majesty preside a cerimónia nacional de homenagem aos militares e civis que serviram a pátria nas guerras do Iraq e Afghanistan, conduzindo um Drumhead Service na Horse Guards Parade. Ainda com as armas a troar em Mosul, na animada bancada central em Whitehall pontua um rosto fechado entre veteranos, membros da Royal Family e dignatários: RH Tony Blair, cedo captado pelas câmaras dos repórteres. A imagem fala por si; The Times esculpe-a em manchete para a posteridade. Elizabeth II presta tributo aos heróis também descerrando um memorial junto ao edifício do Ministry of Defence, nos Victoria Embankment Gardens, uma estátua da autoria de Mr Paul Day e à qual fica colada a “lonely soul” do decisor de 2003.

 


O palco político vive outros momentos de trepidação, vários dos quais radicam em idas opções dos tributos de moeda e sangue exigidos aos comuns. Westminster Square centra horas de tensão em torno do Euro vote, requerendo registo do efeito imediato. À agitação dos atores locais reagem os mercados globais com olímpico alheamento: “The pound has barely reacted.” Já a envolvente revela fossos que se alargam. Na Eurasia ocorre troca de Nazi-Islam Tennis entre Berlin e Ankara, para continental ver, enquanto o EC President Jean-Claude Juncker antevê o tempo onde “Britain will re-enter the boat” ao dissertar em Brussels sobre as “EU continental ambitions.” Por cá antes os contrários visam desfavorecer o Number 10 com a divisão de forças em duplo jogo: aquém e além Channel. Alguém pediu a referendum crisis? Sobre o #IndyRef2 ontem exigido pelo partido no poder em Holyrood para o semestre do Autumn 2018/Spring 2019, atenção aos protagonistas. A FM Nicola Sturgeon justifica a iniciativa não com ideologia nacionalista ou futura prosperidade dos highlanders, sim com a Brexit. A Scottish Tory Leader Ruth Davidson censura-a por escolher “the path of division and uncertainty.” A PM May sintetiza as posições ao declarar que “the SNP's tunnel vision is deeply regrettable.” O programa das festas nortenhas segue dentro de momentos, com o Labour “absolute fine” a favor e contra novo referendo escocês consoante quem opine.

 

Terminado está o Westminster Match. Os Lords lutaram bravamente pelas emendas à EU Bill, sem contudo demover os Commons de ratificar a anterior decisão sem perda de tempo. A natureza de cada uma das Houses of Parliament explica as posições de cada qual, sendo os números da representação a ditar o resultado legislativo. Uns questionam e outros respeitam a vontade popular, expressa no referendo de 23rd June. HM Government tem agora plenos poderes para formalizar a saída do UK da European Union, em estreita passagem maritima entre os rochedos nacionalistas de Holyrood e de Stormont. Já hoje de manhã é a própria Prime Minister RH Theresa May a anunciar aos MPs que, tal como planeado, accionará o Article 50 do Lisbon Treaty “by the end of the month.” Mais: Her Majesty aporá o Royal Assent nos “coming days.” Se frustradas ficam as expectativas de pronta abertura das negociações London-Brussels, nomeadamente nas chancelarias ocidentais que há duas semanas aguardam a May’s Withdrawal Letter, já a ala dos Hard Remainers não espera e ultima novo processo no Supreme Court para bloquear o divórcio. Nos julianos Ides of March anda pulsão schmitteana.

 

Fechemos com notável nota botânica, que do naming friend or foe bem escreve Herr Carl Schmitt. O último recenseamento arbóreo identifica mais de “1,000 previously unknown ancient oak trees” em England, com raízes recuadas às eras da génese da nacionalidade e dos reformadores Tudor. As estatísticas são simplesmente fabulosas e distinguem o reino de William The Conqueror e dos seus nobres terratenentes: 85% dos veneráveis carvalhos têm entre 400 e 600 anos de idade, datando 12% de há 600 a 800 anos a par de 3.4%, uns sagrados 117 exemplares, nascidos há 800 a 1.000 anos. A pesquisa do Woodland Trust foi desenvolvido no último quadriénio em colaboração com o Ancient Tree Forum, o Tree Register e os Royal Botanic Gardens. Da Quercus heritage mais desvendará o Professor Aljos Farjon no seu livro Ancient Oaks In The English Landscape, na prensa e a lançar pelo historiador conservacionista de Kew a 1 May 2017. — Well. Some of those survive from Master Will’s time and not by chance he writes in The Tragedy of Macbeth how the trees of Birnam Wood helped the victory of the English army: — What is this / That rises like the issue of a king, / And wears upon his baby-brow the round / And top of sovereignty? | Listen but speak not to ’t. | Be lion-mettled, proud, and take no care / Who chafes, who frets, or where conspirers are. / Macbeth shall never vanquished be until / Great Birnam Wood to high Dunsinane Hill / Shall come against him.

 

St James, 14th March 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The B-word Game Plan, 2015-2017

 

Et voilà. Entra a cavalaria a galope. Da discrição dos bastidores políticos emergem os Blairites, desalojados do Labour Party pelos Corbynists. Mr Tony Blair é o Remainer-in-Chief, após retirar o bastão de comando a RH Nick Clegg dos Liberal Democrats. Logo atrás segue Lord Mendelson, com o estandarte azul estrelado visível a quantos observam a manobra nas colinas em volta.

A bombarda ruge contra os Brexiteers. Exigem novo euroreferendo. —  Chérie. Une bonne action n'est jamais perdue. A European Union (Notification of Withdrawal) Bill chega à House of Lords, pela força do Supreme Court e sob pública conjura eurófila de delay-or-block. Da jornada nos Commons sai sem emendas e com massiva maioria a escoltar o voto popular. Estarão agora os pares disponíveis para abrir uma crise constitucional capaz de conduzir à sua extinção e a ferino realinhamento partidário no UK? — Well. What possible can go wrong? Os Tories arriscam ganhar as duas by-elections que amanhã decorrem em Copeland e Stoke-on-Trent Central, se acaso os Lab safe-seats não levarem à entrada dos Ukippers em Westminster. O US President DJ Trump nomeia o Lt Gen Herbert R McMaster como National Security Adviser. O VP Mike Pence ultima dual diplomática visita a Munich e Brussels. As presidenciais gaulesas aceleram com buscas judiciais na sede de Madame Marine Le Pen e embaraços retóricos de Monsieur Emmanuel Macron. Já Herr Martin Schultz desloca o SPD para a esquerda a fim de enfrentar a Kanzlerin Frau Angela Merkel nas outonais eleições alemãs. A NASA tem novidades estelares para revelar.

