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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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ENTRE O VIVO, O NÃO-VIVO E O MORTO, nº 1

Paulo Serra em colaboração com o CEPiA (Centro de Estudos Performativos i Artísticos) orgulha-se de apresentar a revista: ENTRE O VIVO, O NÃO-VIVO E O MORTO

Revista que propõe, por 3,50 euros, textos originais com gente original. Textos com/de pensamentos, um pouco de poesia e finaliza com uma entrevista ao realizador russo Alexander Sokurov.
Os primeiros 30 assinantes têm direito a um exemplar do livro de João Gesta. A assinatura anual vale 7 euros.

Com colaborações de: Pedro Fereira, Jaime Carvalho, Lília Parreira, António Carvalho, Rui Alberto, Pedro Oliveira, Célia Rocha, A. Pedro Ribeiro, Nuno Ramalho e Alexandre Nunes de Olivira.


Para adquirir a revista entre o vivo, o não-vivo e o morto basta enviar um e-mail para pjfserra@gmail.com com os seguintes dados: nome, morada e contacto telefónico.

Direcção: Paulo Serra
Concepção gráfica e paginação: Sara Inglês
Periodicidade: semestral
Tiragem: 350 exemplares
Formato (mm): 170×235
Páginas: 40
3,50 euros (portes incluídos)

Blog da revista: http://entreovivo.blogspot.com

A VIDA DOS LIVROS, por Guilherme d' Oliveira Martins


(de 3 a 9 de Novembro de 2008)
 

 

“A Vida num Sopro” de José Rodrigues dos Santos (Gradiva, 2008) é o corolário de um percurso do autor no campo da ficção, onde se nota uma procura de maturidade que vem desde “A Ilha das Trevas” (2002) e começa a desenhar-se com “A Filha do Capitão” (2004) e sobretudo com “Codex 632” (2005), encontrando-nos neste último caso perante um exercício atraente de resposta ficcional para um enigma histórico. Já “A Fórmula de Deus” (2006) e “O Sétimo Selo” (2007) situaram-se num território em que o jornalista ocupou lugar do ficcionista. No entanto, essas obras permitiram que o autor pudesse dar novos passos no sentido de um melhor domínio da narrativa e da escrita. Com o novo romance, temos o início de uma nova fase na vida literária do autor, num caminho de exigência que, estou certo, irá prosseguir.

  
Liceu Nacional de Bragança em 1929

 

O REGRESSO DA NARRATIVA
Deparamo-nos com o regresso da narrativa e do seu culto. O escritor conta-nos uma história que obriga a um domínio significativo dos acontecimentos e das personagens. Se em “Codex 632” há uma matéria-prima conhecida de factos que o ficcionista procura encenar, de modo que pretende convencer-nos, a partir da não-verdade de algumas explicações oficiais sobre o genovês Colombo, aqui temos como pano de fundo a história portuguesa de 1929 a 1939 e em primeiro plano uma sucessão de encontros e desencontros aparentemente comuns, pontuados pelos versos de Fernando Pessoa: “Dorme, mãe Pátria, nula e postergada / E, se um sonho de esperanças te surgir, / Não creias nele, porque tudo é nada / E nunca vem aquilo que há-de vir”. E é significativo que, neste ano de 2008, que tantos comparam e assemelham a 1929, sejamos levados a reflectir sobre a esperança e a tragédia, de uma teia que se vai urdindo, entre acasos e determinismos, até um desenlace que vai sendo preparado ou adivinhado, pela revelação paulatina do enigma. Estamos diante de uma história do século XX. Sente-se o país profundo. O autoritarismo revoltante de um director de escola. A imposição familiar de uma proibição absurda e de um afastamento ignóbil. Para uma jovem esperançosa. A complacência geral com um clima malsão. A força do acaso que promove o reencontro declarado impossível. O desenlace fatal. A morte. A guerra civil de Espanha que parece apresentar uma saída airosa. A construção de uma mentira policial laboriosa que tudo precipita… Em “A Vida num Sopro” temos o culto da narrativa, claro, persistente, perverso. Sem cedências fáceis, a força do destino vai fazendo das suas e vai levando as personagens para um caminho sem saída. Mesmo quando a pressão trágica parece aliviar-se, surge uma nova circunstância que complica tudo e torna os acontecimentos insustentáveis. E a lição de Thomas Mann é seguido. Os vários passos vão sendo trilhados, como se a realização da terrível profecia da esfinge se fosse tornando cada vez mais fatal. E se Homero foi concedendo a Ulisses a argúcia e o ardil para fugir à condenação do destino, o nosso autor não facilita as coisas e constrói o percurso trágico que a chave do poema pessoano revelará.


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E oiça aqui as minhas sugestões na Rádio Renascença
Guilherme d' Oliveira Martins

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