Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

MORREU O JORNALISTA RODRIGUES DA SILVA

O editor do Jornal de Letras morreu esta madrugada vítima de doença prolongada tinha 69 anos.
 

"...o nosso amigo, o Zé Manel, o último editor de infantaria, o jornalista do eu, o que escrevia as breves, o da escrita gaga, o que aspirava livros, o que um dia disse a uma doutora de um instituição muito importante «não me copule», o que tinha a cagança de nunca votar no PS e queria que se soubesse, o que odiava reuniões, o que detestava «coquetéles», o que sentia falta de uma história dos jornalistas, o que proibia a palavra «evento» e dizia que «incontornável» era uma pessoa muito gorda, o que fazia um blogue de parede, o que não perdia tempo a dizer mal de um filme quando havia outros com coisas boas para se dizer, o inventor das palavras «conanas» e «lambéconas», o primeiro jornalista a entrevistar António Lobo Antunes, o maior defensor do Manoel de Olivieira, o professor que só dava vintes, o que dizia «podes escrever sobre pop desde não me obrigues a ouvir essa merda», o que fazia crónicas que falavam sobre tudo e até sobre cinema, o que considerava Portugal um país tão pequeno que não dava para a tragédia apenas para o drama, o que achava que todos os grandes jornalistas acabam esquecidos."

Nós não nos esquecemos."
 

Manuel Halpern, jornalista do JL 

 

A VIDA DOS LIVROS, por Guilherme d' Oliveira Martins


(de 12 a 18 de Janeiro de 2009)
  

Quando a personagem Tintim chega aos oitenta anos de vida, cumpre referir uma obra fundamental para o conhecimento do fenómeno. Falamos de “Hergé, Filho de Tintim” de Benoît Peeters (tradução de Paula Santana Leite; Verbo, 2007), livro publicado para assinalar o centenário do nascimento de Georges Remi. No ponto de partida desta biografia exaustiva, centrada na personalidade complexa do criador do herói de “Estrela Misteriosa” está a afirmação singularíssima de Hergé: “Tintim era eu, com tudo o que em mim existe de necessidade de heroísmo, de coragem, de sinceridade, de malícia e de desembaraço. Era eu, e garanto que nem perdia tempo a perguntar a mim mesmo se agradava ou não aos miúdos. E os temas que escolhia eram temas que me apaixonavam, sobre os quais havia algo a dizer, sobre os quais eu tinha algo a dizer”… E assim, na aparente simplicidade, Tintim é um caso especial. 


 

 UM CASO À PARTE 
Tintim é, de facto, um caso à parte na história da banda desenhada. Em Portugal, “O Papagaio” em 1936 foi a revista que primeiro internacionalizou a personagem, graças ao Padre Abel Varzim e a Adolfo Simões Müller. As revistas “Diabrete”, “Cavaleiro Andante”, “Foguetão”, “Zorro” e “Tintin” continuaram depois essa tradição pioneira. A história é conhecida, está contada e reporta-se à estada do Padre Varzim em Louvaina (1930-1934), onde estudava Sociologia. O “Petit Vingtième” era o suplemento juvenil do jornal católico belga “Le Vingtème Siècle”, sendo dirigido pelo Padre Norbert Wallez, que o sacerdote português conhecia. Simões Müller, director de “O Papagaio”, revista juvenil da Rádio Renascença, foi alertado para a qualidade das aventuras de Tintim e assim apareceu “Tim-tim na América do Norte”. Foi a primeira tradução mundial e a primeira publicação a cores das aventuras do repórter do “Petit Vingtième”… Mas vamos ao que importa, no dia 10 de Janeiro de 1929, há 80 anos, nasceu Tintim e quando, na Bélgica, foram lançadas as aventuras deste jornalista de idade indefinida, mas com vontade muito determinada, Hergé (Georges Remi) estava convencido de que a nova figura era passageira e que talvez não tivesse vida longa. Surpreendentemente, o desenho impôs-se gradualmente por si e junto do público. E a verdade é que o autor teve a inteligência de abandonar o perfil amadorístico e incerto das primeiras produções, para passar a assumir, progressivamente, as marcas de uma nova escola e de uma nova arte. Nascia a “escola de Bruxelas” que viria a tornar-se inconfundível através da afirmação da “linha clara”, de que Hergé foi indiscutivelmente o chefe de fila. E a banda desenhada europeia ou as histórias de quadradinhos, como se dizia em Portugal desde as origens, ganhou autonomia artística e de público.

 

Para continuar a ler clique aqui


E oiça aqui as sugestões na Rádio Renascença
Guilherme d' Oliveira Martins