 

 

Patchy rain and mild temperature at Central London! A zona está hoje particularmente agitada. Os Lords debatem o Brexit vote enquanto os Commons discutem as petições pró e contra a visita oficial a Britain de Mr Donald J Trump. Também Westminster Square está ocupada por mais uma manifestação de jovial protesto – por causa daquele ou deste. De pé antibiotizado, observo esta forma de fazer política nas ruas por cá reeditada pelo New Old Labour de Mr Jeremy Corbyn. Fixo o “Stop Trump;” ruidoso, colorido e escasso. Concluo que o ativismo digital que leva 1,8 milhões de pessoas a globalmente clicar na oposição à vinda de DJT às terras da sua mãe dista um abismo da realidade. Abundam os espaços vazios. Pesos pesados como os MPs John McDonnel, Dianne Abbott & alike afadigam-se para os microfones. A moldura de fundo é ainda carnavalesca, com os cartazes contra o racismo e o fascismo entre trajados à Guantánamo ou à Statue Of Liberty. E afinal por quê tanto furor com este Mr President? Há linhas da história política norte-americana trivializadas até a título de Capitol Hill jokes: “President George Washington could not tell a lie, President Richard Nixon couldn’t tell the truth and after President Ronald Reagan no one couldn’t tell the difference.”

 

Aquém e além Atlantic Ocean há um não sei quê de insano nesta agitação das massas que remete para a peça The Dead Cat. Sabereis, por certo, da cena recorrente. Num recanto do palco surgem umas quantas figuras fadadas a atrair forçoso olhar da audiência: ― Hey. Hey. Look over there… Dos resultados no reino do "Straight Talking, Honest Politics" do Right Honourable Jezza dizem todas as sondagens sem exceção: o Lab continua a cair e está 18% atrás dos Conservatives em inusual contraciclo político. Mr Tony Blair no seu recente discurso pelo “changing minds” quanto ao UK na European Union rotula sem dó o estado a que se chegou: "The debilitation of the Labour Party is the facilitator of Brexit." Igualmente áspera soa a esgrima verbal dentro das portas de Westminster Hall. Em sala lateral do parlamento sintetiza o Foreign Office Minister o confronto das visões rivais: “The State-visit should happen and will happen," declara seco Sir Alan Duncan. Há dias atrás, na linha telefónica direta com o Oval Office, ao novo residente declara a Premier que “looks forward to welcome you later this year.” Mais suave mas identicamente polarizado segue o debate dos Lords. Na Upper House, com a memorável presença de Mrs May sentada nas escadas à frente do Royal Throne, a mensagem do HM Government é subtil no lembrete ao papel de cada um dos órgãos constitucionais no estado da coroa. Cabe a Lord Hague magistralmente clarificar as posições: "As someone whose preference was to remain in the EU, my second preference, given that that is not available, is to leave it with some degree of unity and good order and confidence and determination."

 

SS-GB é o diverso programa das festas nas Sunday nights. A proposta da BBC 1 dramatiza o clássico de Mr Len Deighton, autor com laços a Portugal e que com John Le Carré e Ian Fleming consagra as estórias de espionagem como género literário do pós-guerra. Ora, sendo típico agente lenardeano o British pragmatist, em contraste com prudente George Smiley e fantástico James Bond, a obra de 1978 adapta-se como uma luva aos atuais tempos de post-truth politics: eis visão distópica de reino quase todo sob ocupação nazi. Colaborar ou confrontar o inimigo é dilema que permeia o espírito do Det Supt Douglas Archer, protagonizado por Mr Sam Riley. O thriller abre em 1941, justamente com voo de Spitfire timonado por piloto da Luftwaffe que logo cairá na mira da resistência. Com realização de Mr Philipp Kadelbach e produção da Sid Gentle Films, o drama conta com desempenhos de Mrs Kate Bosworth (Barbara Barga), Mr Lars Eidinger (Dr Oskar Huth), Mr Rainer Bock (Fritz Kellermann) e Mr James Cosmo (Harry Woods). O primeiro episódio cativa pela alternativa trama histórica e sensitiva coloração da fotografia, mas absurdas oscilações no som durante os diálogos deixam a desejar. A One compromete-se a corrigir os níveis do áudio no resto da série. — Humm. Realistically recognizes Master Will with that old shepherd Corin in As You Like It how different ranks require different ways of being: — Those that are good manners at the court are as ridiculous in the country as the behaviour of the country is most mockable at the court. You told me you salute not at the court but you kiss your hands. That courtesy would be uncleanly if courtiers were shepherds.

 

St James, 20th February 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

A Sapphire Queen, 1952-2017

 

Her Majesty The Queen soma mais um first. Elizabeth II comemora hoje o ano 65 do seu reinado. O marco histórico é único em toda a longa lista de monarcas de Great Britain.

Aos 90 anos, HM vivencia o Sapphire Jubilee. —  Et très bien. Notre sincères félicitations à Sa Majesté la Reine. A Prime Minister RH Theresa May recebe o Israeli PM Mr Benjamin Netanyahu no 10, com o comércio e a paz internacional na agenda. Já a House of Commons vota favoravelmente a European Union (Notification of Withdrawal) Bill, com expressiva maioria de 384 MPs (For - 498, Against - 114). — Well! We’re on our way. Nos US é a máxima animação e apenas vamos nas primeiras manobras da Trump Administration. As presidenciais gaulesas igualmente avançam a todo o vapor. As sondagens credibilizam temida vitória da eurocética Madame Marine Le Pen face à queda do conservador M François Fillon e ao media building centrista em torno do eurófilo M Emmanuel Macron. Em tempos interessantes, disparam as vendas globais do profético “1984,” de Mr George Orwell. Mr Alastair Cook abandona o posto de England Test cricket captain.

