Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

LONDON LETTERS

The Dardanelles campaign, 1915

 

As perdas humanas são brutais. A First World War (1914-8) sacrifica toda uma geração europeia nas trincheiras de um ao outro lado do continente. Quase um milhão de jovens britânicos morre em combate ou de ferimentos aí sofridos. Chérie, Charles Darwin était en visite à Flandre.

Cerca de metade das baixas é identificada e sepultada (in named graves), mas só as famílias reconhecem o desaparecimento dos demais. A iliteracia cobra bárbaro preço. Se o soldado caído amiúde não possui nome, o seu tributo de sangue tinge de vermelho as papoilas que massivamente invadem os campos de batalha entre France e Belgium. O horror envolve outros 2,27 milhões com traumatismos vários e 8% de combatentes inválidos. Some called it the modern warfare, others the loss of innocence! Mesmo com London transformada num misto de aquartelamento e de enfermaria na retaguarda, Westminster tarda a entender a dimensão das estatísticas de morte. Já uma fatídica operação militar obriga a revisão política do modo como se desenrola o conflito. A tragédia da Mediterranean Expeditionary Force em Gallipoli causa também baixas em Whitehall.

Em 19 February 1914 arranca a Dardanelles Campaign. A estratégia é abrir nova linha da frente numa guerra que sempre clona as trincheiras sem outro ganho senão multiplicar a carnificina. Pela primeira vez envolvendo tropas australianas e neo-zelandesas, assim globalizando o conflito a longínquas latitudes, as forças britânicas lançam uma invasão anfíbia contra os turcos a oeste da Gallipoli Peninsula. Objetivo: conquistar Constantinople e atacar Germany by the back door. Se a ideia é boa, no terreno corre muito mal. A ofensiva naval começa sob mau tempo, o inacreditável acontece e o desembarque só se efetiva em 25 April, com o atraso a facilitar organizada resistência otomana. Os atacantes perdem 214 mil vidas.

 

A batalha turca é um mega desastre militar. Em dado momento ocupa um décimo do total dos combatentes ocidentais, cerca de 470 mil homens, comprometendo recursos superiores aos dos combates em Italy e idênticos aos afetos na Mesopotamia, Egypt e Palestine ou Salonika. Mas novo impossível nela acontece. À catástrofe no teatro de operações acresce insólita rixa no War Council, com divisão das águas entre Winston Churchill, First Lord of the Admiralty e paladino da causa, e John Fisher, o First Sea Lord que se lhe opõe e quer a sua descontinuidade. Após meses de desgaste e a também inconcebível substituição do comandante Sir Ian Hamilton, a força expedicionária retira em December 1915 – January 1916.

O fiasco suscita pronta comissão parlamentar. As conclusões saem antes do conflito terminar e mais cabeças rolam nas hierarquias. A operação fora fatalmente comprometida por vários fatores, entre os quais uma débil avaliação das dificuldades previsíveis no ataque e a global insuficiência de recursos a tal necessários. Sem fulanizar o cargo é também mencionado que tudo isto era “the duty of the Secretary of State for War,” nenhum outro senão Mr Churchill.

Anos depois, aos microfones da BBC no 1940 Bastille Day, o Premier ecoa as lições de Gallipoli quando paira a ameaça da invasão alemã. E é um aristocrático aprendizado do filho de Blenheim: "This is no war of chieftains or of princes, of dynasties or national ambition; it is a war of peoples and of causes. There are vast numbers, not only in this Island but in every land, who will render faithful service in this war, but whose names will never be known, whose deeds will never be recorded. This is a War of the Unknown Warriors.”

 

St James, 19th February

 

Very sincerely yours,

 

V.

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.