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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Também o sono é mensageiro

 

Que a rainha morreu no contexto de uma luta

E que lhe foi dada a versão de uma lenda

Que o golpe derradeiro afiançou

Que a história comum tornou surpreendente

Pois que a cena final se sonhou mesmo presencialmente

Que grande fora a dignidade e a coragem no frente a frente

E a peça abre

Com um sono a dormir atento

Enquanto a cor do vestido

Fixa a tonalidade do drama que veio contar-se ao mundo

Sem fardo

Sem resumo de outra descendência

Só um sono à procura de um refúgio

E logo se abre o pano

E se acorda o sonho arauto em breve cena

Que antecipa

Uma tão invulgar firmeza

Tutora

Das suplicantes mãos

Em oração

Pela recusa do infortúnio

Motivo razoável

Para que a fala se inicie

E expulsas-me do teu território na fronteira do meu regresso?

Vai sono para que a verdade desde o início se torne evidente.

Vai

Vai ouvir os argumentos que relatam falsas nobrezas do amor

Vai que é mensageiro o sono que abandona no altar

A pedra

Propícia

A suportar a resposta de um oráculo.

 

M. Teresa Bracinha Vieira

Julho 2014