First signs of an Early Spring at Great London! O dia é hoje marcado a azul água, após mais um fim-de-semana com marcha de protestos contra a “Trump travel ban” entre Trafalgar Square e as Houses of Parliament. Nos Commons, com o Brexit vote ainda a pairar, o Speaker une a voz contra o US President e anuncia que recusará dar-lhe ocasião para ali discursar durante a programada Summer State Visit. Tal precedente em Westminster surge depois de RH John Bercow quebrar outra tradição da casa: libertar os oficiais de usar as tradicionais wigs, gesto blaireano por cá rotulado como “a executive order.” A magna ebulição política contrasta com o recato de Her Majesty em data especial. The Queen passa o Sapphire Jubilee em privado, no Sandringham Estate, local onde ocorreu o passamento do pai King George VI que dita a inesperada subida ao trono a 6 February 1952. Ainda assim, o aniversário é publicamente saudado. Uma salva de 41 canhões soa esta manhã, em Green Park, e Buckingham Palace divulga fotografia oficial, tirada por Mr David Bailey em 2014, com Elizabeth II ostentando as safiras recebidas do rei aquando do casamento em 1947. Cabe à PM May assinalar “another remarkable milestone for our remarkable Queen” com nota afetuosa: “She has truly been an inspiration to all of us.”

 

Com Mr Trump inescapável na praceta global e amigos vários a ensaiarem petição de uma DJT  talk free-zone, destaque final para uma inventiva iniciativa para as bandas de Yorkshire. O caso denota o empreendorismo dos ilhéus em vésperas de rumarem para unchartered waters, quiçá em ato de populismo nacionalista a ensaiar futuras formas da New Cold War nas mercearias.

Uma quinta de esturjão atlântico lança agora no mercado the world’s first ethically sourced caviar. Curiosa etiqueta, não?! Ao invés da pesca nas migrações para retirar as preciosas ovas, a KC Caviar massaja inofensivamente as belugas para as obter. A medida é amiga do ambiente.  — Humm. Yet Master Will exactly show at The Twelfth Night how some creatures knows to play the game: — I can no other answer make, but, thanks, and thanks.

 

St James, 6th February 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Mrs May goes to Philadelphia, 2017

 

O discurso da senhora é fantástico, simplesmente fantástico. Ecoa o espírito do lugar e dos seus heróis, a Philadelphia que em 1776 acolhe a Declaration of Independence dos Founding Fathers.

Em Philly de novo ergue RH Theresa May a tradição da Magna Carta e os valores que ancoram “the promise of freedom, liberty and the rights of man.” Só depois de ali falar ao Republican Party Congress e recordar que a NATO é “the cornerstone of the West’s defence,” avança a Prime Minister para o primeiro encontro com o US President Donald John Trump de uma líder ocidental. É ouvida e certifica-nos do facto em Pennsylvania Avenue. — Chérie, la conviction déplacera des montagnes. A PM inicia em Washington um périplo diplomático que também a conduz a Ankara e a Dublin, durante o qual poupa futuras hipotecas às organizações internacionais fundadas no pós II World War. No UK, em vésperas de mais uma votação histórica, a House of Commons debate a European Union (Notification of Withdrawal) Bill. — Humm! But doubt is the beginning of wisdom. A US Administration confirma a tinta de Executive Orders que vivemos já num… Brave New Trumped Wordl. As primárias francesas votam Monsieur Benoît Hamon como candidato à esquerda da esquerda, abrindo espaço à polarização total no debate presidencial. Um deslumbrante Mr Roger Federer soma o seu 18th Grand Slam após bater Mt Rafa Nadal no Australian Open. Sir John Hurt parte.


Misty, rainy & polar days in Central London!
Às voltas com febricitante gripe, eis serenata à porta for two hours. De Trafalgar Square a Westminster Square marcha ruidoso protesto contra os controlos fronteiriços erguidos nos States pelo President Donald Trump. Informam que, em maior ou menor número, ao frio e à chuva, idênticas manifestações percorrem outros lugares do mundo. Não sei se sou eu ou o media frenzy (o senhor não sai das manchetes), mas intui-se a moral panic quando ao que Washington faça. Tudo corre como anunciado, todavia. O “extreme vetting” que ora agita as gentes surge na linha das suas “strong borders,” cujo rigor é sabido por quantos para lá viajam. Se são debatíveis as “unintended consequences” do travão temporário à entrada de cidadãos de sete países do cinturão islâmico, tidos como ameaças à segurança nacional, anda aqui um outro elemento deveras perturbador. O senhor é eleito com um manifesto. Assim que entra em funções, começa a aplicar as políticas que apresentara a votos e lhe entregam as chaves do Oval Office. Imaginem se a moda alastra? Políticos a executar as promessas eleitorais? Truly shocking, indeed! Afinal, a democracia é coisa má ― nem sempre ganham os mesmos sob regras iguais para todos, o poder é efémero e a mudança dispensa o derramamento de sangue! Na House of Commons, entre apaixonados mas repetidos argumentos pró e contra a Brexit, o SecSExEU RH David Davis enquadra o debate sobre o famossíssimo Article 50 com uma pergunta: “Do we trust The People?” Nas bancadas da Most Loyal Opposition é o caos habitual, com anunciada rebelião no Labour Party contra a disciplina de voto (favorável) exigida por RH Jeremy Corbyn. Restam os coesos blocos minoritários dos Lib Democrats e dos independentistas do SNP para travar o divórcio com Brussels. Revogarão o voto referendário? A EU Bill logo seguirá para escrutínio nos indefinidos Lords. Fascinante procedimento, não é?

 

Nas paredes das Houses of Parliament ressoam ainda os sucessos primoministeriais e a boa vontade gerada nos States pela visão da Global Britain. Deixando os detalhes da reunião entre Mrs May e Mr Trump, por cá rotulado como "the greatest diplomatic challenge for a British politician in living memory" entre entusiasmos por “free trade deal after Brexit” e polémicas por visita de estado ”to come and meet The Queen,” destaco a admirável declaração da PM durante apinhada conferência de imprensa na White House quando aponta para o presidente, afirma que este está “100% behind NATO” e liquidifica o seu áspero criticismo eleitoral contra a aliança de defesa. Se um suspiro de alívio soa nos quartéis-generais, que leitura disto faz Moscow ou Beijing? Mr Vladimir Putin é um dos líderes europeus com quem Mr DJT dialoga por telefone, depois da cimeira USA-UK, a par de Frau Angela Merkel e de Monsieur François Hollande. Pouco transpira destas conversas cruzadas, mas o silêncio do Oval TweetOffice revela frescos cuidados no almejado desanuviamento nas relações com o Kremlin por parte da nova administração. Tema forte na cimeira atlântica, a Premier aborda-as abertamente para recordar o credo “trust but verify” com que Ronald Reagan e Margaret Thatcher lidaram outrora com a URSS de Mikhail Gorbachev. Sob a luz de renovado trilho internacionalista, deixa RH Theresa May churchilliana advertência no discurso de Philadephia: “With President Putin, my advice is to engage but beware.”

 

Já o grande Sir John Vincent Hurt (1940-2017) parte nestes dias para a eternidade, deixando-nos legado onde avulta aquele espantoso grito de alma que estremece profundamente quantos visionam The Elephant Man: “I am not an animal! I am a human being. I.. am.. a Man!”

Se a película a preto & branco de Mr David Lynch sobre a história do deforme Joseph Merrick na Victorian England marca a estação cinéfila de 1980, arrecadando prémios e nomeações onde os havia, dos Oscars da Academy aos British BAFTA, do US Golden Globe ao French César Award, é a voz do protagonista que acaba por vencer a barreira do tempo; e com esta, o seu espesso portador. E é ainda aquele seu timbre único que evoca a fragilidade da dor, a brevidade do sorriso ou a rugosidade do sarcasmo a marcar épicos Winston Smith no orwelliano 1984 (Michael Radford, 1984), Max em Midnight Express (Alan Parker, 1978) ou Control em Tinker, Tailor, Soldier, Spy (Tomas Alfredson, 2011). HM Elizabeth II fê-lo Commander em 2004 e Knight da Most Excellent Order of the British Empire em 2015. Na forja póstuma, decerto para a galeria de nostálgicos fãs com um urbano So Long.., o ator de Chesterfield deixa cinco filmes por estrear. Fica o farewell ao homem, até próximo contacto com o talento. — Humm. Even Master Will plays with the perplexed when confessing the deeds in his Sonnet CX: — Alas, 'tis true I have gone here and there / And made myself a motley to the view, / Gored mine own thoughts, sold cheap what is most dear, / Made old offences of affections new; / Most true it is that I have look'd on truth / Askance and strangely: but, by all above, / These blenches gave my heart another youth, / And worse essays proved thee my best of love. / Now all is done, have what shall have no end...

 

St James, 31th January 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Gorden Kaye, 1941-2017

 

Mais um herói da Britcom parte. Aos 75 anos deixa-nos o talentoso Mr Gorden Fitzgerald Kaye, aka Gordon Kaye ou antes o Monsieur René Artois de ‘Allo ‘Allo!

No passamento do protagonista da farcical masterpiece, ressoam por momentos as façanhas do dono do Café Rene quando o US President Donald J Trump profere peculiar Inaugural Address em Capitol Hill, HM Government perde o Brexit Challenge no Supreme Court e vários MPs conspiram as 1001 emendas à Article 50 Bill. — Pour moi c’est le ‘Au revoir, chére Renu’. A Prime Minister Theresa May prepara o primeiro encontro com o novíssimo líder do Free World e, ironia q.b., cabe-lhe a defesa da European Union e da NATO em Washington DC. O 45th President of the United States of America jura o oath of office entre a tradicional military pagentry e marchas globais de protestos, para logo declarar guerra aos jornalistas, revogar leis sobre a cessação da gravidez e rasgar o acordo da Trans-Pacific Partnership. Na saída de White House do gracioso Mr Barack Obama, o No. 10 silencia ido caso de alegada falha num US-UK míssil Trident. — Humm! Farewell, Mister President. Mrs Michelle O'Neill sucede ao lendário Mr Martin McGuinness no leme do Sinn Fein e ruma às eleições de 2 March para Stormont. As primárias da esquerda gaulesa surpreendem com o corbynista Mr Benoît Hamon a ultrapassar o centrista ex PM Manuel Vals. La La Land de Mr Damien Chazelle avança para os 2017 Oscars com 14 nomeações, entre as quais as de melhor filme, cinematografia e ator/a.

 

Absolute freezing foggy days here in London! Também a new trade environment para cá navega após 72 horas da Trump Presidency nos USA. A Inauguration traz novo credo: “America First,” expressa em duas regras: “Buy American and hire American.” And what a extraordinary start! Com vedetas a trautear tolices nas ruas em volta e multidão feminina a protestar contra propagada misoginia do senhor pelas capitais do mundo, com a do Thames incluída, o discurso na histórica escadaria do Government District apresenta singular lavra dos sound-bytes matraqueados durante a longuérrima campanha eleitoral. Confirma a ‒ I am afraid to saypedestrian simplicity que seduz o eleitorado norteamericano. Um passo da oratória comove até. Observem o raciocínio. Um: "For too long, a small group in our nation's capital has reaped the rewards of government while the people have bore the cost. Washington flourished, but the people did not share in its wealth. Politicians prospered but the jobs left and the factories closed." Dois: "The establishment protected itself, but not the citizens of our country. Their victories have not been your victories. Their triumphs have not been your triumphs. And while they celebrated in our nation's capital, there was little to celebrate for struggling families all across our land." Donde, três: “We are not merely transferring power from one administration to another or from one party to another, but we are transferring power from Washington, D.C. and giving it back to you, The People.”

Estes são dias de alta intensidade junto ao Potomac River. Ouvem-se things like the Truth, ditas “alternative facts.” E há a renovada decoração. O busto de Sir Winston Churchill regressa ao Oval Office e o novo landlord ainda muda as Obamian dark red para Trumpian gold curtains. Daqui sairá tumultosa torrente de Executive orders e o Mexican Wall. Façamos, pois, como diz o bom Pope Francis: “Wait and see.”

Mas o grande tema da talk in town é a (previsível) derrota governamental no Supreme Court ao redor da Brexit. Invocando a secular Law of The Land, 11 juízes deliberam que é necessário um Act of Parliament para acionar o famoso Article 50 do Lisbon Treaty e abrir ao processo oficial de saída do UK da European Union. O veredicto resulta de uma maioria de 8-3. Qual é o seu efeito? No imediato, nenhum. O May Govt avança agora com uma resolução parlamentar nos Commons, a acordar em White Paper com os Lords. Que os eurófilos cerram fileiras interpartidárias é óbvio, mas a relação de forças indica que o rogo de divórcio com Brussels soará em previsto March 2017. Ainda assim, o alerta às barcas vibra no Thames. Antes da identificação dos MPs que contrariem o referendo popular, o Daily Mail aponta os últimos heróis de Westminster Square ao titular "Champions of the People" com as fotografias dos three justices que escoltam o HM Government no Miller and another v Secretary of State for Exiting the European Union Case. Aliás, mais relevante que o majority judgment é a sentença dada às ambições de Scotland: “The devolution Acts were passed by Parliament on the assumption that the UK would be a member of the EU, but they do not require the UK to remain a member. Relations with the EU and other foreign affairs matters are reserved to UK Government and parliament, not to the devolved institutions.”

 

O bravo mundo in the making tem traços do divertido caos de 'Allo 'Allo!, a clássica série da BBC passada na France durante a ocupação nazi e que fixa no imaginário saudosa trupe. O sarapatel sob aparência de normalidade em típica Nouvion resulta de hilariante trama da dupla David Croft & Jeremy Lloyd, onde nunca se sabe o que acontece a seguir a nacionalizadas personagens com lapsos glóticos tipificados no “Good moaning” do Eng Gendarme Crabtree. Recordareis o fio da continuous sitcom transmitida de 1984 a 92. São 85 episódios de puro non-sense centrados na tela da Fallen Madonna, que só colam com os monólogos iniciais do genial GK para a câmera. Temos o patrão do café como relutante herói na guerra contra Herr Hitler, envolto em sarilhos de saias com as empregadas “OOhhgggghhhhh Rene” e gaslightining esposa de aflautadas cantorias, dividido entre negociar com London a fuga dos oficiais ingleses que esconde na adega, os Airmen Fairfax e Carstairs, e agradar aos clientes alemães, o Colonel von Strohm e o Captain H Geering, o Major-General von Klinkerhoffen ou o Gestapo Officer Flick. Assistir a todos é difícil. — Hans: “We are Germans! To have our uniforms made in London must be against the rules!" Temos ainda a Resistance, liderada por intrépida Michelle e o “Listen very carefully. I shall zay ziss only once.” A polémica em torno da farsa só estala quando Madame Fanny por ali aparece a tricotar. Por regra surda e acamada, a sogra surge com knits Brit style quando “any French woman of the time would knit Continental style instead!” Afinal tudo começara com The British Are Coming, mas o próprio Renu Atwah explica: “Of course. How quickly I have lost the thread of this tapestry of intrigue." Goodbye, Monsieur Gordon Kaye. And, Thank you.

 

Com a poeirada de desinformação que se levanta no West, deixo tributo final com outra exemplar ironia situacional. Ainda que, segundo os manuais, em política, o que parece é, na realidade, nem sempre o que parece ser o é. — Humm. Remember how Master Will handle his major ironic turn with those two young lovers of Verona. Thinking that will hear a love story, it is actually a tragedy: — Go hence, to have more talk of these sad things / Some shall be pardon’d, and some punished / For never was a story of more woe / Than this of Juliet and her Romeo.

 

St James, 25th January 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The History begins, 17-20 January 2017

 

“I do solemnly swear.” Antes de proferir o oath of office a 20 January 2017 como 45th President of the United States of America, logo, por inerência: The Leader of The West, Mr Donald John Trump afirma em entrevista ao The Times clássica frase definidora: “I am not a politician.”

À altura de Quintus Tullius Cicero, pois, logo rasga o US Foreign Policy Playbook. Aplaude a Brexit como “a great thing,” censura Der Bundeskanzlerin pela sua política de abolição de fronteiras e ainda rotula a NATO como “obsolete” e prefetiza que a European Union está “doomed to break up.” A moderação não residirá na White House. — Chérie! Charbonnier est maître chez soi. Com promessa transatlântica de rápido acordo comercial e notável popularidade, a Prime Minister RH Theresa May aposta em “clean break” com a EU. O Sun tudo sintetiza como “Great Brexpectations.” — Well! A farmer has a fox, a bag of grain, and a rooster that wants to ferry across a river. Northern Ireland embrulha-se em nova eleição ao longo das suas velhas clivagens políticas. O Centre Pompidou comemora 40 anos e avança com restauração de €90m que reedita a controvérsia arquitetónica no centro histórico de Paris that we know. A Oxfam descobre a relatividade material quando oito bilionários possuem hoje metade da riqueza terrestre. Para a eternidade partem Lord Snowdon, o galã outrora casado com a Princess Margaret, e Mr Eugene Cernan, the last man to walk on the Moon.

 

We are were we are. And what a weird political week! Snow, full moon, strikes and The Donald! Se à neve por cá sobrevém chuva suave entre a torrente de greves e a crescente agitação no NHS, a semana é tempestuosa na Europe within extraordinary events in New York. De além oceano abundam desordenados sinais de que The US Inauguration não trará a mesma America com um diferente presidente. O Trump phenomenon espalha ondas de choque em torno do globo e o senhor ainda nem sequer tem as chaves do Oval Office. Incoming, tanto acusa a prestigiada CNN de ser “fake news” como aponta o dedo a Frau Angela Merkel como responsável de “a catastrophic mistake” nas políticas da emigração. Os episódios possuem lastro e consequências. A chanceler pede pronta audiência ao sucessor de Mr Barack Obama. No imediato, porém, fica sem resposta. Com eventual germanofobia no horizonte, pesa também a nebulosa visão de reforma na NATO: “big, bureaucratic, costly and obsolete.” Aqui, DJT estremece o continente europeu até aos Urals. E avulta a vontade indefinida do President-elected de apaziguar as glaciais relações entre Moscow e Washington, precisamente quando a CIA&co desbrava a cyberwarfare dos russos e Mr Vladimir Putin ocupa parcela da Ukraine. Mas visíveis são já os contornos de cedo Reykjavik Summit 2.0. Donde: aspirando a erguer uma nova ordem mundial, tem Mr Donald J Trump a estatura de um President Ronald Reagan? E qual o papel da special relationship?

 

Na entrevista ao Times, realizada em simultâneo com o Bild e conduzida por nenhum outro senão o Tory MP Michael ‘Knife’ Gove, o abrasivo eleito tem doces palavras para com o reino da mãe: Mrs Mary Anne MacLeod, uma escocesa de Tong (Stornoway) que, em November 1929, aos 17 anos, embarca no S.S. Transylvania rumo a New York City. O US President-elected DJ Trump promete agora tratado comercial com o UK, “fair, quickly and properly,” enfatizando querer conhecer a Queen Elizabeth II, cooperar com HMGovernment e ver a Brexit como “a great thing”. Dois dias depois é a vez de a Prime Minister Theresa May marcar a fogo a agenda mediática. Dentro de poucas horas, no cenário imponente de Lancaster House, em pleno Mall de London, num major key-speech, a PM repetirá que “Brexit means Brexit” e clarificará que o divórcio com Brussels será “a clean break.” Ou seja, diz não a qualquer acordo híbrido. Espera-se que o No 10 apresente a 12-point plan for Brexit, destilado dos quatro princípios de início traçados: “Certainty and clarity, A stronger Britain, A fairer Britain & A truly global Britain.” Nestes termos proporá Downing Street a "new and equal partnership" entre uma "independent, self-governing Global Britain" e os “friends and allies in the EU.” A frase-âncora é claríssima e sanguínea será a reação dos mercados: "Not partial membership of the European Union, associate membership of the European Union, or anything that leaves us half-in, half-out.” Depois, é o clarim real a reunir.

 

 

Na curiosa conjuntura que corre, na alva até de cimeira na Hofdi House em Reykjavik (Iceland), eis também a BBC a retomar a dramatização dos clássicos de espionagem de Mr John Le Carré. Com perfeito sentido de oportunidade face ao kompromat dossier em circulação sobre alegados laços do próximo inquilino do Oval Office com o Kremlin, 35 páginas da autoria de um ex profissional do MI6 saído da cepa de Cambridge e que um furioso Donald JT desmente por inteiro (na mais extraordinária conferência de imprensa de que há memória, e obrigatoriamente a ver), a companhia pública agenda a first onscreen adaptation de The Spy Who Came In From the Cold. Recordareis ainda a notável versão cinematográfica de Mr Martin Ritt, de 1965, também britânica, a preto e branco, protagonizada por Mr Richard Burton (como Alec Leamas), Mrs Claire Bloom e Mr Oskar Werner. Se o filme é um must-see e o livro é um best-seller, altas expetativas envolvem este regresso à intriga internacional no pico da Cold War, em torno do checkpoint Charlie, numa murada Berlin preenchida pelas subtilezas de agentes duplos em perigosa pirâmide de matrioskas. — Humm. Always beware of the swift metamorphose of all things as Master Will resonate in his Sonnet LXIV: — When I have seen by Time's fell hand defaced / The rich proud cost of outworn buried age; / When sometime lofty towers I see down-razed, / And brass eternal slave to mortal rage; / When I have seen the hungry ocean gain / Advantage on the kingdom of the shore, / And the firm soil win of the watery main, / Increasing store with loss, and loss with store; / When I have seen such interchange of state, / Or state itself confounded to decay…

 

St James, 16th January 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Now is the time, 2017

 

O ano novo atrasa um segundo na abertura, a compensar natural vagar na rotação terrestre, para logo acelerar na vertigem dos acontecimentos humanos. A busy timetable revela os efeitos do passado recente que semearam consequências no próximo futuro. Depois do Trump triumph no January dos USA e do Brexit article no March do United Kingdom, a European Union peregrina pela electoral silk road de 2017.

Se Madame Marine Le Pen surfar a onda populista em France e Germany ceder na censura à Bundeskanzlerin Angela Merkel, ainda que com muito window dressing, assitir-se-á a novel queda do império romano no velho continente. — Chérie! Il y a un temps pour tout. Com a política global em fluxo, em London, hoje mesmo, o HM Government reivindica o centre-ground com uma agenda reformista. Mrs Theresa May adverte contra as “politics of division and despair” e defende a visão de “a shared society,” enquanto persiste no calendário anunciado do Brexiting face a fogo cerrado dos eurófilos liderados pelos milhões do ex PM Tony Blair. — Aye! All's well that ends well. Em New York, RH Boris Johnson dialoga com o Trump Team e o US President-elected saúda a Prime Minister na TweetWhiteHouse. Já Washington e Moscow revisitam o universo ficcional de Mr John Le Carré em frescos episódios da Cold War, com Beijing a observar a neo cyberwarfare. O calvário dos refugiados enfrenta as temperaturas gélidas na Balkan Route. A lista das New Year Honours consagra Sir Andy Murray e outros heróis olímpicos. O iPhone comemora 10 anos.
 


Heavy snow alert at Britain
. Com o mercúrio dos termómetros a cair com a aproximação do polar vortex, o reino respira de alívio com a visão pública de Her Majesty. Uma constipação mais severa impede Elizabeth II de assistir aos tradicionais serviços religiosos em Sandringham (Norfolk, Eng) e as sucessivas ausências suscitam até desassossego nos altos círculos, mas eis a monarca aos 90 anos a retomar os compromissos a par do regresso dos MP’s a Westminster após a pausa natalícia. A cidade vive ainda a onda grevista oportunisticamente iniciada durante as festas. Ir do ponto A para o ponto B é agora uma aventura colossal, com 24 horas de paralisação no Metro por entre estações fechadas por excesso de pessoas, eventuais autocarros e um caótico trânsito automóvel. Ao desânimo salvam as Boris Bikes, um hire-scheme disponível por todo o lado de Canary Wharf a Camden Town. A odisseia cosmopolita testa o dito de que to be British is above all to be pacient. O quadro de fundo enfurece, porém. Em nome da segurança dos passageiros, os meios laborais exortam ao derrube do “bloody Tory government” e à troca do capitalismo pela “socialist order.” O Mayor Sadik Khan crítica “a pointless strike” a arrepio do manto de silêncio do Labour Leader Jeremy Corbyn, cujos aliados abertamente apoiam a industrial action a expensas dos agnósticos. As pendências inclinam as sondagens para a direita e aguardam pelo voto das by-elections do ano, com o Ukip a cavalgar o descontentamento, os liberais democratas a assumir-se como a hoste dos Remainers e os conservadores a faturar nos dividendos dos Brexiters. A sintonizar os humores, nas ondas hertzianas da LBC começa o Nigel Farage Show – o ukipper por cá reconhecido como Sir Brexit. Em semelhante tela publica a Fabian Society a usual análise das tendências eleitorais, sob título de Mr Andrew Harrop: "Apocalypse soon? Labour is too weak to win and too strong to die. It needs to find a new cultural centre ground and consider how to work with others."

 

A Anglosfera fica também marcada pela agitação dos last days do suave President Barack Obama no Oval Office. Na senda das alegações de manipulação informática na ida campanha presidencial, ao melhor estilo da Cold War, Washington DC expulsa 35 diplomatas russos e admoesta Moscow que não sairá impune “to pursue similar tactics in forthcoming elections in Germany and France.” O Kremlin tudo nega, faz compasso de espera pela transição nos US e até convida os membros da embaixada local dos US para a sua mesa. Ora, se a caça das agências ocidentais de espionagem incide desta feita sobre o Russian malware code, o xadrez geopolítico conta com aliança ímpia dos democratas e da ala republicana do Senator John McCain em Capitol Hill. Assim se hipoteca a guerra pelo impeachment de um presidente ainda não empossado, em torno da National Security. Convenhamos que Mr Richard Condon não desgostaria da reedição de The Manchurian Candidate nas vestes de um milionário improvavelmente eleito para a White House, finda que ali está a série de um desconhecido professor de Chicago com raízes africanas.

Inesperado é o efeito colateral registado na envolvente de St James. As casas de apostas abrem os balcões a BuzzWord para o Trump’s Inaugural Address. As probabilidades oratórias para January 20th são reduzidas, jogando os bookies com peculiar quarteto de risco: a presença da locução “corrupt” apresenta prémio a 2/1, “I like hackers” surge a 4/1, “Brexit” a 5/1 e “fake news” a 10/1.

 

Em plena contagem decrescente para a tomada de posse de Mr Donald John Trump como líder do West, pois, revisito os discursos inaugurais junto ao Potomac River. Espantam as 73 páginas de diretivas do honorável George Washington, entre as quais, o compromisso de não fundar dinastias no novo mundo; pesam as referências dos sucessores à divina providência e às clássicas repúblicas. Com ecos em volta de ambicionado retorno da special relationship solidificada nos 90’s pelo duo Maggie Thatcher e Ronnie Reagan, é o distinto Abraham Lincoln que fixa finalmente a atenção com um olive branch em mandato inquieto. “I am loath to close. We are not enemies, but friends. We must not be enemies. Though passion may have strained it must not break our bonds of affection. The mystic chords of memory stretching from every battlefield and patriot grave to every living heart and hearthstone all over this broad land, will yet swell the chorus of the Union, when again touched as surely they will be, by the better angels of our nature.” Sabeis aonde conduzem estas palavras dirigidas aos confederados em 1861. — Well. As echoes Master Will by the voice of that industrious mutineer Lord Hastings in Henry IV/PII: — Don’t worry about that. If we can come to terms that are as comprehensive as the ones we’re insisting upon, then the peace will be as durable as rocky mountains.

 

St James, 9th January 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

A Lovely Christmas indeed, 2016

Chávenas, não quaisquer chávenas, sim chávenas inglesas de Stoke-on-Tent com a assinatura única da ceramista Emma Bridgewater e envoltas na brownie box de “A Great British Present.”

Esta é a escolha da Prime Minister RH Theresa May para os membros de HM Government como oferenda de A Holly Christmas. — Chérie! Il vaut mieux faire envie que pitié. Abre a época natalícia, por cá celestialmente marcada pelo fecho dos festejos do Queen’s 90th birthday year. Em contraponto expande-se a vaga grevista, desta feita ao transporte aéreo. Os sindicatos agitam com um “winter of discontent” enquanto os comuns questionam se o Thatcher spirit habita em Downing Street. — Hmm! Is the robe really what makes the monk? O May Cabinet pondera um juramento de adesão aos “British values” para quantos demandem cidadania. O embaixador russo em Ankara morre em atentado e aguarda-se a reação de Moscow e Washington, com London a evocar a valia da imunidade diplomática para a segurança global. Depois das façanhas de Monsieur Dominique Strauss-Khan, o IMF vê a Director Christine Lagarde condenada num tribunal de Paris por “misuse of public funds” como ministra das finanças. Aleppo cai e a tragédia dos sírios continua. Mr Andy Murray conquista o título de 2016 Sports Personality em ano olímpico. 

A chilly weather at London. Alta temperatura, porém, em certos círculos inclinados a alhear-se das artes reveladas em volta nos presépios cristãos e tradicionais Christmas Markets, onde múltiplas formas da criatividade convidam a louvar uma criança de Judah como símbolo das esperanças mais ardentes. Há aqui algo de funda desintonia. Se uns quantos usam a quadra para reivindicar direitos em greves que a outros lesam, dos correios e comboios aos aviões, esgrimindo mesmo com o anseio de derrubar o Tory Government, a generalidade antes se ocupa a preparar aprazível festival de doze dias. A saudar a natividade no Christmas day, movem-se as mentes para o júbilo do second day of Christmas, aqui crismado de St Stephen’s ou Boxing Day, para culminar na epifania dos magos na Twelfth Night, o bíblico achamento que Master William Shakespeare leva à cena na corte Elizabethana de 1601. Tudo é anglicanamente doméstico, em especial depois do Prince Albert e de Mr Charles Dickens popularizarem as palhas epocais em moldes vitorianos. E a selar a festa da família divulga o Buckingham Palace real fotografia dos 90 anos de Her Majesty, tomada por Mr Nick Knight no Windsor Castle. Definitely a happy birthday and beautiful memories, Mum.
 

Em momento de veloz desaceleração nos quotidianos, pesam os extraordinários eventos políticos que recentemente semearam o futuro. Findando o ano de predita Brexit e incontornável Trumpism, Atlantic Towers que ninguém alienará após a sessão presidencial no US Congress de 6 January, 2017 aproxima-se pleno de exigentes interrogações. No modo de lidar com o United Kingdom e as várias manifestações dos extremismos que em si campeiam, joga a European Union a identidade. O East e o South são o que são: abrasamentos. As eleições em France e Germany condicionam, mas de Brussels almeja-se mais que o business as usual. Pelas ilhas também os desafios somam. Com o reino em reinvenção global, espera-se que, por fim, surja efetiva Her Majesty's Loyal Opposition pelas bandas do Labour Party e do primo nortenho SNP. Com elevada probabilidade de ida antecipada a votos, o Tory Government oscila ainda entre flanquear a sua ala direita, integrando os ukippers, ou solidamente ocupar o centro, ambicionado pelos Liberal Democrats. Entre um e outro polo de Westminster, não de todo divergentes, progredirá London no nevoeiro que a aparta do continente. Mrs May serenissimamente em March dirá.


A fechar a última London Letter do ano, inscrevo votos de A Lovely Christmas and A Good 2017 aos gentis leitores. E nada melhor que a companhia do bardo de Avon para período de recriação. — Shhh. Special words engrave Master Will for this unique season in As You Like It: — Blow, blow thou winter wind? / Thou art not so unkind / As man’s ingratitude! / Thy tooth is not so keen, / Because thou art not seen, / Although thy breath be rude. / Heigh ho! sing heigh ho! unto the green holly: / Most friendship is feigning, most loving mere folly. / Then heigh ho! the holly! / This life is most jolly! ||| Freeze, freeze, thou bitter sky? / Thou dost not bite so nigh / As benefits forgot! / Though thou the waters warp, / Thy sting is not so sharp / As friend remembered not. / Heigh ho! sing heigh ho! unto the green holly, / Most friendship is feigning, most loving mere folly. / Then heigh ho, the holly! / This life is most jolly!

 

St James, 19th December 2016

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

An optimistic speech, 2016

O mínimo que se pode dizer das suas palavras na DePauw University, nos United States, é revelarem misto de fortitude, reserva e juízo fino. A heróica atitude marca também. É o primeiro discurso público de Sir David Cameron após abandonar o 10 Downing Street, na sequência da derrota no euroreferendo.

A incrível polarização que o ato revela e o populismo reativo que lhe custa a cadeira do poder, levam agora o antigo PM a apelar aos líderes políticos que corrijam a rota do West. — Chérie! Une bonne action n'est jamais perdue. De reforma fala justamente o Engenheiro António Guterres na posse como Secretary-General das United Nations. Ao lado, na New York Public Library, pedem-se “gatekeepers of sense” e ecoa atónita interrogação do Nobel Professor Paul Krugman: “What’s going on?” Entre o 23rd June e a Time’s Person of the Year, aquém e além Atlantic Ocean, vários ensaiam explicar os extraordinários eventos políticos de 2016 e os desafios do próximo futuro. Fio comum nas prédicas sobre o volátil estado do mundo é a kind of high class group think no desfiladeiro aberto entre a elite global e os locais comuns. — Hmm! Is yet a word to the wise enough? O Supreme Court prepara o Brexit verdict para January e Mrs Theresa May ocupa Westminster. Os Conservatives vencem a eleição em Sleaford & North Hykeham, secundados pelos ukippers e remetendo o Labour Party para terceiro lugar. O US President-elected DJ Trump envolve-se em nova controvérsia, desta feita com a CIA, ao desmentir a agência sobre alegada perturbação informática russa nas eleições. O Isis volta a atacar Palmyra, sendo repelido por aviões de Moscow, enquanto o governo sírio ultima a vitória militar em Aleppo. Europe e Italy esperam o novo governo de Mr Matteo Paolo Gentiloni.

Gently low cloud rains but still a cold London. A tradição convida a voto de a Christmas Eve with balmy snow. Daí a surpresa do novo elo à Christ-Mas (ler Midnight Mass Communion Service). A frase em volta é agora: Please, please, do not go on strike. It is Christmas. Nem menos! Ambos por excêntricas questões, os sindicatos do Post Office e do Southern Rail enveredam pelo grevismo e espargem deslocado infortúnio na vida de milhões. Se os ferroviários usam servir descontentamento no travão à modernização e a engenhosa empresa strongly advise os passageiros a não viajar durante a paralisação, é a greve de cinco dias nos privatizados correios que cá empalidece com a ideia de atraso nas cartas familiares e cartões de amizade. O desapontamento aqui, colhe acolá. Nove em cada 10 conservadores creem que a radical estratégia unionista do Labour de RH Jez Corbyn lhes concederá a maioria nas próximas eleições gerais no reino. A Tory hopefulness é ainda a nota dominante nas perspetivas globais traçadas nos States por discreto RH David Cameron… após defender a sua própria decisão de convocar o referendo britânico que tudo começa a mudar.

A palestra aos estudantes da Depauw University atrai atenções e segue passadas ilustres. Em Neal Fieldhouse, a 40 milhas de Indiana, discursam ao longo dos anos os honoráveis exs Mr Tony Blair, Mr Bill Clinton e Mr Mikhail Gorbachev. Rever Sir Cameron em público, tão igual e tão diferente, obriga a pensar na vertigem que sempre é a ascensão e queda do poder. Há apenas seis meses atrás, estimava o autoritativo residente no Number 10 gerir cuidada saída do Westminster castle até 2020. Um só voto popular lança-o para o percurso dos has been. Ei-lo na DePauw's Timothy and Sharon Ubben Lecture Series ainda em ensaio explicativo dos acontecimentos. O título do seu discurso, "The Historic Events of 2016 and Where We Go From Here," abre significativamente: "Obviously the first question that you ask in response to that is how on earth did we get here?" Por instantes toca o ex PM no essencial que motiva as gentes a abraçar o desconhecido quando já se sentem estrangeiros na sua terra. Aponta o “Euro turmoil” e o “movement of unhappiness” para se deter no "cultural phenomenon" que levanta os “political headwinds that shifted this year” entre as forças do populismo e do extremismo. Nos termos cameronianos:  "In some of our countries the pace of change has been too fast for people to keep up with.  People are concerned that the country that they're living in is not the country that they were born into, and they see that change as happening too quickly.” Daí o oxoniano apelar a elementar regresso aos valores ocidentais das democracias liberais, "values of democracy, values of market economics, values that have undoubtedly improved the world and our countries' place within it." Neste back to basics enfatiza o Tory man que, "as someone who is pro-globalization, pro-immigration, pro-market economics, […] we have to understand these two phenomenon and make a major course correction if we're going to keep on the path to a successful globalization from which we can all benefit."

 

Pelas ilhas quase tudo decorre já nas vestes epocais. Charles of Wales e a Duchess of Cornwal madrugam no envio de um caloroso cartão de boas festas, mas o Prince Andrew of York antes se ocupa com “a number of stories” que andarão por alguns reportes menores acerca dos Royal titles. O executivo passa na House of Commons categórico voto sobre The Government’s Plan for Brexit, com 448 Ayes e 75 Noes. Em nome da Prime Minister, o Sec of State RH David Davis ganha o dia sem especial esforço. RH Boris Johnson regressa às manchetes por denunciar as “proxy wars” financiadas por sauditas e iranianos, momentos antes de rumar para o Arabian Golf em missão de alta diplomacia. Para a eternidade parte nestes dias um jornalista maior: AA Gill (1954-2016), cuja última crónica no The Sunday Times reafirma que redigir com estilo e eloquência é intrínseco a quantos respiram a palavra e inspiram no mundo das ideias. Um outro gigante que impulsiona para cima o acompanha na viagem galática. Aos 95 morre o astronauta John Glenn, aquele mesmo que, em 1962 February 20, durante cinco memoráveis horas, pela primeira vez orbita a azul esfera terrestre e comunica “the beautiful view.” — Well. Remember also that great admirer of the skies as is ours Master Will, born in the same year of Messer Galileo, on the real worth of planets vs meteors in his Sonnet 14: — Not from the stars do I my judgement pluck, / And yet methinks I have astronomy. | But not to tell of good or evil luck, / Of plagues, of dearths, or season’s quality; / Nor can I fortune to brief minutes tell, / Or say with princes if it shall go well.

 


St James, 12th December 2016

Very sincerely yours,

V.